Império do mal

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A frase império do mal foi aplicada à União Soviética, especialmente pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, pois a União Soviética havia assumido uma postura agressiva e linha-dura que favoreceram o plano estratégico global do país, como capacidades militares, na chamada estratégia rollback, que nas palavras de Reagan, escreveu as últimas páginas da história da União Soviética. O apelido dado à União Soviética irritou seus líderes, que apresentaram o lado retórico na escalada da Guerra Fria.

Discurso na Câmara dos Comuns[editar | editar código-fonte]

O chefe de discursos de Reagan na época foi Anthony R. Dolan, que teria cunhado a frase para o uso exclusivo de Reagan.[1] Algumas fontes[2] incorretamente referem-se ao discurso de junho de 1982 na Câmara dos Comuns no Reino Unido, mas Reagan se refere principalmente ao totalitarismo no seu discurso em Londres. Em vez disso, a frase "monte de cinzas da história" apareceu neste discurso, usado por Reagan para prever o que ele viu como o fracasso e colapso mundial do comunismo. Ironicamente, está frase foi cunhada por um bolchevique revolucionário Leon Trotsky em novembro de 1917, usando-a contra os seus opositores (os mencheviques), e sugerindo que o comunismo era o futuro, esta ironia não foi perdida até mesmo para os escritores dos discursos de Reagan.[3]

Primeiro uso registrado[editar | editar código-fonte]

O discurso de Ronald Reagan em 8 de março de 1983 aconteceu na Associação Nacional de Evangélicos em Orlando, Flórida, onde aparece o primeiro registro do uso da expressão "império do mal". Reagan disse:

Assim, em suas discussões nucleares prestes à se congelarem, eu os aviso para terem cuidado com a tentação do orgulho, a tentação de se declarar alegremente acima de tudo e rotular os dois lados igualmente em falta, ignorar os fatos da história e os impulsos agressivos de um império do mal, para simplesmente chamar a corrida armamentista de um gigante mal-entendido e, assim, retirar-se da luta entre o bem e o mal e do bem do mal. Eles pregam a supremacia do Estado, declarando sua onipotência sobre o homem individual e preveem sua dominação eventual de todos os povos da Terra. Eles são o foco do mal no mundo moderno.[4]

No discurso do "império do mal", também tratou de assuntos domésticos, como a implantação de mísseis nucleares da OTAN na Europa Ocidental como uma resposta aos soviéticos que instalaram novos mísseis nucleares na Europa Oriental. Eventualmente, os mísseis da OTAN foram criados e usados como moeda de barganha nas negociações de armas com o líder soviético Mikhail Gorbachev, que assumiu o cargo em 1985. Em 1987, Reagan e Gorbachev concordaram em ir mais longe do que um congelamento nuclear. Em uma Era Atômica em primeiro lugar, eles concordaram em reduzir seus arsenais nucleares. Mísseis intermediários e de curto alcance foram eliminados.

Reação global[editar | editar código-fonte]

Michael Johns escrevendo para o Heritage Foundation e a revista Foreign Policy, destacou apoiando a afirmação de Reagan. Em seu livro, Seventy Years of Evil: Soviet Crimes from Lenin to Gorbachev, Johns cita os 208 atos executados pela União Soviética que, segundo ele, demonstrou más inclinações a liderança soviética.[5]

Yuri Maltsev, um economista de alto escalão da União Soviética sob o comando de Gorbachev na década de 1980, acreditava que Reagan estava definitivamente certo. Ele rotulou a URSS como um "império do mal", na introdução de seu livro Requiem for Marx, publicado em 1993, e em um ensaio que ele escreveu para o Instituto Ludwig von Mises. Em seu ensaio, ele apelidou a URSS como um "império do mal", usando palavras exatas.[6] Maltsev tinha o conhecimento de primeira mão do funcionamento interno da União Soviética, e concordou com Reagan.

A União Soviética, por sua vez, alegou que os Estados Unidos eram uma superpotência imperialista, que procurava dominar o mundo inteiro, e que a URSS estava lutando contra os EUA em nome da humanidade. Em Moscou, a agência de imprensa soviética ATUS, disse que a rotulação de "império do mal" demonstrou que a administração Reagan "pode pensar apenas em termos de confronto bélico, lunático e anticomunista[7] ".

Durante seu segundo mandato, em maio-junho de 1988, mais de cinco anos após o uso do termo "império do mal", Reagan visitou o novo reformista e secretário-geral da União Soviética Mikhail Gorbachev em Moscou. Quando perguntado por um repórter se ele ainda pensava que a URSS era um "império do mal", Reagan respondeu que não mais, e que quando ele usou o termo pela primeira vez era uma "época diferente", isto é, antes do período de Gorbachev e suas reformas como a Perestroika e a Glasnost. Ainda assim, Reagan permanceu um crítico aberto do regime soviético pela ausência de instituições democráticas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]