Socialismo cristão

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O socialismo cristão é um movimento político que se insere entre a esquerda e o centro-esquerda, e que defende simultaneamente ideais cristãos e socialistas. Os militantes deste movimento advogam que o socialismo e o cristianismo estão ambos interligados e são compatíveis, no entanto há divergências. Este movimento tinha a intenção de harmonizar (a classe trabalhadora e o patronato) numa sociedade mais justa, podemos incluir também a Teologia da Libertação como fazendo parte do movimento socialista cristão moderno.

A base do que é hoje o socialismo cristão, foi iniciado no século XIX, fundamentado nos ideais comunistas de Karl Marx como uma tentativa de resposta às desigualdades que surgiram a partir de uma exploração desumana provocada pela quebra da livre concorrência a partir do desaparecimento de leis institucionais conservadoras, que permitiram o crescimento do truste e o surgimento dos grandes monopólios; além de um estado despreparado para respostas sociais em prol dos mais desfavorecidos. Os adeptos deste modelo, consideram que o cristianismo é naturalmente uma forma de socialismo, mas por outro lado, a fé cristã o vê como um sistema injusto e de consequências funestas[1] . O que se entende por socialismo marxista, é muito influenciado pelos ideais de Karl Marx, que se sabe nasceu judeu e convertera-se ao catolicismo, e que o ateísmo pregado no seu materialismo dialético era o desejo de se criar um estado leigo.

O socialismo de matriz cristã, comummente denominado pelos católicos de Movimento Social Cristão, teve o seu início em meados do Século XIX, nas obras de vários doutrinários cristãos tais como Ozanan, Montalembert, Henri de Saint Simon, Lamennais, Albert de Mun, Frederick Denison Maurice, Charles Kingsley, Thomas Hughes, Frederick James Furnivall, Adin Ballou e Francis Bellamy). Escritores estes que propunham um socialismo novo, baseado nos ideais do cristianismo, oposto à luta de classes e ao ateísmo, mas preocupado com as reivindicações das classes pobres e trabalhadoras, propondo um governo mais justo e uma sociedade mais equilibrada. Este novo socialismo, afastado do materialismo marxista, defende as organizações sindicais, as lutas dos trabalhadores em prol de melhores condições de trabalho e de vida e a justiça social.

O cristianismo formalmente, através dos círculos católicos, passaram a condenar qualquer forma de socialismo, algo que ganhou muita força após a encíclica "Rerum Novarum" do Papa Leão XIII (1891), que em oposição ao socialismo de Proudhon, ao marxismo ou socialismo científico, e opondo-se também a exploração efetiva do trabalho, o catolicismo recusa a luta de classes, e a não intervenção do Estado para permitir o desenvolvimento econômico criado pela industrialização e promover a colaboração entre patrões e empregados de forma livre, criando uma maior justiça social e uma distribuição mais equitativa da riqueza produzida. Pretendia assim constituir uma resposta cristã para a questão social, alternativa à corrente dominante da Associação Internacional dos Trabalhadores (depois Internacional Socialista).

Em Portugal, o socialismo cristão teve início com a Acção Católica Portuguesa, de onde saíram mais tarde líderes do MDP/CDE como Francisco Pereira de Moura um autêntico socialista cristão e resistente ao regime Salazarista, e da Juventude Operária Católica (JOC). Actualmente, o socialismo cristão está no Portugal pro Vida.

No Brasil, o socialismo cristão está representado por teólogos como Leonardo Boff.

É possível um socialismo cristão?[editar | editar código-fonte]

Estudiosos da Bíblia argumentam que não há qualquer possibilidade de compatibilidade entre o Cristianismo e o socialismo. Fatos históricos, como a definição de um Estado Ateu [2] por parte da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)[3] e de países como China comunista, Albânia comunista, Afeganistão comunista, Coréia do Norte e Mongólia comunista, demonstram que o Cristianismo não pode ser exercício com qualquer liberdade em um estado socialista. A filosofia Marxista-Leninista prega o ateísmo [4] , o que confronta a afirmação do Cristianismo da criação do ceu, da terra e de tudo o que há no universo por Deus. Em "O Comunismo a Luz da Bíblia" [5] demonstra-se como o comunismo é anti-Bíblico e contrário aos fundamentos Cristãos.

Na encíclica Rerum Novarum, o Papa Leão XIII define como as causas para os conflitos sociais: o desaparecimento das instituições antigas, dos princípios e do sentimento religioso que desapareceram das leis e das instituições públicas [6] . Mas, ao mesmo tempo, ele colocou-se contra quaisquer alternativas igualitárias, revolucionárias, ao afirmar que "a teoria socialista da propriedade colectiva deve absolutamente repudiar-se como prejudicial àqueles membros a que se quer socorrer, contrária aos direitos naturais dos indivíduos, como desnaturando as funções do Estado e perturbando a tranquilidade pública." Porém, no entender dos teóricos do socialismo cristão, o cristianismo tem em si valores socializantes, e reconhecem o capitalismo como contrário aos valores da fé cristã.

Se referindo aos homens de classes inferiores, o Papa Leão XIII afirma que "os socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida, que os bens dum indivíduo qualquer devem ser comuns a todos, e que a sua administração deve voltar para - os Municípios ou para o Estado. Mediante esta transladação das propriedades e esta igual repartição das riquezas e das comodidades que elas proporcionam entre os cidadãos, lisonjeiam-se de aplicar um remédio eficaz aos males presentes. Mas semelhante teoria, longe de ser capaz de pôr termo ao conflito, prejudicaria o operário se fosse posta em prática. Pelo contrário, é sumamente injusta, por violar os direitos legítimos dos proprietários, viciar as funções do Estado e tender para a subversão completa do edifício social."[7]

Outro ponto importante se relaciona com a questão entre família e Estado. No modelo socialista, a educação famíliar perderia espaço para um sistema educacional igualitário a todos; a propriedade privada e o direito a herança deixariam de existir, estes bens, no entanto, passariam a ser de controle estatal[8] . O cristianismo, considera estes princípios como uma violação do direito da família e uma tentativa de abolir a autoridade paterna; afirma, ainda, que indivíduo, as famílias, as associações têm direito de possuir bens de raiz, bens móveis e bens produtivos; e o Estado não pode açambarcar estes bens para si. Segundo as tradições judaico-cristãs, os homens têm o direito e o dever de proverem às suas necessidades, e o Estado não pode arvorar-se em providência e suprimir este direito ou substituir se a este dever [9] [10] .

Posição da Igreja Católica[editar | editar código-fonte]

O Magistério da Igreja Católica sempre condenou qualquer forma de comunismo e de algum socialismo que fosse incompatível com a doutrina católica:

  • Na encíclica Rerum Novarum (1891), o Papa Leão XIII declarou que "a teoria socialista da propriedade colectiva deve absolutamente repudiar-se como prejudicial àqueles membros a que se quer socorrer, contrária aos direitos naturais dos indivíduos, como desnaturando as funções do Estado e perturbando a tranquilidade pública."[11]
  • Na encíclica Quadragesimo Anno (1931), o Papa Pio XI afirmou que "o socialismo quer se considere como doutrina, quer como facto histórico, ou como «acção», se é verdadeiro socialismo, [...] não pode conciliar-se com a doutrina católica; pois concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã. [...] E se este erro, como todos os mais, encerra algo de verdade, o que os Sumos Pontífices nunca negaram, funda-se contudo numa própria concepção da sociedade humana, diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista."[12]
  • Na encíclica Mater et Magistra (1961), o Papa João XXIII reafirmou que "entre comunismo e cristianismo, [...] a oposição é radical, e acrescenta não se poder admitir de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo moderado: quer porque ele foi construído sobre uma concepção da vida fechada no temporal, com o bem-estar como objetivo supremo da sociedade; quer porque fomenta uma organização social da vida comum tendo a produção como fim único, não sem grave prejuízo da liberdade humana; quer ainda porque lhe falta todo o princípio de verdadeira autoridade social."[13]
  • Na encíclica Centesimus Annus (1991), o Papa João Paulo II, actualizando os princípios da Rerum Novarum, salientou que "o erro fundamental do socialismo é de carácter antropológico. De facto, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo económico-social, enquanto, por outro lado, defende que esse mesmo bem se pode realizar prescindindo da livre opção, da sua única e exclusiva decisão responsável em face do bem ou do mal. O homem é reduzido a uma série de relações sociais, e desaparece o conceito de pessoa como sujeito autónomo de decisão moral, que constrói, através dessa decisão, o ordenamento social. Desta errada concepção da pessoa, deriva a distorção do direito, que define o âmbito do exercício da liberdade, bem como a oposição à propriedade privada. [...] Se se questiona ulteriormente onde nasce aquela errada concepção da natureza da pessoa e da subjectividade da sociedade, é necessário responder que a sua causa primeira é o ateísmo. [...] O referido ateísmo está, aliás, estritamente conexo com o racionalismo iluminístico, que concebe a realidade humana e social do homem, de maneira mecanicista."[14]
  • O Catecismo da Igreja Católica (1992) afirma que "a Igreja rejeitou as ideologias totalitárias e ateias, associadas, nos tempos modernos, ao «comunismo» ou ao «socialismo»".[15]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. O comunismo, princípio de empobrecimento. Encíclica Rerum Novarum.
  2. Estado ateu
  3. Pospielovsky (1998):257.
  4. Ateísmo Marxista-leninista
  5. O Comunismo a Luz da Bíblia
  6. Papa Leão XIII, Carta Encíclica Rerum Novarium, Causas do conflito (nº 2)
  7. Papa Leão XIII, Carta Encíclica Rerum Novarum, A solução socialista (Nº 3)
  8. Karl Marx & ������������������Friedrich Engels. Manifesto Comunista.
  9. Dom Geraldo de Proença Sigaud. Carta Pastoral Sobre o Comunismo: os seus erros, a sua acção revolucionária e o dever dos católicos.
  10. CARTA ENCÍCLICA <<RERUM NOVARUM>> DO SUMO PONTÍFICE PAPA LEÃO XIII, A família e o Estado (nº 6).
  11. Leão XIII, Rerum Novarum (1891), n. 7.
  12. Pio XI, Quadragesimo Anno (1931), n. 117-120 (capítulo III, secção 2).
  13. João XXIII, Mater et Magistra (1961), n. 34.
  14. João Paulo II, Centesimus Anno (1991), n. 13
  15. Catecismo da Igreja Católica (1992), n. 2425.



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