Natividade da Serra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Município de Natividade da Serra
"Joia da Região dos Grandes Lagos"
Bandeira de Natividade da Serra
Brasão de Natividade da Serra
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 13 de agosto
Fundação 29 de maio de 1853
Gentílico nativense
Lema Non e flammis sed ex undis surrexi
"Não das chamas, mas das águas ressurgi"
Prefeito(a) José Romão (Zé Torto) (DEM)
(2013–2016)
Localização
Localização de Natividade da Serra
Localização de Natividade da Serra em São Paulo
Natividade da Serra está localizado em: Brasil
Natividade da Serra
Localização de Natividade da Serra no Brasil
23° 22' 33" S 45° 26' 31" O23° 22' 33" S 45° 26' 31" O
Unidade federativa  São Paulo
Mesorregião Vale do Paraíba Paulista IBGE/2008 [1]
Microrregião Paraibuna/Paraitinga IBGE/2008 [1]
Região metropolitana Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, Sub-Região 2-Taubaté
Municípios limítrofes Redenção da Serra (N), São Luís do Paraitinga (N e L), Ubatuba (SE), Caraguatatuba (S) e Paraibuna (O).
Distância até a capital 185 km
Características geográficas
Área 832,606 km² [2]
População 7,853,122 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 0,01 hab./km²
Altitude 720 m
Clima subtropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,655 médio PNUD/2010[4]
PIB R$ 42 842,974 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 5 627,61 IBGE/2008[5]
Página oficial

Natividade da Serra é um município brasileiro do estado de São Paulo, na Microrregião de Paraibuna/Paraitinga, pertencente à Mesorregião do Vale do Paraíba Paulista. Localiza-se a uma latitude 23º22'32" sul e a uma longitude 45º26'31" oeste, estando a uma altitude de 720 metros. Sua população estimada, segundo IBGE 2010, era de 4.955 habitantes. O município abriga uma grande indústria de petecas e é grande produtor de milho cozido.

História[editar | editar código-fonte]

A data mais antiga documentando a origem de Natividade da Serra é 29 de maio de 1853, quando seu fundador Coronel José Lopes Figueira de Toledo perseguindo um escravo foragido de uma das suas senzalas acabou por se esconder em uma bela planície às margens de um rio rodeada de montanhas. A fuga do escravo da fazenda do Coronel situada no que hoje è chamado de bairro das Perobas, inspirou-o a transferir sua fazenda e seus empregados para lá devido a beleza do lugar. Logo a fazenda se transformou num vilarejo, chamado de Divino Espírito Santo de Nossa Senhora do Rio do Peixe, nome atribuído a religiosidade do Coronel e ao rio que passava as margens do vilarejo, num território outrora pertencente a Paraibuna.

Em 24 de abril de 1858 foi elevada à categoria de Freguesia, sendo chamada de Nossa Senhora do Rio do Peixe. Mais tarde, em 18 de abril de 1863 foi incorporado à Freguesia um outro vilarejo que se formava conhecido como povoado de Nossa Senhora da Conceição e que hoje é o Bairro Alto. Com isso a Freguesia passou a categoria de Vila com o nome de Natividade e tendo como principal atividade econômica a pecuária e a agricultura de subsistência.

Em 3 de julho de 1934, passou a condição de distrito de paz e em 5 de julho de 1935 voltou a anexar-se ao Município de Paraibuna. O município foi instalado em 1864 e reinstalado em 1935. Em 30 de novembro de 1944, recebeu o nome definitivo de Natividade da Serra, nome originário da Padroeira da cidade, Nossa Senhora da Natividade e, também devido a sua situação geográfica entre os contrafortes da Serra do Mar.

No início do século XX, com a vinda da industrialização para o Vale do Paraíba, Félix Guisard em 1913, havia planos iniciais que previam a construção de uma usina hidrelétrica em Natividade da Serra, para suprir o abastecimento de energia elétrica na região aproveitando as corredeiras do rio Paraitinga num local conhecido como Ponte dos Mineiros. Porém, o início da Primeira Guerra Mundial em 1914 impediu o embarque dos maquinários e geradores para o Brasil anulando assim o projeto.

Passados 120 anos de sua existência, Natividade da Serra, sofreu uma enorme transformação e foi translada para um novo local, à aproximadamente um quilômetro adiante na rodovia que liga a cidade à Taubaté. Esta mudança foi em consequência do represamento do rio Paraibuna, rio Lourenço Velho, rio do Peixe e rio Paraitinga, para a construção da Usina Hidrelétrica de Paraibuna formando a represa da Companhia Energética de São Paulo (CESP) devido uma necessidade de atendimento sócio-econômico regional.

O estado procedeu com à construção da Represa de Paraibuna, inundando quase 200% da área e das edificações da sede e parte da área rural. Na zona rural, o represamento das águas afetou as terras férteis, eliminando grande parte da agricultura de subsistência.

Com construção da barragem de Paraibuna, ocorreu a inundação da cidade antiga, surgindo a nova Natividade da Serra fundada 13 de agosto de 1973 com o lançamento da pedra fundamental feita pelo então prefeito Otacílio Fernandes da Silva, Padre Higino e Terezinha de Castro Aquino, no local onde se ergue a igreja matriz da cidade.

O fenômeno da industrialização da “Calha do Vale” (Taubaté, Pindamonhangaba e Tremembé) e a inundação de algumas áreas do município, contribuíram para a emigração de parte da população. Para minimizar os prejuízos ocasionados pela inundação eliminando suas terras férteis, os produtores rurais investiram em grande escala, na plantação de eucaliptos.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

  • 1853: 29 de maio, fundação de Natividade da Serra.
  • 1858: 24 de abril, elevada à categoria de Freguesia pela Lei nº 33, com a denominação de Nossa Senhora do Rio do Peixe.
  • 1863: 18 de abril, elevada à categoria de Vila e incorporado o distrito de Bairro Alto pela Lei nº 15, com a denominação de Natividade, pertencendo à Comarca de Jacareí.
  • 1864: 2 de março, instalação do município.
  • 1866: 20 de abril, continuou pertencendo à Comarca de Paraibuna pela Lei n.º 061.
  • 1895: 26 de agosto, passou pertencer à Comarca de São Luiz do Paraitinga pela Lei n.º 350.
  • 1914: 18 de dezembro, voltou a pertencer a antiga Comarca de Jacareí na qual foi revogada pela Lei n.º 1437.
  • 1934: 3 de julho, reduzida à condição de distrito de paz pelo decreto nº 6.530.
  • 1935: 5 de julho, Natividade voltou a anexar-se ao município e comarca de Paraibuna um ano após ser reduzida à condição de Distrito, passou a pertencer à Comarca de Taubaté, pelo decreto nº 7.353, mas voltando a pertencer a comarca de Paraibuna.
  • 1935: 6 de agosto, reinstalação do Município criado como a freguesia de Nossa Senhora do Rio do Peixe.
  • 1944: 30 de novembro, recebeu o nome definitivo de Natividade da Serra pelo decreto - Lei nº 14.334.
  • 1973: 13 de agosto, fundação da nova cidade de Natividade da Serra.

Filhos ilustres[editar | editar código-fonte]

  • Cesídio Ambrogi, nascido a 22 de maio de 1893. Considerado um dos maiores nomes da intelectualidade valeparaibana do século XX. Foi professor, escritor e jornalista. Poeta eclético, sonetista emérito, além de notável trovador. Fundador de diversos periódicos, foi também um dos fundadores da "Sociedade Taubateana de Ensino" e considerado presidente perpétuo da União Brasileira de Trovadores (UBT-Taubaté).
Histórico populacional
ano População

1872 3.074
1876 3.027
1890 7.393
1900 11.550
1920 12.781
1940 11.709
1950 11.573
1960 11.269
1970 9.957
1980 6.880
1990 6.458
2000 6.952
2001 7.004
2002 7.056
2003 7.104
2004 7.152
2005 7.216
2006 7.258
2007 7.275
2008 7.613
2009 7.674
2010 6.681
2011 estimativa 6.750

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município está situado na zona fisiográfica do Alto Paraíba, à margem esquerda do rio do Peixe, em uma planície cercada de montanhas, distando 122 km, em linha reta, da capital do estado. É cortado pelo Trópico de Capricórnio no Distrito do Bairro Alto.

Localizado na Região Alto Paraíba, confronta com a Serra do Mar, entre o rio Paraitinga e o rio Paraibuna, sendo a sede banhada pelo reservatório implantado pela CESP, na confluência desses rios.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Censo de 2000 do IBGE
(Fonte: IPEADATA)

Religião[editar | editar código-fonte]

Religião Percentagem Renda Per Capita
Católica 89,31% 175,65
Evangélica 6,49% 153,43
Outras 2,38% 178,29
Sem religião 1,82% 123,95

Fonte: Censo 2010

Etnias[editar | editar código-fonte]

Cor/Raça Percentagem
Branca 61,7%
Negra 21,3%
Parda 16,5%
Amarela 0,1%
Ignorado 0,4%

Fonte: Censo 2000

Clima[editar | editar código-fonte]

Considerado temperado e agradável com inverno seco. A temperatura pode variar entre 17º e 18°C, tendo uma intensidade de chuvas da ordem de 1.300 a 1.500mm.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Cachoeira Pouso Alto


  • Rio Paraibuna
  • Rio Paraitinga
  • Rio Bonito
  • Rio da Prata
  • Rio do Chapéu
  • Rio Lourenço Velho
  • Rio Manso
  • Rio Negro
  • Rio Pardo
  • Rio Pedregulho
  • Ribeirão Barra Mansa
  • Ribeirão Branco
  • Ribeirão Grande
  • Ribeirão da Estiva
  • Ribeirão dos Martins
  • Ribeirão Pararaca
  • Ribeirão Passa Quatro
  • Córrego da Marmelada
  • Córrego da Cachoeirinha
  • Córrego das Palmas
  • Córrego do Morro Grande
  • Córrego do Indaiá
  • Córrego dos Pires
  • Córrego Feliciano

Microbacias hidrográficas[editar | editar código-fonte]

  • Rio da Prata, rio Pedregulho e córrego da Marmelada

Topografia[editar | editar código-fonte]

Prainha

Possui cerca de: 80% da sua topografia montanhosa; 15% de topografia ondulada; 5% de topografia plana; 77% de várzeas. Os acidentes geográficos mais importantes são: a Serra do Mar, Cordilheiras do Itambé e Serra Azul.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação de Natividade da Serra encontra-se na forma de mosaico, composto por áreas de floresta madura, pastagens ou vegetação não-florestal, plantios de Eucalipto e florestas secundárias em diferentes estágios seccionais. A Floresta Atlântica Montana pode ser dividida em: florestas de vale, de média-encosta e de topo de morro. Em todos os tipos de floresta madura, predominam espécies zoo-córicas, com diásporos menores que 2 centímetros de comprimento. A Floresta Secundária é composta principalmente, por densos agrupamentos de Melastomataceae, formando as capoeiras e os capoeirões. Murtaceae, Lauraceae, Rubiaceae, Melastomataceae e Monimiaceae são famílias com maiores riquezas de espécies nesta floresta. A vegetação não-florestal constitui-se de pastagens abandonadas de capim gordura, dominadas por Pteridium Aquilinum e por espécies de Baccharis. Em locais que sofram queimadas frequentes, a Gramineae é a espécie dominante. A Floresta Atlântica Montana enquadra-se no menor nível de riqueza, já que foram amostradas apenas 136 espécies de árvores em apenas um hectare.

A vegetação no Núcleo Santa Virgínia, Área de conservação localizado no interior do Parque Estadual da Serra do Mar em Natividade da Serra e nas áreas de entorno são classificada como: floresta secundária tardia/primária; floresta secundária inicial; reflorestante e agropecuária. A maior parte deste núcleo e área de entorno é coberta por floresta madura, ou seja, floresta sem alteração antrópica recente. A Flora tem sido hoje, utilizada para grupos de pesquisa, fotografias, observação, contemplação e turismo.

Zona rural[editar | editar código-fonte]

Pelo fato de o município apresentar uma vasta extensão territorial, (Veja áreas dos municípios paulistas), sendo um dos maiores do estado de São Paulo, Natividade da Serra tem grande parte da sua população, cerca de 59% dos habitantes vivendo espalhados pelos bairros da zona rural. Dos quais, os principais são:

Igreja Nossa Senhora da Conceição no Distrito do Bairro Alto inaugurada em 1919.
Bairros
  • Barra
  • Bairro Alto
  • Cachoeira Grande
  • Favorita
  • Marmelada
  • Martins
  • Monte Alegre
  • Morro da Pedra
  • Pachi
  • Palmeiras
  • Paraitinga
  • Perobas
  • Pouso Altinho
  • Pouso Alto
  • Pouso Frio
  • Remédio
  • Ribeirão
  • Rio Manso
  • Rodrigo Soares
  • Selado
  • Serra Azul
  • Vargem Grande

Rodovias[editar | editar código-fonte]

Mapa Município de Natividade da Serra
  • BR-116 - Rodovia Presidente Dutra
  • SP-70 - Rodovia Governador Carvalho Pinto
  • SP-125 - Rodovia Dr. Osvaldo Cruz
  • SP-121 - Rodovia Rodovia Major Gabriel Ortiz Monteiro até Redenção da Serra e
  • SP-121 - Rodovia Otacílio Fernandes da Silva
  • SP-99 - Rodovia dos Tamoios (Acesso pelo km 67,5)
  • Balsa: Travessia de balsa para acesso aos bairros da zona rural, Caraguatatuba e Paraibuna, atravessando a represa de hora em hora.

Economia[editar | editar código-fonte]

A principal atividade econômica é a pecuária leiteira e o milho na agricultura. Destaques também para o turismo??? a administração é bem inerte no que direciona ao turismo, uma vez que, Natividade tem grande potencial neste aspecto, piscicultura e reflorestamento de eucaliptos.

Turismo[editar | editar código-fonte]

A represa de Paraibuna é a principal atração turística do município, que atrai grande número de pescadores do Vale do Paraíba e outras regiões do estado. Natividade da Serra foi também presenteada com cachoeiras pitorescas e uma natureza abundante. Seu povo é simples e bastante acolhedor. Estas são as razões pelas quais a jovem cidade tem sido procurada.

Pontos turísticos[editar | editar código-fonte]

  • Mirante
  • Travessia de Ferry Boat
  • Prainha
  • Cachoeira do Rio Negro
  • Cachoeira do Martins
  • Cachoeira do Alemão
Turismo ecológico e de aventura

A represa da CESP Companhia Energética de São Paulo, proporciona aos moradores e turistas praticar esportes como a pesca e os esportes náuticos.

Turismo histórico-cultural

Fazenda Ponte Alta, sede colonial dos Barões do Café no século XIX, feita em taipa-de-pilão e tijolos tombada pelo IPHAN em 1976 e pelo CONDEPHAAT em 1982.

Turismo rural

Natividade da Serra está inclusa no Circuito da Cultura Caipira.

Folclore[editar | editar código-fonte]

Bonecos feitos pelo Artesão e Artista Plástico Marcelo de Faria Santos

A história cultural de Natividade da Serra registra também os bonecões João Paulino e Maria Angu personagens do folclore do Vale do Paraíba. A tradição deu-se início quando o artista Vazinho trouxe a ideia de São Luiz do Paraitinga. Os primeiros bonecos desfilaram na Festa do Divino em 1920, conforme registros da época, e depois continuou até os dias de hoje, trazendo alegria e sendo uma das marcas registradas do folclore nativense.

Fazem ainda parte do folclore nativense a Folia de Reis, a Dança de Moçambique, o Pau de Sebo e a Dança da Fita. Com a inundação da antiga cidade pela represa, muitas das tradições também se foram. Mas Natividade conserva ainda manifestações folclóricas e festas religiosas, em especial, na região da serra, nos Bairros Alto, Pouso Alto, e Vargem Grande.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. http://www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/perfil/natividade-da-serra_sp
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Natividade da Serra