Atol de Bikini

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Bikini
11° 35′ N 165° 23′ E
Geografia física
País Ilhas Marshall
Arquipélago Ilhas Ralik
Geografia humana
População 0
Bikini Atoll.png
Atol Bikini - Imagem de satélite - NASA NLT Landsat 7 (visível)

O Atol de Bikini é um atol do Oceano Pacífico onde se deu, em julho de 1946, uma explosão atômica experimental. Também conhecido como Atol de Pikini, é um atol desabitado de 6 km² localizado na Micronésia, no Oceano Pacífico, 11° 30' N 165° 25' E. O Atol de Bikini é membro das Ilhas Marshall e é formado por 36 ilhas que rodeiam uma lagoa. O atol foi parte do programa de testes nucleares desenvolvido pelos Estados Unidos da América, após ser invadida durante a 2ª Guerra Mundial. No local foram lançadas mais de 20 bombas de hidrogênio e bombas nucleares, entre julho de 1946 e 1958.

Antes da realização dos testes nucleares, a população nativa foi transferida para o Atol de Rongerik. No fim dos anos 1960 e começo dos anos 1970, alguns dos antigos moradores do Atol de Bikini retornaram das Ilhas Kili, mas foram novamente transferidos, devido a alta radioatividade.

O navegador e explorador Otto von Kotzebue chamou o "Atol Bikini" como Atol Eschscholtz em homenagem ao cientista Johann Friedrich von Eschscholtz.

Em testes, vários foguetes Loki e Asp foram lançados em 11° 35' N 165° 20' E.

História[editar | editar código-fonte]

Pix.gif Atol de Bikini, local de testes nucleares *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

RMImap-CIA.jpg
Mapa das Ilhas Marshall
País Ilhas Marshall
Tipo Natural
Critérios iv, vi
Referência 1339
Região** Ásia e Oceania
Histórico de inscrição
Inscrição 2010  (34ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.
** Região, segundo a classificação pela UNESCO.
Operação Crossroads
25 de julho de 1946

Essa ilha é a localizada no extremo noroeste do Atol e é a maior das ilhas deste, sendo a mais conhecida e importante ilha. A Ilha Bikini é conhecida por dois motivos: foi alvo, junto com o resto do Atol, dos testes nucleares estadunidenses e porque a roupa de banho biquini foi batizada com o nome da ilha (ou, possivelmente, do atol inteiro).

Entre 1946 e 1958, 23 dispositivos nucleares foram detonados no Atol do Bikini. Os habitantes micronésios, que eram cerca de 200 antes de os Estados Unidos os realocarem após a II Guerra Mundial, consumiam peixe, frutos do mar, bananas e cocos. Em 1968 os Estados Unidos declararam Bikini uma terra habitável e começaram a trazer os bikinianos de volta para casa no começo dos anos 70. Em 1978, no entanto, os habitantes foram removidos novamente quando o estrôncio 90 em seus corpos atingiu níveis perigosos. Eles processaram os Estados Unidos e foram indenizados em 100 milhões de dólares . A operação de limpeza retiraria uma cobertura de 16 polegadas do solo da ilha principal de Bikini, gerando um milhão de pés cúbicos de solo radioativo que não poderia ser descartado, a um custo que excede muito a indenização.

Em 1997[1] um grupo especial de cientistas da AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica) ou em Inglês IAEA (International Atomic Energy Agency) determinou que seria seguro caminhar em qualquer lugar das ilhas. Embora a radioatividade residual em ilhas do Atol de Biquíni ainda fosse mais alta que em outros atóis das ilhas Marshall, os níveis medidos não eram perigosos à saúde. O risco principal de radiação seria a comida: o consumo de produtos do local, como frutas, poderia acrescentar ao corpo radioatividade suficiente para matar uma pessoa. O consumo ocasional de cocos ou bananas da Ilha de Biquíni não seriam nenhum motivo de preocupação. Mas,o consumo de muitos produtos locais durante um período longo de tempo sem tomar medidas medicinais poderia ter como resultado uma dose de radiação mais alta do que os níveis de segurança internacionalmente aceitáveis.

Por causa destes riscos alimentares, a AIEA recomendou não repovoar a ilha de Bikini.

O local foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em 2010 por "conservar evidências tangíveis diretas e significantes do poder dos testes nucleares"[2]

Referências na cultura popular[editar | editar código-fonte]

  • O autor Theodore Taylor escreveu uma novela infantil intitulada "The Bomb" ("A Bomba"), que conta a história da luta de um adolescente para evitar que a primeira bomba atômica fosse jogada no Atol.
  • Big Boss, o vilão da série de jogos de videogame Metal Gear e personagem principal no jogo Metal Gear Solid 3: Snake Eater, é dito ter se envolvido com os testes no Atol.
  • Bob Esponja, um desenho animado da Nickelodeon, é ambientado numa cidade chamado Fenda do Biquíni que supostamente fica debaixo do Atol de Bikini. Num dos episódios, uma bomba disfarçada de torta explode violentamente num impacto com o personagem Lula Molusco. Na ocasião, é mostrada cena de teste da bomba-H em Bikini.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. IAEA Bikini Advisory Group Report
  2. Bikini Atoll Nuclear Test Site. UNESCO World Heritage Centre - World Heritage List (whc.unesco.org). Em inglês ; em francês. Páginas visitadas em 18/12/2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Cronologia dos testes nucleares, realocação da população local e os resultados dos teste de radioatividade.
Documentário indicado ao Oscar em 1987 sobre os testes nucleares de 1946 no Atol de Bikini e seus efeitos na população local e nos marinheiros norte-americanos que testemunharam os testes.


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