Socialismo cristão
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O socialismo cristão é um movimento político de esquerda que defende simultaneamente ideais cristãos e socialistas. Os millitantes deste movimento advogam que o socialismo e o cristianismo estão ambos interligados e são compatíveis um com o outro. Este movimento tinha a intenção de harmonizar (trabalhador e patrão) em uma sociedade mais justa e pode incluir também na sua ideologia a Teologia da Libertação.
Estudiosos da Bíblia argumentam que não há qualquer possibilidade de compatibilidade entre o Cristianismo e o socialismo. Fatos históricos, como a definição de um Estado Ateu 1 por parte da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)2 e de países como China comunista, Albânia comunista, Afeganistão comunista, Coréia do Norte e Mongólia comunista, demonstram que o Cristianismo não pode ser exercício com qualquer liberdade em um estado socialista. A filosofia Marxista-Leninista prega o ateísmo 3 , o que confronta a afirmação do Cristianismo da criação do ceu, da terra e de tudo o que há no universo por Deus. Em "O Comunismo a Luz da Bíblia" 4 demonstra-se como o comunismo é anti-Bíblico e contrário aos fundamentos Cristãos.
O socialismo de matriz cristã, comumente denominado pelos católicos de Movimento Social Cristão ou Movimento Cristão Social, teve o seu início em meados do Século XIX, nas obras de vários doutrinários cristãos (ex: Henri de Saint Simon, Lamennais, Albert de Mun, Frederick Denison Maurice, Charles Kingsley, Thomas Hughes, Frederick James Furnivall, Adin Ballou e Francis Bellamy). Estes escritores propunham um socialismo novo, baseado nos ideais do cristianismo, oposto à luta de classes e ao ateísmo, mas preocupado com as reivindicações das classes pobres e trabalhadoras, propondo um governo mais justo e uma sociedade mais equilibrada. Este novo socialismo, afastado do materialismo marxista, defende as organizações sindicais, as lutas dos trabalhadores em prol de melhores condições de trabalho e de vida e a justiça social.
O socialismo cristão desenvolveu-se, mais tarde nos círculos católicos, como um ramo ou variante progressista da catolicismo social no qual o socialismo cristão ganhou muita força após a encíclica "Rerum Novarum" do Papa Leão XIII (1891), que em oposição ao socialismo de Proudhon e, mais tarde, ao marxismo ou socialismo científico, mas opondo-se também e de igual modo ao capitalismo, o catolicismo social recusa a luta de classes, promove a colaboração entre patrões e trabalhadores e prega a aplicação da doutrina católica e a intervenção do Estado para corrigir os males criados pela industrialização, criando uma maior justiça social e uma distribuição mais equitativa da riqueza produzida e pretendia assim constituir uma resposta cristã para a questão social alternativa à corrente dominante da Associação Internacional dos Trabalhadores (depois Internacional Socialista).
Na encíclica Rerum Novarum, o Papa reconhece a gravidade das questões sociais provocadas pelo capitalismo, pelo que só os valores cristãos poderiam corrigir esses males sociais. Mas, ao mesmo tempo, ele colocou-se contra quaisquer alternativas igualitárias, revolucionárias, ao afirmar que "a teoria socialista da propriedade colectiva deve absolutamente repudiar-se como prejudicial àqueles membros a que se quer socorrer, contrária aos direitos naturais dos indivíduos, como desnaturando as funções do Estado e perturbando a tranquilidade pública." (Rerum Novarum, n. 7) Porém, no entender dos teóricos do socialismo cristão, o cristianismo tem em si mesmo valores socializantes, pelo que o capitalismo é reconhecido como contrário aos valores da fé cristã.
Em Portugal, o socialismo cristão teve início com a Acção Católica Portuguesa, de onde saíram mais tarde líderes do MDP/CDE e da Juventude Operária Católica (JOC). Actualmente, o socialismo cristão está no Portugal pro Vida.
No Brasil, o socialismo cristão está representado por políticos como Marina Silva, candidata à presidência pelo PV nas eleições de 2010.[carece de fontes]
Posição da Igreja Católica[editar]
O Magistério da Igreja Católica sempre condenou qualquer forma de comunismo e de algum socialismo que fosse incompatível com a doutrina católica:
- Na encíclica Rerum Novarum (1891), o Papa Leão XIII declarou que "a teoria socialista da propriedade colectiva deve absolutamente repudiar-se como prejudicial àqueles membros a que se quer socorrer, contrária aos direitos naturais dos indivíduos, como desnaturando as funções do Estado e perturbando a tranquilidade pública."5
- Na encíclica Quadragesimo Anno (1931), o Papa Pio XI afirmou que "o socialismo quer se considere como doutrina, quer como facto histórico, ou como «acção», se é verdadeiro socialismo, [...] não pode conciliar-se com a doutrina católica; pois concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã. [...] E se este erro, como todos os mais, encerra algo de verdade, o que os Sumos Pontífices nunca negaram, funda-se contudo numa própria concepção da sociedade humana, diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista."6
- Na encíclica Mater et Magistra (1961), o Papa João XXIII reafirmou que "entre comunismo e cristianismo, [...] a oposição é radical, e acrescenta não se poder admitir de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo moderado: quer porque ele foi construído sobre uma concepção da vida fechada no temporal, com o bem-estar como objetivo supremo da sociedade; quer porque fomenta uma organização social da vida comum tendo a produção como fim único, não sem grave prejuízo da liberdade humana; quer ainda porque lhe falta todo o princípio de verdadeira autoridade social."7
- Na encíclica Centesimus Annus (1991), o Papa João Paulo II, actualizando os princípios da Rerum Novarum, salientou que "o erro fundamental do socialismo é de carácter antropológico. De facto, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo económico-social, enquanto, por outro lado, defende que esse mesmo bem se pode realizar prescindindo da livre opção, da sua única e exclusiva decisão responsável em face do bem ou do mal. O homem é reduzido a uma série de relações sociais, e desaparece o conceito de pessoa como sujeito autónomo de decisão moral, que constrói, através dessa decisão, o ordenamento social. Desta errada concepção da pessoa, deriva a distorção do direito, que define o âmbito do exercício da liberdade, bem como a oposição à propriedade privada. [...] Se se questiona ulteriormente onde nasce aquela errada concepção da natureza da pessoa e da subjectividade da sociedade, é necessário responder que a sua causa primeira é o ateísmo. [...] O referido ateísmo está, aliás, estritamente conexo com o racionalismo iluminístico, que concebe a realidade humana e social do homem, de maneira mecanicista."8
- O Catecismo da Igreja Católica (1992) afirma que "a Igreja rejeitou as ideologias totalitárias e ateias, associadas, nos tempos modernos, ao «comunismo» ou ao «socialismo»".9
Ver também[editar]
Referências
- ↑ Estado ateu
- ↑ Pospielovsky (1998):257.
- ↑ Ateísmo Marxista-leninista
- ↑ O Comunismo a Luz da Bíblia
- ↑ Leão XIII, Rerum Novarum (1891), n. 7.
- ↑ Pio XI, Quadragesimo Anno (1931), n. 117-120 (capítulo III, secção 2).
- ↑ João XXIII, Mater et Magistra (1961), n. 34.
- ↑ João Paulo II, Centesimus Anno (1991), n. 13
- ↑ Catecismo da Igreja Católica (1992), n. 2425.