Geografia da Bahia

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O estado da Bahia em destaque no mapa do Brasil.
Mapa da Bahia com suas divisões (mesorregiões, microrregiões e municípios).

A Geografia da Bahia é um campo de estudo da geografia com foco no estado brasileiro da Bahia, e é também um ramo da geografia da Região Nordeste do Brasil, que por sua vez é da geografia do Brasil. A Bahia está, no que se pode dizer, no ponto sub-colateral leste-nordeste em relação à cidade de Brasília e, ainda, no litoral do país sul-americano chamado Brasil.

Dentre os aspectos geográficos dessa disciplina, é possível destacar que a Bahia é o quinto estado do país em extensão territorial e equivale a 36,3% da área total do Nordeste brasileiro e 6,64% do território nacional. Além de que de uma área de 564.692,67 km², cerca de 68,7% encontram-se na região do semi-árido, sendo o maior litoral do Brasil, medindo 1.183 km, abrigando uma grande variadade de ecossistemas e favorecendo a atividade turística por sua rara beleza.

Relevo[editar | editar código-fonte]

Vista da Chapada Diamantina.

Com 561.026 km² situados na fachada atlântica do Brasil, o relevo é caracterizado pela presença de planícies, planaltos, e depressões. Marcado pelas altitudes não muito altas, o ponto mais alto da Bahia é representado pelo Pico do Barbado, situado na Serra do Guarda Mor, próximo a Catolés, com cerca de 2.080 metros.

Os chapadões, as chapadas e tabuleiros presentes no relevo mostram que a erosão trabalhou em busca de formas tabulares.

Os planaltos ocupam quase todo o estado, apresentando uma série de patamares, por onde cruzam rios vindos da serra do Espinhaço, que nasce no centro de Minas Gerais indo até o norte do estado, e da própria Chapada Diamantina, de formato tabular, marcando seus limites a norte e a leste. O planalto semiárido, localizado no sertão brasileiro, caracterizado por baixas altitudes.

As planícies estão situadas na região litorânea, onde a altitude não ultrapassa os 200 metros. Ali, surgem praias, dunas, restingas e até pântanos. Quanto mais se anda rumo ao interior, mais surgem terrenos com solos relativamente férteis, onde aparecem colinas que se estendem até o oceano.

Um único recorte no litoral baiano, determina o surgimento do Recôncavo baiano, cuja superfície apresenta solo variado, sendo muito pouco fértil em algumas áreas, enquanto em outras a fertilidade é favorecida pela presença do solo massapê, formado por terras de origem argilosa.

Um conjunto de chapadões situados a oeste recebe, na altura do estado, o nome de Espigão Mestre.

As planícies aluviais se formam a partir dos rios Paraguaçu, Jequitinhonha, Itapicuru, de Contas, e Mucuri, que descem da região de planalto, enquanto o rio São Francisco atua na formação do vale do São Francisco, onde o solo apresenta formação calcária.

Altitude[editar | editar código-fonte]

A cachoeira da Fumaça, na Chapada Diamantina.

O território do Estado da Bahia se caracteriza por planaltos, tendo em vista que 90% do relevo situa-se acima dos 200 metros. Diversas áreas do estado apresentam altitudes acima dos 900 metros, as quais se concentram na região central e centro-leste do estado. A Chapada Diamantina e os planaltos de Conquista e Jaguaquara são os principais representantes das "áreas altas" do estado. Na Chapada Diamantina, em especial, ocorrem áreas montanhosas (setor Oeste e Sudoeste) e chapadões (setores Leste e Sul) onde as altitudes ultrapassam os 1400 metros, sendo que nas primerias situam-se as maiores elevações do Estado e da Região Nordeste, que são o Pico do Barbado, com 2080 metros, e o Pico das Almas, com 1850 metros.

Já o Vale do São Francisco apresenta altitudes médias de 400m, em função do avançado estágio de erosão fluvial. Esta área rebaixada é ladeada, a Oeste, pelas Chapadas da Serra Geral de Goiás e pelos plantaltos relacionados, com altitudes entre 700 e 900 metros em média. A região relativamente baixa, ainda relacionada ao vale do São Francisco, se prolonga pelo norte do estado, junto a divisa com o Estado de Pernambuco.

Pontos extremos[editar | editar código-fonte]

Pontos culminantes[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

Sertão.

Devido à sua latitude, o clima tropical predomina em toda a Bahia, apresentando temperaturas elevadas, em que as médias de temperatura anuais, em geral ultrapassam os 27 °C, entretanto na serra do Espinhaço as temperaturas são mais amenas e agradáveis, podendo chegar aos 5 °C no inverno. Contudo, no sertão, o clima é o semi-árido e Clima árido. O clima árido só é encontrado no Raso da Catarina, região mais quente do Brasil, em que os índices pluviométricos são bastantes baixos, sendo comum os longos períodos de seca, onde se chega aos 43 °C, situado no nordeste da Bahia. O recorde de temperatura do Brasil foi de 50,4 °C no raso da catarina.

Há dinstinções apenas quanto aos índices de precipitação em cada uma das diferentes regiões. Enquanto que no litoral e na região de Ilhéus, a umidade é maior, e os índices de chuvas podem ultrapassar os 1.500 mm anuais, no sertão pode não chegar aos 300 mm anuais.

A estação das chuvas é irregular, consequentemente podendo falhar totalmente em certos anos, desencadeando a seca, que é mais marcante no interior, com exceção para região do vale do rio São Francisco.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Vegetação da Chapada Diamantina.

Possui três tipos variados de vegetação, sendo a caatinga predominante sobre a floresta tropical úmida e o cerrado.

A caatinga se localiza em toda a região norte, na área da depressão do São Francisco, e na serra do Espinhaço, deixando para o cerrado apenas a parte ocidental, e para a floresta tropical úmida, o sudeste.

No interior as estações de seca são mais marcantes, com exceção para região do vale do rio São Francisco.

Na serra do Espinhaço as temperaturas são mais amenas e agradáveis.

Os índices pluviométricos no sertão são bastantes baixos, podendo não chegar aos 300 mm anuais. Ali ocorrem comumente longos períodos de seca.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Cachoeira do Buracão em Ibicoara.

O principal rio é o São Francisco, que corta o estado na direção sul-norte. Com importância sinônima, os rios Paraguaçu e o de Contas que somam-se os rios Jequitinhonha, Itapicuru, Capivari, entre outros.

Litoral[editar | editar código-fonte]

É o estado brasileiro com o maior litoral. Possuindo famosas e belas praias, como a praia de Itapuã, diversas vezes homenageada em músicas e poesias.

No litoral e na região de Ilhéus, a umidade é maior, e os índices de chuvas podem ultrapassar os 1.500 mm anuais.

Preservação ambiental[editar | editar código-fonte]

Foram criadas 36 Áreas de Proteção Ambiental (APAs), totalizando 128 Unidades de Conservação cadastradas no estado, instituídas por decretos e portarias federais, estaduais e municipais. A incidência das APAs se deve a sua adequação e orientação às atividades humanas sendo mais flexíveis. Considerando os diferentes biomas, cerrado, caatinga e floresta (Mata Atlântica), constata-se que com maior percentual de Unidades de Conservação encontra-se em áreas de florestas devido à sua fragmentação e estado de degradação. As Reservas Particulares surgem como opção de preservação totalizando 46 unidades[1] .

Na Região Metropolitana de Salvador, estão situadas algumas áreas verdes e parques que guardam grandes espaços de vegetação. São eles: o Parque Metropolitano de Pituaçu, o Parque Metropolitano Lagoas e Dunas do Abaeté, o Parque Zoobotânico Getúlio Vargas (ou Jardim Zoológico de Salvador), o Jardim Botânico de Salvador, o Parque da Cidade Joventino Silva (ou Parque da Cidade).

Unidades de conservação[editar | editar código-fonte]

Como em todo o Brasil, na Bahia também existem áreas de preservação e conservação, que são geridas pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, protegidas por lei e têm sua função determinada pelas categorias de Proteção Integral e Uso Sustentável, definidas pela Lei no 9.985/00, Sistemas de Unidades de Conservação (SNUC), e uma delas é a educação ambiental. Abaixo estão listados as áreas de conservação e preservação localizadas na Bahia[1] .

Além das UCs existentes, há projetos de criação outras áreas para proteger os vestígios de mata atlântica que ainda sobrevivem no sul e extremo sul da Bahia, como Monumento Natural de Pancada Grande na divisa entre os municípios de Ituberá e Igrapiúna com uma área de 613 hectares[2] , Refúgio de Vida Silvestre e Parque Nacional de Boa Nova abrangendo os municípios de Boa Nova, Manoel Vitorino e Dário Meira[3] , Área de Proteção Ambiental e Parques Nacional e Estadual do Alto Cariri no limite de Minas Gerais e Bahia[4] e Parque Nacional das Serras das Lontras, Javi e Quati nos municípios de Una e Arataca em 16.520 hectares[5] .

Parques nacionais[editar | editar código-fonte]

Ilha Redonda, Arquipélago de Abrolhos.

Através de decretos e portarias federais foram instituídos sete parques nacionais no estado da Bahia[1] . São eles:

Parque estaduais[editar | editar código-fonte]

Através de decretos e portarias estaduais foram instituídos três parques estaduais da Bahia[1] . São eles:

Monumentos naturais[editar | editar código-fonte]

Os monumentos naturais são unidades de conservação de proteção integral, pretende preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica e a Bahia possui dois[1] , que são:

Estações ecológicas[editar | editar código-fonte]

Praia em Trancoso.

As estações ecológicas são unidades de conservação que dão preferência ao desenvolvimento de pesquisas científicas[1] . No Estado da Bahia há três.

Áreas de relevante interesse ecológico[editar | editar código-fonte]

As áreas de relevante interesse ecológico (ARIE) geralmente possuem uma pequena área, mas com espécies únicas e/ou muitto raras. No Estado da Bahia estão localizados três dessas[1] .

Reservas particulares do patrimônio natural[editar | editar código-fonte]

As reservas particulares do patrimônio natural (RPPN) são áreas privadas, gravadas com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. De acordo com dados do IBAMA de janeiro de 2008, as RPPNs federais que existem na Bahia estão listadas abaixo[7] .

Áreas de proteção ambiental[editar | editar código-fonte]

Coqueiral na Linha Verde.
Camamu.

As áreas de proteção ambiental (APA) geralmente possuem uma grande área com ocupação humana, e que visa o desenvolvimento sustentável e conciliar o ser humano com o meio ambiente. Na Bahia há 32 APAs[1] .

Reservas extrativistas[editar | editar código-fonte]

Como a Bahia não está dentro da Amazônia, as reservas extrativistas (RESEX) foram inicialmente somente do tipo marinha. No estado estão localizadas duas RESEX marinhas já criadas, listadas abaixo, e outras duas em fase de estudo para criação (Litoral Norte da Bahia e Itacaré).[8] Além dessas duas, há outras duas terrestres.

Outras unidades[editar | editar código-fonte]

Na Bahia, além das anteriores, há outras unidades de conservação[1] , como:

Referências

  1. a b c d e f g h i SEMA - Secretaria do Meio Ambiente - Governo do Estado da Bahia. Unidades de Conservação - Definição: Unidades de Conservação do Estado. Página visitada em 6 de julho de 2008.
  2. Ministério do Meio Ambiente - MMA. Proposta de Criação de Unidade de Conservação Monumento Natural de Pancada Grande. Página visitada em 6 de julho de 2008.
  3. Ministério do Meio Ambiente - MMA. Proposta de Criação de Unidade de Conservação Refúgio de Vida Silvestre e Parque Nacional de Boa Nova. Página visitada em 6 de julho de 2008.
  4. Ministério do Meio Ambiente - MMA. Proposta de Criação de Unidade de Conservação Área de Proteção Ambiental e Parques Nacional e Estadual do Alto Cariri. Página visitada em 6 de julho de 2008.
  5. Ministério do Meio Ambiente - MMA. Proposta de Criação de Unidade de Conservação Parque Nacional das Serras das Lontras, Javi e Quati. Página visitada em 6 de julho de 2008.
  6. Superintendência do IBAMA na Bahia. Serra Geral do Tocantins. Página visitada em 6 de julho de 2008.
  7. IBAMA. Lista de RPPNs. Página visitada em 6/07/2008.
  8. IBAMA. Reservas Extrativistas (em português). Página visitada em 15 de abril de 2010.
  9. ICMBio. DECRETO DE 5 DE JUNHO DE 2009. Página visitada em 15 de abril de 2010.
  10. ICMBio. DECRETO DE 5 DE JUNHO DE 2006. Página visitada em 15 de abril de 2010.
  11. Superintendência do IBAMA na Bahia. Veredas do Oeste Baiano. Página visitada em 6 de julho de 2008.
  12. Superintendência do IBAMA na Bahia. Contendas do Sincorá. Página visitada em 6 de julho de 2008.
  13. Superintendência do IBAMA na Bahia. Una. Página visitada em 6 de julho de 2008.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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