Rifenhos

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Rifenhos
População total

entre 4 730 000 e 6 630 000

Regiões com população significativa
 Marrocos 4 800 000
 Países Baixos 470 000
 França 380 000
 Bélgica 347 000
 Espanha 517 000
 Alemanha 230 000
 Noruega 28 000
Línguas
tarifit (rifenho), árabe marroquino, espanhol, francês
Religiões
Islão
Etnia
berberes zenetas
Grupos étnicos relacionados
guanches, iberos, egípcios

Os rifenhos[1] [2] (em tarifit: Irifiyã; singular: Arifi; em francês: rifains) são um povo berbere zeneta que habitam as montanhas do Rife oriental, no nordeste de Marrocos. A sua língua materna, o tamazight tarifit (ou rifenho), faz parte das línguas berberes. Além do tarifit, outras línguas comuns entre os rifenhos são o árabe marroquino (especificamente uma variante própria da região e semelhante ao árabe argelino de Orânia), o espanhol e o francês.

As principais cidades rifenhas são Al Hoceima, Nador, Berkane, Melilla e Driouch.

Antropologia física[editar | editar código-fonte]

Os berberes rifenhos são classificados como mediterrânicos, estando mais aparentados com os povos europeus do que com povos africanos ou árabes,[3] [4] havendo inclusivamente muitos rifenhos com algumas características nórdicas e alpinas, como cabelos loiros e olhos azuis ou verdes, numa percentagem mais elevada do que as verificadas entre italianos, espanhóis ou portugueses.[5] [6]

História[editar | editar código-fonte]

Depois da independência, a repressão de uma revolta no Rife fez mais de 8 000 mortos entre 1958 e 1961. Em resultado de do abandono voluntária por parte do makhzen (poder central marroquino), centenas de milhares de rifenhos emigraram para a Europa Ocidental a partir dos anos 1960, principalmente para os Países Baixos, França, Bélgica, Alemanha e, mais recentemente, Espanha.[7] No início dos anos 1980, entre as grandes tribos mais importantes e significativas do Rife, os Ouchnak, próximos do chefe militar Abdelkrim al-Khattab cotribuíram para o apaziguamento das tensões entre os rifenhos e o makhzen graças a longas negociações.

Os rifenhos e a Argélia[editar | editar código-fonte]

O Rife foi e é um lugar aberto ao ocidente argelino (Orânia), tanto em termos geográficos como históricos. Ao longo dos últimos séculos foram-se tecendo laços entre o Rife e a Orânia.[8] Os Beni Snous, berberes da região de Tlemcen, são classificados pelos etnólogos como fazendo parte do grupo rifenho. Depois de vários séculos, Orão tornou-se um dos dois grandes portos do Rife, em direta concorrência com Melilla. Os laços entre entre os dois lados da fronteira manifestaram-se quando o emir Abd El-Kader, líder da resistência argelina, se refugiou em Marrocos, onde foi apoiado pelos rifenhos.[carece de fontes?]

A conquista francesa alargou essas relações ao facilitar os meios de transporte. Desde o começo do arroteamento de terras e da implantação de uma nova economia do tipo colonial na Argélia, os rifenhos começaram a ir para aquele país em busca de trabalho junto dos colonos franceses. Em Misserghin, perto de Orão, existiu uma aldeia quase inteiramente formada por rifenhos definitivamente fixados na região. Estima-se que atualmente entre 55 e 70% das famílias rifenhas tenham algum tipo de ligação com a Argélia.[carece de fontes?]

Tribos[editar | editar código-fonte]

Mulher rifenha em Xexuão com um chapéu tradicional
O zamar, um instrumento tradicional rifenho

Durante muito tempo, a organização sóciopolítica da região era do tipo tribal. Existe uma trintena de tribos (também designadas cabilas) rifenhas, das quais as principais são:

  • Ayt Iznassen ou Beni Snassen (Berkane, Ahfir, Tafoughalt, Tazaghine, Fezouane, Ajdir, Zegzel, Taghjirt, etc.);
  • Wlad Settout (Zaio, Sebra); esta tribo não é berbere, é uma tribo de árabes nómadas que se instalaram na região no fim do século XIX berberes;
  • Ibdharsane (Saka, Hakkuon, Guercif, Hassi-Medlam, Merada, Ain Zohra, Driouch, etc.);
  • Ayt Temsamane (Boudinar, Azrar, etc.);
  • Ibaqoyane (Al Hoceima, Izemouren, Rouadi);
  • Ayt Tafersit (Agban, etc.);

Nota: os topónimos Ajdir, Ahfir e Tazaghine são ambíguos, pois existem vários lugares com esses nomes no Rife.

Religião e folclore[editar | editar código-fonte]

Os rifenhos eram originalmente pagãos e politeístas, como os restantes norte-africanos. Adoravam o deus da guerra Gurzil, o da chuva Anzar, etc. Apesar de se terem convertido ao Islão, preservaram algumas particularidades culturais, como tatuagens e superstições de origem pagã. A islamização foi um processo lento, mas atualmente todos os rifenhos são muçulmanos.

A aarfa, também chamada imadiazane ou reggada, é originalmente uma dança guerreira das tribos rifenhas. Os guerreiros dançavam em sinal de vitória sobre o inimigo, daí o uso da espingarda. As batidas com os pés no solo fazem-se ao ritmo da música e simbolizam a pertença à terra. A música é fortemente ritmada pelo adjoune (bendir, um tamborim), da ghaïta (zurna), tamja ou zamar (uma espécie de flauta com dois cornos). É dançada com movimentos de ombros, uma espingarda ou um bastão, batendo os pés no solo ao ritmo da música. Cada uma das tribos da região de l'Oriental tem os seus próprios chioukhs que dirigem a dança e concorrem entre eles. Entre os mais célebres podem citar-se os xeques Mohand, Mossa, Amre e Majid.

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. rifenho. Dicionário da Língua Portuguesa (www.infopedia.pt). Porto Editora. Arquivado do original em 11 de janeiro de 2012. Página visitada em 11 de janeiro de 2012.
  2. rifenho. Dicionário Aulete (aulete.uol.com.br). Lexikon Editora Digital. Arquivado do original em 11 de janeiro de 2012. Página visitada em 11 de janeiro de 2012.
  3. Brett 1997«Quanto muito, podemos definir os berberes como mediterrânicos. Em termos da sua antropologia física, eles são mais aparentados com os sicilianos, espanhóis e egípcios do que com nigerianos, sauditas ou etíopes
  4. Schwidetzky 1980, p. 264 — «(...) há três tipos principais (...). O elemento mediterrânico é sempre o predominante, constituindo cerca de três quartos da população, e parece ter três variantes reconhecíveis: (1) um tipo ibérico-insular (...); (2) um tipo atlântico-mediterrânico (...); (3) por último um tipo chamado "saariano", bastante pouco frequente. Um segundo elemento, que é fundamental mas não é muito comum, tem sido classificado como alpino por certos autores. (...) Eles constituem cerca de um décimo da população, mas não parece que eles possam ser confundidos com o tipo europeu alpino (...). Um terceiro elemento com traços armenoides caracteriza menos de dez por cento dos sujeitos (...). Além destas classes, podem também ser encontrados alguns vestígios do antigo tipo Mechta-Afalou (...).»
  5. Chamla, Marie-Claude in Schwidetzky 1980, p. 265-266 — «Olhos verdes ou castanhos claros podem ser encontrados frequentemente nas área montanhosas (na Cabília e especialmente no Aurès) e nos planaltos do leste. Esta frequência relativa de olhos de cores "misturadas" não é peculiar dos argelinos, e também aparece noutros países do Norte de África, especialmente em Marrocos (...) A frequência de olhos de cores claras (azul e cinzento) varia de dois a setenta por cento conforme a região.»
  6. Chamla 1974
  7. Le Rifain ou Tarifit (Maroc) (em francês). www.centrederechercheberbere.fr. Centre de Recherche Berbère. Arquivado do original em 11 de janeiro de 2012. Página visitada em 11 de janeiro de 2012.
  8. Le Rif terre de l’émigration: aux origines du mouvement migratoire dans le Rif (em francês). www.arrif.com (7 de junho de 2005). Arquivado do original em 11 de janeiro de 2012. Página visitada em 11 de janeiro de 2012.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Brett, Michael; Fentress, Elizabeth. The Berbers (em inglês). [S.l.: s.n.], 1997.
  • Schwidetzky, Ilse; Chiarelli, A. B.; Necrasov, Olga C. Physical Anthropology of European Populations (em inglês). [S.l.]: Mouton, 1980. 446 p. ISBN 9789027979001