Armação dos Búzios

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Município de Armação dos Búzios
"A Saint-Tropez Brasileira"
Praia João Fernandinho

Praia João Fernandinho
Bandeira de Armação dos Búzios
Brasão de Armação dos Búzios
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 12 de novembro
Fundação 12 de novembro de 1995 (18 anos)
Gentílico buziano
Prefeito(a) Dr. André
(2013–2016)
Localização
Localização de Armação dos Búzios
Localização de Armação dos Búzios no Rio de Janeiro
Armação dos Búzios está localizado em: Brasil
Armação dos Búzios
Localização de Armação dos Búzios no Brasil
22° 44' 49" S 41° 52' 55" O22° 44' 49" S 41° 52' 55" O
Unidade federativa  Rio de Janeiro
Mesorregião Baixadas IBGE/2008[1]
Microrregião Lagos IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Cabo Frio
Distância até a capital 165 km
Características geográficas
Área 69,287 km² [2]
População 28 278 hab. Censo IBGE/2011[3]
Densidade 408,13 hab./km²
Altitude 5 m
Clima tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,728 (28º) – alto PNUD/2010 [4]
PIB R$ 1 471 343,898 mil (RJ:28º) – IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 53 115,19 IBGE/2008[5]
Página oficial
Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Armação dos Búzios
Casa do Sino, na Orla Bardot

Armação dos Búzios, ou apenas Búzios, como é popularmente conhecido, é um município da Microrregião dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Faz divisa a oeste com Cabo Frio, município do qual se tornou autônomo em 1995. Localiza-se a cerca de 173 quilômetros do centro da capital do estado.

É uma península com oito quilômetros de extensão e 23 praias, recebendo de um lado correntes marítimas do Equador e do outro correntes marítimas do polo sul, o que faz com que tenha praias tanto de águas mornas quanto de águas geladas. Entre as principais praias, destacam-se Geribá, Tucuns, João Fernandes, Ferradura, Ferradurinha, Armação, Manguinhos, Tartaruga, Ossos,Brava e Olho-de-Boi, esta última reservada para a prática do naturismo.

A exploração turística e a ocupação imobiliária do local tiveram início após a fama internacional dada a Búzios pela atriz francesa Brigitte Bardot, que a visitou em 1964. Hoje, a cidade é tão visitada por turistas do mundo inteiro que alguns a chamam de "a Saint-Tropez brasileira".[6]

Armação dos Búzios, com seus ventos fortes, é ideal para a prática de iatismo e voo livre. É uma cidade que abriga diversas culturas, com um grande número de estrangeiros. A temperatura média anual é de 24 °C e tem o índice pluviométrico mais baixo do estado de Rio de Janeiro: cerca de 750 milímetros anuais apenas.

História[editar | editar código-fonte]

Por volta do ano 1000, os habitantes índios da região atualmente ocupada pelo município foram expulsos para o interior do continente devido à chegada de povos tupis procedentes da Amazônia. No século XVI, quando chegaram os primeiros exploradores europeus à região, ela era ocupada por um desse povos tupis: os tupinambás, também chamados tamoios[7] . Estes praticavam a pesca, a caça e o cultivo de mandioca. Mantiveram estreitas relações com corsários e contrabandistas franceses, que frequentavam a localidade para comprar pau-brasil (Caesalpinia echinata), pimenta e outros produtos nativos.

A Praia de Caravelas ganhou este nome porque ali Américo Vespúcio teria aportado, em 1503. Os franceses contrabandeavam pau-brasil com ajuda dos tupinambás porque os franceses, ao contrário dos portugueses, não demonstravam ambição colonial, mas apenas o desejo de comerciar. Em 1555, Villegaignon veio fundar a França Antártica, que durou 20 anos, até os portugueses reunirem um exército que, em 1575, derrotou os franceses e massacrou 10 000 índios, dizimando os tupinambás. Em 1617, os portugueses, aliados aos índios goitacás, expulsaram definitivamente os franceses da península e exterminaram os tupinambás. Proibiram a pesca em todo o litoral, de Campos a Maricá, para que a região não pudesse se sustentar de forma independente. João Fernandes, que hoje dá nome a uma praia, em 1679 teria sido condenado a morrer no tronco, apenas pelo crime de pescar nas águas de Búzios.

Em meados do século XVII, a vila foi invadida por franceses e ingleses. Foi base de piratas, ponto de tráfico de pau-brasil e de desembarque de escravos africanos. Na Praia de Manguinhos, pode-se apreciar o cais de pedra feito pelos escravos. Mais tarde, os franceses foram expulsos pelos portugueses após sangrentas disputas que dizimaram significativamente a população indígena. No século XVII, ela era uma pequena vila de pescadores com cerca de vinte casas.

O litoral entre Campos e Maricá foi destinado à lavoura e criação de gado, e começou o desembarque de negros africanos para as fazendas. Em 1720, Brás de Pina montou, na península, uma armação de baleias que durou 50 anos. Quando um navio carregado de escravos escapou de um naufrágio, em 1743, esse negociante, atribuindo o milagre a santa Ana, mandou erguer uma capela na colina entre as praias da Armação e dos Ossos.

Com a proibição do tráfico de escravos em águas brasileiras, em 1850, o desembarque clandestino floresceu. José Gonçalves, o maior traficante da região, continuou a fazer fortuna nesse deplorável comércio humano, levando a marinha inglesa a desembarcar fuzileiros navais em Búzios. Após a abolição da escravatura, em 1888, os ex-escravos fundaram uma povoação na Rasa, onde já existia um poderoso quilombo.

No fim do século, durante a guerra dos corsos, o navio Vingadores, de bandeira corsa argentina, bombardeou a costa de Búzios, como mostra o óleo sobre tela no Museu Histórico Marítimo de Armação dos Búzios, situado na Rua das Pedras. No final do século XIX e início do século XX, Búzios começou a receber imigrantes portugueses que se uniram ao grupo de pescadores locais, ensinando-lhes novas técnicas de pesca. Nesse século, f.oi também criada a armação dos peixes de Búzios que consistia numa estrutura para capturar peixes, ocasionando então o nome do balneário: Armação dos Búzios.

Também se caçavam baleias para a extração de seu óleo, que era usado tanto para a iluminação da cidade de Rio de Janeiro quanto para exportação. Os ossos dos animais capturados eram enterrados na praia ao lado da Praia da Armação, dando origem ao nome de uma das mais famosas praias de Búzios, a Praia dos Ossos. Tempos depois, a área foi destinada para lavoura e criação de gado, sendo a pesca nesse trecho do litoral proibida. Terminada a proibição, a economia local permaneceu por longo período baseada na pesca e na agricultura em pequena escala até meados do século XX, quando surgiu uma nova atividade na região: o turismo.

Na década de 1930, Eugene Honold comprou terras por toda a península e começou a produzir e exportar bananas. Um incêndio destruiu toda a plantação e esse empresário alemão deixou a cidade. Nos anos 1950, seus herdeiros fundaram a Companhia Odeon e o lugar começou a desenvolver um turismo seletivo, preservando a antiga arquitetura. Em 1964, Brigitte Bardot refugiou-se em Búzios e a fama de lugar paradisíaco correu o mundo.

Alvorecer do turismo[editar | editar código-fonte]

A pacata aldeia de pescadores, aos poucos, foi se transformando num lugar de veraneio. No início, os turistas alugavam as casas dos pescadores. A origem do turismo em Búzios remete aos anos de 1940/1950, quando a cidade se resumia a um pequeno vilarejo de pescadores. Começou a ser apreciada por representantes das elites carioca e paulista, que fizeram surgir as primeiras casas, concentradas, até a década de 1960, nas praias de Manguinhos e do atual Centro (praias do Canto e Armação).

Esses visitantes recebiam em suas casas amigos ilustres, incluindo políticos e artistas, muitos deles estrangeiros. Com isso, a fama da cidade foi crescendo entre pessoas de classe alta de diversos países.

A silhueta topográfica de Búzios e suas praias paradisíacas, somadas à magia de seu astral, foram magnetizando seus visitantes, que voltavam a seus países contando da energia e dos encantos dessa península. No ano de 1973, a aldeia ainda se ligava a Cabo Frio por uma estreita estrada de terra, que nos tempos de chuva impedia a passagem de seu único ônibus diário. A fama de Búzios foi atraindo estrangeiros, particularmente argentinos e franceses, que se instalaram na cidade e foram abrindo diversos negócios.

No ano de 2012, Búzios foi eleita por uma revista de turismo da Europa como o melhor destino de sol e praia do mundo[8] .

Brigitte Bardot[editar | editar código-fonte]

Estátua em bronze de Brigitte Bardot, em Búzios

Foi assim que a localidade recebeu a mais cobiçada atriz de cinema da época: a francesa Brigitte Bardot, que, na ocasião, namorava Bob Zaguri, um marroquino que vivia no Brasil. Os dois se hospedaram na casa do russo André Mouriaev, então representante da Organização das Nações Unidas no Rio de Janeiro. Eles vieram passear e conhecer a cidade e admirar mais as belezas do Brasil. Depois retornou e passou o Natal hospedada na casa da família do consul argentino Ramon Avellaneda, na Rua das Pedras, onde hoje, 2013, ainda funciona a tradicional Pousada do Sol, ponto turístico da cidade.

Esse fato foi em 1964, sendo considerado um grande marco para a cidade. Naquele momento, toda a imprensa mundial direcionou a atenção para a isolada vila de pescadores, acompanhando todos os passos da atriz através de um informante lá instalado. O impacto foi tamanho que até hoje existem referências à celebridade em qualquer ponto da cidade, na divulgação turística e na vida local.

A invasão argentina[editar | editar código-fonte]

A cidade passou realmente a se desenvolver como cidade turística a partir da invasão argentina no fim dos anos 1970. Fugindo da crise econômica em seu país, muitos argentinos chegaram a Búzios com bastante dinheiro, compraram muitas propriedades e estabeleceram residências e negócios. Até hoje, uma fração significativa do comércio e da hotelaria está nas mãos de argentinos, que são também figuras comuns na cidade como turistas. Porém a crise na Argentina desde os anos 1990 passou a limitar o fluxo de turistas argentinos.

Os argentinos em geral têm acrescentado à cultura local suas artes, artesanato e criações diversas, que foram se integrando e, hoje, são copiadas e utilizadas pelo Brasil afora como hand-made in Brazil.

Hoje, a população é essencialmente brasileira durante a baixa estação, com aproximadamente quinze por cento de estrangeiros.

Acessos[editar | editar código-fonte]

Com a inauguração da Ponte Costa e Silva, em 1973, que atravessa a Baía da Guanabara, ligando as cidades do Rio de Janeiro e Niterói e o surgimento de facilidades de acesso e infraestrutura, como a construção da Estrada José Bento Ribeiro Dantas para o acesso à área da península, foi impulsionada ainda mais a procura por Búzios para veraneio e turismo.

Crescimento desordenado e invasões[editar | editar código-fonte]

Com o passar do tempo, grandes áreas foram compradas das famílias nativas, ou mesmo invadidas e, posteriormente, loteadas. Era baixo o preço da terra e não havia restrições e controle sobre o uso do solo e edificações. Paulatinamente, os moradores locais se deslocaram para regiões mais afastadas do núcleo original após embolsarem algum dinheiro com a venda de suas propriedades. A maioria dessas pessoas moram hoje em bairros mais afastados e fora da península como Tucuns, José Gonçalves e Rasa e Cem-Braças.

Ao mesmo tempo, imigrantes foram chegando para trabalhar no turismo (o que ocorre até hoje) e se estabeleceram nos bairros periféricos, na porção continental. O lugar foi crescendo rapidamente, assumindo um padrão urbano, porém sem a estrutura de suporte adequada. Hoje em dia o centro de Búzios é ocupado por comerciantes brasileiros e de vários outros países como França, Argentina, e Itália. Com uma culinária das mais saborosas do mundo[carece de fontes?].

Emancipação[editar | editar código-fonte]

Búzios foi crescendo rapidamente por advento do turismo, assumindo um padrão urbano, porém sem a estrutura de suporte adequada. O lugar era distrito de Cabo Frio e sempre teve tratamento secundário por parte dos antigos governos que, no entanto, beneficiavam-se da situação caótica da ocupação e da especulação imobiliária. A insatisfação promoveu grande movimentação em prol da emancipação, que ocorreu em 1995.

Búzios tem, desde então, passado por obras de infraestrutura constantes, visando a melhorias das condições de vida na cidade e dos aspectos visuais, direcionados para ampliação de sua atividade turística.

Baía da Praia do Forno

Geografia[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima da cidade é tropical, com dias quentes atenuados pelo vento constante procedente do Oceano Atlântico, mas não passando dos 33 graus centígrados. As noites são amenas, atenuadas por ventos frescos do oceano.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Título não preenchido, favor adicionar. Página visitada em 1 de julho de 2011.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 29 de Julho de 2013..
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. DER - RJ (asp). Der.jr.gov. Página visitada em 21 de março de 2010.
  7. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.
  8. Búzios é escolhido 'Melhor Destino de Sol e Praia' em feira internacional. portal G1 (13/3/2012). Página visitada em 20/09/2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]