Ruhollah Khomeini

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Rūḥollāh Mūsavī Khomeynī
روح الله موسوی خمینی
Rūḥollāh Mūsavī Khomeynī
روح الله موسوی خمینی
Líder Supremo do Irã
Período de governo 3 de dezembro de 1979 a
3 de junho de 1989
Sucessor(a) Ali Khamenei
Vida
Nascimento 24 de setembro de 1902
Khomein, Markazi
 Irã
Morte 3 de junho de 1989 (86 anos)
Teerã, Irã

O Grande Aiatolá Sayyid Ruhollah Musavi Khomeini (em persa روح الله موسوی خمینی, transl. Rūḥollāh Mūsavī Khomeynī, Khomein, 24 de setembro de 1902Teerã, 3 de junho de 1989) foi uma autoridade religiosa xiita iraniana, líder espiritual e político da Revolução Iraniana de 1979 que depôs Mohammad Reza Pahlavi, na altura o xá do Irã. É o fundador do moderno Estado Islâmico e governou o Irã desde a deposição do xá Reza Pahlavi até a sua morte em 1989.

Costuma ser referido como Imã Khomeini dentro do Irã[1] e pelos seus seguidores ao redor do mundo, e como Aiatolá Khomeini fora de seu país.[2]

A religião, a agitação política[editar | editar código-fonte]

O jovem Khomeini.

Nascido "Ruhollah Mousavi" (em persa روح‌الله موسوی‌), recebeu o estatuto de aiatolá (perito em religião/direito) nos anos 1950. Em 1964 ele foi para o exílio, após o seu criticismo reiterado do governo do Mohammad Reza Pahlavi,sendo que este governava de forma corrupta e despótica. Ele fugiu para o Iraque, onde permaneceu até ser forçado a sair em 1978, altura em que ele foi para viver para Neauphle-le-Château na França. De acordo com Alexandre de Marenches (à época chefe do Serviço de Documentação Exterior e Contraespionagem, os serviços secretos franceses), a França teria nesta altura proposto ao xá um "arranjo de acidente fatal de Khomeini". O xá declinou este assassínio, argumentando que isto faria dele um mártir.

Revolução islâmica no Irã[editar | editar código-fonte]

Em 1925, um oficial do exército persa, Reza Pahlevi, ganha fama ao sufocar uma revolta no norte, iniciada pelos comunistas. Pahlevi aproveitou seu posicionamento e instaurou uma ditadura, ao fazer com que o parlamento o nomeasse da Pérsia. Em 1941 – em plena Segunda guerra mundial – o xá se inclinava para o regime nazista. Ante esta situação, tropas britânicas e soviéticas invadem o país, para não perder a principal fonte de abastecimento de petróleo. Reza Pahlevi se exila na Ilha Maurício e abdica em favor de seu filho Mohamed Reza Pahlevi.

Este último, ao terminar a guerra se encontra com a direção do principal país exportador de petróleo do mundo, mas apesar de que esta situação geraria riquezas para o Irã, o nível de vida do povo não melhorava. Ao retirar as tropas estrangeiras de território iraniano, graças às pressões sociais, obrigam ao novo xá a nomear um primeiro-ministro: Mohamed Mossadeg.

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Mohamed Mossadeg era um nacionalista, contrário à ideia de uma ingerência estrangeira na vida iraniana, e muito próximo à hierarquia islâmica xiita. Em sua gestão se nacionalizou o petróleo (1953) e fez abdicar o xá Reza Pahlevi. E assim, como Grã-Bretanha junto aos Estados Unidos promove um levantamento militar, que depõe finalmente Mossadeg, devolvendo o governo ao xá.

Desta forma começa um novo período no Irã, caracterizado por um monarca que quer converter seu país em uma potência econômica e militar na região. Mas embora alguns avanços, seu governo se destacou por sua política de subordinação ao Ocidente e pelos métodos despóticos utilizados contra os dissidentes.

A esta situação se somou a inflação, a escassez de trabalho e os abusos dos Direitos Humanos. O sistema ocidental que queria impor o xá Reza Pahlevi não funcionou, o mal-estar popular foi crescendo até chegar à revolução. O líder religioso Ruhollah Khomeini por suas características pessoais, impôs-se como o líder indiscutível da revolução iraniana.

Em 16 de janeiro, o xá Reza Pahlevi abandona o país; em 10 de Fevereiro de 1979 volta Khomeini do seu exílio na França, dirige a revolução islâmica, deixa sem efeito o regime imperial e proclama a República Islâmica do Irã; devido ao asilo que outorgou os Estados Unidos ao xá – justificando-se em motivos de saúde – em Novembro se produz a expulsão da embaixada americana em Teerã e ao seu pessoal como reféns - um total de 53 –, isto foi utilizado para pressionar e assim liberar recursos iranianos congelados – aproximadamente 23 bilhões de dólares - em contas nos Estados Unidos; em Agosto se anulam acordos de compras de armas aos Estados Unidos; a sua vez se interrompe o fornecimento de petróleo para esse país, e em Dezembro se dita uma nova constituição Teocrática. Desta maneira os Estados Unidos perdem o seu principal aliado no Golfo Pérsico.

Com a revolução, o índice de mulheres na Assembleia cresceu de 0%, na época do xá, para 4,1%, face aos índices no Brasil (8,8%), Estados Unidos (16,3%) e Inglaterra (19,7%),[3] .

A Sharia, Lei Islâmica, foi adotada como manda o Corão, as religiões existentes no país tinham seus próprios tribunais, governados por suas próprias leis.

Embora seja uma teocracia islâmica, há relativa liberdade no que tange aos adeptos das demais religiões abraâmicas, deste modo cristãos, zoroastristas e judeus têm inclusive representantes na Assembleia do país. No entanto, adeptos de crenças não abraâmicas, politeístas ou ateus são penalizados com a pena de morte. Homossexuais, prostitutas e mulheres infiéis também podem ser condenados à morte, baseando-se na Sharia.

Crise dos reféns[editar | editar código-fonte]

Nos primeiros anos da revolução, entre 1979 e 1981, os seguidores de Khomeini mantiveram presos, por 444 dias, um evento conhecido como a crise iraniana dos reféns, 52 americanos na embaixada americana de Teerã. Khomeini afirmou, em 23 de fevereiro de 1980, que o Parlamento iraniano decidiria o destino dos reféns da embaixada americana. O presidente Jimmy Carter tentou salvar os reféns, mas a missão falhou quando os helicópteros enviados tiveram de enfrentar condições adversas de tempo do deserto em Tabas. Alguns iranianos consideraram isto um milagre. Muitos comentaristas apontam este fracasso como a principal causa da perda de Carter nas eleições seguintes, ganhas por Ronald Reagan. Documentários televisivos mostraram mesmo que houve uma negociação entre Reagan e o Irã para alongar a crise até às eleições. Pouco depois deste ser eleito o problema foi "milagrosamente" resolvido. Os reféns voltaram aos Estados Unidos e Reagan marcou pontos na agenda internacional. Alegam que o Irã recebeu uma compensação em forma de armamento.

Guerra Irã-Iraque[editar | editar código-fonte]

Ante o temor de que esta revolução se expandisse na região e em outros Estados islâmicos, os países ocidentais passaram a apoiar o regime de Saddam Hussein e o guia para uma guerra com o Irã. Assim, em 21 de Setembro de 1980, o exército iraquiano realiza um ataque na fronteira com o Irã. A justificativa do Iraque se apoiava em uma velha disputa fronteiriça pela zona do Shatt Al–Arab, mas o verdadeiro objetivo era debilitar o regime iraniano e desta forma não permitir o avanço da ‘Revolução Islâmica’.

Destaque-se que Hussein era patrocinado e financiado pelo Ocidente e alguns países Árabes da região. No caso da Europa, certas empresas proveram a Hussein as armas químicas, que este não duvidou em utilizar, principalmente contra aldeias curdas. A Guerra durou de 1980 a 1988 e produziu no lado iraniano a morte de 300.000 pessoas, deixando um saldo de centenas de milhares de pessoas com sequelas. Vale citar que o Irã utilizou-se do "soldados-crianças" nesta guerra, inclusive para desarmar minas terrestres iraquianas.

Falecimento[editar | editar código-fonte]

Khomeini morreu no hospital, onze dias depois de uma operação feita para tentar parar uma hemorragia interna. Diz-se que uma multidão de mais de um milhão de iranianos reuniu-se à volta do local de enterro, que era suposto não ser conhecido à altura. Encontra-se sepultado no Cemitério Behesht-e Zahra, Teerã no Irã[4]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Moin, Khomeini, (2000), p.201
  2. ''BBC'': Historic Figures: Ayatollah Khomeini (1900–1989) (em inglês) BBC (4 de junho de 1989). Visitado em 19 de março de 2010.
  3. Women in National Parliaments Ipu.org.
  4. Ruhollah Khomeini (em inglês) no Find a Grave.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Moin, Baqer. Khomeini: Life of the Ayatollah. [S.l.]: St. Martin's Press, 2000. ISBN 0312264909.

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