Nikolai Vavilov

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Nikolai Ivanovich Vavilov
Botânica
Genética
Nacionalidade Flag of Russia.svg russa
Nascimento 25 de novembro de 1887
Local Moscou
Império russo
Morte 26 de janeiro de 1943 (55 anos)
Local Saratov
Sibéria
Flag of the Soviet Union.svg União Soviética
Causa Distrofia por desnutrição
Atividade
Campo(s) Botânica
Genética
Conhecido(a) por Centros Vavilov
Prêmio(s) Fellow of the Royal Royal Society

Nikolai Ivanovich Vavilov, em russo Николай Иванович Вавилов (Moscou, 25 de novembro(calendário juliano)/13 de novembro(mudança para o calendário gregoriano) de 1887Saratov, Sibéria, 26 de janeiro de 1943), foi um botânico e geneticista russo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Carreira científica[editar | editar código-fonte]

Nikolai Ivanovich Vavilov nasceu em Moscou em 16 de novembro de 1886. Numa vida relativamente curta, 56 anos incompletos, realizou numerosos aportes teóricos e práticos sobre o conhecimento da distribuição geográfica, a origem e dispersão das plantas. Na primeira metade do século XX Vavilov viajou durante mais de vinte anos pelos cinco continentes colhendo sementes de plantas agrícolas, tais como milho silvestre e cultivado, batata, grãos, forragem, frutas e todo tipo de vegetais. Ao mesmo tempo, recompilava dados sobre os lugares que visitava e sobre os idiomas e culturas de seus habitantes. Sua coleção de sementes chegou a ser a maior do mundo, com aproximadamente de 200 mil espécies que foram armazenadas e semeadas em mais de 100 estações experimentais na então União Soviética.

Expedições e descobertas[editar | editar código-fonte]

Sua primeira expedição, em 1919, levou-o a Pérsia e depois as montanhas de Ásia Central, onde voltaria anos depois em três oportunidades. Em 1921 visitou os Estados Unidos. Afeganistão, Nuristão, o litoral do mar Mediterrâneo, Oriente Médio - incluindo Síria e Palestina - e o nordeste de África foram outros dos lugares visitados pelo cientista. Depois foi a vez da China, Japão e Coreia. Entre 1930 e 1931 voltou aos Estados Unidos, onde recolheu espécies nos estados da Flórida e Texas e em algumas reservas indígenas. Nessa mesma viagem atravessou para México e daí para Guatemala. Sua última expedição a realizou entre 1932 e 1933, visitando El Salvador, Costa Rica, Honduras, Panamá, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai, Brasil, Trinidad e Cuba.

Nas suas viagens, Vavilov registrou que a biodiversidade agrícola estava repartida de maneira desigual: enquanto em alguns lugares sobravam plantas, outros pouco ou nada tinham para oferecer. Também registrou que os lugares com mais biodiversidade agrícola contam com diferentes topografias, tipos de solo e clima e que tendem a estar rodeados de cadeias de montanhas, que evitam as invasões de espécies exóticas. Também determinou que a biodiversidade agrícola vem na sua maioria de oito núcleos perfeitamente identificáveis: China (onde se origina a soja), Índia, Oriente Próximo- Ásia Central, sudeste da Ásia, regiões montanhosas de Etiópia, México e América Central (berço do milho), os Andes centrais (de onde vem à batata) e o Mediterrâneo. Ainda hoje, essas áreas geográficas se conhecem como centros Vavilov, verdadeiros refúgios de biodiversidade, essenciais para a alimentação humana. Por exemplo, independentemente de onde se cultive batata ou milho, para ser viáveis necessitam das variadas cepas que se encontram somente no seu centro de origem.

Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

O governo da recém formada União Soviética, depois da Revolução de Outubro, reconheceu a importância das investigações de Vavilov a partir de 1925 dirigiu o Instituto de Botânica Aplicada e Novos Cultivos de São Petersburgo- também o fez o governo dos Estados Unidos, ao ponto que na sua segunda viagem a esse país se cria a primeira instância de cooperação científica entre Washington e Moscou.

Tão valorizada era a coleção de sementes de Vavilov, que alguns de seus colegas preferiram morrer de fome durante o cerco de Leninegrado pelas tropas da Alemanha nazista, antes de se comerem às sementes armazenadas na estação experimental situada nos subúrbios da cidade. Mas Vavilov não pôde ajudar a proteger sua coleção, pois para essa época estava preso na Sibéria. Que tinha acontecido?

Perseguição, prisão e morte[editar | editar código-fonte]

O pseudocientista Trofim Denissovich Lysenko (1898-1976) argumentava que o estudo da genética era uma ciência burguesa que procurava dar justificativa biológica as diferenças de classe, e que aplicando o materialismo dialético, era possível chegar ao triunfo da ciência proletária sobre a ciência burguesa. A influência de Lysenko sobre a política agrária soviética se estendeu desde 1929 a 1948. Enquanto Vavilov procedia de una família abastada, Lysenko era filho de um camponês ucraniano, o qual, para os dirigentes bolchevistas, o colocava num sítio privilegiado.

O ano 1936 marca o início de uma campanha oficial de propaganda a favor do "lysenkismo". Bujarin deixa de ser diretor do Instituto da Ciência e a Tecnologia, e depois é expulso da Academia de Ciências da Rússia, condenado e executado. Vários biólogos comunistas são presos e o Congresso Internacional de Genética, que devia reunir-se em Moscou em 1937, foi cancelado e os geneticistas denunciados como "sabotadores trotskistas". Em 1938, Lisenko é designado presidente da Academia de Ciências Agrícolas. Em 1940 Vavilov é condenado à morte, depois se lhe comutou a pena por prisão perpétua e foi deportado a Sibéria... foi sua primeira morte civil. Fisicamente morreu em 1943.


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Science in Russia and the Soviet Union: A Short History. Loren R. Graham, Cambridge University Press, 1994, ISBN 0521287898
  • The Murder of Nikolai Vavilov: The Story of Stalin's Persecution of One of the Great Scientists of the Twentieth Century. Peter Pringle, Simon and Schuster, 2008, ISBN 0743264983
  • Origin and Geography of Cultivated Plants. Nickolai Ivanovich Vavilov, Cambridge University Press, 1992, ISBN 0521404274

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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