Taipa (material)

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Casa de taipa de mão, em Serra Talhada (PE).
Casario em taipa de pilão, Centro Histórico de Santana de Parnaíba (SP).
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, em Pirenópolis (1728): em taipa de pilão, as suas paredes medem 1,5 metros de espessura.

A taipa é uma técnica construtiva vernacular à base de argila (barro) e cascalho empregue com o objectivo de erguer uma parede.

Existem duas formas de taipa:

  • a taipa de mão, também conhecida como "à galega" em Portugal, onde o barro é aglutinado horizontalmente num trançado de madeira para formar a parede, com as mãos;
  • a taipa de pilão, também dita apiloada, onde o barro é compactado horizontalmente, com o auxílio de formas e pilões.

A taipa de pilão[editar | editar código-fonte]

A taipa de pilão é um sistema rudimentar de construção de paredes e muros, tradicionalmente usada para a construção de Sao Paulo, quando bem empregada, possui grande beleza, apresenta excelente desempenho e contribui para a busca pela sustentabilidade na construção. É principalmente usada para formar as paredes externas e as internas, estruturais, sobrecarregadas com pavimento superior ou com madeiramento do telhado.

No Brasil esta tecnologia, agora denominada simplesmente de Taipa, consiste em comprimir a terra em formas de madeira no formato de uma grande caixa, denominadas de taipais, onde o material a ser socado é disposto em camadas de aproximadamente quinze centímetros de altura até atingir a densidade ideal, criando assim uma estrutura resistente e durável. Algumas empresas já estão aplicando novos materiais e equipamentos pneumáticos, alcançando assim altos níveis de qualidade e produtividade em suas obras.

Essas camadas são reduzidas à metade da altura pelo processo de apiloamento. Quando a terra pilada atinge mais ou menos 2/3 da altura do taipal, recebe, transversalmente, pequenos paus roliços envolvidos em folhas, geralmente de bananeiras, produzindo orifícios cilíndricos denominados "cabodás" que permitem o ancoramento do taipal em nova posição.

A taipa de mão[editar | editar código-fonte]

Também chamada de pau-a-pique, taipa de sopapo, taipa de sebe, barro armado, é uma técnica em que as paredes são armadas com madeira ou bambu e preenchidas com barro e fibra. A matéria-prima consiste em trama de madeira ou bambu, cipó ou outro material para amarrar a trama, solo local, água e fibra vegetal, como capim ou palha. O solo local e água são amassados com os pés e, depois de homogeneizados, são misturados à fibra e a massa é usada para preencher a trama. Normalmente usada para erguer parede estrutural ou de vedação.

História[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que seja empregado desde tempos imemoriais no Oriente, sendo do conhecimento do Império Romano. No Norte da África a técnica da taipa de pilão vem sendo milenarmente utilizada.

Incombustível e isolante térmico por natureza, a taipa foi empregue na arquitectura de fortificações por diversos povos desde a Idade Antiga, destacando-se a China, que a utilizou em extensos trechos da Muralha da China, e a cultura islâmica, inclusive em algumas fortificações na península Ibérica, em particular na região do Algarve, tendo sido os mouros os responsáveis pela sua introdução na península Ibérica.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

A técnica da taipa de pilão foi trazida ao Brasil pelos portugueses e largamente utilizada no período colonial, sobretudo na região Sudeste, onde grande parte das igrejas e construções de dois ou mais pavimentos foram edificadas com a técnica de taipa-de-pilão. Durante o ciclo do ouro em cidades como Ouro Preto, Congonhas e Diamantina, a técnica teve seu período de excelência.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Pesquisas sobre o manejo dessa técnica, e de outras em terra crua, como o adobe e o pau-a-pique, contribuíram para o uso atual e difusão das mesmas. O aprimoramento do manejo e uso de equipamentos vem possibilitando construções modernas em taipa em vários países como os Estados Unidos, a Alemanha, a Austrália, a Nova Zelândia, o Chile e outros. Esse desenvolvimento tem possibilitado intervenções de conservação e restauração em construções históricas e também novas construções.

A simplicidade, o baixo custo e resistência (desde que bem isolada), faz com que a taipa seja aplicada ainda hoje em diversos tipos de edificações do Brasil, principalmente regiões de climas quentes e secos com baixos índices de pluviosidade. Tradicionalmente é isolada com cal, em aplicações repetidas com regularidade, podendo ainda ser revestida com pedras.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • LENGEN, Johan Van. Manual do Arquiteto Descalço. Rio de Janeiro: TIBÁLivros, 2004. 724p. il. ISBN 85-87455-38-9

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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