Acidente nuclear de Fukushima I

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O acidente nuclear de Fukushima Daiichi (福島第一原子力発電所事故, Fukushima Dai-ichi Loudspeaker.svg? pronúncia genshiryoku hatsudensho jiko?) diz respeito a uma série de falhas de equipamentos da Central Nuclear de Fukushima I, no Japão, e de lançamentos de materiais radioativos no ambiente, em consequência dos danos causados pelo sismo de Tōhoku, seguido de tsunami, que ocorreu às 14:46 JST em 11 de março de 2011[1] [2] . A central nuclear desenvolvida pela General Eletric[3] é composta por seis reatores de água fervente em separado mantidos pela Tokyo Electric Power Company (TEPCO). Os reatores 4, 5 e 6 haviam sido fechados para manutenção antes do terremoto.[4] Os reatores restantes foram fechados automaticamente após o terremoto e geradores de emergência foram iniciados para manter as bombas de água necessárias para resfriá-los. A central foi protegida por um dique projetado para resistir a um maremoto de 5,7 metros de altura, mas cerca de 15 minutos após o terremoto foi atingido por uma onda de 14 metros,[5] que chegou facilmente ao topo do paredão. A planta inteira, incluindo o gerador de baixa altitude, foi inundada. Como consequência, os geradores de emergência foram desativados e os reatores começaram a superaquecer devido à deterioração natural do combustível nuclear contido neles. Os danos causados pela inundação e pelo terremoto impediram a chegada da assistência que deveria ser trazida de outros lugares, o que causou contaminação radioativa no mar[6] de 265 becquerels por milímetro cúbico na costa leste japonesa.[7] Segundo especialistas, o acidente ocorreu por causa da necessidade da empresa que operava o reator de reduzir custos com segurança e também por conta da conivência do governo com o baixo nível das inspeções na usina.[8] A empresa dona da usina também foi acusada pelo site de notícias GizModo de terceirizar a limpeza do reator para a Yakuza[9] e o descarte dos escombros mediante incineração.[10] O acidente nuclear segundo o Japão Times emitiu 14 mil vezes mais radiação do que a Bomba de Hiroshima[11] e deslocou 270 mil pessoas.[12] O acidente nuclear emitiu mais isótopos radioativos de iodo e césio do que a usina de Chernobyl.[13] [14]

Causas[editar | editar código-fonte]

Mapa mostrando o epicentro do terremoto e a posição das centrais nucleares afetadas.

Devido à falta de arrefecimento pela água, os reactores, mesmo desactivados, aqueceram levando a uma fusão parcial do núcleo nos reatores 1, 2 e 3; explosões de hidrogênio destruíram o revestimento superior dos edifícios de alojamento dos reatores 1, 3 e 4; uma explosão danificou o confinamento dentro do reator 2; e múltiplos incêndios eclodiram no reator 4. Além disso, as barras de combustível armazenado em piscinas de combustível irradiado das unidades 1-4 começaram a superaquecer os níveis de água nas piscinas abandonadas. Receios de vazamentos de radiação levaram a uma evacuação de 2000 km de raio ao redor da planta. Os trabalhadores da fábrica sofreram exposição à radiação e foram temporariamente evacuados em vários momentos. Em 11 de abril, as autoridades japonesas designaram a magnitude do perigo em reatores 1, 2 e 3 no nível 7 da Escala Internacional de Acidentes Nucleares (INES).[15] A energia foi restaurada para partes da central nuclear em 20 de março, mas máquinas danificadas por inundações, incêndios e explosões permaneceram inoperantes.[16]

Reações[editar | editar código-fonte]

Medições realizadas pelo Ministério da Ciência e Educação do Japão nas áreas do norte do Japão entre 30 e 50 km da área apresentaram níveis altos de césio radioativo, suficientes para causar preocupação.[17] Alimentos produzidos na área foram proibidos de serem vendidos. Foi sugerido que as medições mundiais de iodo-131 e de césio-137 indicaram que os lançamentos radioativos de Fukushima são da mesma ordem de grandeza que os lançamentos de isótopos do desastre de Chernobil em 1986;[18] [19] [20] O governo de Tóquio recomendou que a água da torneira não deve ser usada temporariamente para preparar alimentos para crianças. Contaminação por plutônio[21] [22] foi detectada no solo em dois locais da central nuclear.[23]

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou em 27 de março que os trabalhadores da central foram internados por precaução, em 25 de março, por terem sido expostos a níveis de radiação entre 2 e 6 Sv em seus tornozelos quando em pé na água na unidade 3. [24] [25] [26] A reação internacional ao acidente também era preocupante. O governo japonês e a TEPCO têm sido criticados por má comunicação com o público[27] [28] e esforços de limpeza improvisados.[29] Especialistas dizem que uma força de trabalho de centenas ou mesmo milhares levariam anos ou décadas para limpar a área.[30] Em 20 de março, o chefe de gabinete do secretário Yukio Edano anunciou que a estação seria desativada logo que a crise acabar.

Situação em 2014[editar | editar código-fonte]

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Editado pela última vez em 14 de julho de 2014.

Vazamentos de material radioativo[editar | editar código-fonte]

Em 9 de abril de 2013, houve vazamento de água radioativa proveniente dos tanques subterrâneos de armazenamento, contaminando  o solo e as água nas proximidades. A Tepco informou que o vazamento havia sido mínimo e que fora controlado, sendo que a água radioativa já havia sido armazenada numa área restrita. Na ocasião, a usina de Fukushima já tinha armazenado mais de 270 mil toneladas de água altamente radioativa, consumindo mais de 80% da capacidade de armazenamento da usina. A Tepco adiantou que a quantidade de água contaminada deve dobrar nos próximos três anos e que planeja atender a demanda de armazenamento através da construção de centenas de tanques de água adicionais, em meados de 2015.[31]

Três meses depois, em 9 de julho, a Tepco informou que o nível de césio radioativo da água de um poço na área da usina era 90 vezes maior do que três dias antes, e que a água contaminada poderia se espalhar pelo Oceano Pacífico. A Tepco também informou que os níveis de césio-134 na água do poço estavam em 9.000 becquerels por litro, ou seja, 150 vezes o nível máximo permitido. Já o nível de césio-137 atingira 18.000 becquerels - 200 vezes o nível permitido. Foram os mais altos níveis de césio apresentados desde o desastre de março de 2011.[32]

Contaminação do Oceano Pacífico[editar | editar código-fonte]

A Tepco usa diariamente um grande volume de água para refrigerar os reatores da usina que foram desativados após o acidente. Toda essa água é armazenada em mais de mil tanques construídos no local. Em contato com as varetas de combustível nuclear, a água se torna altamente radioativa e precisa ser armazenada em grandes tanques, onde passa por um processo de purificação. 400 toneladas de água radioativa são produzidas a cada dia em Fukushima.[33]

Em agosto de 2013, quase dois anos e meio após o acidente nuclear, verificaram-se vários vazamentos de material radioativo e, ainda, a possibilidade de um grande transbordamento de água contaminada com material radioativo para o Oceano Pacífico, colocando em estado de emergência o complexo nuclear de Fukushima e acirrando as pressões sobre a Tepco. O governo do Japão acredita que os vazamentos de água estejam ocorrendo há dois anos.[34]

A Tepco havia construído uma barreira subterrânea junto ao mar, mas a água proveniente dos reatores danificados está passando por cima da estrutura de contenção. Segundo um dirigente do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, o volume de água despejado diariamente no Pacífico é de aproximadamente 300 toneladas. Segundo o jornal Asahi Shimbun, uma força-tarefa do governo japonês calculou em três semanas o prazo para a água contaminada chegar à superfície.[35] [36]

Nos últimos dois meses, a Tepco tem trabalhado com o Governo numa solução que consiste em congelar o solo em volta dos reatores, para impedir a saída de água radioativa e seu contacto com a água limpa que vem das montanhas. Para isso, será necessário fazer perfurações no solo e injetar um fluido refrigerante, num perímetro de 1,4 km. A metodologia nunca foi testada nessa escala e poderá custar 40.000 milhões de ienes (310 milhões de dólares).[36]

Até pouco tempo atrás, a Tepco dizia que conseguira manter a água radioativa na região da usina e que havia sido bem sucedida em evitar que essa água fosse para o oceano. Tal afirmação foi contestada, e a Tepco afinal admitiu que provavelmente parte da água contaminada estaria vazando para o mar.[37]

No final de agosto, um vazamento dessa água radioativa usada no resfriamento de um dos reatores danificados fez a Tepco elevar o nível de risco de 1 para 3, na Escala Internacional de Acidentes Nucleares (conhecida como escala Ines, sigla de International Nuclear and Radiological Event Scale), que vai até 7. De fato já houve pelo menos quatro vazamentos semelhantes. Aparentemente, a causa desses eventos está na vedação dos tanques de armazenamento. Segundo Neil Hyatt, professor da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, "para manter o ritmo de armazenamento da água radioativa, a Tepco optou por usar tanques com vedação plástica. Rachaduras nessas vedações foram as causas no vazamento". Acredita-se que 30% dos tanques tenham sido construídos dessa forma. [33] Os efeitos da nuvem radioativa chegaram até a costa oeste do Canadá.[38] [39]

Referências

  1. Richard Black (18). Fukushima - disaster or distraction? (HTML) (em Língua inglesa). BBC. BBC. Página visitada em 11 de julho de 2014. "Japan's nuclear safety agency has uprated its assessment of the Fukushima power station incident from a level four to a level five .... Level five is defined as an 'accident with wider consequences"
  2. Japan's unfolding disaster 'bigger than Chernobyl' (HTML) (em Língua inglesa). Agence France-Presse. The New Zealand Herald (2). Página visitada em 11 de julho de 2014.
  3. MATTHEW MOSK (15). Fukushima: Mark 1 Nuclear Reactor Design Caused GE Scientist To Quit In Protest (HTML) (em Língua inglesa). American Broadcasting Company. American Broadcasting Company. Página visitada em 11 de julho de 2014.
  4. Richard Black (15). Reactor breach worsens prospects (HTML) (em Língua inglesa). BBC. BBC. Página visitada em 11 de julho de 2014.
  5. Fukushima faced 14-metre tsunami (HTML) (em Língua inglesa). WNN. WNN (23). Página visitada em 11 de julho de 2014.
  6. Rupert Wingfield-Hayes (6). Fukushima radioactive water leak an 'emergency' (HTML) (em Língua inglesa). BBC. BBC. Página visitada em 11 de julho de 2014.
  7. N. Casacuberta; P. Masque, J. Garcia-Orellana, R. Garcia-Tenorio, K. O. Buesseler (6). Sr and Sr in seawater of Japan as a consequence of the Fukushima Dai-ichi nuclear accident (PDF) (em Língua inglesa). Biogeosciences Discussions. Biogeosciences Discussions. Página visitada em 11 de julho de 2014.
  8. RISA MAEDA; LINDA SIEG (5). Japan's atomic disaster due to "collusion:" panel report (HTML) (em Língua inglesa). Reuters. Reuters. Página visitada em 11 de julho de 2014.
  9. Sam Biddle (28). Yakuza, Lies, and Danger Are Only a Few Reasons to Hate TEPCO (HTML) (em Língua inglesa). GizModo. GizModo. Página visitada em 11 de julho de 2014.
  10. MICHAEL MCATEER (4). Japan's Latest Nuclear Crisis: Getting Rid of the Radioactive Debris (HTML) (em Língua inglesa). The Atlantic. The Atlantic. Página visitada em 11 de julho de 2014.
  11. ANDREW DEWIT; CRISTÓVÃO HOBSON (28). Government must take over Fukushima nuclear cleanup (HTML) (em Língua inglesa). Japan Times. Japan Times. Página visitada em 11 de julho de 2014.
  12. RICHARD MARTIN; data=11 (3 2014). Japan's Fukushima recovery: What's been done and what's still to do (+video) (HTML) (em Língua inglesa). Christian Science Monitor''. Christian Science Monitor.
  13. US Analysis: Fukushima released 200% as much radioactive iodine as Chernobyl — Only includes Reactors 1 and 3 (HTML) (em Língua inglesa). ENENews. ENENews (17). Página visitada em 14 de julho de 2014.
  14. Cesium-137 contamination: Fukushima amounts to four Chernobyls (HTML) (em Língua inglesa). Russia Today. Russia Today (24). Página visitada em 14 de julho de 2014.
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  16. KOSAKU NARIOKA (20). Japan Nuclear Fight May Have Turned Cornern (HTML) (em Língua inglesa). The Wall Street Journal. The Wall Street Journal. Página visitada em 11 de julho de 2014.
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  18. Aktuelle Informationen. Web site of the Central Institute for Meteorology and Geodynamics (ZAMG), Austria's national weather service agency (dados em alemão).
  19. MacKenzie, Debora (24). Fukushima radioactive fallout nears Chernobyl levels [ligação inativa] (HTML) (em Língua inglesa). New Scientist. New Scientist. Página visitada em 11 de julho de 2014 de 2014. Página visitada em 11 de julho de 2014 de 2014. Cópia arquivada em http://www.webcitation.org/5xRjHTuh3.[ligação inativa]
  20. Charlie Martin, Science and Technology Editor. New Scientist and the Wall of Zeros. Pajamas Media.
  21. FREDRIK DAHL (19). Japan mulls Fukushima food sale ban: IAEA (HTML) (em Língua inglesa). Reuters. Reuters. Página visitada em 11 de julho de 2014.
  22. Justin McCurry (23). Tokyo water unsafe for infants after high radiation levels detected (HTML) (em Língua inglesa). The Guardian. The Guardian. Página visitada em 11 de julho de 2014.
  23. “Results of Pu measurement in the soil in Fukushima Daiichi Nuclear Power Plant”, TEPCO Attachment to press release 28 March 2011 (PDF) (em Língua inglesa). Tepco. Tepco (23). Página visitada em 11 de julho de 2014.
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  25. Fukushima Nuclear Accident Update Log (HTML) (em Língua inglesa). AIEA. AIEA (2). Página visitada em 11 de julho de 2014.
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  27. Wieland Wagner (15). Problematic Public Relations:Japanese Leaders Leave People in the Dark (HTML) (em Língua inglesa). Der Spiegel. Der Spiegel. Página visitada em 11 de julho de 2014.
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Ver também[editar | editar código-fonte]

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