Ubatuba

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Município da Estância Balneária de Ubatuba
"Capital do Surfe"
Praia da Enseada junto a Ubatuba vista do Mirante do Saco da Ribeira

Praia da Enseada junto a Ubatuba vista do Mirante do Saco da Ribeira
Bandeira da Estância Balneária de Ubatuba
Brasão da Estância Balneária de Ubatuba
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 28 de outubro de 1637
Gentílico ubatubense
Lema
Prefeito(a) Eduardo de Souza César (Democratas (Brasil))
(20092012)
Localização
Localização da Estância Balneária de Ubatuba
Localização da Estância Balneária de Ubatuba em São Paulo
Ubatuba está localizado em: Brasil
Localização da Estância Balneária de Ubatuba no Brasil
23° 26' 02" S 45° 04' 15" O23° 26' 02" S 45° 04' 15" O
Unidade federativa  São Paulo
Mesorregião Vale do Paraíba Paulista IBGE/2008[1]
Microrregião Caraguatatuba IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Cunha, a norte; Parati a nordeste; Caraguatatuba a sudoeste; Natividade da Serra e São Luiz do Paraitinga a noroeste.
Distância até a capital 223 km[2]
Características geográficas
Área 712,116 km² [3]
População 78 870 hab. Censo IBGE/2010[4]
Densidade 110,75 hab./km²
Altitude 3 m
Clima tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH 0,795 médio PNUD/2000[5]
PIB R$ 723 522,919 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 9 062,84 IBGE/2008[6]
Pequeno monumento indicando o Trópico de Capricórnio em Ubatuba
Praia Vermelha do Norte
Praia da Enseada

Ubatuba é um município da Microrregião de Caraguatatuba, no estado de São Paulo, no Brasil. A população aferida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na contagem de 2010 foi de 78 870 habitantes. O território municipal ocupa 712 km², 83 por cento dos quais localizados no Parque Estadual da Serra do Mar. A densidade demográfica de 105,33 hab/km². Ubatuba é um dos quinze municípios paulistas considerados estâncias balneárias por cumprir determinados requisitos definidos por lei estadual.

Índice

[editar] Estância balneária

Ubatuba é um dos quinze municípios paulistas considerados estâncias balneárias pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de estância balneária, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.

[editar] Toponímia

Seu nome tem origem tupi e há pelo menos duas interpretações para o nome. Em tupi, ubá significa canoa, enquanto u'ubá significa cana-do-rio, que é uma gramínea que era utilizada na confecção de flechas pelos índios.[7][8] Como tyba indica "ajuntamento"[9], o nome da cidade pode significar tanto "ajuntamento de canas-do-rio" quanto "ajuntamento de canoas".

[editar] História

[editar] Ocupação indígena

Ubatuba faz parte de uma região litorânea maior ocupada pelos índios tupinambás. A primeira possível referência ao local aparece na obra de Hans Staden, que teria permanecido em uma aldeia chamada Uwatibi em Angra dos Reis, mencionando o mesmo nome no local da atual cidade, que se tratava de lugar onde os índios se reuníam com muitas canoas para expedições de guerra em Burikioca (Bertioga) e Upau-Nema (São Vicente).[10] Tanto Hans Staden quanto outros autores europeus da época[11][12] mencionam que o chefe supremo dos tupinambás era Cunhambebe e que seu território se estendia desde o Rio Juqueriquerê, em Caraguatatuba, até o Cabo de São Tomé, no leste do estado do Rio de Janeiro, abrangendo também todo o território ao longo do Rio Paraíba do Sul.

Apenas décadas mais tarde, nos relatos de José de Anchieta, é que encontramos menção à aldeia de Iperoig, que pode significar "rio do tubarão" ou "rio das perobas".[13]

[editar] Iperoig e a luta contra os franceses

Os índios tupinambás sofreram primeiro o impacto dos portugueses, uma vez que foram escravizados para os engenhos de cana-de-açúcar em São Vicente. Isso motivou uma firme aliança dos tupinambás com os franceses da França Antártica, que ocuparam a região da baía de Guanabara. Essa aliança, liderada por Cunhambebe, ficou conhecida como Confederação dos Tamoios.

Em 1563, José de Anchieta partiu com Manuel da Nóbrega de São Vicente para a aldeia de Iperoig, com o objetivo de pacificar os tupinambás. Anchieta permaneceu refém durante vários meses em Iperoig, enquanto Manuel da Nóbrega voltou a São Vicente acompanhado de Cunhambebe para acertar o tratado de paz conhecido como Paz de Iperoig.

Com a paz estabelecida com os índios tupinambás fronteiriços a São Vicente, os portugueses destruíram boa parte da nação tupinambá em conflitos na baía de Guanabara e em Cabo Frio, expulsando os franceses da região.[14]

[editar] Criação da Vila

Enquanto os remanescentes tupinambás da Guanabara e de Cabo Frio se embrenharam mata adentro, abrindo espaço para a fundação do Rio de Janeiro, a população da região de Iperoig, em sua maioria, permaneceu em seus locais. Com o objetivo de assegurar a posse portuguesa da colônia, o então governador-geral empreendeu um esforço para colonizar a área. Assim, em 28 de outubro de 1637, a Aldeia de Iperoig foi elevada a vila, com o nome de Vila Nova da Exaltação à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba.

Ao longo do século XVIII, a produção agrícola cresceu e a Baía de Ubatuba se transformou no mais movimentado porto da Capitania de São Vicente[carece de fontes?]. No início, a vila pertencia à jurisdição do Rio de Janeiro, até que uma ordem do Rei subordinou-a à Capitania de São Paulo, aumentando o poder do então governador Bernardo José de Lorena. Em 1789, entretanto, o governo de Lorena determinou que toda exportação só poderia ser feita pelo Porto de Santos, o que levou à primeira decadência econômica de Ubatuba. O governador seguinte, Melo de Castro e Mendonça, concedeu novamente o direito ao livre comércio da vila.

[editar] Ascensão e Decadência Econômica

Ao longo do século XIX, Ubatuba foi uma cidade rica, graças à atividade portuária. Em 1855, a cidade passou de vila a comarca. Alguns exportadores cogitaram a construção de uma ferrovia, para rivalizar com os portos de Santos e do Rio de Janeiro. Essa ferrovia foi impedida pelo governo brasileiro, através de moratória [carece de fontes?]. Com a gradual perda de importância para suas concorrentes mais bem abastecidas, no final do século Ubatuba mergulhava em isolamento e decadência econômica.

Somente em 21 de abril de 1933, houve uma nova esperança. Era o engenheiro Mariano Montesanti que descia a serra no seu carro inaugurando a estrada que construiu, ligando o município a Taubaté por rodovia, o que despertou uma nova etapa na história de Ubatuba.

[editar] Recuperação Turística

Em 21 de abril de 1933, o engenheiro Mariano Montesanti inaugurou sua rodovia descendo para Ubatuba a partir de Taubaté, fazendo a primeira ligação por estrada com o planalto e o vale do paraíba. Essa estrada deu grande impulso ao turismo no litoral recortado do município, principalmente da população de Taubaté. As casas de veraneio passaram a abundar na cidade. Em 1948, Ubatuba conquistou a categoria de estância balneária.

A especulação imobiliária e turística, entretanto, contribuiu para a rápida destruição do patrimônio histórico de Ubatuba. Hoje sobraram poucas mostras da ocupação antiga, com talvez o exemplo mais destacado ser o Sobradão do Porto. Hoje, Ubatuba resgata seu passado na cultura caiçara, nas ruas, nas festas de origem portuguesa e nos edifícios históricos, revelando seu potencial como estância balneária para o turismo.

[editar] Geografia

A cidade de Ubatuba está localizada no litoral norte do Estado de São Paulo, distante 250 km da capital. Limita-se ao norte com Parati (Rio de Janeiro), ao sul com Caraguatatuba, a oeste com Cunha, São Luiz do Paraitinga e Natividade da Serra e a leste com o Oceano Atlântico, achando-se na latitude 23°26'21",45. A cidade é cortada pelo Trópico de Capricórnio, que atravessa a cidade, passando em frente à pista do aeroporto local.

Ubatuba é cercada pela Serra do Mar e sua exuberante Mata Atlântica. Quase oitenta por cento do território da cidade de Ubatuba consiste em áreas de preservação. O Parque Estadual da Serra do Mar, criado para proteger e preservar a mata atlântica, tem três núcleos dentro de Ubatuba: Cunha-Indaiá, Santa Virgínia e Picinguaba. Além disso, a cidade possui uma sede do Projeto TAMAR, destinada à conservação das espécies de tartarugas-marinhas do litoral brasileiro.

[editar] Clima

O clima de Ubatuba é o tropical litorâneo úmido ou tropical atlântico, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano, sem estação seca e com mês mais frio, possuindo temperatura média acima de dezoito graus centígrados. A cidade tem um clima chuvoso, com precipitação média anual de 2 519 milímetros,[15] o que é refletido pelo apelido Ubachuva, que a cidade recebe. O mês mais quente é fevereiro, com temperatura média de 25,5°C; o mais frio é julho, com temperatura média de 18,4°C.[15]

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a temperatura mínima registrada em Ubatuba foi de 5,0ºC, ocorrida no dia 17 de agosto de 1971. Já a máxima foi de 40,8ºC, observada dia 9 de setembro de 1997. O maior acumulado de chuva registrado na cidade em 24 horas foi de 198,4 mm, em 10 de fevereiro de 1961.[16]

[editar] Litoral

Postscript-viewer-blue.svgVer também a categoria: Praias de Ubatuba

Ubatuba possui mais de 80 praias distribuídas pelo seu litoral. Dentre ela, as mais conhecidas são: Maranduba, Itamambuca, Lázaro, Vermelha, Grande, Enseada, Perequê e Saco da Ribeira.

Além disso, a cidade possui algumas ilhas, como a Ilha das Couves e a Ilha Anchieta. Esta última possui presídio desativado, que, no passado, foi utilizado para manter presos políticos; ela pode ser acessada a partir do Saco da Ribeira.

[editar] Hidrografia

Os rios e córregos que cortam Ubatuba são: Rio da Prata, Rio Maranduba, Rio Escuro, Rio Grande de Ubatuba, Rio Indaiá, Rio Itamambuca, Rio Puruba, Rio Iriri, Rio Fazenda, Rio das Bicas, Córregos Duas irmãs, Córrego Lagoinha, Rio Acaraú, Rio Promirim, Rio Quiririm e Rio Ubatumirim.

[editar] Praias

  • Almada
  • Alto
  • Barra ou Palmira
  • Barra Seca
  • Bicas
  • Bonete
  • Bonete Grande
  • Brava da Almada
  • Brava do Camburi
  • Brava da Fortaleza
  • Brava do Frade
  • Brava do Sul
  • Caçandoca
  • Caçandoquinha
  • Camburi
  • Cedro
  • Cedro do Sul
  • Costa
  • Deserto
  • Dionísia
  • Domingas Dias
  • Dura
  • Engenho
  • Enseada
  • Fazenda
  • Félix
  • Félix (Prainha)
  • Figueira
  • Flamengo
  • Flamenguinho
  • Fora
  • Fora (Prainha)
  • Fortaleza
  • Galhetas
  • Godoi
  • Grande
  • Iperoig ou Cruzeiro
  • Itaguá
  • Itamambuca
  • Itapecerica
  • Justa
  • Lagoa
  • Lagoinha
  • Lamberto
  • Lázaro
  • Léo
  • Lúcio ou Conchas
  • Mansa
  • Maranduba
  • Matarazzo
  • Meio
  • Oeste
  • Pereque Açú
  • Pereque Mirim
  • Peres
  • Picinguaba
  • Ponta Aguda
  • Prumirim
  • Pulso
  • Puruba
  • Raposa
  • Ribeira
  • Saco da Mãe Maria
  • Saco da Ribeira
  • Saco das bananas
  • Santa Rita
  • Sapé
  • Sete Fontes
  • Sununga
  • Tenório
  • Toninhas
  • Ubatumirim
  • Vermelha da Cidade
  • Vermelha do Norte
  • Vermelha do Sul

[editar] Política

Os atuais líderes políticos de Ubatuba são:

[editar] Estrutura urbana

[editar] Educação

A cidade de Ubatuba abriga um campus da Universidade de Taubaté.

[editar] Transporte

As principais vias de acesso à cidade são as duas rodovias estaduais que a cruzam: a Rodovia Rio-Santos (SP-55), ligando Ubatuba a outras cidades do litoral norte paulista, bem como à costa verde do Rio de Janeiro; e a Rodovia Oswaldo Cruz (SP-125), ligando Ubatuba a Taubaté, no Vale do Paraíba.

Além disso, há também o Aeroporto de Ubatuba.

[editar] Cultura

[editar] Esportes

Ubatuba é muito frequentada por esportistas náuticos:

  • Surfe: Ubatuba possui praias com ondas para campeonatos internacionais como a Itamambuca, e algumas com ondas excelentes como a praia Vermelha do Norte, Sapê, Toninhas e Praia Grande, entre muitas outras. Todos os anos é realizada uma competição internacional de surfe na praia de Itamambuca.
  • Vela: Na praia do Saco da Ribeira pratica-se vela e a região de Ubatuba é rica em ilhas, mares, ventos, águas abrigadas e rápido acesso ao alto mar.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. Distâncias entre a cidade de São Paulo e todas as cidades do interior paulista. Página visitada em 31 de janeiro de 2011.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  4. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  7. Ubatuba Virtual. História de Ubatuba. Página visitada em 2011-03-09.
  8. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo. Terceira edição. São Paulo: Global, 2005. p. 205
  9. http://www.fflch.usp.br/dlcv/tupi/vocabulario.htm
  10. Hans Staden. A Verdadeira História dos Selvagens, Nus e Ferozes Devoradores de Homens, Encontrados na América, e Desconhecidos Antes e Depois do Nascimento de Cristo na Terra de Hessen, Até os Últimos Dois Anos Passados, Quando o Próprio Hans Staden de Homberg, em Hessen, os Conheceu, e Agora os Traz ao Conhecimento do Público Por Meio da Impressão Deste Livro. [S.l.: s.n.].
  11. de Lery, Jean. Histoire d'un Voyage Fait a la Terre du Brésil, Autrement Dite Amerique. [S.l.: s.n.], 1578.
  12. Thevet, André. Les Singularités de la France Antarctique. [S.l.: s.n.], 1557.
  13. Origens da colonização de Ubatuba está ligada ao Rio de Janeiro.
  14. Cartas Jesuíticas, séc. XVI
  15. a b Banco de dados climáticos do Brasil. Página visitada em 19 de janeiro de 2010.
  16. Sistema de Monitoramento Agrometeorológico (Agritempo). Dados Meteorológicos - São Paulo. Página visitada em 26 de novembro de 2011.

[editar] Ligações externas

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