Cunha (São Paulo)

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Município da Estância Climática de Cunha
Igrejacunha.JPG

Bandeira da Estância Climática de Cunha
Brasão da Estância Climática de Cunha
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 20 de abril de 1858 (156 anos)
Gentílico cunhense
Lema Cunha Muralha da Paz
Prefeito(a) Osmar Felipe Junior (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização da Estância Climática de Cunha
Localização da Estância Climática de Cunha em São Paulo
Cunha está localizado em: Brasil
Cunha
Localização da Estância Climática de Cunha no Brasil
23° 04' 26" S 44° 57' 36" O23° 04' 26" S 44° 57' 36" O
Unidade federativa  São Paulo
Mesorregião Vale do Paraíba Paulista IBGE/2008[1]
Microrregião Paraibuna/Paraitinga IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Lorena, Silveiras (N), Areias (NE), São José do Barreiro (NE), Paraty, Angra dos Reis (L e SE), Ubatuba (S), São Luís do Paraitinga (SO), Lagoinha (O) e Guaratinguetá (NO).[2]
Distância até a capital 225 km[3]
Características geográficas
Área 1 407,172 km² [4]
População 21 874 hab. Censo IBGE/2010[5]
Densidade 15,54 hab./km²
Altitude 950 m
Clima tropical de altitude Cwa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,733 alto PNUD/2000[6]
PIB R$ 112 222,380 mil IBGE/2008[7]
PIB per capita R$ 4 736,32 IBGE/2008[7]
Página oficial

Cunha é um município no leste do estado de São Paulo. A população em 2010 era de 23.874 habitantes e a área é de 1.407,172 km², o que resulta numa densidade demográfica de 15,54 hab/km². É a maior produtora de pinhão do estado de São Paulo. O município de Cunha também concentra a maior frota de fusca do Brasil.[8]

Estância climática[editar | editar código-fonte]

Cunha é um dos 12 municípios paulistas considerados estâncias climáticas pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de Estância Climática, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.

História[editar | editar código-fonte]

O povoamento da zona ocorreu na primeira metade do século XVIII, sendo o município criado em 03 de setembro de 1785 pelo então governador da Capitania de São Paulo, Francisco da Cunha e Meneses com o nome de Nossa Senhora da Conceição de Cunha, em homenagem ao político. O nome anterior do povoado era Falcão devido a relação com a Familia Galvão de França. Sir Gawain ou Cavaleiro Verde ( Em português, Galvão ou Falcão de Maio teve seus ancestrais percorrendo a Europa e por ultimo em Portugal ( D.Pedro Galvão) da genealogia de Frei Galvão, no povoamento de Guaratinguetá.

Gawain ( Falcão de Maio) é conhecido por diferentes nomes e variantes em diferentes idiomas. O caráter corresponde ao Welsh Gwalchmei ap Gwyar , e é conhecido em latim como Walwen , Gualguanus , Waluanus , etc .; em francês como Gauvain ; e em Inglês como Gawain e em Português; Galvão. O elemento Gwalch significa falcão e, tendo sido sugerido que ele se refere ao mês de Maio ( Mai em Modern galês), tornando "Falcão de maio", embora erudito Rachel Bromwich considera essa hipótese improvável. Kenneth Jackson sugeriu o nome evoluiu de um início Brittonic Common nome * Ualcos Magesos , que significa "falcão da Planície".

Foi elevada a município em 1858 com a emancipação de Guaratinguetá já com a denominação atual. Vale a pena visitar o Museu Francisco Veloso, localizado na Praça Cônego Siqueira, com um grande acervo de peças antigas, principalmente da Revolução de 1932. O prédio abriga ainda a Biblioteca Municipal.

A emancipação político-administrativa é comemorada em 20 de abril, sendo outros feriados 8 de dezembro, padroeira do município e 19 de março, dia de São José, outro fato interessante é a queima do judas e a cavalaria de São Benedito, realizada na segunda-feira após a Páscoa.

Vitivinicultura cunhense[editar | editar código-fonte]

Cunha já esteve no auge com a produção de vinho, introduzida no município por Antônio de Serpa Junior (chegou em Cunha para tratamento de saúde, escolhida esta pelo excelente clima que possui), ganhando medalha de prata na exposição Sul-americana realizada em Berlim no ano de 1887. Hoje a família Veloso vem trabalhando no resgate da vinicultura cunhense, já produzindo seus vinhos de mesa, sendo utilizada as uvas Isabela e Moscatel.

Tombamento[editar | editar código-fonte]

Há vários motivos para a ação de preservação do patrimônio cunhense acumulado do ponto de vista histórico, artístico, cultural e paisagístico. Basta lembrar que há referências históricas da existência de uma povoação primitiva, nos inícios do século XVII; depois, no século XVIII, há evidências mais fortes e documentadas de um povoado que inicia a sua consolidação em 1724, principalmente, por se ter agregado à rota de escoamento de parte do ouro extraído nas Minas Gerais; quase concomitantemente, desempenhou o papel de centro de abastecimento de algumas áreas mais próximas do Vale do Paraíba, fatos esses reconhecidos pela literatura histórico-científica, e já bastante conhecidos e divulgados. Sabe-se, também, que essas atividades geraram rendas e, consequentemente, aglutinaram-se pessoas ao seu redor. Desses primórdios remontam dois edifícios da maior importância histórica para a depois Vila de Nossa Senhora da Conceição do Facão: a Igreja Matriz, consagrada à Nossa Senhora Conceição (1731) e da mesma época a Igreja, depois denominada Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (1793), que servia de local de culto para os escravos e brancos pobres; por sua vez, outros exemplos vêm reforçar a riqueza do patrimônio histórico, artístico e arquitetônico da Cidade. Através dos professores João José de Oliveira Veloso e José Eduardo Marques Mauro foi criado o COMPHACC (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Cunha)em 2008. Este Conselho, sob a presidência do professor José Eduardo, foi responsável pelo tombamento dos imóveis urbanos abaixo, conforme Decreto Municipal nº. 014/2008 (Rerratificado pelo Decreto Municipal nº. 046/2009):

I - GP1 - Proteção integral das fachadas, volumetria e interior da edificação
  • A - Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (Praça Cônego Siqueira s/n)
  • B - Igreja do Rosário (Praça do Rosário s/n)
  • C - Escola Estadual Dr. Casemiro da Rocha (Rua Dr. Casemiro da Rocha, 205)
  • D - Mercado Municipal (Rua Dom Lino, 118)
  • E - Sobrado à Praça Coronel João Olímpio, 52 (Antiga Câmara Municipal e Prefeitura)
II - GP2 - Proteção das fachadas e volumetria da edificação
  • A - Rua Dom Lino, 49, 53, 93, 101.
  • B - Praça Cônego Siqueira, 1, 46, 58, 91, 97, 117.
  • C - Travessa Paulo Virgínio, 10.
  • D - Rua Comendador João Vaz, 43.
  • E - Praça Coronel João Olímpio, 05, 09, 17, 27, 65, 91.
  • F - Rua João Manoel Rodrigues, 17 e 51
  • G - Rua Major Santana, 53 e 147.
  • H - Rua Dr. Casemiro da Rocha, 43.
  • I - Rua Coronel Macedo, 71.

O COMPHACC é presidido pelo arquiteto e urbanista Ricardo Bandeira de Mello Laterza.

Revolução de 1932[editar | editar código-fonte]

Monumento em homenagem ao mártir paulista Paulo Virgínio, entrada de Cunha pela divisa com Paraty.

Em 1932, tornou-se palco de batalha na Revolução Constitucionalista, quando um batalhão da marinha do Rio de Janeiro composto de 400 praças subiu a Serra do Mar com a intenção de chegar a capital pelo Vale do Paraíba. Os combates no município duraram três meses e nesse período a cidade, principalmente na zona rural, foi bastante arrasada: fazendas destruídas; casas e lavouras incendiadas; criações de animais saqueadas; bombardeios e pessoas inocentes sendo mortas pelas tropas. O centro da cidade tornou uma praça de guerra, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição foi bastante alvejada.

Durante este confronto, a cidade de Cunha conheceu seu herói e mártir, o lavrador Paulo Virgínio, que supostamente foi morto por não revelar a posição das tropas paulistas. Em homenagem a esse ilustre cidadão, foi construído um monumento no alto da serra, onde termina o asfalto da rodovia Vice-Prefeito Salvador Pacetti, na entrada de Cunha por Paraty.

Cerâmica em Cunha[editar | editar código-fonte]

A cerâmica é uma atividade de crescente importância em Cunha. Ela existe desde que a região era ocupada pelos índios da etnia dos guaranis. Esta atividade foi continuada pelas paneleiras que produziam peças utilitárias com técnica rudimentar, queimadas em forno de barranco.

Em 1975 chegou a Cunha um grupo de artistas que se instalaram no antigo Matadouro Municipal que estava sem uso na época, o qual é cedido em regime de comodato pela Prefeitura Municipal de Cunha. O grupo era formado pelo casal japonês Toshiyuki e Mieko Ukeseki, o português Alberto Cidraes (remanescentes do Grupo Takê) e os irmãos oriundos de Minas Gerais, Vicente e Antônio Cordeiro. Esse grupo dará início à construção do primeiro forno noborigama em Cunha. O forno noborigama é uma técnica de cerâmica de alta temperatura trazida do Japão. O grupo constrói o forno noborigama, dando início assim, ao Atelier do Antigo Matadouro. A primeira abertura de fornada acontece em 1976. Esse forno funciona até 1978 como forno grupal.

No final da década de 1980 a cerâmica desenvolvida em Cunha começa a se projetar no cenário nacional e os ceramistas a produzir de forma mais sistematizada. São realizadas aberturas de fornadas ao público e ceramistas paulistanos começam a chegar na cidade para montar os seus ateliês. Essa nova configuração organizacional da atividade cerâmica proporcionará o incremento do fluxo de turistas na cidade e fomentará a realização dos festivais de inverno, que se engendrariam posteriormente.

Em 2005 foi comemorado os 30 anos da construção do primeiro forno Noborigama em Cunha e foi realizado o I Festival de Cerâmica de Cunha (16 de julho a 11 de setembro de 2005) e todo ano é comemorado o Festival para que os turistas possam apreciar os diferentes ateliês. O forno Noborigama, forno ascendente em japonês, foi o mais eficiente para alta temperatura na era pré-industrial. Uma sucessão de câmaras interligadas em patamares, garante um controle localizado da temperatura e uma economia de combustível, pelo aproveitamento do calor usado na câmara anterior. Permite a queima simultânea de grande quantidade de peças com variações que a naturalidade do fogo de lenha imprime.[9]

Em 9 de janeiro de 2009 foi criado pelos ceramistas locais e outros agentes culturais, o Instituto Cultural da Cerâmica de Cunha (ICCC)[10] que visa ser a organização institucional do polo de cerâmica artística do município. Os principais objetivos do ICCC são: promover o crescimento e a difusão da atividade cerâmica, promover ações educativas e culturais para a população local, construir uma escola, museu e centro cultural.

Atualmente, Cunha é um dos mais importantes centros de cerâmica artística da América Latina, com 17 ateliês agrupados na Cunhacerâmica, associação dos ceramistas de Cunha. Os ateliês de cerâmica são uma das principais atrações do turismo cultural de Cunha, recebendo inúmeros visitantes.

Catástrofe de 2010[editar | editar código-fonte]

As fortes chuvas ocorridas no final do mês Dezembro de 2009, na Microrregião da Paraibuna e Paraitinga, elevaram o nível dos rios causando enchentes, quedas de barreira e de pontes e trouxe prejuízos aos moradores de Cunha. As chuvas persistiram até a virada do ano.

Diversas estradas, entre elas a SP-171, tiveram quedas de barreira e pontes estouradas pela força da correnteza das enchentes, isso impossibilitou o tráfego entre Cunha e as cidades vizinhas. Todos os acessos rodoviários à Cunha foram interditados, deixando o município totalmente isolado por vias terrestres. A energia elétrica foi cortada em diversas áreas por motivos de segurança.

Logo no primeiro dia do ano de 2010, um grave acidente ocorrido na Barra do Bié, bairro rural ao sul da cidade, houve um desmoronamento de terra que soterrou uma casa com sete pessoas. O acidente matou seis pessoas e deixou uma sobrevivente.

Após o cessar da chuva, o município havia cerca de 600 desbarrancamentos e 300 pontes destruídas. Desvios e pontes provisórias foram feitas nas estradas para emergência, saída de turistas e entrada de equipes de apoio.

Na terça-feira, 5 de janeiro, o prefeito Osmar Felipe Júnior decretou estado de calamidade pública ao município. Foram afetadas aproximadamente 12 mil pessoas, cerca de 95 tiveram de sair de suas moradias.

Os bairros Jericó, Capivara, Barro Vermelho, Bananal, Três Pontes, Itambé, Sertão dos Marianos, Catioca, Catióquinha, Cachoeira dos Rodrigues, Sapezal e Fazenda Santana foram os mais afetados, com as fortes chuvas, tiveram suas estradas destruídas e permaneceram isolados e sem energia elétrica por dias.

De acordo com a Defesa Civil, cerca de 90 casas estão condenadas. É estimado ao município um prejuízo de 20 milhões de Reais.

A SP-171, principal estrada de Cunha já está com o acesso liberado, e foi totalmente remodelada e pavimentada em 2013. O trecho fluminense também se encontra em obras de remodelação para criação de uma Estrada-Parque.

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município de Cunha está inserido em uma área de planaltos (Bocaina, Paraitinga e Paraibuna) e serras (do Mar e Quebra-Cangalha), na região fisiográfica conhecida também como Mar de morros. A altitude varia muito em toda a extensão do município. As áreas mais baixas localizadas nas várzeas do Rio Paraitinga, na divisa com o município de Lagoinha, possuem uma altitude de 760 metros enquanto o ponto culminante, a Pedra da Macela, no alto da Serra do Mar, na divisa com o estado do Rio de Janeiro, possui uma altitude de 1.840 metros. A sede do município está a cerca de 950 metros de altitude e a Vila de Campos de Cunha está a cerca de 1.010 metros de altitude.

O município possui 3.229 propriedades agrícolas cadastradas.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados do Censo - 2000

População total: 23.090

  • Urbana: 11.134
  • Rural: 11.956
  • Homens: 12.974
  • Mulheres: 10.116

Densidade demográfica (hab./km²): 16,41

Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 14,99

Expectativa de vida (anos): 71,69

Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 2,41

Taxa de alfabetização: 85,85%

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,733

  • IDH-M Renda: 0,611
  • IDH-M Longevidade: 0,778
  • IDH-M Educação: 0,810

(Fonte: IPEADATA)

Bairros[editar | editar código-fonte]

  • Abóboras
  • Águas de Santa Rosa
  • Alto do Cruzeiro
  • Alto do Jovino
  • Aparição
  • Areão
  • Bananal
  • Barra do Bié
  • Barra do João Alves
  • Barra do Chico do Láu
  • Barra do Cedro
  • Barro Vermelho
  • Bexiga
  • Boa Vista
  • Bocaina de São Roque
  • Bocaininha
  • Borda do Campo
  • Cachoeira dos Rodrigues
  • Cachoeirinha
  • Cajuru
  • Cambucá
  • Camundá
  • Campo Alegre
  • Campos Novos
  • Canjerana
  • Capetinga
  • Capivara
  • Carneiros
  • Catioca
  • Catioquinha
  • Cedro
  • Cume
  • Desterro
  • Divino Mestre
  • Encontro
  • Encruzilhada
  • Engenho
  • Facão
  • Ferraz
  • Gândara
  • Guabirola
  • Guaricanga
  • Guaranjanga
  • Indaiá
  • Ingá
  • Itacuruçá
  • Itambé
  • Jacuí
  • Jardim
  • Jericó
  • Largo do Rosário
  • Limoeiro
  • Macuco
  • Mato Escuro
  • Mato Limpo
  • Milho Branco
  • Monjolo
  • Morro Grande
  • Paia Grande
  • Palmeiras
  • Palmital
  • Paraibuna
  • Paraitinga
  • Pedra Branca
  • Pedra da Macela
  • Pinhal
  • Pinheirinho
  • Rio Abaixo
  • Rio Manso
  • Rio Sertão
  • Rocinha
  • Roça Grande
  • Rodeio
  • São José da Boa Vista
  • Samambaia
  • Santana
  • Sapezal
  • Sertão dos Marianos
  • Sítio
  • Taboão
  • Tamancas
  • Três Pontes
  • Vidro
  • Vila Mauá
  • Vargem Grande
  • Várzea da Cachoeira
  • Várzea da Santa Cruz
  • Várzea do Tanque
  • Várzea Gouveia
  • Vila Rica

Clima[editar | editar código-fonte]

Características gerais[editar | editar código-fonte]

O município de Cunha, geomorfologicamente, está inserido dentro dos planaltos e serras do sudeste, uma região marcada pelo clima Tropical de Altitude,[11] uma das variáveis climáticas dentro do Domínio Tropical, que determina uma condição especial de clima para altitudes superiores à cota de 1.000m. As temperaturas anuais caem para menos de 18 °C e a pluviosidade se acentua, sobretudo nas regiões próximas ao litoral atlântico, em posição de barlavento. A dinâmica atmosférica da região é basicamente controlada pela célula de Alta Pressão Subtropical do Atlântico Sul, onde se configura a Massa Tropical Marítima, sendo, também, afetada ocasionalmente pela Massa Tropical Continental, originária da Baixa Pressão do Chaco/Pantanal, além dos efeitos desestabilizadores desencadeados pelos avanços da Frente Polar e oscilações da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

Sendo Cunha de clima tropical, podemos identificar durante o ano duas estações bem definidas e distintas entre si. No inverno, é intensa a ação de anticiclones móveis, associada à dinâmica da Frente Polar, especialmente quando reforçada pelo ar polar do Pacífico, de trajetória continental, portanto, menos úmido e mais estável. Também há o deslocamento para o continente do Anticiclone Subtropical que reduz a nebulosidade e as precipitações. A altitude elevada, a baixa temperatura (abaixo de 0 °C em alguns lugares) e os intensos ventos gelados possibilitam ocorrer no município, principalmente nas áreas mais planas, as geadas. Embora seja um fenômeno admirado pelos turistas, a geada traz prejuízos à economia cunhense, uma vez que danifica as pastagens utilizadas para pecuária leiteira e de corte. O inverno é frio e seco, sendo comum estiagem de até mais de um mês.

No verão, a ativa evaporação sobre os oceanos transfere enorme volume de vapor de d'água para atmosfera, instabilizando-a e provocando precipitação em toda região e no município de Cunha. Outro fenômeno climático que ocorre em Cunha é chamado (vulgarmente) pelos moradores locais de chuva da serra, precipitação tênue e constante que dura em média de 3 a 4 dias. Em dias quentes é comum ocorrer também, a partir das 14 horas, a chamada fumaça da serra, uma forma de neblina espessa que cobre toda a área de abrangência da Serra do Mar em Cunha, não chega a ser uma chuva, mas a precipitação de partículas de água (orvalho) mantém úmida toda a região onde ocorre. Esse fenômeno é intercalado de fortes e gélidos ventos no sentido sul – norte.

Ambos fenômenos (chuva da serra e fumaça da serra) resultam de umidade de origem marítima que é parcialmente bloqueada pelo relevo (orografia) ocasionando excepcional acréscimo de chuvas nas áreas serranas, principalmente nas imediações do Parque Nacional da Serra da Bocaina e no Parque Estadual da Serra do Mar/Núcleo Cunha - Indaiá. Durante os ciclones de verão (ao contrário das chuvas de inverno), há a ocorrência de raios, granizos e rajadas de vento. Inundações ocorrem em pontos isolados, e as vezes, dificulta e impede a circulação em áreas rurais. As fortes chuvas também são as grandes responsáveis por fenômenos erosivos e movimentos de massa que ocorrem em todo o município, seja na área rural ou urbana.

Normal climatológica[editar | editar código-fonte]

Em 1960, a Organização Mundial de Meteorologia (OMM) definiu o clima como sendo o estado médio da atmosfera caracterizado pela temperatura, umidade, vento, chuva, pressão, radiação solar etc, em um período de no mínimo trinta anos de observação. Este período é chamado de normal climatológica. Designa-se por normal climatológica de um elemento climático em determinado local o valor médio correspondente a um número de anos suficiente para se poder admitir que ele representa o valor predominante daquele elemento no local considerado. A OMM fixou para este fim 30 anos começando no primeiro ano de cada década (1901-30, …, 1931-1960, 1941-1970, …, 1961-1990, 1971-2000). Os apuramentos estatísticos referentes a estes intervalos são geralmente designados por normais climatológicas (sendo, nomeadamente as normais de 1931-1960 e 1961-1990 consideradas as normais de referência). Assim, sempre que afirmamos que determinado dia, mês, estação ou ano foi seco temos que comparar com a média climatológica do local. Em Cunha, o período analisado foi de 1941-1970 e a análise foi feita pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE/SP). Para as localidades com dados do DAEE, a temperatura média mensal foi estimada a partir do método das coordenadas geográficas, com os coeficientes determinados para o Estado de São Paulo por PEDRO JR. et al. (1991).[12] A temperatura histórica de Cunha é a seguinte:

Gráfico climático para Cunha
J F M A M J J A S O N D
 
 
265
 
25
17
 
 
253
 
25
17
 
 
240
 
25
17
 
 
160
 
23
15
 
 
100
 
21
12
 
 
64
 
20
10
 
 
68
 
19
9
 
 
76
 
20
10
 
 
101
 
21
13
 
 
192
 
22
14
 
 
223
 
23
15
 
 
278
 
24
16
Temperaturas em °CPrecipitações em mm
Fonte: Tempo Agora

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Rios[editar | editar código-fonte]

  • Rio Jacuí
  • Rio Paraibuna [ao lado]
  • Rio Paraitinga
  • Rio da Barra
  • Rio Bonito
  • Rio do Cedro
  • Rio da Guabiroba
  • Rio do Encontro
  • Rio Indaiá
  • Rio Jacuí Mirim
  • Rio Jacuízinho
  • Rio Mirim
  • Rio do Peixe
Cachoeira do Paraibuna

Cachoeiras[editar | editar código-fonte]

  • Cachoeira da Barra
  • Cachoeira do Barracão
  • Cachoeira do Desterro
  • Cachoeira do Jericó
  • Cachoeira do Mato Limpo
  • Cachoeira do Pimenta
  • Cachoeira do Paraibuna [ao lado]
  • Cachoeira do Paraitinga
  • Cachoeira do Ribeirão
  • Cachoeira do Bangú

Relevo[editar | editar código-fonte]

  • Pedra da Macela
  • Serra do Quebra Cangalha
  • Serra do Indaiá
  • Serra do Mar
  • Serra da Bocaína

Áreas de Preservação[editar | editar código-fonte]

Rodovias[editar | editar código-fonte]

Transporte[editar | editar código-fonte]

O município possui uma linha intermunicipal entre as rodoviárias de Cunha e Guaratinguetá, a companhia responsável pelo trajeto, de cerca de uma hora de viagem, é a Viação São José.

Existem outras linhas municipais sob concessão da prefeitura municipal, as quais operam com horários e dias determinados.

Parque Estadual da Serra do Mar[editar | editar código-fonte]

Em Cunha está um pedaço da Mata Atlântica ainda intacta, que hoje é preservada e protegida pelo estado de São Paulo. A área é guardada pelo Parque Estadual da Serra do Mar, representado aqui pelos Núcleos Cunha-Indaiá e Santa Virgínia.

Núcleo Cunha-Indaiá[editar | editar código-fonte]

O Núcleo Cunha-Indaiá possui uma área de 14 mil hectares, 10 mil estão em Cunha, os outros 4 mil em Ubatuba. A reserva ambiental guardas grande parte da fauna e flora tipicamente paulista e grandes representantes da Mata Atlântica como a onça-pintada e a anta, árvores como o pinheiro-brasileiro, podem ser encontrados no Núcleo.


Núcleo Santa Virgínia[editar | editar código-fonte]

Um outro Núcleo do Parque Estadual da Serra do Mar se encontra dentro dos limites da cidade de Cunha, é o Núcleo Santa Virgínia. Em Cunha, o Núcleo Santa Virgínia há 1.581 hectares.

Religião[editar | editar código-fonte]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Desde sua fundação, o Catolicismo é proeminente no município, cuja zona urbana cresceu ao redor da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Por causa da extensão do município, a Igreja Católica tinha pouco contato com as comunidades rurais, que mantinham um catolicismo com características próprias,contribuindo para o surgimento de muitas festas populares de caráter religioso. A primeira igreja erigida em Cunha foi a Capela de Jesus, Maria e José, no bairro rural da Boa Vista, em 1724, dentro das terras do português Luiz da Silva Porto. A Igreja Matriz, consagrada à Nossa Senhora da Conceição, foi construída na década de 1720, sendo concluída em 1731, nas terras do povoador José Gomes de Gouveia[13] . A Capela de Nossa Senhora dos Remédios, localizada na Vila de Campos de Cunha foi concluída em 3 de junho de 1859, sendo erigida em terras doadas por Manoel Lopes D'Assunção[14] .

Cunha foi o segundo município do Vale do Paraíba onde o Protestantismo se estabeleceu, nos fins do século XIX. Em 1895, missionários metodistas oriundos da cidade de Taubaté, chegaram ao bairro rural da Mandinga (atual bairro do Jericó, o nome foi alterado pelos metodistas do local) e estabeleceram no bairro o primeiro ponto de pregação do Protestantismo. Em 1901 é fundada a Igreja Metodista do Jericó. Na década de 1920 praticamente todos os fazendeiros e demais população do bairro e redondezas já haviam aderido à fé metodista. Em 1928 é fundado o segundo templo metodista, no bairro do Cume. O Pentecostalismo instalou-se 1933 no Distrito de Campos de Cunha, por influência do pastor Afonso Serafim, ex-metodista, que aderiu à Igreja Evangélica Assembleia de Deus após ter contato com este grupo religioso em Paraty[15] . No início, o Protestantismo encontrou uma forte oposição para se estabelecer na zona urbana. Somente em 1953 os metodistas fundam seu templo na cidade de Cunha. Igrejas pentecostais, como a Congregação Cristã no Brasil, começam a se estabelecer no município nos anos posteriores.

Nos últimos anos, há um crescimento das denominações neopentecostais. No catolicismo, cresce a influência da Renovação Carismática, devido à proximidade com a comunidade "Canção Nova". Há também a proliferação no município, incipiente ainda, de comunidades religiosas alternativas.

Estatísticas[editar | editar código-fonte]

Porcentagem da população de Cunha por filiação religiosa (2010)[16] :

  • Católicos Romanos - 75,2%
  • Evangélicos - 21,4%
    • Igreja Metodista - 5,7%
    • Igreja Evangélica Assembleia de Deus - 5,5%
    • Congregação Cristã no Brasil - 0,8%
    • Igreja Adventista do Sétimo Dia - 0,7%
    • Igreja do Evangelho Quadrangular - 0,6%
    • Outras Igrejas Pentecostais/Neopentecostais - 8,1%
  • Sem religião/ Não sabe - 1,9%
  • Ateus - 0,7%
  • Testemunhas de Jeová - 0,5%
  • Agnósticos - 0,1%
  • Espíritas - 0,1%
  • Outras religiões (tradições esotéricas, mórmons, outros cristãos) - 0,1%

Curiosidades:[editar | editar código-fonte]

  • Dentro do contexto da religiosidade popular católica, existe em Cunha a figura de Maria Guedes (1882 - 1959), a Sá Mariinha das Três Pontes, curandeira e vidente. Durante sua vida realizou curas, benzimentos e receitava remédios homeopáticos. Após a sua morte, passou a ser venerada pela população cunhense como santa. A casa onde morou, no bairro rural das Três Pontes, bem como a capela adjacente é um local de romaria. Seu túmulo, no Cemitério Municipal de Cunha, é visitado no Dia de Finados por devotos de vários locais[17] .
  • A Igreja Metodista é a única denominação protestante histórica do município, embora haja fiéis de outras denominações históricas. Foi a primeira Igreja Evangélica a se instalar no município, ainda no Século XIX. Em 1901, foi inaugurada a Igreja Metodista do Jericó. No Brasil, Cunha é o município com a terceira maior proporção de metodistas em relação à população total,com 5,7% (a primeira é Armação de Búzios - RJ,com 10,75%; seguida por Itaocara - RJ, com 7,5%). Devido à intensa migração de cunhenses para outras cidades, metodistas de origem cunhense são encontrados na maioria das Igrejas Metodistas das cidades do Vale do Paraíba, Mogi das Cruzes, Suzano, etc.
  • A Igreja Católica Apostólica Romana tem na área rural do município uma maior porcentagem de fiéis que dentro do perímetro urbano, entretanto, há bairros rurais com a maioria da população evangélica, tais como: Jericó, Carneiros e Serra do Indaiá.
  • A Igreja Evangélica Assembleia de Deus se concentra principalmente no distrito de Campos de Cunha.
  • As maiores festas religiosas são católicas, com destaque para: Festa do Divino Espírito Santo, Semana Santa e a Festa da Padroeira Nossa Senhora da Conceição. Anualmente, os evangélicos de Cunha se reúnem na Cruzada Evangelística "Cunha para Cristo".

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (2010). Localidades e Densidades 2010 Mapas interativos do IBGE. Visitado em 19 de dezembro de 2012.
  3. Distâncias entre a cidade de São Paulo e todas as cidades do interior paulista. Visitado em 31 de janeiro de 2011.
  4. IBGE (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 de dezembro de 2010.
  5. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  6. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  7. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  8. Henrique Skujis (julho de 2006). A Cidade do Fusca Revista Quatro Rodas. Visitado em 24 de fevereiro de 2010.
  9. Alberto Cidraes. História do Noborigama em Cunha. Visitado em 23 de fevereiro de 2010.
  10. INSTITUTO CULTURAL DA CERÂMICA DE CUNHA. Visitado em 23 de fevereiro de 2010.
  11. CONTI, J. B.; FURLAN, S. A. Geoecologia – O clima, os solos e a biota. In: ROSS, J. L. S. (org.) Geografia do Brasil. 6. ed. São Paulo (SP): Editora da Universidade de São Paulo, 2009. p. 105-106.
  12. PEDRO JR., M.J.; MELLO, M.H.A.; ORTOLANI, A.A.; ALFONSI, R.R.; SENTELHAS, P.C. Estimativa das temperaturas médias mensais das máximas e das mínimas para o Estado de São Paulo. Campinas, Instituto Agronômico, 1991. 11p. (Boletim Técnico, 142).
  13. VELOSO, João J. de O. A História de Cunha (1600 - 2010): A Freguesia do Facão - A rota de exploração das minas e abastecimento de tropas. Cunha (SP): Centro de Cultura e Tradição de Cunha, 2010. p. 115.
  14. VELOSO, João J. de O. A História de Cunha (1600 - 2010): A Freguesia do Facão - A rota de exploração das minas e abastecimento de tropas. Cunha (SP): Centro de Cultura e Tradição de Cunha, 2010. p. 306.
  15. Pr. Tiago David (15 de abril de 2009). Um herói no anonimato Blog do Ministério Tiago David. Visitado em 19 de dezembro de 2012.
  16. IBGE (29/06/2012). Características gerais da população, religião e pessoas com deficiência Censo Demográfico 2010. Visitado em 19 de dezembro de 2012.
  17. MELLO, Adilson da S. (2003). Análise de uma Devoção: Repensando os Elementos Interpretativos Revista de Estudos da Religião - REVER. Visitado em 24 de dezembro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]