Energia no Japão

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O Japão possui uma significativa carência de fontes de combustível fóssil, exceto carvão, e, por isso, precisa importar grandes volumes de petróleo cru, gás natural e outros recursos energéticos, incluindo urânio. Em 1990, a dependência do Japão pela importação de energia primária representava mais de 85% e o país necessitava um volume total de energia da ordem de 428,2 milhões de toneladas de petróleo.

Panorama[editar | editar código-fonte]

Energia no Japão[1] [2] [3]
Capita Energia Prim. Produção Importação Eletricidade Emissão de CO2
Milhões TWh TWh TWh TWh Mt
2004 127.7 6,201 1,125 5,126 1,031 1,215
2007 127.8 5,972 1,052 5,055 1,083 1,236
2008 127.7 5,767 1,031 4,872 1,031 1,151
Change 2004-2008 0 % -7.0 % -8.4 % -5.0 % -0.1 % -5.3 %
Mtoe = 11.63 TWh, Energia Prim. Inclui perdas de energia que são 2/3 da energia nuclear[4]

Uso da Energia[editar | editar código-fonte]

O elevado crescimento industrial do Japão desde o fim da Segunda Guerra Mundial dobrou o consumo de energia do país a cada cinco anos, na década de 1990. Durante o período de crescimento acelerado de 1960-72, o consumo de energia cresceu muito mais rápido que o Produto Interno Bruto (PIB), dobrando a participação japonesa no consumo de energia mundial. Em 1976, com apenas 3% da população mundial, o Japão consumia 6% da energia gerada no mundo.

Em 1990, o consume totalizava 298 milhões de toneladas: 46,7% era usada pela indústria; 23,3% pelo setor de transporte; 26,6% para agricultura, residência, serviços e outros usos; e 3,3% para usos não-energéticos, tais como lubrificante e asfalto.

Geração elétrica[editar | editar código-fonte]

Em 2008, o Japão ocupava a terceira posição no ranking mundial de produção de energia elétrica, atrás de Estados Unidos e China, com 1.025×1012 kWh produzidos por ano.[5]

Quanto ao consumo per capita de eletricidade, uma pessoa média no Japão consumiu 8 459 Kilowatt-horas em 2004, comparados com os 14 240 do americano médio. Ocupava a 18ª posição entre os países do mundo. Entre 1990 e 2004, seu consumo de eletricidade per capita aumentou 21,8%.[6]

Com 53 unidades de reatores gerando energia nuclear em 2009, o Japão ocupava a terceira posição no mundo nesse aspecto, atrás somente de Estados Unidos (104 reatores) e França (59).[7] Quase um quarto (24,93%) de sua produção elétrica provinha de usinas nucleares, comparando com os 76,18% da França e 19,66% dos Estados Unidos.[8]

Em 1989, o Japão era o terceiro produtor mundial de eletricidade. Cerca de 75% da energia disponível era controlada por dez grandes usinas energéticas regionais, das quais a The Tokyo Electric Power Company era a maior do mundo. A eficiência energética do Japão estava entre as maiores do mundo.

Oferta de energia elétrica[editar | editar código-fonte]

A Estação de Conversão de Frequencia Sakuma

O Japão não possui uma rede nacional unificada como a maioria dos outros países industrializados possui, mas tem duas redes separadas, a do leste e a do oeste. A voltagem padrão de energia é de 100 Volts, mas as redes operam com freqüências diferentes: 50-Hz no leste do Japão e 60-Hz no oeste do país.[9] A rede é conectada por três conversores de frequência (Higashi-Shimizu, Shin Shinano e Sakuma) mas eles só conseguem lidar com 1 Gigawatt (GW).[10] O Sismo e tsunami de Tohoku de 2011 resultaram no desligamento forçado de 11 reatores, com perdas de 9,7 GW.[10] As três estações de conversão não foram capazes de transferir energia suficiente da rede elétrica do oeste do Japão para ajudar a rede do leste.

As duas redes foram originalmente desenvolvidas por empresas separadas. A Tokyo Eletric Light Co (TELCO) foi fundada em 1883, que também instalou a energia elétrica no Japão. Em 1885, a demanda havia crescido o suficiente para que a TELCO trouxesse equipamentos de geração da AEG, da Alemanha.[10] O mesmo ocorreu com a região ocidental do Japão, com a General Eletric sendo a fornecedora da Osaka Eletric Lamp.[10] Os equipamentos da GE usavam o padrão norte-americano de 60 Hz, enquanto os equipamentos da AEG usavam o padrão europeu de 50 Hz.[10]

Usinas[editar | editar código-fonte]

No Japão, o mercado da energia elétrica está dividido em 10 empresas regulamentadas:

Fontes de energia[editar | editar código-fonte]

Produção de eletricidade no Japão por fonte (em inglês).

Em 1950, o carvão era responsável por metade da energia consumida no Japão, a hidroeletricidade por um terço, e o petróleo pelo resto. Em 1988, o petróleo supria o Japão com 57,3% de suas necessidades energéticas, o carvão 18,1%, o gás natural 10,1%, a energia nuclear 9,0%, energia hidroelétrica 4,6%, energia geotérmica 0,1% e 1,3% vinha de outras fontes. Em 2001, a contribuição do petróleo diminuiu para 50,2% do total, com aumentos no uso de energia nuclear e gás natural.[11]

Japão – uso de energia primária
Gasolina 1950 1988 2001[11]
'Carvão 50% 18,1% 16,8%
Hidro 33% 4,6% 4,0%
Petróleo 17% 57,3% 50,2%
Gás natural - 10,1% 13,6%
Nuclear - 9,0% 14,4%
Outros - 1,3% 1,0%

Petróleo e diversificação[editar | editar código-fonte]

Devido às duas crises do petróleo da década de 1970 (1973 e 1979), o Japão fez esforços para diversificar para outras formas de fontes de energia a fim de aumentar a segurança energética. O consumo de petróleo doméstico do Japão diminuiu um pouco, de cerca de 5,1 milhões de barris de petróleo por dia no final da década de 1970 para 4,9 milhões de barris por dia em 1990. Enquanto o uso de petróleo pelo país diminuiu, seu consumo de energia nuclear e GNL cresceu substancialmente. Algumas indústrias japonesas, incluindo companhias de energia elétrica e metalúrgicas, mudaram do petróleo para o carvão, a maior do qual é importado.

O estoque do estado equivale a cerca de 92 dias de consumo e os estoques controlados pela iniciativa privada equivalem a outros 77 dias de consumo, totalizando 169 dias ou 579 milhões de barris.[12] [13] O estoque japonês é controlado pela Oil, Gas and Metals National Corporation.[14]

Gás natural[editar | editar código-fonte]

Como a produção doméstica de gás natural é mínima, a demanda é suprida em grande parte pela importação. Os principais fornecedores de GNL ao Japão, em 1987, eram: Indonésia (51,3%), Malásia (20,4%), Brunei (17,8%), Emirados Árabes Unidos (7,3%), e Estados Unidos (3,2%).

Energia nuclear[editar | editar código-fonte]

Os japoneses estavam trabalhando para aumentar a oferta de energia nuclear nas últimas décadas. Apesar de o Japão ter sido um iniciante tardio neste campo, o país importou tecnologia dos Estados Unidos e obteve urânio de Canadá, França, África do Sul e Austrália. Em 1991, o país tinha 42 reatores nucleares em operação, com uma capacidade de geração total de aproximadamente 33 milhões de kilowatts. A proporção de geração de energia nuclear em relação ao total da produção elétrica aumentou de 2% em 1973 para 23,6% em 1990.

Durante a década de 1980, o programa de energia nuclear do Japão foi fortemente combatido por grupos ambientalistas, principalmente depois do acidente de Three Mile Island, nos Estados Unidos. Outros problemas para o programa foram os custos crescentes dos reatores nucleares e combustível, o grande investimento necessário para enriquecer o urânio e indústrias de reprocessamento, falhas em reatores e despejo de resíduos radioativos. Apesar disso, o Japão continuou a construir usinas nucleares. Após o sismo e tsunami de Tohoku de 2011, alguns reatores nucleares foram danificados, causando muita incerteza e medo sobre a liberação de material radioativo, bem como colocou em debate os padrões de design nuclear sísmico japonês.

Energia renovável[editar | editar código-fonte]

Das fontes de energia alternativas, o Japão parcialmente explora a energia geotérmica.[15] O país tinha 6 estações de energia geotérmicas com uma capacidade combinada de 133 mil kilowatts em 1989.

Além disso, apesar de contribuir apenas com uam pequena parcela do total, o Japão tinha a segunda maior produção de célula fotoelétrica do mundo, até ser ultrapassado pela Alemanha em 2005, ano em que os japoneses respondiam por 38% da oferta mundial, em comparação com os 39% dos alemães.[16]

Emissão de Carbono[editar | editar código-fonte]

Emissão de CO2 per capita por ano, por país (em 2004)
PIB versus consumo de energia, 1958-2000

Em 2003, o Japão era o quinto maior emissor de gás carbônico, gerando 5% do total mundial. Em 2003, o Japão ocupava a posição 36 no ranking dos países com maiores emissões de dióxido de carbono per capita.

Relatórios indicam que o Japão está encontrando dificuldades em cumprir sua meta de 6% de redução prevista no Protocolo de Kyoto, em parte devido ao fato de que as indústrias japonesas já são muitos eficientes no consumo de energia.[17] Apesar disso, o ex-Primeiro Ministro Shinzo Abe propôs um corte de 50% nas emissões mundiais até 2050, e espera que o Japão exerça um papel de liderança nesse esforço.[17]

Emissão de dióxido de carbono (milhares de toneladas métricas de CO2)[18]
Ano CO2 Variação
1990 1.072.420 0%
1991 1.094.350 2,04%
1992 1.106.500 3,18%
1993 1.081.490 0,85%
1994 1.132.560 5,61%
1995 1.138.750 9,19%
1996 1.169.550 9,06%
1997 1.170.120 9,11%
1998 1.130.600 5,43%
1999 1.165.720 8,7%
2000 1.207.980 12,64%
2001 1.191.390 11,09%
2002 1.205.480 12,41%
2003 1.233.640 15,03%

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. IEA Key energy statistics 2010 Page: Country specific indicator numbers from page 48 (em inglês)
  2. Key world energy statistics 2009 (em inglês)
  3. Key world energy statistics 2006 (em inglês)
  4. Energy in Sweden 2010, Facts and figures, The Swedish Energy Agency, Table 8 Losses in nuclear power stations Table 9 Nuclear power brutto (em inglês)
  5. Electricity - production 2008 Country Ranks (em inglês)
  6. Electricity Consumption Per Capita 2004 - Country Rankings (em inglês)
  7. Nuclear Power Plants by Country 2009
  8. Nuclear Share in Electricity Generation by Country 2008 (em inglês)
  9. Electricity in Japan (em inglês)
  10. a b c d e Williams, Martyn. "A legacy from the 1800s leaves Tokyo facing blackouts", Computerworld, 18 de março de 2011. Página visitada em 21 de março de 2011.
  11. a b Country Analysis Briefs - Japan, US Energy Information Administration, published January 2004, accessdate 2007-05-10
  12. "Energy Security in East Asia", Institute for the Analysis of Global Security, 2004-08-13.
  13. "Energy Security Initiative", Asia Pacific Energy Research Center, 2002-01-01.
  14. http://www.jogmec.go.jp/english/index.html
  15. Demetriou, Danielle. "Japan taps into power of volcanoes with geothermal energy plants", The Daily Telegraph, 05/01/2009.
  16. Japan lags behind Europe in solar power. Yomiuri Shimbun, publicado em 10/05/2007. Accessado em 14/05/2007.
  17. a b Japan eyes 50% greenhouse gas cut, BBC, publicado em 24 de maio de 2007, acessado em 20 de junho de 2007.
  18. Dioxyde de carbone (CO2), émissions en mille tonnes de CO2 (CDIAC) United Nations (20 de novembro de 2006). Página visitada em 28 de abril de 2007. Cópia arquivada em 10 de março de 2007.