Central Nuclear de Fukushima I

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Fukushima I

Central Nuclear de Fukushima I ou Central Nuclear de Fucoxima I[1] é uma central nuclear localizada na cidade de Okuma, no distrito de Futaba e Prefeitura de Fukushima ou Fucoxima, na ilha de Honshu, Japão. Foi a primeira central nuclear construída e administrada pela The Tokyo Electric Power Company (Tepco), e é formada por seis reatores de água fervente. Esses reatores de água leve têm uma capacidade combinada de 4,7 GW, fazendo de Fukushima I uma das 25 maiores centrais nucleares do mundo.[2] [3] [4]

A Central Nuclear de Fukushima II, situada 11,5 km ao sul, também é a administrada pela Tepco.

Sismo de Sendai de 2011[editar | editar código-fonte]

Um dos efeitos do sismo e tsunami de Sendai (ou de Tōhoku), ocorrido em 11 de março de 2011, foi a explosão ocorrida no dia 12 de março na Central Nuclear de Fukushima I. O tsunami atingiu-a e provocou uma avaria no sistema de refrigeração. O corte de electricidade impediu a recuperação desse sistema, permitindo que os bastões do combustível continuassem a aquecer, aumentando a pressão e originando a explosão.

No dia anterior fora declarado estado de emergência na central nuclear e, apesar da informação de que não havia fugas radioactivas, evacuaram-se cerca de 3000 residentes num raio de 3 km do reator.[5] Horas depois o raio de evacuação tinha sido elevado para 10 km, afectando já 45 000 pessoas[6] .

O reactor é refrigerado através da circulação de água através do seu combustível nuclear, tendo sido detectada uma alta pressão de vapor no reactor - o dobro do permitido. A empresa Tokyo Electric Power avaliou a possibilidade de liberar parte desse vapor para reduzir a pressão no reator, vapor esse que contém material radioativo. Os níveis de radiação na sala de controlo da central eram cerca de 1000 vezes maiores que os níveis normais, [7] e, na entrada da central, foram medidos níveis 8 vezes superiores aos normais,[8] [9] existindo a possibilidade de uma derretimento nuclear.[10]

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, falou ao país após o sismo, lamentando o sucedido e oferecendo as suas condolências às famílias das vítimas. Indicou igualmente que já estaria em marcha a construção de um quartel-general para as operações de emergência e assegurou que não havia sido detectada nenhuma fuga radioactiva nas centrais nucleares do país.

Em 15 de março o acidente foi classificado como nível 6 (o nível máximo é 7).[11] Em 11 de abril, a classificação subiu para o nível 7, o mesmo do acidente de Chernobyl[12] [13] [14] .

Vazamentos de material radioativo[editar | editar código-fonte]

Em 9 de abril de 2013, houve vazamento de água radioativa proveniente dos tanques subterrâneos de armazenamento, contaminando  o solo e as água nas proximidades. A Tepco informou que o vazamento havia sido mínimo e que fora controlado, sendo que a água radioativa já havia sido armazenada numa área restrita. Na ocasião, a usina de Fukushima já tinha armazenado mais de 270 mil toneladas de água altamente radioativa, consumindo mais de 80% da capacidade de armazenamento da usina. A Tepco adiantou que a quantidade de água contaminada deve dobrar nos próximos três anos e que planeja atender a demanda de armazenamento através da construção de centenas de tanques de água adicionais, em meados de 2015.[15]

Três meses depois, em 9 de julho, a Tepco informou que o nível de césio radioativo da água de um poço na área da usina era 90 vezes maior do que três dias antes, e que a água contaminada poderia se espalhar pelo Oceano Pacífico. A Tepco também informou que os níveis de césio 134 na água do poço estavam em 9.000 becquerels por litro, ou seja,  150 vezes o nível máximo permitido. Já o nível de césio-137 atingira 18.000 becquerels - 200 vezes o nível permitido. Foram os mais altos níveis de césio apresentados desde o desastre de março de 2011.[16]

Contaminação do oceano Pacífico[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 2013, quase dois anos e meio após o acidente nuclear, verificaram-se vários vazamentos de material radioativo e, ainda, a possibilidade de um grande transbordamento de água contaminada com material radioativo para o oceano Pacífico, colocando em estado de emergência o complexo nuclear de Fukushima e acirrando as pressões sobre a Tepco. O governo do Japão acredita que os vazamentos de água estejam ocorrendo há dois anos.[17] [18]

A Tepco havia construído uma barreira subterrânea junto ao mar, mas a água proveniente dos reatores danificados está passando por cima da estrutura de contenção. Segundo um dirigente do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, o volume de água despejado diariamente no Pacífico é de aproximadamente 300 toneladas por dia. Segundo o jornal Asahi Shimbun, uma força-tarefa do governo japonês calculou em três semanas o prazo para a água contaminada chegar à superfície.[19] [20]

Nos últimos dois meses, a Tepco tem trabalhado com o Governo numa solução que consiste em congelar o solo em volta dos reatores, para impedir a saída de água radioativa e o contacto com a água limpa que vem das montanhas. Para isso, será necessário fazer perfurações no solo e injetar um fluido refrigerante, num perímetro de 1,4 km. A metodologia nunca foi testada nessa escala e poderá custar 40.000 milhões de ienes (310 milhões de dólares).[20]

Até pouco tempo atrás, a Tepco dizia que mantinha a água radioativa na região da usina e que havia sido bem sucedida em evitar que essa água fosse para o oceano. Tal afirmação foi contestada, e a Tepco afinal admitiu que provavelmente parte da água contaminada estaria vazando para o mar.[21]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. dn.pt. Japão faz soar alarme nuclear no mundo. Página visitada em 17-3-2011.
  2. Nuclear Reactor Maps: Fukushima-Daiichi. Council for Security Cooperation in the Asia Pacific. Página visitada em 12 de março de 2011.
  3. "Reactors in operation". IAEA. Reatores em operação, por país, em 31 de dezembro de 2009.
  4. "Nuclear Power in Japan". World Nuclear Association
  5. Reuters América Latina. Emergencia en planta nuclear de Japón, sin pérdida. Página visitada em 11-3-2011.
  6. El Mundo. Personal de la Agencia Japonesa de Seguridad Industrial y Nuclear han informado que los niveles de radiactividad son mil veces superiores a los normales. Página visitada em 11-3-2011.
  7. Kyodo Reports Radiation Eight Times Normal Near Fukushima Nuclear Plant, 1,000 Times Normal In Control Room. Zero hedge, 11 de março de 2011.
  8. Official: 2 Japanese plants struggling to cool radioactive material. Página visitada em 12-3-2011.
  9. News blog on earth quake events, CNN. Página visitada em 12-3-2011.
  10. Fukushima vive el peor accidente nuclear desde Chernóbil. Página visitada em 6 de agosto de 2013.
  11. elmundo.es (15-3-2011). Así son los niveles de alerta nuclear. 15-3-2011. Página visitada em 15-3-2011.
  12. Le Japon élève au niveau 7 l’accident nucléaire de Fukushima. Ouest France, 12 de abril de 2011.
  13. Fukushima : accident au niveau 7. Europe1.fr / Reuters, 12 de abril de 2011.
  14. Fukushima au même niveau que Tchernobyl. Europe1, 12 de abril de 2011.
  15. Russia Today. Radioactive water leaks from Fukushima nuclear plant
  16. Radioactive cesium level soars 90-fold at Fukushima in just 3 days. RT, 9 de julho de 2013.
  17. Usina de Fukushima libera água contaminada no mar "há 2 anos", diz Japão. Reuters, 7 de agosto de 2013.
  18. Premiê japonês diz que intervirá para consertar Fukushima. Técnicos admitem que vazamento contínuo de água radioativa já gera contaminação no oceano Pacífico. Plano para interromper o vazamento que parte do subterrâneo inclui o congelamento da terra ao redor de Fukushima. Folha de S. Paulo/ NY Times', 8 de agosto de 2013.
  19. Vazamento de água radioativa cria nova emergência em Fukushima. Agência reguladora denuncia gestora do complexo por contaminação do lençol freático. O Globo, 5 de agosto de 2013.
  20. a b Governo japonês vai intervir em Fukushima para conter água radioactiva. Público, 7 de agosto de 2013.
  21. Fukushima libera 300 ton de água contaminada no mar. Estadão, 7 de agosto de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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