Caetité
| Município de Caetité | |||||
| "Cidade Cultura" | |||||
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Vista parcial da cidade |
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| Hino | |||||
| Aniversário | 5 de abril | ||||
|---|---|---|---|---|---|
| Fundação | 1810 | ||||
| Gentílico | caetiteense | ||||
| Lema | Solus amor aedificat "Só o amor constrói" |
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| Prefeito(a) | José Barreira (PSB) (2009–2012) |
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| Localização | |||||
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Localização de Caetité na Bahia
Localização de Caetité no Brasil |
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| Unidade federativa | |||||
| Mesorregião | Centro-Sul Baiano IBGE/2008 1 | ||||
| Microrregião | Guanambi IBGE/2008 1 | ||||
| Municípios limítrofes | Igaporã, Guanambi, Pindaí, Licínio de Almeida, Caculé, Ibiassucê, Lagoa Real, Livramento do Brumado, Paramirim, Tanque Novo e Macaúbas. | ||||
| Distância até a capital | 757 km | ||||
| Características geográficas | |||||
| Área | 2 306,382 km² 2 | ||||
| População | 47 524 hab. IBGE/20103 | ||||
| Densidade | 20,61 hab./km² | ||||
| Altitude | 825 m | ||||
| Clima | tropical | ||||
| Fuso horário | UTC−3 | ||||
| Indicadores | |||||
| IDH | 0,673 médio PNUD/2000 4 | ||||
| PIB | R$ 242 842,876 mil IBGE/20085 | ||||
| PIB per capita | R$ 5 083,16 IBGE/20085 | ||||
| Página oficial | |||||
Caetité é um município brasileiro do estado da Bahia, distante 757 quilômetros da capital do estado, Salvador e possui uma população em 2006 de 48.000 habitantes. Com dois séculos de emancipação, a cidade foi um pólo cultural da região sertaneja, foi a terra natal de figuras como Cezar Zama, Aristides Spínola, Anísio Teixeira, Nestor Duarte Guimarães, Waldick Soriano, Prisco Viana, dentre outros. Foi, ainda, pioneira na educação regional, com a primeira Escola Normal do sertão baiano6 .
Índice |
Dados atuais [editar]
População (fonte: IBGE)
População residente (censo 2000-2001): 45.272 habitantes
População estimada (2004) 47.207 habitantes.
História [editar]
Território originalmente habitado por indígenas da linhagem jê (tupinaens e pataxós), já no século XVII constituía-se em núcleo de catequese. Do final do século data a fazenda São Timóteo, entreposto do ouro que descia das chapadas para o porto de Parati (veja, neste sentido, Estrada Real), no Rio de Janeiro.
Em 1724 passa a pertencer à Vila de Rio de Contas, emancipada de Jacobina; em 1754 foi o arraial elevado a Freguesia.
Seu nome deriva do tupi: CAA (mata) ITA (pedra) ETÉ (grande), referência à formação rochosa a leste da cidade, conhecida por "pedra redonda"7 .
No final do século XVIII e começo do XIX, a população se mobiliza, comprando à Coroa o direito de tornar-se Vila, emancipando-se finalmente de Rio de Contas em 5 de abril de 1810, data maior da cidade. Foi elevada a cidade em 1867. De seu território originaram-se 47 municípios8 :
Municípios emancipados de Caetité [editar]
Anajé (de Conquista, 1962); Aracatu (Brumado, 1962); Barra do Choça (Conquista, 1962); Belo Campo (Conquista, 1962); Boa Nova (Conquista, 1880); Bom Jesus da Serra (Poções,1989); Brumado (de Caetité, em 1877); Caatiba(Conquista, 1961); Caculé (de Caetité, em 1919); Caetanos (Poções,1989); Candiba (de Guanambi, 1962); Cândido Sales (Conquista, 1962); Caraíbas (Tremedal, 1989); Condeúba (1889); Cordeiros (Condeúba, 1961); Dário Meira; Encruzilhada (Macarani, 1952); Guajeru (Condeúba, 1985); Guanambi (seu território originalmente pertencia à Villa Nova, depois passou a Palmas de Monte Alto quando esta desmembrou-se de Macaúbas em 1840, por sua vez oriunda de Urubu em 1832); Ibiassucê (1943); Ibicuí (Poções, 1952); Igaporã (Caetité, 1953/58); Iguaí (Poções, 1952); Itagibá; Itambé (Conquista, 1927); Itapetinga (Itambé,1952); Jacaraci (Caetité, 1880); Lagoa Real (de Caetité,1989); Licínio de Almeida (Jacaraci/Urandi, 1962); Macarani (de Vitória da Conquista, 1921); Maetinga (J. Quadros, 1985); Maiquinique (Macarani, 1961); Malhada de Pedras (Brumado, 1962); Manoel Vitorino (Boa Nova, 1962); Mirante (Boa Nova, 1962); Mortugaba (Jacaraci, 1943?); Nova Canaã (Poções, 1961); Pindaí (Urandi, 1962); Piripá (Condeúba, 1962); Planalto (Poções, 1962);; Poções (Conquista, 1880/1923); Pres. Jânio Quadros (1961); Ribeirão do Largo (Encruzilhada, 1989); Rio do Antonio (Caetité, 1889); Tremedal (Condeúba, 1953); Urandi (de Caetité, 1889) e Vitória da Conquista (de Caetité, em 1840).
Do século XIX aos dias atuais [editar]
Tão logo emancipou-se, a Vila participa indiretamente das lutas pela Independência da Bahia, apoiando o Governo Provisório instalado na Vila de Cachoeira. Encerradas as lutas contra as tropas portuguesas no Recôncavo, em Caetité tem lugar o episódio do Mata-maroto, lutas entre brasileiros e portugueses, que se seguiram a 1823.
Foi, em 1817, visitada pela expedição de Spix e Martius, guardando boa impressão nos naturalistas, que consignaram a presença de uma Escola Régia de Latim7 .
Morada do Major Silva Castro, herói das guerras de independência, teve uma filha, Pórcia, raptada por Leolino Pinheiro de Azevedo, num drama que inspirou, no século seguinte, o romance Sinhazinha do acadêmico Afrânio Peixoto. Avô do poeta Castro Alves, a presença de Silva Castro foi um dos motivos pelos quais a cidade inda hoje comemora o 2 de Julho, data máxima do estado da Bahia9 .
No final do Século é visitada por Teodoro Sampaio, deixando o grande engenheiro a seguinte máxima: "Caetité assemelha-se ao viajante qual uma Corte do sertão".10
Cresce em importância no cenário nacional, com os tribunos Aristides Spínola (ex-governador de Goiás e mais jovem parlamentar no Império) e Cezar Zama, grande polemista e maior adversário, na tribuna, de Rui Barbosa - ambos abolicionistas e republicanos11 .
Em 1894 faz o primeiro governador eleito do estado, Dr. Rodrigues Lima, genro do Barão de Caetité, assistindo pela primeira vez a ação efetiva do poder público estadual, com a modernização da instalações públicas (dentre outras ações, a construção de açudes, Cemitério Municipal, Mercado e a Primeira Escola Normal do alto sertão)12 .
No começo do século assiste à instalação da Missão Presbiteriana Brasil-Central, com a morada na cidade do Pastor Henry John McCall, e fundação da Escola Americana. Isso veio a incrementar a condição de pólo educacional sertanejo, ampliado inda mais com a instalação do colégio jesuíta São Luiz Gonzaga7 .
A política local, nesta época, é bipartite entre os Rodrigues Lima, na pessoa do Coronel Cazuzinha, e o Coronel Deocleciano Pires Teixeira (pai de Anísio Teixeira). Apesar das grandes dificuldades, é a primeira cidade do interior baiano a ter uma rede de energia elétrica - verdadeira epopeia vivida pelo alemão Otto Koehne13 . Também a rede de água, a construção do Teatro Centenário e outras, são fruto da índole pioneira de seu povo, progressos até então ausentes em praticamente todas as cidades do país - ressaltando-se figuras como Durval Públio de Castro, na efetivação dessas melhorias14 .
No cenário político-cultural a cidade é berço de figuras como Nestor Duarte, a pintora Lucília Fraga, os escritores Marcelino Neves, João Gumes, Nicodema Alves e, mais recentemente, Vandilson Junqueira, Erivaldo Fagundes Neves e outros15 . João Gumes foi, pessoalmente, o responsável por instalar em Caetité o primeiro jornal do alto sertão: o periódico A Pena16 , que hoje constitui-se no principal acervo do Arquivo Público Municipal de Caetité.
Teve sua diocese instalada em 1915, sendo empossado o primeiro bispo - dom Manoel Raimundo de Melo - e foi este mais um fator de desenvolvimento da cidade: a construção do primeiro aeroporto do sertão baiano, escala dos vôos da então Cia Aérea Sadia, o Círculo Operário, o Seminário São José e a Rádio Educadora Santana - foram alguns dos benefícios derivados da elevação da paróquia em diocese.
Na educação despontou o nome de Anísio Teixeira, lutando por reerguer a Escola Normal, depois transformada no Instituto que leva seu nome. Ali estudaram figuras como Newton Cardoso, Georgino Jorge dos Santos, Tânia Martins e muitos outros.
A ditadura militar de 64 foi um duro golpe para a cidade; secularmente defensora da liberdade, sua gente pareceu ao regime como potencial risco; os assassinatos obscuros de Anísio Teixeira e do poeta Camillo de Jesus Lima fizeram com que o tradicional pólo de educação e cultura assistisse ao declínio, nas décadas que se seguiram a 1970. Apesar disso, foi ali que teve início o trabalho de documentação das atrocidades do regime, capitaneado pelo Pastor Jaime Wright.
Em Caetité nasceram o músico Waldick Soriano, o político Prisco Viana (ex-ministro da Previdência Social), José Neves Teixeira, Luiz Cotrim ,professor, poeta e cronista social, o ator-mirin Buiú de [A Praça é nossa] e muitos outros nomes de relevo no cenário regional, estadual e nacional,
Filhos ilustres [editar]
Já em 1818 a pequena Vila Nova do Príncipe e Santana de Caetité impressiona a expedição de Spix e Martius.
Conhecida por sua educação e foco civilizador, Caetité foi berço de grandes personalidades da História estadual e nacional, como Cezar Zama (parlamentar, historiador), Plínio de Lima (poeta, colega e amigo de Castro Alves), Aristides Spínola (advogado, governador de Goiás 1879-80), Joaquim Manoel Rodrigues Lima (primeiro Governador eleito da Bahia) e seu irmão, dr. Antônio Rodrigues Lima, Anísio Teixeira (pedagogo), Joaquim Spínola (fundador da Revista dos Tribunais), Nestor Duarte (jurista, escritor), Paulo Souto (Governador da Bahia 1994-98; 2002-06), Prisco Viana (político, ex-ministro da República), Haroldo Lima (político), Aldovandro Chaves (advogado, cônsul honorário e poeta), a pintora Lucília Fraga e seus parentes Afonso e o jurista Constantino Fraga, o músico símbolo do estilo brega Waldick Soriano, dentre outros.
Geografia [editar]
Além da sede, possui quatro distritos com as seguintes distâncias desta: Brejinho das Ametistas, a 24 km; Caldeiras, a 60 km; Maniaçu, a 28 km; Pajeú, a 26 km. Além disso, alguns povoados de maior importância se destacam, como Anguá, Campinas, Juazeiro, Santa Luzia e Umbuzeiro.
Com altitude de 825 metros, possui clima ameno, apesar de situada no semi-árido. Os períodos de maior insolação são nos meses de abril e agosto (200 horas) e sua temperatura média anual é de 21,4°C (média máxima de 26,8°C e mínima de 16,4°C).
Clima [editar]
| Gráfico climático para Caetité | |||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| J | F | M | A | M | J | J | A | S | O | N | D |
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155
27
17
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89
28
18
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97
28
18
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69
26
17
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18
26
16
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15
24
14
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10
24
14
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5
26
14
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13
27
16
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76
28
17
|
165
27
17
|
180
27
17
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| Temperaturas em °C • Precipitações em mm Fonte: [2] |
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Economia [editar]
Rodovias federais e Ferrovias em Caetité: Fonte: Ministério dos Transportes.
Caetité será nos próximos anos um grande entrocamento rodo-ferroviário, facilitando vários investimentos, vejamos:
BR 030(Brasília-DF/Maraú-BA): Ligação entre Guanambi-BA e Brumado-BA, construída até Carinhanha-BA e com projeto aprovado pelo DNIT para ser construída até Cocos-BA.
BR 122(Montes Claros-MG/Fortaleza-CE): Liga a cidade a Paramirim-BA e ao Sudeste do Brasil, ainda não construída integralmente mas com projeto de viabilidade técnica ambiental aprovado em 2012 pelo Governo Federal para construção até Juazeiro-BA tornando-se um grande eixo rodoviário entre o nordeste e o sudeste. Projeto executivo de construção previsto para ser lançado em dezembro de 2012 pelo DNIT.
BR 430(Caetité-BA/Bom Jesus da Lapa-BA): Ligação entre o Centro Oeste e Litoral Sul da Bahia. Rodovia hoje administrada pelo DERBA mas que deverá ser absorvida pelo governo federal através do ministério dos transportes para poder receber projetos de adaptação ao tráfego pesado atual a serem realizados pelo DNIT.
Ferrovia Oeste Leste: com projeto de construção aprovado e recursos liberados pelo governo federal, será responsável pelo escoamento da safra do oeste baiano e da produção mineral da região da Serra Geral da Bahia. Aguardando a licença ambiental.
Na pecuária destaca-se com um rebanho bovino com mais de 32 mil cabeças. Na mineração conta com ricas jazidas de urânio, ametista, manganês e ferro (esta descoberta no começo do século XXI). Na indústria possui importantes manufaturas têxteis e é pólo regional na cerâmica.
A jazida ferrífera virá a ser explorada pela companhia mineradora indiana instalada em joint-venture com o nome de Bahia Mineração Ltda - BML. O depósito conta com 4 a 6 bilhões de toneladas, e uma produção anual estimada em cerca de doze milhões de toneladas anuais - a terceira maior do Brasil.
A 3 de março de 2007 o Governador Jacques Wagner, o representante da mineradora Pramod Agarwal e o Prefeito Municipal participaram, na cidade, da cerimônia que celebrou a parceria das entidades públicas e da mineradora, esta última com investimentos estimados em cerca de 1,5 bilhão de dólares17 . Em 2008 foi anunciada a venda de 50% da BML para uma empresa cazaque, a Eurasian Natural Resources, por trezentos milhões de dólares. O empreendimento prevê, ainda, a construção de um mineroduto até o Porto de Ilhéus.18
Parque eólico [editar]
Com a crise energética ocorrida no final do governo FHC o grupo Iberdrola iniciou um projeto para a instalação na cidade, em 2002, de um complexo gerador de energia eólica, orçado à época em R$ 550 milhões. Entretanto o governo federal na época através do BNDES não aprovou o financiamento deste parque eólico e o projeto foi abandonado. Este parque eólico seria composto por 130 geradores, com geração de duzentos megawatts de energia - e considerado estratégico para o desenvolvimento regional19 .
Em 2005 o Greenpeace, passando pela cidade, teve ocasião de registrar, junto a lideranças locais, a importância não apenas energética - mas sobretudo ecológica e econômica da instalação do parque20 .
Segundo pesquisa anemométrica realizada em todo o estado da Bahia, Caetité apresenta o maior potencial eólico, em intensidade e freqüência dos ventos, além da pouca amplitude de direções destes, em todo o estado - o que torna a cidade o local onde tal projeto tenha a maior viabilidade 21 .
Em 2010 novamente foi prometida a instalação do Parque, desta feita com sede na cidade e envolvendo outros doze municípios, sendo desta vez o financiamento aprovado pelo governo federal e o projeto realizado pela empresa renova energia, com sede em Caetité. Várias outras empresas também se instalaram na cidade buscando pesquisar o potencial eólico para futuros projetos.22
Vegetação e ecossistema [editar]
O município apresenta características de cerrado e caatinga, estando aqueles presentes nas partes altas. Em meio ao cerrado - denominado localmente de "gerais" - surgem ilhas de mata com características de floresta tropical, chamadas de "capões".
Os principais problemas ecológicos apresentados são o desmatamento indiscriminado, para a produção de carvão (destinado ao consumo das grandes siderúrgicas de Minas Gerais), bem como para atender ao pólo ceramista local.
Em Caetité foram identificadas diversas espécies vegetais, algumas delas únicas (caso da palmeira "coco de vassoura"), estudadas boa parte delas pelo New York Botanical Garden, na década de 1980.
Em Caetité, a única mina de urânio da América Latina [editar]
Em Caetité está localizada a única mina de urânio em produção no Brasil, uma unidade de mineração e beneficiamento de urânio que é explorada pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil S.A., empresa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Considerada como uma Província Uranífera, com reservas de 100 mil toneladas do minério, Caetité produz anualmente 400 toneladas de concentrado de urânio, que, depois de passar por diversos processos industriais, geram energia nas usinas nucleares brasileiras. No primeiro semestre de 2011, a energia nuclear foi a segunda fonte de geração de eletricidade no país.
Implantada em 1997, a unidade de mineração de urânio funciona com autorização permanente de operação concedida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e com licença de operação emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). As duas entidades fiscalizam as atividades de todo o setor nuclear.
Em 2010, uma equipe de especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA/ONU), depois de analisar documentos e conhecer in loco o funcionamento da INB Caetité, divulgou a seguinte conclusão: “As atividades da mina de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil, em Caetité (BA) atendem todos os requisitos de segurança e não provocam nenhum impacto significativo ao meio-ambiente da região. A unidade de produção é bem projetada, bem mantida, segura e eficiente”.
A Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FIOTEC, vinculada à Fiocruz, realiza, sob encomenda da INB e por recomendação do IBAMA, um estudo epidemiológico sobre a incidência de câncer na região de Caetité/Lagoa Real, no período compreendido entre os anos 1995 (antes da implantação do empreendimento) e 2005. A primeira fase a pesquisa constatou: “Os resultados desta fase permitem afirmar que não foi observada até o momento alteração significativa na mortalidade por câncer na população dos municípios de Caetité e Lagoa Real, nem maior probabilidade de se contrair câncer nesses municípios em relação ao Estado da Bahia, às regiões e aos municípios de referência”.
Na unidade INB Caetité trabalham cerca de 600 pessoas, 80% das quais são naturais da região. A atividade de mineração e beneficiamento de urânio representa, para os cofres da Prefeitura de Caetité, uma média de R$ 1 milhão 34 mil por mês referente a impostos, salários, serviços sociais e aquisição de bens e serviços.
Contaminação da água pelo urânio [editar]
Embora a mina que explora o urânio na cidade fique a 70 km da sede, matérias da imprensa dão conta de que as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) contaminaram o lençol freático do município. A empresa diz que realiza testes e que não houve alteração no teor do mineral na água, mas o município não dispões de meios para se defender ou informar a população. A situação tornou-se especialmente crítica com a estiagem de 2010.23
Em operação há 10 anos na cidade, a INB já foi acusada por outros vazamentos e por ser a responsável pela contaminação da água. Investindo na sua manutenção no lugar, sem as devidas garantias, a empresa conseguiu eleger o atual prefeito, José de Alencar, que na verdade é um seu funcionário subalterno.24 Em 2009 o Greenpeace denunciava que a empresa omitia os vazamentos que provocava, e que a falta de transparência envolve também o órgão responsável pela sua fiscalização - o CNEN.25
No ano de 2008 o Greenpeace levou a água contaminada para o então ministro Carlos Minc, sem que tenha desde então sido tomada qualquer providência por parte do governo Lula com relação ao problema.26 No ano seguinte foi estabelecida pela Justiça uma multa diária de R$ 5 mil para a INB, a prefeitura caetiteense e a de Lagoa Real, e também pelo governo da Bahia, caso não forneçam água potável na área do entorno da mineração.27
Adutora do São Francisco O principal problema enfrentado pela população caetiteense na atualidade são os constantes racionamentos de água. Com o aumento da população com ligação domiciliar de água, aumento do consumo, diminuição da vazão das fontes naturais e dos poços artesianos em consequência de secas e do desmatamento desenfreado que ocorre nas montanhas que cercam a cidade houve a necessidade de realizar o racionamento de água para que o sistema não entrasse em colapso. A solução definitiva seria a água do Rio São Francisco, a cerca de 150 de Caetité, ser canalizada até o município. O governo federal e estadual estão construindo a adutora do Algodão para levar água para alguns municípios da microrregião de Guanambi. No dia 1 de junho de 2012, em solenidade na sede do município, foi autorizada a ampliação da Adutora do Algodão, que será estendida até o município de Caetité e distritos. A autorização das obras de ampliação do sistema foi assinada pelo governador Jaques Wagner e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra.
Feriados municipais [editar]
- 5 de abril - Data da emancipação do Município (1810);
- 12 de julho - Dia do nascimento do educador Anísio Teixeira (1900);
- 12 de outubro - Dia da lei que elevou a vila à categoria cidade (feriado sem significação histórica relevante, coincidente com outro, nacional).
Imagens [editar]
A cidade foi descrita, no Corografia Brasílica, em 1817, como situada num "sítio lavado dos ventos"; mais tarde, o engenheiro Teodoro Fernandes Sampaio dissera que "Caetité se assemelha ao viajante qual uma corte do sertão".
O poeta Mariano S. J. Matos cantou-a num belo soneto28 : "(...)E, assim, em loira tela, pinto em versos / esboçando-te a grandeza e fidalguia / Porque tu és - oh! Caetité formosa! / Tradicional cidade, excelsa e honrosa / Onde a cultura tem soberania."
A poesia teve em Castro Guerra diversos cantos dedicados a ela. Ele aqui morou, guardando imagens na memória como esta29 :
-
- "Só, somente o velho sobrado,
- com seu olho-grande cinza:
- pasme, memória, pasme!
- doa, saudade, doa!
Nicodema Alves, poetiza bissexta, cantou-lhe a saudade30 :
-
- "Tu vives, princesa amada,
- Entre as serras debruçada,
- Ouvindo o vento cantar,
- Entre as palmas estalar,
- Na profusão dos coqueiros
- Que se contam aos milheiros!
- Minha cidade bonita,
- Mesmo antiga, és tão catita!
- No pensamento a rever,
- A saudade faz doer!
- Recordo as manhãs brumosas
- Onde neves vaporosas
- Levantam de tuas fontes,
- Cobrem o cimo dos montes!
-
Prefeitura de Caetité, sede do poder executivo
-
Casa de Anísio Teixeira
-
Casa do Barão de Caetité
Referências
- ↑ a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
- ↑ IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
- ↑ Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
- ↑ Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
- ↑ a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
- ↑ TEIXEIRA, Anísio, O Ensino no Estado da Bahia (1924-1928), edição fac-símile, Salvador, 2001
- ↑ a b c SANTOS, Helena Lima. Caetité, pequenina e ilustre, Tribuna do Sertão, Brumado, 1996, 2ªed.
- ↑ KOEHNE, André. Caderno de Cultura Caetiteense, vol. 2, Div. de Cultura, Caetité, 2002 íntegra
- ↑ *AMADO, Jorge. ABC de Castro Alves
- COTRIM, Dário, Idílio de Pórcia e Leolino
- PEIXOTO, Afrânio, Sinhazinha.
- ↑ O Rio São Francisco e a Chapada Diamantina, Teodoro Sampaio (José Carlos Barreto de Santana org.), Companhia das Letras, São Paulo, 2002. ISBN 85-359-0256-2
- ↑ KOEHNE, André, in Caderno de Cultura Caetiteense, vol. 3, Div. de Cultura, Caetité, 2002 íntegra de "Cezar Zama, a verdade
- ↑ RODRIGUES, Zezito. in Caderno de Cultura Caetiteense, vol. 6, Div. de Cultura, Caetité, 2002 íntegra
- ↑ Otto Koehne e o Resgate da Caldeira
- ↑ Ensaio biográfico
- ↑ http://br.geocities.com/acadcaetiteenseletras/index_historia_caetite.html
- ↑ http://br.geocities.com/acadcaetiteenseletras/index_historia_jgumes.html, pesquisado em 24 de setembro de 2007, às 11:15
- ↑ [1], pesquisado em 5 de março de 2007.
- ↑ Estadão, notícia acessada em 3 de maio de 2008
- ↑ PARAJARA, Fabiana. Revista Istoé Dinheiro, nº 265, Quarta-feira, 25 de Setembro de 2002 - sítio pesquisado em 24 de novembro de 2007.
- ↑ Greenpeace em Caetité, pesquisado em 24 de novembro de 2007.
- ↑ Atlas eólico da Bahia, sítio da Coelba, em PDF, pesquisado em 24 de Novembro de 2007 - 13:08
- ↑ Silvano Silva (22 de Fevereiro de 2010). Renova Energia recebe licença para Parque Eólico na região de Caetité. Página visitada em 17/6/2010.
- ↑ Nicholas Vital (7 de outubro de 2010). Pânico e desinformação no sertão baiano. Portal Exame (revista) - editora Abril. Página visitada em 16/10/2010.
- ↑ Portal Transparência do Governo Federal (26/01/2007). Gastos feitos pelo funcionário. Página visitada em 16/10/2010.
- ↑ Greenpeace (19/11/2009). INB esconde vazamento de urânio. Página visitada em 16/10/2010.
- ↑ Greenpeace (14/12/2008). Greenpeace entrega água radioativa para ministros em Brasília. Página visitada em 16/10/2010.
- ↑ Greenpeace (3/6/2009). Determinações para Caetité. Página visitada em 16/10/2010.
- ↑ COSTA, Áurea, Luz entre os Roseirais, Companhia Brasileira de Artes Gráficas, Rio de Janeiro, 1992
- ↑ in: Seqüelas da Saudade, gráfica Giordani, Vitória da Conquista, 1996.
- ↑ ALVES, Nicodema, Ocaso, s/ed, Salvador, 1966
Ver também [editar]
- Academia Caetiteense de Letras
- Anísio Teixeira
- Arquivo Público Municipal de Caetité
- Baianos de Caetité
- Barão de Caetité
- Câmara Municipal de Caetité
- Casa Anísio Teixeira
- Diocese de Caetité
- Hino de Caetité
- Nestor Duarte
- Waldick Soriano
- Dom Antônio Alberto Guimarães Rezende
- Dom Riccardo Guerrino Brusati