Caçador

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Município de Caçador
Catedral São Francisco de Assis

Catedral São Francisco de Assis
Bandeira de Caçador
Brasão de Caçador
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 25 de março de 1934 (80 anos)
Gentílico caçadorense
Prefeito(a) Gilberto A. Comazzetto[1] [2] (PT-PTB-PMDB-PC do B[1] )
(2013–2016)
Localização
Localização de Caçador
Localização de Caçador em Santa Catarina
Caçador está localizado em: Brasil
Caçador
Localização de Caçador no Brasil
26° 46' 30" S 51° 00' 54" O26° 46' 30" S 51° 00' 54" O
Unidade federativa  Santa Catarina
Mesorregião Oeste Catarinense IBGE/2008 [3]
Microrregião Joaçaba IBGE/2008[3]
Municípios limítrofes Água Doce, Calmon, Lebon Régis, Macieira, Rio das Antas, Videira e General Carneiro
Distância até a capital 385 km
Características geográficas
Área 981,901 km² [4]
População 75 048 hab. estatísticas IBGE/2014[5]
Densidade 76,43 hab./km²
Altitude 920 m
Clima Subtropical úmido[6]  Cfb
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,735 (SC: 64º) – alto PNUD/2010[7] [8] [9]
PIB R$ 1 743 548 mil IBGE/2011[10]
PIB per capita R$ 24 442,04 IBGE/2011[10]
Página oficial

Caçador é um município brasileiro pertencente ao estado de Santa Catarina. A sede do município está localizada na Foz do rio Caçador no rio do Peixe, a 920 m de altitude. Com uma população estimada (2014) em 75 048 habitantes, Caçador é o 15º município mais populoso de Santa Catarina e o 420º do Brasil.[5] A área do município tem 981,9km².[4] Caçador detém o título de capital industrial do meio-oeste catarinense e é o maior produtor de tomates por hectare do Brasil.[carece de fontes?]

História[editar | editar código-fonte]

Da pré-história ao descobrimento[editar | editar código-fonte]

Vestígios encontrados na região remetem a elementos das antigas tradições Taquara, Umbu e Humaitá. Entre estes encontram-se artefatos de pedra como facas, raspadores, pontas de projéteis, furadores, zoólitos (estátuas de pedra assumindo formas animais) e até mesmo estatuetas antropomórficas.

No século XVI, quando da chegada dos primeiros portugueses ao litoral de Santa Catarina,[11] a região próxima do entroncamento dos rios Caçador e do Peixe era habitada por nativos das etnias Kaingang e Xokleng.

Os primeiros moradores[editar | editar código-fonte]

Na história do município encontra-se registrado como primeiro morador Francisco Correia de Mello. Este veio de Campos Novos e estabeleceu-se com sua família às margens do rio Caçador em 1881. A Francisco Correia de Mello seguiu-se em 1887 Pedro Ribeiro e, quatro anos mais tarde, Tomaz Gonçalves Padilha, que chegou até o rio 15 de Novembro. O nome Caçador, de acordo com a tradição local, foi dado por Correia de Mello, em referência à abundância de caça na região.[12]

Conflito de fronteiras e a estrada de ferro[editar | editar código-fonte]

A atual região oeste dos estados de Santa Catarina e do Paraná era reivindicada pela Argentina, supostamente com base no Tratado de Madrid, de 1750. O presidente estadunidense Grover Cleveland, escolhido para arbitrar a questão, deu laudo inteiramente favorável ao Brasil em 5 de fevereiro de 1895, após analisar valiosa documentação reunida por José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco.[13]

Delimitada a fronteira Brasil - Argentina no Tratado de 1898,[14] o governo da então jovem República do Brasil, para firmar a posse de suas novas terras, leva a cabo os planos para uma ligação ferroviária entre os estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul e ao Uruguay pelo interior. Os estados brasileiros de Santa Catarina e do Paraná passaram a disputar a região, cujo coração ficava na atual Caçador.

Em 1910, quando da chegada das turmas de construção do trecho Porto União - Marcelino Ramos da Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande do Sul à região, a divisa entre os estados de Santa Catarina e do Paraná passava pelo rio do Peixe. Rio Caçador era o nome da estação ferroviária original, localizada no km 133 deste trecho à margem esquerda do rio do Peixe, em território catarinense.

Com a chegada dos trilhos e o tráfego dos primeiros trens, a região de Caçador foi integrada em definitivo ao resto do território brasileiro. Não tardou e, em um movimento de imigração interna, novos moradores, vindos de cidades vizinhas e, principalmente, das colônias italianas do Rio Grande do Sul, passaram a intensificar a colonização de Caçador. Estes novos moradores tinham em sua maioria ascendência europeia, com uma dominância de italianos, alemães e eslavos, mas havia também muitos sírio-libaneses.

Um número significante de pessoas, integrantes das turmas de construção da estrada de ferro, não retornou a suas regiões de origem, vindo a estabelecer-se também nas incipientes aglomerações urbanas ao redor das estações ao longo da ferrovia em toda a região.

Nesta época Caçador fazia parte do distrito de Rio das Antas, município de Campos Novos.[12] Rio das Antas era um núcleo de colonização planejado pela Brazil Railway Company, para o qual vieram muitos colonos teuto-brasileiros oriundos do litoral de Santa Catarina.

A Guerra do Contestado e outros acontecimentos[editar | editar código-fonte]

Junto aos trilhos chegaram à região também a ganância e a exploração.

A contestação da doação das terras ao longo da estrada-de-ferro, feita, às custas dos agricultores que as habitavam, pelo jovem governo republicano do Brasil aos madeireiros e à Southern Brazil Lumber & Colonization Company, junto à pífia presença do poder público na região e ao fanatismo religioso, resultou num conflito armado conhecido como Guerra do Contestado. Entre outubro de 1912 a agosto de 1916, a guerra civil destruiu quase tudo o que havia de mais ou menos organizado na região, com incêndios de lugarejos inteiros.[12]

Placa no local onde o exército brasileiro construiu o Campo de Aviação de Rio Caçador.

Em janeiro de 1914, durante a campanha do Contestado, o exército brasileiro construiu, junto à estação ferroviária homônima, o Campo de Aviação de Rio Caçador. Este serviria de apoio aos voos de reconhecimento sobre as posições dos revoltosos e na regulação do tiro da Artilharia. Os aviadores eram Ricardo Kirk, 1º Tenente e comandante da operação, e Ernesto Darioli, aviador civil.[15]

Com o acordo de limites entre Santa Catarina e o Paraná em 1917, teve início um período de paz e a população pode reiniciar suas atividades. Em 1918, foi instalada a primeira agência postal, onde já existia um posto de rendas estaduais. Somente em 9 de janeiro de 1923 é que Rio Caçador foi elevado a distrito, ainda subordinado ao município de Campos Novos. As terras à direita do rio do Peixe, pertencentes ao município de Porto União, foram elevadas em 1928 a distrito, com o nome de Santelmo.[12] Neste mesmo ano, ao 1° de outubro, o casal Dante e Albina Mosconi, preocupados com a inexistência de centros de ensino à população na região, fundou o Ginásio Municipal Aurora e o Instituto Comercial Catarinense.[16] [17] Em 1929 foi aberta a estrada Caçador - Curitibanos, impulsionando ainda mais o desenvolvimento da região, com a chegada de mais imigrantes e a instalação de novas serrarias.[12]

Em divisão administrativa referente ao ano de 1932, Rio Caçador passou a figurar como distrito do município de Curitibanos. Em consequência do crescimento da população e de sua pujança econômica, Rio Caçador foi elevado a município em 22 de fevereiro de 1934, com território desmembrado de Campos Novos, Cruzeiro, Curitibanos e Porto União.[12]

A instalação do município deu-se, com a posse do primeiro prefeito, Senhor Dr. Leônidas Coelho de Souza, em 25 de março de 1934. Ainda no mesmo ano, em 25 de maio, foram criados os distritos de Caçador (sede municipal), São Luis, Taquara Verde, Rio Prêto e Rio das Antas. A comarca de Caçador foi criada pelo decreto estadual 698, de 5 de novembro de 1934 e instalada em 26 de janeiro de 1935, sendo o seu primeiro Juiz de Direito o Dr. Osmundo Wanderley da Nóbrega.[12]

O brasão do município foi instituído em 1966 e representa a etnia, origem, cultura e tradição da população caçadorense.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Com uma área de 981,9km²,[4] Caçador está localizada no meio-oeste de Santa Catarina no Alto-Vale do Rio do Peixe, vindo a integrar a microrregião do Contestado. O território do município limita-se com o de outros sete: (Água Doce, Calmon, Lebon Régis, Macieira, Rio das Antas, Videira e General Carneiro, no Estado do Paraná). A altitude média é 1.000 metros, estando o ponto culminante do território municipal a 1390 metros de altitude (Elevação de Rio Verde) e o ponto mais baixo a 780 metros acima do nível do mar.[18]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O território do município é rico em recursos hidro-minerais, situando-se em sua totalidade sobre o Aquífero Guarani. É banhado por vários rios, dentre os principais o que deu o nome à cidade, Caçador, e os do Peixe, Castelhano, XV de Novembro, Jangada, Preto, São Pedro e Veado.

Clima[editar | editar código-fonte]

A cidade possui clima temperado subtropical úmido (Classificação climática de Köppen-Geiger Cfb).[6] Entre 1977 e 2004 foram registrados temperatura média anual de 16,3°C e precipitação acumulada média anual de 1716mm.[19]

Nuvola apps kweather.svg Dados climatológicos para Caçador Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 28,8 26,9 26,9 24,0 21,1 19,1 19,2 20,8 22,2 24,6 26,1 27,4 23,1
Temperatura mínima média (°C) 17,2 17,5 16,4 13,3 10,7 8,5 8,5 9,5 10,9 13,2 14,8 16,4 13,1
Temperatura mínima registrada (°C) 4,0 1,0 0,8 -3,0 -6,0 -14,0 -11,0 -10,4 -7,0 -3,0 -1,8 0,0 ---
Precipitação (mm) 154,9 143,8 141,2 113,4 105,9 140 104,3 109,8 153,9 146,7 120,2 126,3 1 434,4
Fonte: Normais Climatológicas do Brasil 1961-1990[20]
Fonte #2: Temperaturas mínimas absolutas para Caçador 1942-2006[21]

Os verões são quentes e úmidos, com máximas de temperatura e precipitação em janeiro. Os invernos são frios, menos úmidos que os verões, alternando períodos chuvosos (mês de junho) e secos (meses de julho e agosto). O frio é mais intenso durante os meses junho e julho e nos períodos secos do inverno, o clima, apesar do frio, é considerado agradável.Nas últimas duas semanas do mês de maio ocorre o fenômeno conhecido popularmente como "Veranito de Maio", caracterizado por repentina elevação das temperaturas em pleno outono.

Em Caçador registrou-se oficialmente a menor temperatura já ocorrida no território brasileiro: -14,0°C, em 11 de junho de 1952.[22] Outros registros oficiais incluem temperaturas mínimas extremas de -11,0°C e de -10,4°C, respectivamente de 10 de julho de 1952 e de 06 de agosto de 1963.[21] [22] [23]

Geadas ocorrem frequentemente de abril a setembro, com 1271 ocorrências registradas entre 1942 e 2006. A queda de neve é mais rara, com apenas 20 ocorrências registradas durante o mesmo período.[21] A última ocorrência sendo em Julho de 2013. [24]

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia de Caçador desenvolveu-se através da extração e industrialização da madeira, num primeiro momento retirada das florestas centenárias de araucária e imbuia da região e, posteriormente, quando da exaustão destas, de reflorestamentos com pinus elliottii. A agricultura emerge como nova opção de geração de divisas, com destaque para os hortifrutigranjeiros. Caçador já foi considerada a maior produtora de tomates do sul do Brasil e também possui muitas indústrias como as de plástico, fios de cobre, metalúrgicas e, por último, o ramo do transportes com a Reunidas, a maior empresa de transporte rodoviário do sul do Brasil.

Floresta Nacional de Caçador, vista desde a SC-451, no distrito de Taquara Verde

Meio-ambiente[editar | editar código-fonte]

O território do município sedia duas áreas de proteção da natureza, que juntas somam 1 867,48 ha: a reserva florestal Embrapa/Epagri de Caçador, localizada no interior da estação experimental da Epagri; e a floresta nacional de Caçador, no distrito municipal de Taquara Verde, esta última administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[25]

A floresta nacional de Caçador contribui, com seus reflorestamentos de araucária, para a preservação desta espécie única, símbolo de toda a região e que, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), encontra-se em perigo crítico de extinção.[26]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Atrações turísticas[editar | editar código-fonte]

Ponte Antonio Bortolon.

A Ponte Antonio Bortolon é um dos principais pontos turísticos de Caçador. Construída originalmente em 1924, esta foi a primeira ponte sobre o rio do Peixe, vindo a ligar o então distrito de Rio Caçador ao Santelmo, na época subordinado ao município de Porto União.[12] A ponte, toda em madeira, era coberta com tabuínhas de imbuia, uma das características da arquitetura colonial italiana.

Antonio Bortolon, um imigrante vindo de Solagna, uma comuna italiana da província de Vicenza, região do Vêneto, foi o responsável pelo projeto da ponte. Bortolon, baseando-se apenas em suas memórias, desenhou-a à imagem da Ponte degli Alpini. Esta encontra-se em Bassano del Grappa, outra comuna da província de Vicenza. A ponte, segundo a associação Veneti nel Monde, apesar de ter apenas o equivalente à metade do seu comprimento, assemelha-se muito à Ponte degli Alpini.[27]

Infelizmente a construção original foi destruída em 1983, arrastada pelas enchentes que assolaram o município. Contudo, no início dos anos 1990, uma réplica foi construída no mesmo local e continua sendo utilizada até o presente por pedestres e veículos na travessia do rio do Peixe.

Caçador possui diversas áreas abertas à convivência pública. Entre estas pode-se citar a praça Vereador Rodolfo Nickel, localizada na vila Paraíso. Popularmente conhecida como Praça da Imbúia, esta abriga o Monumento à Madeira: o tronco de uma imbuia milenar, originária das florestas que no passado renderam o título de Capital Brasileira da Madeira ao município.

Na Reserva Florestal Embrapa/Epagri de Caçador encontra-se o maior cedro vivo de Santa Catarina, com idade que pode chegar aos 1000 anos, 30 metros de altura, 3,6 metros de diâmetro e 7,8 metros de circunferência.[28] Outra atração superlativa da reserva é a maior araucária do mundo, com 40 metros de altura, 7,7 metros de circunferência, 2,45 metros de diâmetro e idade estimada variando entre 600 e 900 anos.[29] [30] A Floresta Nacional de Caçador, localizada a 32 quilômetros do centro, no distrito de Taquara Verde, possui o maior reflorestamento de araucária do mundo e conta com infraestrutura que pode ser usada pelo visitante.[29]

Museus e espaços culturais[editar | editar código-fonte]

Museu do Contestado e composição com locomotiva a vapor Baldwin de dois vagões, decorados para o Natal.

O Museu Histórico e Antropológico da Região do Contestado é dedicado ao resgate e à preservação da memória da Guerra do Contestado. Em seu acervo encontra-se extensa documentação sobre o conflito e sobre o movimento messiânico do início do século XX na região. Além disso, o museu detém em sua exposição permanente artefatos arqueológico-antropológicos que remontam ao período pré-cabralino e colonial da História do Brasil na Região do Contestado.

O edifício Achilles Stenghel, que abriga o museu, é uma réplica da primeira estação ferroviária, Rio Caçador. Como o original, é quase todo construído de madeira. Uma composição de dois vagões com uma locomotiva a vapor Baldwin, ano 1907, encontra-se estacionada na plataforma de embarque reconstruída junto ao edífico do museu.

O prédio da antiga estação ferroviária Caçador-nova abriga o Auditório da Fundação Municipal de Cultura de Caçador. A antiga bilheteria da RVPSC ainda encontra-se no local.[31]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Segurança[editar | editar código-fonte]

Caçador sedia o 15º Batalhão da Polícia Militar de Santa Catarina (15º BPMSC), que conta com um efetivo de 130 policiais e 40 viaturas. O 15º BPMSC dividide-se em 3 companhias e um grupamento de polícia militar ambiental. Este é responsável pela segurança rural da região, abrangendo, além de Caçador, os municípios de Rio das Antas, Videira, Fraiburgo, Monte Carlo, Calmon, Macieira, Tangará e Ibiam.

O 4º Corpo de Bombeiros Voluntários de Caçador, com um efetivo de 115 bombeiros, dos quais 80% são voluntários, atua nas áreas de combate a incêndios, atendimento pré-hospitalar e resgates diversos. A coporação conta com a escola de formação de bombeiros mirins e aspirantes com jovens de 10 a 18 anos de idade. A sua frota é composta por 16 viaturas.

O Tiro de Guerra 05-006, a mais de 80 anos na cidade, tem em seu efetivo apenas um militar, o chefe de instrução, e 40 recrutas reservistas.

Aeroporto[editar | editar código-fonte]

Caçador é servida pelo Aeroporto Municipal Carlos Alberto da Costa Neves (CFC). Este está equipado com tecnologia que permite pousos e decolagens também no período noturno. O município está incluído em rotas aéreas regionais desde novembro de 2007. Atualmente, voos regulares de segunda a sexta-feira ligam o município à Curitiba, Erechim, Joaçaba, Passo Fundo, Porto Alegre, e São Paulo (Congonhas).

Ferrovia[editar | editar código-fonte]

Estação ferroviária Caçador-Nova

O território do município é cortado pelo trecho Porto União-Marcelino Ramos da antiga Ferrovia Itararé-Uruguai, que constituía a linha-tronco da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina (RVPSC).[32] Com a conclusão, em 1969, do Tronco Principal Sul[33] e a ligação do Rio Grande do Sul ao Paraná e São Paulo através de Rio Negro, Mafra, Lages e Vacaria, o trecho Porto União-Marcelino Ramos teve sua importância econômica fortemente reduzida.[32]

Em 13 de dezembro de 1996 os direitos de exploração comercial da rede ferroviária dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram concedidos a uma empresa privada. Pouco tempo após, o tráfego de trens ao longo do trecho passando por Caçador, assim como a sua manutenção, praticamente cessaram. O trecho é utilizado, em ocasiões cada vez mais raras, apenas por trens turísticos e de capina química.[31] Em Setembro de 2009 a Procuradoria da República em Santa Catarina buscou junto à concessionária informacões sobre a possibilidade de reativar a Ferrovia do Contestado.[34] A consessionária manifestou-se positivamente a respeito, porém lembrou da falta de demanda pelo serviço de transporte ferroviário na região.[34] Contudo, uma outra explicação para a falta de demanda é o fato desta estar reprimida pela inexistência da oferta do serviço já desde a privatização do trecho da ferrovia nos anos 1990.[34]

Estações ferroviárias[editar | editar código-fonte]

O território do município, quando de sua instalação em em 25 de março de 1934, compreendia as seguintes estações ferroviárias: Presidente Penna, Adolfo Konder, Caçador (antiga Rio Caçador), Coronel Tibúrcio Cavalcanti, Rio das Antas, Princesa Isabel e Rio das Pedras.[32]

Estação ferroviária Rio Caçador ca. 1910.

A estação ferroviária Rio Caçador, ao redor da qual o município desenvolveu-se, foi inaugurada ao primeiro de maio de 1910.[35] Porém, quando da inauguração da mesma, a ferrovia ainda estava sem os trilhos. O prédio da estação era todo de madeira. Com a emancipação do distrito de Rio Caçador de Curitibanos em 1934, a estação foi rebatizada como Caçador.[35]

No ano de 1941 o prédio original de madeira foi completamente destruído durante um incêndio e, um ano depois, substituído pela moderna Caçador-Nova.[31]

Caçador-Nova, construída em concreto armado, continua existindo até os dias de hoje. A estação ferroviária servia tanto ao transporte de mercadorias quanto o de pessoas. O trem de longa-distância São Paulo-Montevideo parava em Caçador entre os anos 1943 e 1954.

Com a privatização da rede ferroviária dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul o tráfego de trens passando por Caçador cessou, tendo como consequência o fechamento de Caçador-Nova. Em 2008, Caçador-Nova foi restaurada e o edifício abriga atualmente um centro cultural.

Instituições presentes[editar | editar código-fonte]

Galeria de fotos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Eleição Municipal 2012 - 1º Turno - Resultado da totalização - CAÇADOR (PDF) Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (07 de outubro de 2012). Visitado em 01 de janeiro de 2013.
  2. Beto Comazzetto toma posse como prefeito Rádio Caçanjurê AM (01 de janeiro de 2012). Visitado em 02 de janeiro de 2013.
  3. a b Divisão Territorial do Brasil (XLS) Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  4. a b c Área Territorial Oficial - Consulta por Município (Caçador) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (1 de Março de 2012). Visitado em 1 de Março de 2012.
  5. a b Estimativa populacional 2014. Visitado em 1 de setembro de 2014.
  6. a b Kottek, Markus; Grieser, Jürgen; Beck, Christoph; Rudolf, Bruno; Rubel, Franz. (Junho 2006). "World Map of the Köppen-Geiger climate classification updated" (em inglês). Meteorologische Zeitschrift 15 (3) p. 259-263. DOI:10.1127/0941-2948/2006/0130.
  7. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Visitado em 2 de agosto de 2013.
  8. Atlas Brasil 2013: Rankings e recortes principais para avaliação do IDHM Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (29 de julho de 2013). Visitado em 09 de agosto de 2013.
  9. Atlas Brasil 2013 - Perfil de Caçador (SC) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (data=09 de agosto de 2013). Visitado em 09 de agosto de 2013.
  10. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2011 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 10 junho 2014.
  11. SOUZA, Pêro Lopes de. Diário da navegação da armada que foi á terra do Brasil em 1530 sob a Capitania-Mor de Martin Affonso de Souza. Lisboa: Typ. da Sociedade propagadora dos conhecimentos úteis, 1839. Exemplar da Universidade de Harvard digitalizado por Google Books: Diário da Navegação de Pedro Lopes de Souza
  12. a b c d e f g h Enciclopédia dos Municípios Brasileiros: Volume XXXII - Santa Catarina. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1959. p. 49-53. vol. 32. Visitado em 24 de novembro de 2011.
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  18. Geografia de Caçador Prefeitura Municipal de Caçador. Visitado em 26 de julho de 2011.
  19. LINDNER, Elfride Anrain (2007). Estudo de eventos hidrológicos extremos na bacia do Rio do Peixe – SC com aplicação de índice de umidade desenvolvido a partir do Tank Model (PDF) Doutorado em Engenharia Ambiental Laboratório de Hidrologia da UFSC. Visitado em 20 de dezembro de 2011.
  20. Instituto Nacional de Meteorologia. Normais Climatológicas do Brasil 1961-1990 Versão revista e ampliada.
  21. a b c Vieira H. et al. CARACTERIZAÇÃO CLIMÁTICA PRELIMINAR DE CAÇADOR/SC: ALTERAÇÕES MICROCLIMÁTICAS NO PERÍODO DE 1942-2006 (PDF) Anais 1980-2006 Congressos Brasileiros de Meteorologia. Visitado em 24 de julho de 2011.
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  25. Kurasz, Gilberto; de Oliveira, Yeda Maria Malheiros; Rosot, Nelson Carlos; Rosot, Maria Augusta Dostzer Rosot. Anais do XII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. Goiânia, Brasil: [s.n.], 2005. Capítulo: Diagnóstico da situação do entorno da Reserva Florestal Embrapa/Epagri de Caçador usando imagem de alta resolução Ikonos. p. 1585-1592. Visitado em 17 de dezembro de 2011.
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  28. Miriam Prochnow e Tatiana Arruda Correia (28 de janeiro de 2009). Cedro. Um nobre da Mata Atlântica Apremavi - Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida. Visitado em 17 de dezembro de 2011.
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  33. Ralph Mennucci Giesbrecht. Estações ferroviárias do Brasil: RVPSC/VFRGS - Tronco Principal Sul Estações Ferroviárias do Brasil. Visitado em 16 de novembro de 2011.
  34. a b c ALL se compromete a reativar Ferrovia do Contestado (Joaçaba) Ministério Público Federal - Procuradoria da República em Santa Catarina (22 de setembro de 2009). Visitado em 25 de dezembro de 2011.
  35. a b Ralph Mennucci Giesbrecht. Estações ferroviárias do Brasil: Caçador Estações Ferroviárias do Brasil. Visitado em 16 de novembro de 2011.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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