Nikolai Vavilov

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Nikolai Vavilov

Nikolai Ivanovich Vavilov, em russo Николай Иванович Вавилов (Moscou, 25 de novembro/13 de novembro de 188726 de janeiro de 1943), foi um botânico e geneticista russo.

Nikolai Ivanovich Vavilov nasceu em Moscou em 16 de novembro de 1886. Numa vida relativamente curta, 56 anos, realizou numerosos aportes teóricos e práticos sobre o conhecimento da distribuição geográfica, a origem e dispersão das plantas. Na primeira metade do século passado Vavilov viajou durante mais de vinte anos pelos cinco continentes colhendo sementes de plantas agrícolas, tais como milho silvestre e cultivado, batata, grãos, forragem, frutas e todo tipo de vegetais. Ao mesmo tempo, recompilava dados sobre os lugares que visitava e sobre os idiomas e culturas de seus habitantes. Sua coleção de sementes chegou a ser a mais grande do mundo, com aproximadamente de 200 mil espécies que foram armazenadas e semeadas em mais de 100 estações experimentais na então União Soviética.

Sua primeira expedição, em 1919, o levou a Persa e depois as montanhas de Ásia Central, onde voltaria anos depois em três oportunidades. Em 1921 visitou os Estados Unidos. Afeganistão, Nuristão, o litoral do mar Mediterrâneo, Meio Oriente -incluindo Síria e Palestina- e o nordeste de África foram outros dos lugares visitados pelo científico. Depois foi a vez da China, Japão e Coréia. Entre 1930 e 1931 voltou aos Estados Unidos, onde recolheu espécies nos estados da Flórida e Texas e em algumas reservas indígenas. Nessa mesma viagem atravessou para México e daí para Guatemala. Sua última expedição a realizou entre 1932 e 1933, visitando El Salvador, Costa Rica, Honduras, Panamá, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai, Brasil, Trinidad e Cuba.

Nas suas viagens, Vavilov registrou que a biodiversidade agrícola estava repartida de maneira desigual: enquanto em alguns lugares sobravam plantas, outros pouco ou nada tinham para oferecer. Também registrou que os lugares com mais biodiversidade agrícola contam com diferentes topografias, tipos de solo e clima e que tendem a estar rodeados de cadeias de montanhas, que evitam as invasões de espécies exóticas. Também determinou que a biodiversidade agrícola vem na sua maioria de oito núcleos perfeitamente identificáveis: China (onde se origina a soja), Índia, Oriente Próximo- Ásia Central, sudeste de Ásia, regiões montanhosas de Etiópia, México e América Central (berço do milho), os Andes centrais (de onde vem à batata) e o Mediterrâneo. Ainda hoje, essas áreas geográficas se conhecem como centros Vavilov, verdadeiros refúgios de biodiversidade, essenciais para a alimentação humana. Por exemplo, independentemente de onde se cultive batata ou milho, para ser viáveis necessitam das variadas cepas que se encontram somente no seu centro de origem.

O governo da recém formada União Soviética, depois da Revolução de Outubro, reconheceu a importância das investigações de Vavilov -a partir de 1925 dirigiu o Instituto de Botânica Aplicada e Novos Cultivos de São Petersburgo- também o fez o governo dos Estados Unidos, ao ponto que na sua segunda viagem a esse país se cria a primeira instância de cooperação científica entre Washington e Moscou.

Tão valorizada era a coleção de sementes de Vavilov, que alguns de seus colegas preferiram morrer de fome durante o sítio de Leningrado pelas tropas da Alemanha nazista, antes de se comerem às sementes armazenadas na estação experimental situada nos subúrbios da cidade. Mas Vavilov não pode ajudar a proteger sua coleção, pois para essa época estava preso na Sibéria. Que tinha acontecido?

Um pseudocientífico chamado Trofim Denissovich Lysenko (1898-1976) argumentava que o estudo da genética era uma ciência burguesa que procurava dar justificativa biológica as diferenças de classe, e que aplicando o materialismo dialético, era possível chegar ao triunfo da ciência proletária sobre a ciência burguesa. A influência de Lysenko sobre a política agrária soviética se estendeu desde 1929 a 1948. Enquanto Vavilov procedia de una família abastada, Lysenko era filho de um camponês ucraniano, o qual, para os dirigentes bolchevistas, o colocava num sítio privilegiado.

O ano 1936 marca o início de uma campanha oficial de propaganda a favor do “lysenkismo”. Bujarin deixa de ser diretor do Instituto da Ciência e a Tecnologia, e depois é expulso da Academia de Ciências, condenado e executado. Vários biólogos comunistas são presos e o Congresso Internacional de Genética, que devia reunir-se em Moscou em 1937, foi cancelado e os geneticistas denunciados como “sabotadores trotskistas”. Em 1938, Lisenko é designado presidente da Academia de Ciências Agrícolas. Em 1940 Vavilov é condenado à morte, depois se lhe comutou a pena por prisão perpétua e foi deportado a Sibéria... foi sua primeira morte civil. Fisicamente morreu em 1943.


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