Socialismo cristão

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O socialismo cristão é um movimento político que se insere entre a esquerda e o centro-esquerda, e que defende simultaneamente ideais cristãos e socialistas. Os militantes deste movimento advogam que o socialismo e o cristianismo estão ambos interligados e são compatíveis. Este movimento tinha a intenção de harmonizar (a classe trabalhadora e o patronato) numa sociedade mais justa, podemos incluir também a Teologia da Libertação como fazendo parte do movimento socialista cristão moderno.

A base do que é hoje o socialismo cristão, embora iniciado no século XIX, tem antecedentes que remontam a épocas anteriores, não apenas na figura de Jesus Cristo mas na de outras importantes figuras como Thomas More, com a sua Utopia, e mesmo santos da Igreja Católica, como São Francisco de Assis, mas é fundamentalmente, com o surgimento da Revolução Industrial que nascem as bases deste ideal, como resposta às desigualdades gritantes surgidas de um sistema capitalista emergente, e de um estado despreparado para respostas sociais em prol dos mais desfavorecidos, na medida em que se entende que o cristianismo é naturalmente uma forma de socialismo, mas também por outro lado, que o que se entende por socialismo marxista, é muito influenciado pelos ideais judaico-cristãos em Karl Marx, que se sabe nasceu judeu e convertera-se ao catolicismo, e que o ateísmo pregado no seu materialismo dialético, não era mais que a necessidade de se criar um estado leigo.

O socialismo de matriz cristã, comummente denominado pelos católicos de Movimento Social Cristão, teve o seu início em meados do Século XIX, nas obras de vários doutrinários cristãos tais como Ozanan, Montalembert, Henri de Saint Simon, Lamennais, Albert de Mun, Frederick Denison Maurice, Charles Kingsley, Thomas Hughes, Frederick James Furnivall, Adin Ballou e Francis Bellamy). Escritores estes que propunham um socialismo novo, baseado nos ideais do cristianismo, oposto à luta de classes e ao ateísmo, mas preocupado com as reivindicações das classes pobres e trabalhadoras, propondo um governo mais justo e uma sociedade mais equilibrada. Este novo socialismo, afastado do materialismo marxista, defende as organizações sindicais, as lutas dos trabalhadores em prol de melhores condições de trabalho e de vida e a justiça social.

Estudiosos da Bíblia argumentam que não há qualquer possibilidade de compatibilidade entre o Cristianismo e o socialismo. Fatos históricos, como a definição de um Estado Ateu [1] por parte da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)[2] e de países como China comunista, Albânia comunista, Afeganistão comunista, Coréia do Norte e Mongólia comunista, demonstram que o Cristianismo não pode ser exercício com qualquer liberdade em um estado socialista. A filosofia Marxista-Leninista prega o ateísmo [3] , o que confronta a afirmação do Cristianismo da criação do ceu, da terra e de tudo o que há no universo por Deus. Em "O Comunismo a Luz da Bíblia" [4] demonstra-se como o comunismo é anti-Bíblico e contrário aos fundamentos Cristãos.

O socialismo cristão desenvolveu-se, mais tarde nos círculos católicos, como um ramo ou variante progressista da catolicismo social no qual o socialismo cristão ganhou muita força após a encíclica "Rerum Novarum" do Papa Leão XIII (1891), que em oposição ao socialismo de Proudhon e, mais tarde, ao marxismo ou socialismo científico, mas opondo-se também e de igual modo ao capitalismo, o catolicismo social recusa a luta de classes, promove a colaboração entre patrões e trabalhadores e prega a aplicação da doutrina católica e a intervenção do Estado para corrigir os males criados pela industrialização, criando uma maior justiça social e uma distribuição mais equitativa da riqueza produzida e pretendia assim constituir uma resposta cristã para a questão social alternativa à corrente dominante da Associação Internacional dos Trabalhadores (depois Internacional Socialista).

Na encíclica Rerum Novarum, o Papa reconhece a gravidade das questões sociais provocadas pelo capitalismo, pelo que só os valores cristãos poderiam corrigir esses males sociais. Mas, ao mesmo tempo, ele colocou-se contra quaisquer alternativas igualitárias, revolucionárias, ao afirmar que "a teoria socialista da propriedade colectiva deve absolutamente repudiar-se como prejudicial àqueles membros a que se quer socorrer, contrária aos direitos naturais dos indivíduos, como desnaturando as funções do Estado e perturbando a tranquilidade pública." (Rerum Novarum, n. 7) Porém, no entender dos teóricos do socialismo cristão, o cristianismo tem em si mesmo valores socializantes, pelo que o capitalismo é reconhecido como contrário aos valores da fé cristã.

Em Portugal, o socialismo cristão teve início com a Acção Católica Portuguesa, de onde saíram mais tarde líderes do MDP/CDE como Francisco Pereira de Moura um autêntico socialista cristão e resistente ao regime Salazarista, e da Juventude Operária Católica (JOC). Actualmente, o socialismo cristão está no Portugal pro Vida.

No Brasil, o socialismo cristão está representado por teólogos como Leonardo Boff.

Posição da Igreja Católica[editar | editar código-fonte]

O Magistério da Igreja Católica sempre condenou qualquer forma de comunismo e de algum socialismo que fosse incompatível com a doutrina católica:

  • Na encíclica Rerum Novarum (1891), o Papa Leão XIII declarou que "a teoria socialista da propriedade colectiva deve absolutamente repudiar-se como prejudicial àqueles membros a que se quer socorrer, contrária aos direitos naturais dos indivíduos, como desnaturando as funções do Estado e perturbando a tranquilidade pública."[5]
  • Na encíclica Quadragesimo Anno (1931), o Papa Pio XI afirmou que "o socialismo quer se considere como doutrina, quer como facto histórico, ou como «acção», se é verdadeiro socialismo, [...] não pode conciliar-se com a doutrina católica; pois concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã. [...] E se este erro, como todos os mais, encerra algo de verdade, o que os Sumos Pontífices nunca negaram, funda-se contudo numa própria concepção da sociedade humana, diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista."[6]
  • Na encíclica Mater et Magistra (1961), o Papa João XXIII reafirmou que "entre comunismo e cristianismo, [...] a oposição é radical, e acrescenta não se poder admitir de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo moderado: quer porque ele foi construído sobre uma concepção da vida fechada no temporal, com o bem-estar como objetivo supremo da sociedade; quer porque fomenta uma organização social da vida comum tendo a produção como fim único, não sem grave prejuízo da liberdade humana; quer ainda porque lhe falta todo o princípio de verdadeira autoridade social."[7]
  • Na encíclica Centesimus Annus (1991), o Papa João Paulo II, actualizando os princípios da Rerum Novarum, salientou que "o erro fundamental do socialismo é de carácter antropológico. De facto, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo económico-social, enquanto, por outro lado, defende que esse mesmo bem se pode realizar prescindindo da livre opção, da sua única e exclusiva decisão responsável em face do bem ou do mal. O homem é reduzido a uma série de relações sociais, e desaparece o conceito de pessoa como sujeito autónomo de decisão moral, que constrói, através dessa decisão, o ordenamento social. Desta errada concepção da pessoa, deriva a distorção do direito, que define o âmbito do exercício da liberdade, bem como a oposição à propriedade privada. [...] Se se questiona ulteriormente onde nasce aquela errada concepção da natureza da pessoa e da subjectividade da sociedade, é necessário responder que a sua causa primeira é o ateísmo. [...] O referido ateísmo está, aliás, estritamente conexo com o racionalismo iluminístico, que concebe a realidade humana e social do homem, de maneira mecanicista."[8]
  • O Catecismo da Igreja Católica (1992) afirma que "a Igreja rejeitou as ideologias totalitárias e ateias, associadas, nos tempos modernos, ao «comunismo» ou ao «socialismo»".[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Estado ateu
  2. Pospielovsky (1998):257.
  3. Ateísmo Marxista-leninista
  4. O Comunismo a Luz da Bíblia
  5. Leão XIII, Rerum Novarum (1891), n. 7.
  6. Pio XI, Quadragesimo Anno (1931), n. 117-120 (capítulo III, secção 2).
  7. João XXIII, Mater et Magistra (1961), n. 34.
  8. João Paulo II, Centesimus Anno (1991), n. 13
  9. Catecismo da Igreja Católica (1992), n. 2425.



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