Mohamed Morsi

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Mohamed Morsi
محمد مرسى عيسى العياط
5º Presidente do Egito Egito
Mandato 30 de junho de 2012
a 03 de julho de 2013
Vice-presidente Mahmoud Mekki
Primeiro-ministro Kamal Ganzouri
Hesham Qandil
Antecessor(a) Hosni Mubarak
Sucessor(a) Adly Mansour
Presidente do Partido da Liberdade e da Justiça
Mandato 30 de abril de 2011
a 24 de junho de 2012
Sucessor(a) Essam el-Erian
Membro da Assembleia do Povo do Egito Egito
Mandato 1 de dezembro de 2000
a 12 de dezembro de 2005
Antecessor(a) Hosni Mubarak
Sucessor(a) Mahmoud Abaza (interino)
Vida
Nascimento 20 de Agosto de 1951 (63 anos)
El-Adwah, Egito (1922) Reino do Egito
(atual  Egito)
Dados pessoais
Alma mater Universidade do Cairo
Universidade do Sul da Califórnia
Partido independente (2012-atualidade)
Partido da Liberdade e da Justiça (2011-2012)
Religião Islamismo
Profissão engenheiro

Mohamed Mohamed Morsi Issa al-Ayyat (em árabe: محمد مرسى عيسى العياط) (El-Adwah, Província de Xarqia, 20 de agosto de 1951) é um político do Egito, eleito em 2012 como o 5º presidente da história do seu país.

Entre 30 de abril de 2011 e junho de 2012 foi presidente do Partido da Liberdade e da Justiça, partido político fundado pela Irmandade Muçulmana após a Revolução Egípcia de 2011.[1]

Foi o primeiro presidente civil e primeiro ativista islâmico eleito democraticamente em seu país.[2] Depois de pouco mais de um ano no poder, foi deposto por um golpe militar.[3] [4] [5]

Vida pessoal e profissional[editar | editar código-fonte]

Morsi estudou engenharia na Universidade do Cairo e doutorou-se na mesma área nos Estados Unidos, na University of Southern California. Ainda nos Estados Unidos ele atuou durante alguns anos como professor auxiliar, e lá também nasceram dois de seus cinco filhos, que portanto têm nacionalidade americana. Em seguida, Morsi iniciou a carreira de professor no Egito, na Universidade de Zagazig[6] , dirigindo o Departamento de ciências dos materiais.

Biografia politica[editar | editar código-fonte]

Entre 2000 e 2005 exerceu mandato parlamentar, tendo sido eleito por meio de uma candidatura formalmente independente, mas apoiada pela Irmandade Muçulmana. Durante o mandato, destacou-se como brilhante orador. Em 2005, não conseguiu a reeleição e alegou que o processo tinha sido fraudado[6] .

Com a fundação do Partido da Liberdade e da Justiça, Morsi foi escolhido pela Irmandade Muçulmana para ser o primeiro líder do novo partido[7] . No primeiro turno das eleições presidenciais do Egito ele foi o candidato mais votado (aproximadamente 24%), competindo em um segundo turno contra o candidato independente Ahmed Shafiq, nos dias 16 e 17 de junho 2012.[8]

Foi anunciado em 24 de junho de 2012 como o vencedor do 2º turno das eleições presidenciais do Egito, obtendo 13.230.131 votos (51,73% do total), apoiado pela Irmandade Muçulmana ante 12.374.380 votos do rival (48,27%) Ahmed Shafiq.Assumiu no dia 30 de junho como o primeiro presidente eleito do país após a revolução.[9] Deixou de fazer parte da Irmandade Muçulmana, declarando a sua intenção de ser o presidente de todos os egípcios, mencionando explicitamente a minoria cristã (Coptas).

Em 12 de Agosto de 2012 demitiu várias altas patentes militares, a começar pelo seu líder Mohamed Hussein Tantawi, substituindo-os por militares da sua confiança. Ao mesmo tempo revogou algumas disposições de estatuto constitucional, ditadas imediatamente antes da sua eleição pelo Conselho Supremo das Forças Armadas com a intenção de limitar as competências presidenciais, salvaguardando as do Conselho. As medidas presidenciais de 12 de Agosto foram considerados como actos de afirmação do poder civil face ao poder militar.[10] O seu governo a nível das relações exteriores foi marcado por um rompimento com o Estado sírio[11] e pelo apoio a rebeldes líbios.[12]

No início de novembro de 2012 tiveram início as primeiras grandes manifestações anti-Morsi, que tinham como alvo o projeto de constituição que estava sendo elaborado por uma assembleia constituinte dominada por grupos islamitas. Frente aos protestos, Morsi publicou um decreto que concedia a si mesmo amplos poderes, o que intensificou os protestos. Para reduzir as tensões, após dias de grandes manifestações, Morsi concordou em reduzir seus poderes.

No final do mês, a assembleia constituinte apresentou a versão final da nova constituição, o que gerou uma nova onda de protestos de liberais, secularistas e cristãos coptas. Em resposta, Morsi publicou um decreto determinando que as Forças Armadas protegessem as instituições nacionais e os locais de votação para garantir a realização do referendo sobre a nova constituição, que foi realizado no dia 15 de dezembro, e resultou na aprovação do novo texto constitucional.

Semanas após a aprovação da nova constituição, tiveram início violentos confrontos entre opositores e apoiantes de Morsi, em cidades próximas ao Canal de Suez, que deixaram mais de 50 mortos, que foram contidos por meio do emprego de força militar. Em 29 de janeiro de 2013, o General Abdul Fattah al-Sisi, na época chefe das forças armadas, advertiu que a crise política pode "levar a um colapso do Estado".

No final de abril, o movimento Tamarod (Revolta) deu início a uma coleta de assinaturas contra o governo de Morsi, que pedia novas eleições presidenciais.

No dia 29 de junho, na véspera da data de um ano do início de seu mandato, Morsi fez um discurso com um tom conciliador, no qual admitiu que "cometeu muitos erros" e que eles "precisavam ser corrigidos". No dia seguinte, milhares de manifestantes tomaram as ruas em todo o Egito.

No dia 1º de julho, os militares deram um ultimato para que Morsi atendesse às demandas do público dentro de 48 horas. Em resposta, Morsi afirmou que ele era o líder legítimo do Egito, e que qualquer esforço para tirá-lo à força poderia mergulhar o país no caos.

A legitimidade é a única maneira de proteger nosso país e evitar derramamento de sangue, para passar para uma nova fase.

Na noite do dia 03 de julho, o exército suspendeu a Constituição e anunciou a formação de um governo interino tecnocrata, em resposta, Morsi denunciou o anúncio como um "golpe", e foi levado pelo exército para um local desconhecido[6] .

Em julho de 2013, as Forças Armadas do Egito, lideradas pelo general Abdel Fattah el-Sisi, anunciaram a deposição de Morsi do cargo de presidente do país.[3] [4] [5] Encarcerado pelos militares, foi acusado de incitar a violência no país, espionar para organizações estrangeiras (como o Hamas e o Hezbollah) e de cometer atos de traição contra as leis da nação.[13] [14] Morsi negou as acusações e afirmou ser um perseguido político. A data do julgamento, que ainda não aconteceu, foi adiada várias vezes.[15]

Seus partidários se opuseram à sua derrubada organizando um acampamento de protesto que durou semanas, até que, em 14 de agosto de 2013, o exército reprimiu os protestos e destruiu o acampamento, numa ação que resultou em mais de mil mortes.[6] [16] Um ano após o golpe que removeu Morsi do poder, o general Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, um dos responsáveis por tê-lo deposto, foi eleito o novo presidente do Egito.[17]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. O islamita e o ex-Mubarak na 2.ª volta das presidenciais Diário de Notícias (DN Online) (28/05/2012). Página visitada em 14 de junho de 2012.
  2. Egito tem o seu primeiro presidente islamita DN Online, 24 de Junho 2012
  3. a b Exército egípcio anuncia deposição de Mursi e criação de governo interino - Opera Mundi, 03 de julho de 2013
  4. a b Dois anos após Primavera Árabe, golpe militar derruba Morsi no Egito - O Estado de S.Paulo, 03 de julho de 2013
  5. a b Golpe militar no Egipto: Morsi deposto e Constituição suspensa - O Público, 03 de julho de 2013
  6. a b c d Profile: Egypt's Mohammed Morsi, em inglês, acesso em 02 de setembro de 2014.
  7. Entrevista com Mohamed Morsi (em árabe) Al Jazeera (29/01/2012). Página visitada em 15 de junho de 2012.
  8. Junta Militar egípcia confirma realização de eleições na data prevista Estadão Online (14/06/2012). Página visitada em 15 de junho 2012.
  9. Egito aponta vitória de islamita Mohammed Mursi Folha de São Paulo (24/06/2012). Página visitada em 24 de junho 2012.
  10. Público (Lisboa), 13-8-2012
  11. Egyptian president Morsi severs ties with Syria ABC News. Página visitada em 3 de setembro de 2013.
  12. Egypt Said to Arm Libya Rebels
  13. "Morsi Charges (Arabic)".
  14. Egypt: Pending Charges against Mohammed Morsi
  15. Rose, Aaron. "Morsi prison break trial resumes", 19 de maio de 2014.
  16. Metro UK. Egypt crisis: Hundreds killed in violent Cairo clashes Metro.co.uk. Página visitada em 10 de junho de 2014.
  17. "Landslide victory for Al-Sisi, inauguration slated for Sunday", Daily News Egypt. Página visitada em 10 de junho de 2014.
Precedido por
Hosni Mubarak
Coat of arms of Egypt.svg
Presidente do Egito

30 de junho de 2012
até 3 de julho de 2013
Sucedido por
Adly Mansour