Cachoeira (Bahia)

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Município de Cachoeira
"Cidade Heroica"
Bandeira de Cachoeira
Brasão de Cachoeira
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 13 de março (elevação à categoria de cidade)
Fundação 1531
Gentílico cachoeirano(a)
Prefeito(a) Carlos Menezes Pereira (Partido Progressista)
(2013–2016)
Localização
Localização de Cachoeira
Localização de Cachoeira na Bahia
Cachoeira está localizado em: Brasil
Cachoeira
Localização de Cachoeira no Brasil
12° 37' 04" S 38° 57' 21" O12° 37' 04" S 38° 57' 21" O
Unidade federativa  Bahia
Mesorregião Metropolitana de Salvador IBGE/2008[1]
Microrregião Santo Antônio de Jesus IBGE/2008[1]
Região metropolitana Principais distritos: Capoeiruçu, Santiago do Iguape, Belém da Cachoeira e Tororó
Municípios limítrofes Conceição da Feira, Santo Amaro, Saubara, São Félix, Maragogipe, Governador Mangabeira e Muritiba.[2]
Distância até a capital 110[2] km
Características geográficas
Área 395,223 km² [3]
População 34 244 hab. IBGE/2013[4]
Densidade 86,64 hab./km²
Altitude 50[2] m
Clima tropical úmido a seco subúmido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,647 médio PNUD/2010[5]
PIB R$ 173 989,731 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 5 194,50 IBGE/2008[6]
Página oficial
Cachoeira e o Rio Paraguaçu. Do outro lado do rio, a cidade de São Félix.

Cachoeira é um município, no estado da Bahia, no Brasil. Situa-se às margens do Rio Paraguaçu. Está distante cerca de 120 km da capital do estado, Salvador. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no ano de 2013 sua população era estimada em 34 244 habitantes. Sua área é de 395 quilômetros quadrados. Cachoeira é uma das cidades baianas que mais preservou a sua identidade cultural e histórica com o passar dos anos, o que a faz um dos principais roteiros turísticos históricos do estado. Além disto, a imponência do seu casario barroco, das suas igrejas e museus, levou a cidade a alcançar o status de "Cidade Monumento Nacional" e "Cidade Heroica" (pela participação decisiva nas lutas pela independência do Brasil[7] ) a partir do Decreto 68 045, de 13 de Janeiro de 1971, assinado pelo presidente Emílio Garrastazu Médici.

O apogeu da cidade foi durante os séculos XVIII e XIX, quando seu porto era utilizado para escoamento de grande parte da produção agrícola do Recôncavo Baiano, principalmente açúcar e fumo, produtos até hoje produzidos no município, em virtude do clima e solo propícios da região. No início do século XX, porém, a economia da cidade entrou em declínio, somente se recuperando no final do século, quando novas empresas se instalaram na região.

A significativa presença de africanos e afro-descendentes em interação com europeus de variadas nacionalidades em Cachoeira durante o período escravista é um dos fatores que originou a riqueza e diversidade da cultura popular em Cachoeira. Essa interação encontra-se presente no sincretismo religioso, com forte presença da cultura afro-brasileira e das manifestações do catolicismo. A cidade, hoje, é um baluarte cultural dentro da Bahia, o que se demonstra pelos seus inúmeros museus e movimentos populares.

História[editar | editar código-fonte]

Por volta do ano 1000, os índios tapuias que habitavam a região foram expulsos para o interior do continente devido à chegada de povos tupis procedentes da Amazônia. No século XVI, quando chegaram os primeiros europeus à região, a mesma era habitada pela tribo tupi dos tupinambás[8] .

A fundação do povoado é atribuída ao célebre náufrago português Diogo Álvares Correia, o Caramuru.[9] Foi a iniciativa de duas famílias portuguesas, os Dias Adorno e os Rodrigues Martins, que possibilitou sua elevação a Freguesia de Nossa Senhora do Rosário em 1674. Devido à sua localização estratégica, um entroncamento de importantes rotas que se dirigiam ao sertão, ao Recôncavo, às Minas Gerais ou a Salvador, então capital da colônia, logo passou a se enriquecer e, em 1698, tornou-se a Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira do Paraguaçu - o nome se dá por se situar próxima às quedas d'água presentes na cabeceira do Rio Paraguaçu.

O desenvolvimento do cultivo de cana-de-açúcar, da mineração de ouro no Rio das Contas e a intensificação do tráfico pelas estradas reais e da navegação do Rio Paraguaçu colaboraram para o rápido desenvolvimento econômico da região a partir do século XVIII. Já em inícios de 1800, a sociedade cachoeirana detinha grande influência política e participa ativamente das guerras pela Independência da Bahia, em 1821, constituindo a Junta de Defesa.[10]

A vila foi elevada à categoria de cidade por decreto imperial de 13 de março de 1873 (Lei Provincial 43).

Cachoeira é considerada monumento nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Cachoeira também é a segunda capital do estado, de acordo como a Lei Estadual 10 695/07. Todos os anos, no dia 25 de junho, o governo estadual é transferido para a cidade, num reconhecimento histórico pelos feitos da cidade em prol do país.[10] [11]

Filhos Ilustres[editar | editar código-fonte]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

Possui clima predominantemente tropical, com estações bem definidas. Está situada numa região geograficamente composta por vales e montanhas, a cidade fica ao nível do mar, sendo banhada pelo Rio Paraguaçu.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Como outros municípios brasileiros, Cachoeira possui distritos e povoados além do distrito-sede do município. São eles: povoado da Pinguela, Santo Antônio de Tibiri, povoado do Saco, povoado do Tupim, povoado do Alecrim, povoado do Calolé, São Francisco do Paraguaçu, povoado da Formiga, povoado do Ponto Certo e distrito de Capoeiruçu ,Murutuba e Santiago do Iguape.

Dentro da sede da cidade destacam-se os bairros do Caquende, Alto da Levada e Cucuí de Caboclo, Tororó, Faceira, Cucuí de São Cosme e São Damião, Virador, Alto do Jenipapeiro, Alto do Cruzeiro, Rosarinho.

Educação[editar | editar código-fonte]

A cidade abriga o Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. A chegada de um dos campi da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e dos seus nove cursos de graduação à Cachoeira foi um importante marco para o crescimento e desenvolvimento da cidade. Atualmente, o CAHL funciona no Quarteirão Leite Alves (local onde existia uma fábrica de charutos no século XIX) e no prédio da Fundação Hansen Bahia.

Além da UFRB, existe um campus da Faculdade Adventista da Bahia, instituição instalada no ano de 1979 na cidade.

Atrações turísticas[editar | editar código-fonte]

Casa de Câmara e Cadeia Pública[editar | editar código-fonte]

Construída entre os anos de 1698 e 1712, a Casa de Câmara e Cadeia Pública situa-se no limite da parte plana de Cachoeira, posição estratégica para proteger o prédio das enchentes do Rio Paraguaçu. Por duas vezes, a construção foi sede do Governo Legal da Província. Foi nela ainda que Dom Pedro I foi aclamado Regente e Defensor do Brasil, em 1822. O sobrado possui elementos característicos do estilo barroco e mantém telas de importante valor histórico, como o "Retrato de D. Pedro II", de José Couto e "O primeiro passo para a independência da Bahia", de Antônio Parreiras. O prédio atualmente abriga a Câmara Municipal de Cachoeira e funciona como galeria e museu na parte interna inferior, onde antes se encontrava a cadeia. Atualmente a Câmara Municipal de Cachoeira é presidida pela Vereadora Adriana dos Santos Silva, que em 2014 passou ser a primeira mulher, e negra, a ocupar tão nobre cargo legislativo.

Convento e Igreja Nossa Senhora do Carmo[editar | editar código-fonte]

O Conjunto do Carmo, formado pelo Convento e pela Igreja da Ordem Terceira do Carmo, possui notável valor histórico e monumental. Encontra-se na Praça da Aclamação, região tombada pelo IPHAN. A Construção é de 1715, em estilo barroco. O interior da igreja é revestido de ouro e painéis de azulejos portugueses, abrigando também imagens de madeira de Macau. O prédio do Convento já acolheu o Paço da Câmara, a Casa da Moeda, quartel, pensão e até hospital. Atualmente, o espaço, que sofreu grande reforma em 1981, é ocupado por uma pousada e centro de convenções.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário[editar | editar código-fonte]

Construção do Século XVIII localizada entre a Rua Ana Nery e a Praça 13 de Maio, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário leva o nome da santa padroeira do município. A igreja Se destaca pela riqueza de seu interior, que possui imagens, telas, alfaias, sacrário de prata e revestimento de azulejos historiados. Do interior de suas torres piramidais, também revestidas de azulejo, é possível apreciar a vista de quase toda a cidade de Cachoeira e parte de São Félix. O local possui o maior conjunto de azulejos portugueses existente no Brasil e o maior fora de Portugal.[12]

Igreja Nossa Senhora da Ajuda[editar | editar código-fonte]

O edifício que abriga a Igreja Nossa Senhora da Ajuda foi construído em 1687. Trata-se da primeira igreja da cidade de Cachoeira. Construção de relevante importância arquitetônica abriga as imagens de Nossa Senhora da Ajuda, São Francisco de Assis, São Benedito, Santa Luzia, São Caetano e São Pedro. Nesta Igreja encontra-se a Irmandade de Nossa Senhora d´ Ajuda.

Imperial Ponte Dom Pedro II[editar | editar código-fonte]

Inaugurada em 7 de julho de 1865, a Imperial Ponte D. Pedro II foi construída sobre o Rio Paraguaçu, ligando as cidades de Cachoeira e São Felix, que situam-se nas suas margens. Sua estrutura é composta de ferro e lastros de madeira importados da Inglaterra e mede 365 m de comprimento e 9 m de largura. Significativa construção para a economia baiana no século XX e uma das principais obras de engenharia da América do Sul à época, a ponte é hoje também um dos cartões postais de Cachoeira.

Museu Regional da Cachoeira - Sede do IPHAN[editar | editar código-fonte]

Situado na Praça da Aclamação, o Museu Regional da Cachoeira e Sede do IPHAN encontra-se alojado em uma mansão colonial do século XVIII, dividida em dois pavimentos, como é também a característica das demais construções que o cercam. O sobrado foi uma das mais ricas e importantes residências baianas e pertenceu a diversas famílias de Cachoeira até ser doado ao IPHAN, em 1953. Após sofrer reforma e restauração, em 1966 a casa foi aberta ao público como museu. Seu acervo é composto por mobiliário colonial, uma parte trazida do Rio de Janeiro e outra parte doada pelos moradores de Cachoeira, além de registros fotográficos e edições da primeira metade do século XX dos principais jornais do estado da Bahia. Além de Museu, o edifício serve como sede regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que administra o Museu.

Centro Cultural da Irmandade da Boa Morte[editar | editar código-fonte]

Centro cultural com o objetivo de preservação da cultura afro-brasileira na Bahia e valorizar a tradicional festa que é patrimônio imaterial da Bahia, a Festa da Boa Morte. Foi reinaugurada em 2014, após ter sido reformado.[13]

Outras atrações[editar | editar código-fonte]

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

Cachoeira possui as seguintes cidades-irmãs:

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. a b c Prefeitura Municipal da Cachoeira.. A Cidade > Localização Geográfica. Visitado em 30 de junho de 2008.
  3. IBGE (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 de dezembro de 2010.
  4. Censo Populacional 2013 Censo Populacional 2013 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (01 de outubro de 2013). Visitado em 01 de outubro de 2013.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Visitado em 07 de agosto de 2013.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  7. Sede do governo da Bahia é transferida por uma semana para Cachoeira G1.globo.com.
  8. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.
  9. [1] Caestamosnos.org.
  10. a b Aqui Salvador (Correio da Bahia).. Capital por um dia Correiodabahia.com.br. Visitado em 30 de junho de 2008.
  11. Agecom. Sede do Governo da Bahia é transferida para Cachoeira nesta sexta Prodeb. Visitado em 30 de junho de 2008.
  12. Maior acervo de azulejos portugueses do Brasil fica em Cachoeira iBahia. Visitado em 19 de maio de 2014.
  13. Centro Cultural Irmandade da Boa Morte é reinaugurado em Cachoeira, acessado em 15 de agosto de 2014.
  14. OVERMUNDO.. Guia. Cachoeira e São Félix, Cachoeira, BA Overmundo.com.br.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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