Curitibanos

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Município de Curitibanos
A Igreja Matriz localiza-se no centro de Curitibanos

A Igreja Matriz localiza-se no centro de Curitibanos
Bandeira de Curitibanos
Brasão de Curitibanos
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 11 de junho
Fundação 11 de junho de 1869 (145 anos)
Gentílico curitibanense
Lema Construindo o Futuro
Prefeito(a) José Antonio Guidi (Dudão) (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Curitibanos
Localização de Curitibanos em Santa Catarina
Curitibanos está localizado em: Brasil
Curitibanos
Localização de Curitibanos no Brasil
27° 16' 58" S 50° 35' 02" O27° 16' 58" S 50° 35' 02" O
Unidade federativa  Santa Catarina
Mesorregião Serrana IBGE/2008 [1]
Microrregião Curitibanos IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Lebon Régis, Santa Cecília, Ponte Alta, São José do Cerrito, São Cristóvão do Sul, Ponte Alta do Norte, Brunópolis, Frei Rogério, Correia Pinto
Distância até a capital 294 km
Características geográficas
Área 952,283 km² [2]
População 37 774 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 39,67 hab./km²
Altitude 987 m
Clima subtropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,721 alto PNUD/2010 [4]
PIB R$ 499 361,471 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 12 870,47 IBGE/2008[5]
Página oficial

Curitibanos é um município brasileiro do estado de Santa Catarina. Localiza-se a uma latitude 27º16'58" sul e a uma longitude 50º35'04" oeste, estando a uma altitude de 987 metros. Sua população estimada em 2004 era de 37 460 habitantes. Possui uma área de 953,67 km².

Toponímia[editar | editar código-fonte]

No ano de 1679 um bandeirante de Curitiba chamado Guilherme Dias Cortes fez uma excursão na Região Sul do Brasil e nomeou alguns lugares por onde passou. Ele nomeou um campo chamado "Dos Curitibanos", foi chamado também "Campo dos Curitibanos" e "Pouso dos Curitibanos".

Em 22 de março de 1824, passou a se chamar "Freguesia de Nossa Senhora dos Curitibanos". Foi no dia 11 de junho 1869, que foi criado o município de Curitibanos. O título de cidade só foi concedido em 31 de março de 1938.

História[editar | editar código-fonte]

Surgimento[editar | editar código-fonte]

Antes da colonização, o Planalto Catarinense era habitado por diversas tribos indígenas, entre elas caingangues e guaranis. Conhecidos popularmente como bugres, com cultura peculiar, apesar de não serem "cristãmente civilizados", eram sem dúvida astutos. Com o avanço dos colonizadores nas áreas de campos, os índios foram viver em cordilheiras nas serras.[6]

O sargento-mor de cavalaria Francisco de Souza e Faria recebeu a incumbência de construir a Estrada das Tropas (ou Caminho dos Tropeiros), sendo os trabalhos iniciados em 11 de fevereiro de 1728, começando em Araranguá e indo até Curitiba. Tais trabalhadores abriram picadões na mata fechada, tendo os insetos e doenças sido um dos maiores problemas naquele momento. No ano seguinte vieram até "campos chamados 'dos Curitibanos'", e chegaram ao destino final em setembro de 1730. Aproximadamente a 1732, o tropeiro Cristóvão Pereira de Abreu criou um atalho na rota de Souza e Faria, partindo "das Tajucas" (atual Bom Jardim) passando por São Joaquim e por Lages e voltando ao picadão original na altura de 12 a 15 quilômetros após Ponte Alta. Vários caminhos e ramais foram sendo elaborados, o que tornou o "Entreposto de Nossa Senhora da Conceição dos Curitibanos" como o "Pouso" principal por ser um local de encontro entre os caminhos que vinham do "maior celeiro da América do Sul em gado bovino, equino e muar".[7]

Em 11 de junho de 1869, a Vila de Nossa Senhora da Conceição dos Curitibanos emancipou-se de Lages através da lei número 626.

O incêndio se espalhava com fúria devido às grandes chamas que torrencialmente desabavam sobre a desditosa vila, tornando-se um verdadeiro eclipse. Na casa do coronel Albuquerque, havia um que quer que seja, pois os bandidos tentaram queimá-la desde a manhã e só conseguiram já pela tarde. Queimaram cozinha e os galpões, mas a casa continuava intacta. Diziam mesmo que aquela casa tinha qualquer mistério. Ao entrarem na casa para incendiá-la, os bandidos encontraram diversas imagens de santos. Quando foram retiradas essas imagens e estampas, a casa começou a pegar fogo.

Relato de um morador da vila (Jornal "O Dia", 22/10/1914)[8]

Em 26 de setembro de 1914, em plena Guerra do Contestado, um grupo de jagunços atacaram a cidade. Eles possuíam o apoio dos inimigos do Coronel Albuquerque, então superintendente municipal. Conforme relatos, o objetivo era matar o coronel, que havia fugido para Blumenau. Como não o encontraram, os jagunços puseram fogo na vila causando a destruição de dezoito casas, entre as quais estavam a casa do coronel, as instalações do jornal "O Trabalho" de propriedade do coronel, a Intendência Municipal (sede do poder), a estação telegráfica, cinco estabelecimentos comerciais e a cadeia pública. As casas dos simpatizantes dos jagunços e as que possuíam fotos do Monge João Maria foram poupadas. Ninguém morreu durante este acontecimento histórico, mas causou um enorme atraso no desenvolvimento (em 1937 apenas 35 novas casas haviam sido construídas).[8] [9]

A história de Curitibanos registra, ainda, graves episódios ocorridos ao longo da sangrenta Guerra do Contestado, que envolveu as populações marginalizadas da região, vindas não somente das expulsões que a companhia "Southern Brazil Lumber & Colonization Company" promoveu na região da ferrovia "São Paulo-Rio Grande", mas também dos trabalhadores dela dispensados, e as forças armadas estaduais e os grandes fazendeiros da região. Essas populações se agrupavam naquilo que chamavam de "redutos", que eram vilas onde se defendiam e onde produziam para subsistência, e eram inspirados pelas lideranças messiânicas dos monges José e João Maria. Esquecidos pelo Estado, e oprimidos pelos latifundiários e, depois, pela empresa de Percival Farqhuar, essa massa se revolta, o que resultou na Guerra do Contestado, conflito esmagado pelas polícias dos Estados do Paraná e de Santa Catarina, e pelas milícias dos fazendeiros. Eram (e, por vezes ainda são) chamados erroneamente de "fanáticos", porém, aquela forma religiosa de organização era a única maneira de se fazerem ouvir pelas autoridades.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Relevo[editar | editar código-fonte]

Está localizado na encosta do planalto catarinense no centro geográfico de Santa Catarina. Por este motivo, o terreno é favorecido para a utilização de máquinas nas plantações.

Clima[editar | editar código-fonte]

É subtropical de tipo úmido. O verão é fresco, com frio predominante durante a maior parte do ano. O inverno é moderadamente rigoroso, com geadas anuais e neve eventual. As chuvas são predominante na primavera.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação predominante já foi a mata dos pinhais ou mata das araucárias.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Curitibanos está situado na bacia do Uruguai, sendo cortado por 6 rios:

  • rio Marombas;
  • rio das Pedras;
  • rio Canoas;
  • rio Correntes;
  • rio dos Cachorros;
  • rio Raso ou dos Pocinhos.

Território[editar | editar código-fonte]

Vários municípios surgiram de Curitibanos. Em 1881, Campos Novos tornou-se independente, cidade da qual ainda são oriundos os municípios de Caçador, Capinzal, Piratuba e Erval Velho. Outros municípios que conseguiram a independência ao longo dos anos inclui Santa Cecília, Fraiburgo, Matos Costa, Ponte Alta, Lebon Régis e Canoinhas (deste ainda surgem Papanduva, Três Barras e Major Vieira). Por último, desmembraram-se ainda São Cristóvão do Sul, Ponte Alta do Norte.[10] [11] e Frei Rogério.

Economia[editar | editar código-fonte]

Agricultura[editar | editar código-fonte]

O Município é grande produtor agrícola, com destaque na produção de cereais como soja e milho, fruticultura, especialmente maçã, caqui e pêssego. Destaque, ainda, para a produção de alho, que lhe já conferiu o título de "capital nacional do alho"

Pecuária[editar | editar código-fonte]

Destaca-se a criação de bovinos.

Educação[editar | editar código-fonte]

Antes de 1930, nas áreas do interior, as escolas eram praticamente inexistentes devido à pouca quantidade populacional. Os habitantes ue tinham melhor condições financeiras contratavam professores particulares, enquanto as outras crianças (serviçais e vizinhos) podiam aproveitar para estudar junto.[12]

O município tem escolas públicas e particulares. As séries vão do 1º ano até o Ensino Médio. Há também vários Centros Educacionais Infantis (CEIs). O Ensino Superior conta com a Universidade do Contestado (UnC) que é de ensino privado e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Campus Curitibanos que é de ensino público.

As obras da UFSC começaram em 2008 e em 2010 foi inaugurada a universidade, na qual seu primeiro curso foi o de ciências rurais. Na inauguração estiveram presentes alunos, funcionários e autoridades, como o ministro da Educação Fernando Haddad, o presidente Lula que não pode comparecer fez um discurso ao vivo em um telão.[13]

Administração pública[editar | editar código-fonte]

Prefeitos[editar | editar código-fonte]

Divisão administrativa[editar | editar código-fonte]

Há 14 bairros em Curitibanos:

  • Centro
  • São Luis
  • São José
  • Bosque
  • Santo Antônio de Pádua
  • São Francisco
  • Getúlio Vargas
  • Água Santa
  • Nossa Senhora Aparecida
  • Bom Jesus
  • Universitário
  • Cohab I
  • Cohab II
  • Bela Vista.

Símbolos municipais[editar | editar código-fonte]

Bandeira

A bandeira de Curitibanos foi criada através da lei nº 755, de 14 de agosto de 1968. A bandeira é branca, com dezesseis faixas da cor vermelha que simbolizam o poder municipal. Já no retângulo, ao centro, há o brasão, que representa a sede do município.

Brasão

Foi criado pela mesma lei da bandeira. Encimando o brasão, há oito torres, das quais apenas cinco são visíveis, pela respectiva do desenho, e significam que a cidade é Sede de Comarca. A cor metal prata, no corpo do escudo está a simbolizar a amizade, a equidade, a justiça, a inocência e a pureza. A cor vermelha do chaveirão (como se fosse um compasso aberto) simboliza a coragem, a valentia e a audácia dos desbravadores do sertão brasileiro. Bem ao centro do brasão, há dois corcéis, desprovidos de arreios, dizem-se alegres e brincalhões, simbolizando a independência e a liberdade. Por serem pretos, indicam ao mesmo tempo, a sabedoria, a simplicidade, a prudência, a honestidade, e a moderação. Logo acima, existe uma roda de oito raios, com aro armado de navalhas: é o símbolo de Santa Catarina. Na parte inferior do escudo, encontraremos o de Curitiba, de cujo nome, segundo a tradição, provém o nome de Curitibanos. Os pinheiros laterais simbolizam a principal vegetação do município. Finalmente, no listel, ao centro, o nome do município e nas laterais aparece os anos de 1873 quando houve a instalação da sede do município e 1869, ano da criação do município.


Turismo[editar | editar código-fonte]

Portal do Contestado, Curitibanos foi palco de grandes batalhas históricas e campo de passagem dos tropeiros também durante a Revolução Farroupilha, uma terra com muita história para contar. A cidade hoje é um contraste de história versos a modernidade que chega vagarosa porém não despercebida. Dentre os principais atrativos turísticos podemos destacar o comércio local que é bem diversificado e um dos principais destaques é a culinária, bons restaurantes, bares e cafés fazem da cidade um local agradável para passear com toda a família. A rede hoteleira também tem crescido e apresenta hoje ótimas opções e o que há de melhor em Santa Catarina e no Brasil.

Museu[editar | editar código-fonte]

O nome do museu é Antonio Granemann de Sousa. O museu foi fundado em 1972, cujo prédio foi antes a prefeitura municipal de Curitibanos. Os principais artigos históricos encontrados lá são os da Guerra do Contestado.

Igreja Matriz Imaculada Conceição[editar | editar código-fonte]

A Igreja Matriz localiza-se no Centro de Curitibanos.

Destaca-se sua arquitetura com desenhos na parede e no teto. Este monumento faz parte do turismo religioso do município.

Expocentro[editar | editar código-fonte]

É uma das maiores festas de Santa Catarina, que acontece no mês de julho, onde acontecem jogos, Shows nacionais etc. Nesta festa acontece a maior exposição de animais bovinos, ovinos e cavalos do estado de Santa Catarina. Há vários restaurantes rústicos que se destacam na culinária, além de pavilhões onde expõem a indústria o e comércio da região. A festa é realizada no parque de exposições Pouso do Tropeiro.

Capão da Mortandade[editar | editar código-fonte]

Foi o palco da Revolução Farroupilha. Neste lugar aconteceu uma sangrenta batalha, onde os corpos das pessoas mortas foram enterrados, dando origem ao nome Mortandade.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 30 de junho de 2014.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. Felippe, 97.
  7. Felippe, 13-16.
  8. a b Incêndio completa 98 anos em Curitibanos Jornal A Semana (27 de setembro de 2012). Página visitada em 13 de janeiro de 2013.
  9. Contestado Jornal A Semana (19 de outubro de 2012). Página visitada em 13 de janeiro de 2013.
  10. Felippe, 65.
  11. Curitibanos (PDF) Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. IBGE. Página visitada em 24 de janeiro de 2013.
  12. Felippe, 127.
  13. Vagner Molin (20/08/2010). Ministro inaugura campus da UFSC (em português) A Semana. Página visitada em 30 de dezembro de 2010.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Felippe, Euclides J. O Caminho das Tropas em Santa Catarina: O Pouso dos Curitibanos. 1ª ed. Curitibanos: EME, 1996. 158 pp.
  • LEMOS, Zélia Andrade . Curitibanos na história do Contestado. Curitibanos: Gráfica Frei Rogério, 1983.
  • MACHADO, Paulo Pinheiro. Lideranças do Contestado. Campinas: Ed. UNICAMP, 2004.
  • KRUKER, Giovana A. Estudos Sociais, Município de Curitibanos. Florianópolis: Gráficas da IOESC, 1999.
  • ALMEIDA, Coracy Pires de. Curitibanos Terra Promissora. Curitibanos: Gráfica Comercial, 1971.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]