Iberos

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Línguas pre-romanas da península ibérica.

Os Iberos eram um povo que habitou as regiões sul e leste da península Ibérica na Antiguidade. A respeito da sua origem, há duas teorias:

Segundo uma teoria os Iberos são os habitantes originais da Europa Ocidental e os criadores da grande cultura megalítica que teve início em Portugal. Segundo outra teoria, os Iberos seriam de origem Ibéria caucasiana, e teriam construído ópidos muito semelhantes às mesmas construções encontradas na Escócia. A mesma forma de tecer e colorir cobertas de lã grossa são as mesmas em regiões do Cáucaso, no sul de Portugal (Alentejo) e na Escócia [1], no fim do VI milénio a.C., e se espalhou pela Península Ibérica, França, Grã-Bretanha, Irlanda e Dinamarca, até meados do II milénio a.C. Essa teoria está apoiada em evidências arqueológicas, genéticas e linguísticas. A ser verdade esta teoria, os Iberos teriam sido o mesmo povo dominado pelos Celtas no I milénio a.C., na Irlanda, Grã-Bretanha e em França. Quando as primeiras migrações celtas chegaram ao ocidente europeu, os iberos já estavam estabelecidos alguns milênios antes, principalmente no este da península ibérica de onde guerrearam contra a dominação romana. Migração e viagens eram muito comuns naqueles tempos. Contra os romanos a aliança entre Iberos e Celtas tornou-se mais forte. A própria Enciclopédia Britânica define os ingleses como descendentes dos Iberos e dos Celtas. Contudo eram povos de cultura bem diferentes, mas de mesma raça.

Alternativamente, outra teoria sugere que eram originários do Norte da África, de onde emigraram provavelmente no século VI a.C. para a Península Ibérica (à qual cederam o nome), onde ocuparam uma faixa de terra entre a Andaluzia e o Languedoc (na França). Foram parceiros comerciais dos Fenícios, os quais fundaram dentro do território dos Iberos várias colônias comerciais, como Cádis, Eivíssia e Empúrias. Foram assimilados pelos Celtas no século I a.C. formando o povo conhecido como Celtiberos.

As ondas de emigração de povos Célticos que desde o século VIII ao século VI a.C. entraram em massa no noroeste e zona centro da actual Espanha, penetraram também em Portugal e Galiza, mas deixaram intactos os povos indígenas da Idade do Bronze Ibérica no Sul e Este da península.

Tumba ibérica de Azaila
Tumba ibérica de Azaila
A célebre "Dama de Elche", século IV a.C.
A célebre "Dama de Elche", século IV a.C.
Placa de chumbo com inscrição ibérica encontrada em Penya del Moro
Placa de chumbo com inscrição ibérica encontrada em Penya del Moro

Os geógrafos gregos deram o nome de Ibéria, provavelmente derivado do rio Ebro (Iberus), a todas as tribos instaladas na costa sueste, mas que no tempo do historiador grego Heródoto (500 a.C.), é aplicado a todos os povos entre os rios Ebro e Tinto Huelva, que estavam provavelmente ligados linguisticamente e cuja cultura era distinta dos povos do Norte e do Oeste. Havia no entanto áreas intermédias entre os povos Célticos e Iberos, como as tribos Celtiberas do noroeste da Meseta Central e na Catalunha e Aragão.

Das tribos iberas mencionadas pelos autores clássicos, os Bastetanos eram territorialmente os mais importantes e ocupavam a região de Almeria e as zonas montanhosas da região de Granada. As tribos a Oeste dos Bastetanos eram usualmente agrupadas como "Tartessos", derivado de Tartéssia que era o nome que os gregos davam à região. Os Turdetanos do vale do rio Guadalquivir eram os mais poderosos deste grupo. Culturalmente as tribos do noroeste e da costa valenciana eram fortemente influenciadas pelas colónias gregas de Emporium (a moderna Ampúrias) e na região de Alicante a influência era das colónias fenícias de Malaca (Málaga), Sexi (Almuñécar), e Abdera (Adra), que passaram depois para os cartagineses.

Na costa este, as tribos Iberas parecem ter estado agrupadas em cidades-estado independentes. No sul houve monarquias, e o tesouro de El Carambolo, perto de Sevilha, parece ter estado na origem da lenda de Tartessos. Em santuários religiosos encontraram-se estatuetas de bronze e terracota, especialmente nas regiões montanhosas. Há uma grande variedade de cerâmica de distintos estilos ibéricos.

Foi encontrada cerâmica ibérica no sul da França, Sardenha, Sicília, e África e eram frequentes as importações gregas como a esplêndida Dama de Elche, um busto com características que mostram forte influência clássica grega. A economia Ibérica tinha uma agricultura rica, forte exploração mineira e uma metalurgia desenvolvida.

A língua ibérica era uma língua não indo-europeia, e continuou a ser falada durante a ocupação romana. Ao longo da costa Este, utilizou-se uma escrita ibérica, um sistema de 28 sílabas e caracteres alfabéticos, alguns derivados dos sistemas fenício e grego, mas de origem desconhecida. Ainda sobrevivem muitas inscrições dessa escrita, mas poucas palavras são compreendidas, excepto alguns nomes de locais e cidades do século III, encontradas em moedas.

Os Iberos conservaram a sua escrita durante a conquista romana, quando se começou a utilizar o alfabeto latino. Ainda que inicialmente se pensasse que a língua basca era descendente da ibera, hoje considera-se que eram línguas separadas.


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