Hurritas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Broom icon.svg
As referências deste artigo necessitam de formatação (desde março de 2014).
Por favor, utilize fontes apropriadas contendo referência ao título, autor, data e fonte de publicação do trabalho para que o artigo permaneça verificável no futuro.
Antiga
Mesopotâmia
Babylonlion.JPG
EufratesTigre
História
Povos
Sumérios • Acadianos
GútiosAmoritas
Elamitas • Arameus
CassitasHurritas
Hititas
MedosPersas
Nações
SumériaImpério Acádio
ElamAssíria
MitaniImpério Hitita
Primeiro Império BabilônicoSegundo Império Babilônico
Império MedoImpério Aquemênida
Cidades
EriduKishUruk
UrLagash
NipurNgirsu
AcádiaMari
IsinLarsa
BabilôniaAssur
NimrudNínive
Dur Sharrukin
Mitologia
Mitologia suméria
Enuma Elish
Epopeia de Gilgamesh
Epopeia de Atrahasis
AnAdadIshtar
EnkiAntuEnlil
DamgalnunaNanna
NinhursagNingal
NinlilShamash
Dumuzi/Tamuz
Tiamat
Línguas
SumérioElamita
AcádioAramaico
AmoritaElamita
CassitaHurritaHitita

Os hurritas eram um povo da Mesopotâmia, vivendo no extremo norte da região. Habitavam do norte da atual Síria, do litoral do Mar Mediterrâneo e do curso superior do rio Eufrates, passando pela região do rio Khabur (afluente do Eufrates), ao curso superior do rio Tigre e ao sopé dos montes do planalto iraniano ocidental, no sudeste da atual Turquia, e nos planaltos e montanhas das fronteiras dos modernos Irão e Iraque. Eram parentes de outro povo, os urartianos, que habitavam a região do lago Arsissa ou Vana, atual lago Van (no leste da atual Turquia) e que falavam uma língua aparentada, o urartiano, a língua do Reino de Urartu (Bianili na sua língua nativa).

O nome que atribuíam a si próprios enquanto povo ou grupo étnico (o auto-etnónimo), era hurri, nome de onde deriva o vocábulo moderno hurrita, sendo Mitani o nome da região e do reino que habitavam. Os assírios denominavam a Terra de Mitani, Hanigalbat, pelo que os dois termos são sinónimos.

Origens[editar | editar código-fonte]

Possivelmente, resultaram da fusão entre dois povos diferentes. Um era um povo nativo da região que habitava a Alta Mesopotâmia há muito tempo e que falava uma língua que não era nem da família linguística indo-europeia nem da semita, tal como o urartiano, mas que era de uma família linguística própria, atualmente denominada hurro-urartiana. Outro era um povo falante de uma língua indo-europeia oriundo da região ocidental do planalto iraniano, talvez no século XVIII ou XVII a.C., mas que, apesar disso, era mais aparentado com os povos falantes do ramo indo-ariano ou índico, do norte da Índia. Estes povos denominavam-se a si próprios haryani ou aryani - arianos (tanto os iranianos como os do norte da Índia). Esse povo indo-europeu migrante conquistou a Alta Mesopotâmia, tornando-se nos governantes desse território e formou grande parte da aristocracia e também de outros grupos sociais da sociedade mitânia ou hurrita. De qualquer modo, influenciaram de maneira importante o vocabulário da língua hurrita com empréstimos indo-europeus, mas, apesar disso, a maioria do vocabulário hurrita não é indo-europeu, tal como a sua estrutura gramatical, pois era uma língua aglutinante e não sintética.

O parentesco das línguas destes povos com outras famílias linguísticas ainda está em debate. É possível que tanto a língua hurrita como a urartiana fossem mais remotamente aparentadas com outras famílias linguísticas, caso da indo-europeia, mas não eram membros diretos desta família linguística. De acordo com alguns linguistas e filólogos a família linguística hurro-urartiana é descendente de uma língua ancestral comum com o proto-indo-europeu pois parece haver cognatos entre as línguas das duas famílias linguísticas e não apenas empréstimos[1] . No entanto, de acordo com outros, é descendente de uma família linguística da vertente norte das montanhas do Cáucaso, a Caucasiana Setentrional ou Nordeste (que tem como membros atuais as línguas faladas pelos chechenos, pelos inguches, pelos lezguinos e por outros povos) em que alguns povos migraram para sul em inícios do II milénio a.C.

É possível que a origem geográfica mais antiga dos hurritas indo-europeus fosse a Ásia Central, nessa época habitada pelos antepassados dos povos iranianos e indianos do norte. Teriam migrado para o ocidente juntamente com os cassitas e estabeleceram-se no Mitani, formando na região um poderoso Estado denominado reino do Mitani. Por isso, os hurritas foram denominados mitanitas ou mitânios pelos historiadores, justamente por terem elevado a região ao destaque político do Sudoeste da Ásia (Médio Oriente) nessa época.

Política e religião[editar | editar código-fonte]

Politicamente, eram organizados numa monarquia em que o mais ilustre dos guerreiros era o rei; estavam divididos em classes de guerreiros denominados Maryas: seus sacerdotes não adoravam os deuses semíticos da Síria-Canaã ou Mesopotâmia — esses foram substituídos pelas imagens de Mitra, o vencedor da luz contra as trevas de Indra, que dominava as tempestades; e de Varuna, condutor do curso eternamente regular do universo. A esses deuses entoavam um canto denominado mantra. Todos esses nomes têm como origem os indo-europeus da Ásia Central, especificamente do ramo indo-ariano, que migraram e se estabeleceram no norte da índia no II milénio a.C. ou talvez numa época ainda mais antiga, e eram parentes dos povos iranianos do planalto iraniano e da Ásia Central, dos quais descendiam de antepassados comuns. Os hurritas tinham uma política dura de tributos em relação a outras entidades políticas e povos, pois quem não os pagasse era invadido e pilhado, mas tal não diferia da prática de outros reinos e povos e era considerado normal nessa época.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Eram criadores entusiastas de cavalos, animais raros e quase desconhecidos entre os semitas; os indo-europeus introduziram o cavalo entre os semitas principalmente como arma de ataque durante seus constantes ataques à terra de Sinear e durante suas invasões. De acordo com relatos, esses animais seriam mais apreciados entres os hurritas do que o próprio homem. O cronista Kikkuli chegou a escrever uma obra sobre a arte de criar estes animais, não deixando a desejar às técnicas de criações atuais. Chegavam até mesmo a treiná-los para não relincharem durante os combates, pois poderiam denunciar as tropas numa emboscada. Os hurritas também introduziram o carro de combate mais adaptado para a guerra, possivelmente copiado pelos hititas mais tarde e empregados como arma à frente da infantaria.

Música Hurrita[editar | editar código-fonte]

Desenho de parte do tablete onde se encontra gravado o hino hurrita a Nikkal

Como muitos outros povos da Mesopotâmia, os hurritas de Mitani usavam a escrita cuneiforme para grafar sua correspondência, textos literários, hinos, etc. Um tablete cuneiforme do século XIII a.C., encontrado no reino Sírio de Ugarit, traz o que é possivelmente a composição musical mais antiga registrada pela história, junto do epitáfio grego de Seikilos, embora não sendo precisamente completa (trechos curtos do hino estão faltando). O hino, conhecido como hino a Nikkal, foi reproduzido segundo as intruções do tablete cuneiforme por músicos contemporâneos e pode ser escutado no site[2] .

História[editar | editar código-fonte]

Acompanhando os cassitas e hititas na sua invasão à Mesopotâmia, os hurritas conquistam a região conhecida como Mitani no extremo norte da Mesopotâmia estabelecendo lá a sede de seu reino na cidade de Nuzi, mais tarde, a cidade de Washukanni, foi a capital do Reino de Mitani. Conquistam a Assíria que fora atacada 75 anos antes pelos cassitas e estava debilitada, unindo-a ao seu nascente império. Os hurritas passaram a expandir-se no norte da Mesopotâmia, aproveitando o facto dos cassitas não estarem interessados pela região, e sim na Acádia e na Suméria, ou seja, pelo sul da Mesopotâmia.

O rei hitita Mursilis, por sua vez, não pôde manter o domínio sobre a Babilônia, cidade rica e populosa, ficando esta a 1 200 quilômetros de Hattusa, o seu centro de poder.

Extinção[editar | editar código-fonte]

Os hurritas, a partir dos séculos XIV e XIII a.C., começaram a ser conquistados e absorvidos pelos hititas a noroeste e pelos assírios a sudeste, e a sua língua extinguiu-se talvez no século XIII a.C. (ou então alguns séculos mais tarde em regiões mais isoladas), sob pressão de outras línguas e povos. Por volta de 1200 a.C., a língua hurrita havia desaparecido dos registros cuneiformes. Há alguns autores que referem a possibilidade de tanto o povo como a língua hurrita serem um dos substratos étnicos, linguísticos e culturais do moderno povo curdo, pois habitavam territórios onde atualmente vivem os curdos (um povo descendente de um grupo ocidental dos medos que migrou para oeste, para a cordilheira dos Montes Zagros).

A língua urartiana, parente da hurrita, foi falada até ao século VII a.C., nas regiões do alto Eufrates e do Lago Van.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • AAVV. (1977). "Hurrians" in The New Encyclopedia Britannica, in 30 volumes. Chicago, London, Toronto, Geneva, Sydney, Tokyo, Manila, Seoul: Encyclopedia Britannica, Inc. ISBN: 0-85229-315-1