Geografia de Santa Catarina

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Santa Catarina
Ficha técnica
Área 95.346,181 km²
Relevo terrenos baixos, enseadas e ilhas no litoral, planaltos a leste e oeste e depressão no centro.
Ponto mais elevado Morro da Boa Vista, 1.827 m.
Rios principais Uruguai, Canoas, Pelotas, Negro.
Vegetação mangues no litoral, mata das araucárias no centro, campos a sudoeste e faixas da floresta a leste e oeste.
Clima subtropical Cfa e Cfb
Municípios mais populosos Joinville (429.604), Florianópolis (342.315), Blumenau (261.808), São José (173.559), Itajaí (172.081), Lages (157.682), Chapecó (146.967), Jaraguá do Sul (108.489), Palhoça (102.742) (2000).
Hora local -3
Gentílico catarinense ou Barriga Verde

A geografia de Santa Catarina é um domínio de estudos e conhecimentos sobre as características geográficas do território catarinense. Ao longo do litoral, aparecem planícies, terrenos baixos, enseadas e ilhas. Essa porção do relevo recebe o nome de Planaltos e Serras de Leste-Sudeste. No centro-leste de Santa Catarina, surge a Depressão Periférica. No oeste, sudeste e centro do estado, onde as serras são mais comuns, o compartimento de relevo são os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná.

O leste do estado é drenado pelas Bacias Costeiras do Sul. O Itajaí é o principal rio dessa parte de Santa Catarina. No centro e no oeste, localizam-se afluentes do rio Uruguai, como o Pelotas, o Canoas, o do Peixe e o Chapecó. Esses cursos d’água pertencem à Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai.

O clima de Santa Catarina é subtropical úmido. As temperaturas médias variam bastante de acordo com o local: são mais baixas nas regiões serranas (onde pode nevar no inverno) e mais elevadas no litoral, no sudeste e no oeste catarinense. As chuvas são bem-distribuídas durante o ano, atingindo, em média, 1.500 mm anuais.

Originalmente, o estado era recoberto por florestas e campos. Nas serras litorâneas predominava a Mata Atlântica e, nos trechos mais elevados das regiões serranas, a Mata de Araucárias

Os campos aparecem em manchas esparsas por todo o estado.

Principais características[editar | editar código-fonte]

Divisão municipal do estado

O clima é subtropical e o estado é uma das unidades da federação com relevo mais elevado; 52% do território estão acima dos 600 metros, sendo a estreita faixa litorânea a região mais baixa, praticamente ao nível do mar, onde existem muitas lagoas, algumas de água doce outras de água salobra (veja lista de lagoas de Santa Catarina). O Uruguai, Canoas, Pelotas, Rio Negro, do Peixe, Itajaí, Iguaçu, Chapecó e Tubarão são os rios principais. Veja lista de rios de Santa Catarina.

Localização[editar | editar código-fonte]

Santa Catarina situa-se no Sul do Brasil, bem no centro geográfico das regiões de maior desempenho econômico do país, Sul e Sudeste, e em uma posição estratégica no Mercosul. Florianópolis, a capital, está a 1.539 km de Buenos Aires, 705 km de São Paulo, 1.144 do Rio de Janeiro e 1.673 de Brasília. Sua posição no mapa situa-se entre os paralelos 25º57'41" e 29º23'55" de latitude Sul e entre os meridianos 48º19'37" e 53º50'00" de longitude Oeste.

A superfície territorial de Santa Catarina corresponde a 95.346,181 km², incluindo as águas territoriais. É o vigésimo maior estado brasileiro em extensão territorial. É parcela reduzida da totalidade da do território estrangeiro, avaliada em 8.514.876,599 km².

O estado de Santa Catarina é maior superfície em extensão, do que muitos outros estados do Brasil (Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe). Podemos depreender que a extensão da superfície é, no entanto, apenas um fato de importância, mas não explica outras características também importantes.

Um fato importante reside na localização geográfica dêsse espaço territorial, da qual decorre, de início, na subordinação a fenômenos de natureza climática, botânica, geológica, hidrológica, e de outros, relacionados a fenômenos humanos. Assim sendo, é importante, nêsse início de identificação do espaço geográfico catarinense, considerarmos que o mesmo está localizado entre os estados do Paraná, ao norte, Rio Grande do Sul, ao sul, oceano Atlântico, a leste e a República da Argentina, a oeste.

Horário e energia[editar | editar código-fonte]

O fuso horário é igual ao de Brasília: três horas a menos em relação a Greenwich - UTC-3. Uma vez por ano - em geral entre outubro e fevereiro - adota-se o horário de verão, no qual os relógios são adiantados uma hora para poupar energia. A tensão elétrica no estado é de 220 volts.

Solo e subsolo[editar | editar código-fonte]

Seu subsolo é um dos mais ricos do país. Santa Catarina possui a terceira maior reserva de argila cerâmica do Brasil, a segunda maior de fosfatados naturais e de quartzo e a primeira em carvão mineral para siderurgia, de fluorita e de sílex. Todas essas reservas são economicamente viáveis e estão em processo de produção.

Geologia[editar | editar código-fonte]

Uma longa viagem, a pé, até o extremo oeste do estado, chegaríamos, sem dúvida, cansados. Mas teríamos a ventura de pisar em terrenos de idades muito diversas. desde a atual (holocênica) até a mais recuada (arqueana). Quer dizer que tocaríamos nas rochas cuja idade chega a ser tão senil, que nossa própria imaginação não consegue sentir. Afinal de contas, rochas de alguns bilhões de anos parecem-nos tão afastados, no tempo, quanto o extremo oeste, no espaço.

As praias costeiras são composta de material de idade atual. São rochas sedimentares, desagregadas de outras, transportadas e depositadas por agentes como os rios e as águas marinhas e, muitas vêzes, pelos ventos.

Ao longo desse trajeto, pisaremos rochas de idades e de origens diversas. Pisaremos em rochas sedimentares recentes, como as areias das praias; rochas sedimentares antigas, como as que formam o Planalto de Canoinhas, as que constituem os terrenos onde se efetua a mineração do carvão.

Encontraremos, às vêzes, junto às praias, formacões montanhosas compostas de rochas metamórficas, no dorso do Planalto pisaremos, por grande extensão, rochas que representam materiais extravasados do interior do globo, por erupções já muito antigas. São rochas, pois, de origem eruptiva.

Em realidade, rarissimamente pisaríamos sôbre rochas em suas estruturas originais, mas sim sôbre uma camada de materiais resultantes da desagregação mecânica dos minerais componentes das rochas e da decomposição química dos mesmos. Pisaríamos sobre o manto de decomposicão das rochas que constitui, mais propriamente, o solo. E, a dificuldade seria ainda maior, pois solo está, por sua vez, freqüentemente coberto por um manto de vegetais.

Podemos resumir que os, terrenos geológicos de Santa Catarina são representados por rochas diversas, predominando, em extensão, as seguintes:

Do ponto de vista do interesse mineralógico, algumas rochas contém minerais de grande importância. Nas rochas sedimentares antigas (paleozóicas) ocorrem as camadas de carvão. Nessas rochas se aproveitam também, materiais decompostos, as argilas, para fins cerâmicos. No sul do estado, outros minerais têm importância econômica, como a fluorita. minerada em Urussanga e Estação Cocal.

O calcário é outro mineral de grande importância, devido sua utilização principalmente para a fabricação de cimento. Ocorre sob a forma sedimentar e metamórfica, notadamente nos terrenos da encosta litorânea (Camboriú) e no Vale do Itajaí Mirim. Nessas áreas. o mármore também possui algum valor econômico.

Embora se desconheça muito a geologia e a mineralogia de Santa Catarina, há muita esperança quanto à revelação de diversos minerais de valor para a economia.

O recurso mineral de maior interesse econômico é, sem dúvida, o carvão, mas as próprias rochas mais comuns, como os granitos, os gnaisses, se prestam, enormemente, como materiais de construção, calçamento de ruas, etc.

As argilas, que são minerais decompostos, pois são formadas por substâncias desagregadas e quimicamente alteradas, quando são muito plásticas, chamadas caolínicas têm grande importância. Possibilitam o desenvolvimento de centenas de olarias e cerâmicas em diversas áreas de Santa Catarina.

Relevo[editar | editar código-fonte]

Em Santa Catarina há muita preocupação quanto ao problema do separatismo geográfico entre as duas regiões do estado:

Estas duas regiões são devidas às condições do relevo catarinense, caracterizado pela relativamente súbita alteração dos níveis altimétricos. No sentido norte-sul, as linhas de cumiadas da Serra Litorânea (arqueana) e da Serra Geral (cuja frente se aproxima do litoral ao sul), formam níveis altimétricos muito marcantes, dividindo o espaço catarinense em dois. Em conjunto, estas linhas de separação estabelecem a própria orientação da drenagem das águas, para o Atlântico e para a bacia do Paraná.

Antes das obras rodoviárias e ferroviárias, as dificuldades de articulação entre o Litoral e a Encosta com o Planalto eram bem maiores. Mas outrora, Santa Catarina sentia o problema, simbolizando na construção da rodovia BR-282 a conquista de um sonho que pôs fim o separatismo geográfico.

O fato de se constatar duas grandes regiões, no estado, não significa a ausência de pronunciadas diferenças das formas de relevo, verificadas no âmbito local.

É muito nítido o contraste entre as baixadas litorâneas e as formações montanhosas que, no litoral, chegam a tocar diretamente o mar. As próprias baixadas litorâneas são também diferentes da superfície ondulada do Planalto Ocidental.

E, no dorso do Planalto Ocidental, o horizonte retilíneo contrasta bastante com as formas de relevo dos vales que os rios entalharam no material arenítico-eruptivo.

No Planalto, alguns rios escavaram profundamente o material rochoso, formando vales fechados, de encostas abruptas, que são verdadeiros "canyons", como o do rio Canoas.

Contrastes maiores poderão ser observados entre os níveis altimétricos das baixadas e tabuleiros litorâneos com a imponente escarpa da Serra Geral, na área meridional do estado. Essa escarpa, transposta pela famosa estrada da "Serra do Rio do Rastro", é panorama de interesse turístico.

Litoral[editar | editar código-fonte]

A paisagem litorânea catarinense é muito diversificada. e assume frequentemente grande beleza cênica. Por isso, apresenta ampla perspectiva quanto ao fenômeno turístico que, por sinal, já encontra, em algumas localizações, o caminho aberto para o desenvolvimento.

Em seu sentido geral. a morfologia litorânea é caracterizada pelo processo de "retificação" da linha de costa. Este fato é constatado pela formaçâo de praias, pelo fechamento de lagoas costeiras, pela, sedimentação nos fundos das baías e enseadas.

No trecho meridional, a linha de costa se encontra bem mais retificada, retilínea, do que em relação ao trecho central.

A "costa" é, apenas, uma faixa do Litoral. Este compreende, em suma, uma área mais ampla, repleta de formações montanhosas e de planícies, às vezes extensas,como a do Tijucas, a planície-deltáica do rio da Madre e do rio Tubarão, a planície e os tabuleiros do baixo vale do rio Araranguá.

O Litoral catarinense é região muito densamente ocupada, ricamente servida por rios que lançam ao oceano grande quantidade de detritos, fertilizando as águas oceânicas. Talvez, por isso, a pesca marítima seja tão promissora.

Alguns acidentes da morfologia costeira são famosos pela beleza. panorâmica: As praias de Ubatuba e Enseada, no município de São Francisco do Sul; as praias de Barra Velha e Piçarras, entre Joinville e Itajaí; as praias de Cabeçudas, Balneário Camboriú e Itapema, entre Itajaí e Florianópolis. Formam, hoje, balneários de grande movimento turístico de verão.

A Ilha de Santa Catarina, "um pedacinho de terra perdido no mar", onde se localiza a capital do estado, começa a intensificar obras de receptividade para o turismo, principalmente na Lagoa da Conceição, de águas ainda salgadas, em contraste com a Lagoa do Peri, já dessalinizada.

Mais ao sul, numerosas lagoas costeiras, formações de dunas elevadas, a grande lagoa aberta de Santo Antonio-Imaruí-Mirim, e o contôrno de praias "lindas, lindas, lindas", são novas frentes de turismo.

Daí em diante. a costa mais retilínea exibe um desfile de lagoas costeiras, como a dos Esteves, Caverá, Sombrio, e, para completar, o famoso "Morros dos Conventos".

Trata-se de uma formação de rochas sedimentares antigas. com blocos isolados que se aproximam do mar, com um escarpa abrupta.

E, no limite com o Rio Grande do Sul, o litoral esbarra com outra escarpa de bloco isolado, mas da Serra Geral: Torres. Mas aí começa outra terra, a terra gaúcha.

Encostas da Serra do Mar[editar | editar código-fonte]

Não será fácil definirmos o que sejam as "encostas". Como "região", é parte do Litoral. Mas o termo, encostas, designa uma forma geral de superfície que desce de um ponto para um nível inferior.

A zona das encostas corresponde, de modo geral, às superfícies inclinadas ou abruptas que são marcantes entre o Planalto e as planícies litorâneas, ou entre estas e as formacões montanhosas também do Litoral.

Mas fala-se, muito, e acertadamente, nas "encostas" dos rios do Planalto, as quais representam as superfícies de inclinação e, às vêzes, muito abruptas, que se orientam para a calha dos rios. É muito freqüente que essa faixa de inclinação de superfícies apresentem características também diferentes da superfície do dorso do Planalto, em aspectos como tipos de solos agrícolas e de vegetação natural.

Planalto[editar | editar código-fonte]

As características mais "movimentadas" da morfologia do Litoral e Encosta contrastam com a predominância da morfologia mais suavizada da superfície do Planalto. É bem verdade que os inúmeros cursos d'água que se esparramam sôbre o Planalto, chegam a entalha-lo, formando vales de encostas nem sempre suaves, quebrando, pois, o aspecto da horizontalidade da superfície. E. é também verdade que essa marcante horizontalidade é interrompida por áreas mais elevadas, com frentes de "serras", como a do Mirador, a da Taquara. a do Faxinal.

É, ainda, verdade que em áreas do Planalto, acontecimentos de origem interna abalaram a estrutura horizontal e ligeiramente inclinada das camadas de rochas, revolvendo os sedimentos que estão abaixo das camadas eruptivas. Na área de Lages, por exemplo, formou-se um fenômeno denominado de "domo", resultante de fortes pressões internas que reergueram e contorceram os materiais rochosos mais externos. A erosão já eliminou bastante essa estrutura de "domo" mas poder-se-á observar "remanescentes" blocos de rochas sedimentares que contrastam com a relativa horizontalidade da superfície.

E, é ainda importante assinalar que o Planalto tem uma inclinação geral em direção ao oeste e em direção ao sul. Tudo isso faz com que a superfície do Planalto não seja tão horizontal, mas faz uma enorme diferença com as formas predominantes da morfologia do Litoral e Encosta.

Clima[editar | editar código-fonte]

Chuvas relativamente abundantes, com índices superiores a 1.300 mm anuais. atingindo, em certas áreas, até 2.000 mm, caracterizam o comportamento desse elemento do clima, em Santa Catarina. Além disso, as chuvas são relativamente bem distribuídas pelas estações do ano. Com ligeiras reduções nos meses de inverno.

A abundância das precipitações, combinada com a relativamente regular distribuição ao longo dos meses, oferecem condição vantajosa para a diversificação das espécies vegetais.

Além disso, pela própria posição astronômica de Santa Catarina (subtrópico), a incidência de raios solares implica na grande quantidade de calor, e na existência de temperaturas se não muito elevadas mas suficientemente estimulantes para a diversificação das espécies vegetais.

Pero Vaz de Caminha não teve tempo para observar o comportamento anual desses elementos do clima, mas constatou, logo, a grande variedade de espécies vegetais no Brasil, e acertou no palpite:

Em se plantando nela tudo dá!

O comportamento anual dos elementos do clima, em Santa Catarina, nos permite, entretanto. identificar dois subtipos do clima:

  • Subtipo Mesotérmico úmido, com "verão quente";
  • Subtipo Mesotérmico úmido, com "verão brando".

Nota-se que, nessa identificação, de subtipos climáticos, a variável mais expressiva é a temperatura, sob a influência do fator relevo: "A altitude corrige a latitude". é um conceito importante. Podemos depreender, então, com base no comportamento da temperatura, que as áreas de níveis altimétricos mais elevados, apresentam-se com valores térmicos inferiores, com "verão fresco".

Tomando a temperatura como elemento inicial da divisão do estado em zonas climáticas, observa-se que o mapa das isotermas assinala:

  • Uma faixa mais litorânea e as áreas mais baixas da bacia do rio Uruguai, em que as médias térmicas anuais oscilam entre 18°C a 20,5°C.
  • Uma faixa correspondente às superfícies mais elevadas, em que as médias assinalam variações entre 14,3°C a 16,3°C.

Trata-se, no caso, da média anual. Maiores diferenças serão sentidas quando confrontamos as áreas climáticas e o comportamento da média térmica, entre os meses mais frios e os meses mais quentes:

Áreas Isoterma anual Isoterma de verão Isoterma de inverno
18,0 a 20,5°C 22 a 24,5°C 14 a 17°C
14,3 a 16,5°C 18 a 22°C 10 a 14°C

As "massas de ar" que controlam condições do tempo, em Santa Catarina. são as seguintes:

A massa de ar de ação mais freqüente, principalmente no verão, responsável pelos ventos do quadrante norte que se infletem no Litoral é a Tropical Atlântica.

No inverno, com mais insistência, e eventualmente nas outras estações do ano, a ação da Polar Atlântica é, também, muito importante. Originária da mesma região emissora - o continente antártico - a outra massa fria se inflete menos frequentemente, mas influi muito nas condições do tempo no oeste e também no Planalto,

A massa de ar, com centro dispersor na região equatorial, e daí seu nome de Equatorial Continental, age também menos intensamente. mas é, em contacto com outras massas, condicionadora das situações de relâmpagos e trovoadas. principalmente nos meses de primavera.

A Polar Atlântica, freqüentem ente, entra em "luta" com o Tropical Atlântica, e na faixa de contacto das duas massas de ar o dinamismo é maior, razão por que aí se reconhecem os fenômenos chamados "frontológicos". Em realidade, trata-se de uma luta pelo domínio das condições do tempo, cada uma tentando, segundo as forças de que dispõem, desalojar a outra. Resultados dessa disputa consistem na formação de chuvas, fortes ou moderadas, que dominam principalmente ao longo da faixa de atrito.

Observações sobre o comportamento da dinâmica das massas de ar, mesmo sem a elaboração de cálculos, nos possibilita dar "palpites", com alguma segurança, sobre a previsão do tempo. Mas, poderemos apanhar uma chuvarada, se marcarmos um pique-nique. A área de observação visual é muito ínfima e o que ocorre num local tem causas distantes. Somente uma rede de postos de observação, com aparelhos de aferição, na superfície e na alta atmosfera, combinando-se com informações e cálculos complexos, poderiam, com segurança, prever as condições do tempo. Mesmo assim, até um certo "tempo".

Em Santa Catarina, onde há crescente atividade de pesca, onde a agricultura é disseminada, e as lavouras subordinadas às circunstâncias climáticas, como a ocorrência de geadas, de granizos, em áreas as mais elevadas do Planalto, a previsão do tempo é questão importante.

Algumas lavouras, como a da uva, do fumo, a fruticultura de espécies sensíveis, chegam a sofrer prejuízos sérios em virtude das esporàdicas precipitações de granizo ou de formação de geadas, em épocas em que as temperaturas baixam bruscamente, em virtude da invasão de "frentes frias". tanto da Polar Atlântica. como da Polar Pacífica.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Em Santa Catarina, os fluxos fluviais, coletados por rios principais como o Itajaí-Açu, o Tubarão, o Araranguá, o Itapocu, etc., se orientàm para o oceano Atlântico, enquanto outros, coletados pelos principais tributários do rio Paraná. como o Iguaçu e o Uruguai, são da vertente do Paraná. Por esta razão diz-se que a orientação de drenagem dos rios que drenam terras catarinenses identifica duas vertentes: a do Atlantico; e a do rio Paraná.

A bacia mais extensa da vertente Atlântica é drenada pela rede hidrográfica do rio Itajaí-Açu. Mas a extensão das terras pelos tributários do rio Uruguai, por sua vez tributário do Paraná. é ainda maior. Abrange todo o Extremo Oeste o Meio-Oeste o Planalto Campestre de Lages.

Os principais tributários do Uruguai, afora o Pelotas, que é uma linha fronteiriça ao sul, e o Canoas (considerados os formadores do Uruguai), correm em sentido pronunciadamente longitudinal, de norte-sul. Dentre esses, citam-se o rio do Peixe, o Chapecozinho, o Chapecó, o Irani, cujos vales foram muito intensamente ocupados pelo homem.

Em direção ao rio Iguaçu, correm os tributários catarinenses: Rio Negro e Canoinhas, e o Timbó. Os divisores destas bacias hidrográficas são assinalados por áreas mais elevadas do Planalto Ocidental, como as serras de Taquara Verde, da Fartura, de Chapecó, e Com outras denominações locais. Mas ambas têm como divisor, a linha de relevo da Serra Geral, em relação à vertente Atlântica.

As pequenas bacias isoladas da vertente Atlântica têm como divisores as cristas montanhosas litorâneas.

Chuvas[editar | editar código-fonte]

Os rios se alimentam de água, de proveniências tais como: do derretimento do gelo, das águas superficiais das chuvas, das águas subterrâneas (que se alimentam das águas de infiltração ou do interior do globo). Como a principal fonte de abastecimento de água dos rios, num pais quente e de freqüentes e fortes precipitações, é a chuva, diz-se que o "regime é pluvial".

Como as chuvas, em Santa Catarina, são relativamente bem distribuídas ao longo do ano, diz-se que o regime dos rios é, predominantemente regular. Quer isto dizer que, entre o período de enchentes e o período de vazantes, não há muita diferença quanto ao seu débito.

A quantidade de água descarregada por um rio, num determinado ponto, por um determinado tempo, constitui o débito do rio, Este débito, em suma, é pouco variável, quando observado nos rios catarinenses, ao longo dos diferentes estações do ano. Mas, varia, pois, a fonte alimentar das chuvas não é inteiramente regular.

O rio Uruguai, por exemplo, utilizado também para transporte de madeira, em "balsas", destinada à Argentina, tem essa utilização paralisada com a diminuição de seu débito nas estações mais secas.

Muitas populações às margens do rio Itajaí-Açu, cujas propriedades agrárias foram demarcadas com referência ao prolongamento do fluxo d'água, se adentraram. E, elegeram os "terraços" (leito maior, antigo, de sedimentos fluviais) como área agrícola. Cidades, como Blumenau, se alongam, subindo o rio. Em certos anos, o aumento do volume da descarga do rio provoca inundações que trazem sérios prejuízos.

Hoje, obras visando regularizar a distribuição da descarga como as barragens de contenção da descarga de rios tributários tendem a disciplinar o regime do grande coletor.

Rios de baixadas litorâneas, como o Araranguá, o rio Cubatão e rio da Madre, chegam a encontrar dificuldades de escoamento de suas águas. Nas cheias, ou mesmo sob a influência das marés, tais rios ficam obstruídos na desembocadura, e assim o escoamento das águas, dificultado que fica, tende a se espalhar lateralmente, provocando alagações.

As correntes marinhas costeiras, e os ventos freqüentes que se infletem, perpendicularmente, à linha de costa, se combinam para formar cordões litorâneos e formações de dunas. Muitas vezes, como nos exemplos anteriores, reforçam as dificuldades de escoamento das águas dos rios.

As situações de alagadiços litorâneos, como se vê, nem sempre atestam um fato relacionado ao regime dos rios. Fatores diversos influem no regime fluvial.

A ação do elemento humano, notadamente com a prática de queimadas nas encostas, ou desenfreado desmatamento, pode acarretar profundas alterações no comportamento da descarga dos rios. O desmatamento descontrolado ativa o escoamento superficial, das águas das chuvas, e reduz o quantitativo de água de infiltração.

As águas de infiltrração, que formam o "lençol subterrâneo", fluem mais tranqüilamente, mais moderadamente, para as fontes que dão formação aos fluxos fluviais, e assim, representam fatores de regularização do regime dos rios.

Águas subterrâneas[editar | editar código-fonte]

As águas do subsolo (não as de origem interna, as fontes termais, como a de Gravatal, de Águas de Chapecó, de Santo Amaro da Imperatriz) fluem pacatamente para a superfície, alimentando fluxos que formarão rios. Em certas áreas. sobretudo quando a poluição dos rios é muito elevada, e as fontes são escassas, procura-se extrair água subterrânea de grandes profundidades - "poços artesianos".

No Planalto Ocidental, a baixa permeabilidade dos terrenos decompostos do basalto, apresenta problemas quanto aos mananciais de água subterrânea. Entretanto, em muitos locais, a infiltração se faz ao longo de "linhas de fraturas das rochas". acumulando-se a grandes profundidades.

Nas áreas costeiras, a tênue espessura dos terrenos sedimentares (em geral muito permeáveis e ideais para acumulação de água subterrânea) não oferece grande disponibilidade de água. em condições potáveis. A formação de "balneários", com súbita multiplicação de residências de veraneio, e em função da elevada demanda em água, encontra na limitada capacidade de armazenamento de água subterrânea problema muito sério. Por isso, muitas obras de canalização de água potável tornam-se essenciais para sustentar a demanda e assegurar economia turística que representam tais balneários.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A dinâmica das massas de ar de temperaturas e umidades diferentes geram fenômenos frequentes de precipitações. A oferta de água, para a vida vegetal, se torna abundante. e facilita, em especial, a vida de agricultores em plantaçoes etc...

Hoje, a renovação de recursos florestais tem sido prática com excelentes resultados, em Santa Catarina. Trata-se do plantio de árvores, em áreas onde existiam formações florestais naturais, fato que se denomina por reflorestamento.

Em áreas de "campos", o plantio de árvores também tem tido resultados considerados excelentes. Nestas, o plantio pode ser dito como reflorestamento, mas o correto seria florestamento.

Até mesmo em áreas de baixadas arenosas, o desenvolvimento de árvores cultivadas tem se revelado surpreendente. Nestas, em geral, já ocorriam antigas formações florestais e, assim sendo, seria, também, reflorestamento.

Em Santa Catarina, a preferência dos silvicultores se inclina para o plantio de espécies "exóticas", isto é, de vegetais que tiveram origem natural em outras áreas. Há, também, plantio de nativas, como a do Pinheiro (Araucaria angustifolia) e de outras.

As espécies exóticas têm se adaptado, portanto, com grandes vantagens em Santa Catarina, principalmente as do gênero Pinus. Os eucalíptos, igualmente, se adaptaram ótimamente, por sinal, em quase todo o território brasileiro.

Em Santa Catarina, a silvicultura, com base em espécies de eucaliptos é praticada na Zona de Mineração do Carvão. A finalidade é produção de madeira para empregos como escoras de minas, dormentes de trilhos, postes, e muito pouco para construção de casas rústicas. Assim, a silvicultura visa complementar outras atividades econômicas.

A preocupação maior é, no entanto, fazer da silvicultura uma atividade própria, ligada à economia florestal: produção de madeira, de celulose, e de outras utilidades.

A "floresta de produção" representa uma forma de renovação de recursos florestais já grandemente dizimados. A intensa exploração feita pelo homem em relação aos recursos florestais naturais, e que alterou a distribuição original da vegetação, agora começa no sentido inverso: no sentido aconselhado por Pero Vaz de Caminha:

Em se plantando nela tudo dá!

O referido cronista, que poderia ter dito: "ninguém segura as plantas neste país" não conheceu Santa Catarina. Se o conhecesse, teria dito o mesmo, com a aprovação dos fatores e elementos do clima, e das condições dos solos. A Floresta Atlântica de Santa Catarina é a mesma, praticamente, que o observou em outra área. E, se observasse a Floresta Mista de Araucária e de Folhosas, não mudaria a opinião, pois esta formação vegetal é também muito rica em espécies.

O mapa da vegetação original já se oferece como realidade bem diferente da situação atual. A farta utilização das matas, para madeira e para, combustível; para a ampliação das pastagens e das lavouras; para a formação de sítios urbanos; já resultou na alteração da distribuição das formações vegetais natumis de modo significativo. Até mesmo as formações litorâneas. denominadas de "manguezais". têm sido alvos de aterros e de utilização para lenha. A imensa quantidade de madeiras "duras", como as perobas, as canelas, os louros (componentes da Mata Atlântica); cedros e imbuias, (componentes da Mata Mista) têm sido intensamente explorados.

A Araucaria angustifolia, individualmente mais densa nas áreas do Planalto, tem sido o ponto de referência da valorização das terras. É evidente que, com o tempo, as reservas se reduziram, e os remanescentes atuais não suportariam por muito tempo as necessidades do consumo interno e de atendimento da demanda da estrutura industrial da economia florestal. A silvicultura poderá preencher a falta de matérias-primas que tem base nos recursos florestais. Mas alterará. também, o panorama da, distribuição das formação vegetais naturais.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Segundo o IBGE, o estado tem uma população de  6.634.250 de habitantes (2013), (mas já existem alguns dados de 2006, com fonte do IBGE [1] que dizem que a população de Santa Catarina é de 5.958.295 habitantes) e uma densidade populacional de 61,53 hab./km². As cidades mais populosas de Santa Catarina são: Joinville, Florianópolis, Blumenau, São José, Criciúma, Lages, Itajaí, Chapecó, Jaraguá do Sul, Palhoça e Tubarão.


Bandeira do Estado de Santa Catarina
Santa Catarina
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