Aiuruoca

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Município de Aiuruoca
"Aiuruoca"
Bandeira de Aiuruoca
Brasão de Aiuruoca
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 14 de agosto de 1834
Gentílico aiuruocano, aiuruoquense
Lema O paraíso dos ecoturistas
Prefeito(a) Joaquim Mateus de Sene (PSB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Aiuruoca
Localização de Aiuruoca em Minas Gerais
Aiuruoca está localizado em: Brasil
Aiuruoca
Localização de Aiuruoca no Brasil
21° 58' 33" S 44° 36' 10" O21° 58' 33" S 44° 36' 10" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Sul/Sudoeste de Minas IBGE/2008[1]
Microrregião Andrelândia IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Cruzília, Seritinga, Serranos, Carvalhos, Baependi e Alagoa
Distância até a capital 423 km
Características geográficas
Área 650,069 km² [2]
População 6 173 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 9,5 hab./km²
Altitude 989 m
Clima tropical de altitude Cwb
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,736 alto PNUD/2000[4]
PIB R$ 52 258,213 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 8 376,06 IBGE/2008[5]
Página oficial
Trecho inicial da rodovia AMG-1035 no município de Aiuruoca, próximo ao entroncamento com a BR-267,ao fundo o Pico do Papagaio

Aiuruoca é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Sua população é de 6 173 habitantes (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/2010).[3] Localiza-se no sul de Minas Gerais na Serra da Mantiqueira, a 989 m de altitude, ao pé do Pico do Papagaio, numa região de topografia bastante acidentada.

Seu nome deriva do Tupi e significa "casa de papagaio", através da junção das palavras aîuru ("papagaio") e oka ("casa")[6] .

História[editar | editar código-fonte]

Terra desbravada em 1692 pelo padre João de Faria Fialho, capelão dos bandeirantes, conforme descrição de Bento Pereira de Souza Coutinho em carta ao governador-geral do Brasil, D. João de Lancaster, datada de 29 de julho de 1694. Abaixo, um trecho da carta:

"De frente a Villa de Taubaté, dizia elle, quatro ou cinco dias de viagem se acha estar o Rio Sapucahi e descendo da direita da dicta villa para a de Guaratinguetá, tomando a estrada real do sertão 10 dias de jornada para a parte norte sobre o Monte de Amantiquira, quadrilheira do mesmo Sapucahi, achou o padre Vigário João de Faria, seu cunhado Antonio Gonçalves Viana, o Capitão Manoel de Borba e Pedro de Avos, vários ribeiros com pintas de ouro de muita conta: e das campinas da Amantiquira, cinco dias de jornada, correndo para o norte, estrada também geral do sertão, fica a serra da Boa Vista, d’onde começam os campos geraes até confinar com os da Bahia: e da Serra da Boa Vista até o Rio Grande são 15 dias de jornada cujas cabeceiras nascem na Serra Da Juruoca, defrente dos quaes serros até o Rio do Guanhanhães e em Monte de Ebitipoca tem 10 léguas pouco mais ou menos de circuito, toda essa planície com cascalho formado de safiras e de frente aos mesmos Serro da Juruoca para a parte da estrada caminho do oeste pouco mais ou menos esta distancias são muitos montes escalvados pelos campos e muitos rios..."

Complementando a narrativa, ainda temos do livro "Primeiros Descobridores das Minas do Ouro na Capitania de Minas Gerais" o seguinte:

"Assim se denominou um descobrimento, ao sul das minas de São João Del Rei, por alusão a um penedo cheio de orifícios, em que se aninhavam e se reproduziam os papagaios".

Trata-se inequivocamente do nosso símbolo maior, o Pico do papagaio, nosso guardião intemporal. Aí está, belíssimo relato sertanista, que retrata com detalhes a primeira vez que se teve noticia das terras de Aiuruoca, Aiuruoca de origem tupi, na sua melhor divisão histórica A – Juru – oka que se traduz Ajuru = Papagaio + Oka = Casa de Papagaio, tendo como seu descobridor o Padre João de Faria Fialho.

Vê-se, pelo exposto, que, antes da descoberta do Ribeirão do Carmo, hoje cidade de Mariana, em 1696, da cidade de Ouro Preto, em 1698, da criação da Capitania Independente de Minas, em 1720, da fundação da Cidade de Campanha, em 1727, o nome Aiuruoca ecoava como o voo do papagaio ajuru, pela história das minas do ouro.

Porém sua fundação oficial ocorreu em 1706 por João de Siqueira Afonso, taubateano, descobridor das Minas de Aiuruoca e fundador do arraial do mesmo nome, atraindo exploradores portugueses e paulistas. Logo fundado o arraial, recebeu em 1708, a patente de capitão-mor e superintendente das Minas de Aiuruoca e Ibitipoca o capitão Melchior Felix de reconhecida nobreza das principais famílias de Taubaté, sendo neto do fundador da mesma, e morador no distrito de Aiuruoca onde possuía roças e escravos.

Igreja Católica Matriz Aiuruoca

Elevou-se a paróquia em 1717, tendo, como seu primeiro vigário, o padre Manuel Rebelo até 1725. Suas extensões territoriais eram enormes, de cuja divisão posteriormente, foram criadas várias outras paróquias e capelas.

São elas:

  • Nossa Senhora do Bom Sucesso dos Serranos – 29 de julho de 1725.
  • Nossa Senhora do Rosário da Alagoa da Aiuruoca– 1730, confirmada em 1752.
  • São Miguel do Cajurú – antes de 1741.
  • Capela Sant’Ana da Guapiara – 1730, confirmada em 1752
  • Capela Nossa Senhora da Conceição do Varadouro – 24 de agosto de 1748.
  • Nossa Senhora da Conceição do Porto do turvo – 4 de janeiro de 1752.
  • Bom Jesus do Livramento – 11 de abril de 1772, confirmada em 1814.
  • São Vicente Ferrer – 1797, confirmada em 17 de fevereiro de 1814.
  • Nossa Senhora do Rosário da Bocaina – 1830.

Por Alvará Régio de 16 de fevereiro de 1724 foi criado o Distrito Judiciário de Aiuruoca, subordinado à Comarca do Rio das Mortes.

É importante assinalar que, em 1744, encontra-se, em Aiuruoca, o Tenente Coronel Simão da Cunha Gago um dos cabos da Bandeira de Fernão Dias Paes Leme, que aqui erigiu, como consta uma Capela dedicada a nossa Senhora. Simão da cunha Gago juntamente com vários aiuruocanos fazendo-se acompanhar, em sua comitiva, do Padre Felipe Teixeira Pinto levando consigo a imagem da Conceição, desceram a serra desbravando matas, atravessando campos e rios chegaram a um promontório, na margem esquerda do rio Paraíba, onde fincaram bandeira e fundaram a cidade de Rezende.

Em 1764, Aiuruoca foi visitada pelo governador Luiz Diogo e pelo doutor Cláudio Manuel da Costa, inconfidente mineiro então secretário do governo, na tentativa de conter os contrabandistas e os desvios do fisco real.

A Vila de Aiuruoca passou à categoria de cidade com seu território desmembrado de Baependi em 14 de agosto de 1834. Aiuruoca perteceu a Comarca de Baependi por um curto período, isto é, apenas vinte anos. Quando o ouro se esgotou, os moradores se dedicaram à criação de gado leiteiro e à agricultura. Tendo como pano de fundo a Serra dos Papagaios, onde se encontra a Estação Ecológica Serra dos Papagaios, é um município privilegiado pela beleza natural e sua história.

Na cultura aiuruocana, destacam-se o Museu Municipal Doutor Júlio Arantes Sanderson de Queiroz, as festas religiosas, destacando-se a Semana Santa de Aiuruoca celebrada desde 1717, tombada como patrimônio histórico municipal em novembro de 2010.

Futebol[editar | editar código-fonte]

No futebol, vale destaque para equipe do Aiuruoca Esporte Clube; equipe alvi-rubra, fundada nos anos 1920. Atualmente, disputa campeonatos amadores da região de Andrelândia, onde é filiada à liga local.

Geografia[editar | editar código-fonte]

  • Localização: Sul de Minas
  • Circuito Turístico: Montanhas Mágicas da Mantiqueira
  • Área do Município: 651,8 km²
  • Relevo: bastante movimentado, registra quarenta por cento de terrenos acidentados, 55 por cento de terrenos ondulados e apenas cinco por cento de terrenos planos. O município localiza-se numa área de transição entre o Planalto de Cruzília, ao norte e a região da Mantiqueira, ao sul. A região do Planalto de Cruzília caracteriza-se por colinas e vales de fundo plano e a região da Mantiqueira, por cristas e vertentes íngremes, com vales encaixados.[carece de fontes?]
  • Quadro Natural: Aiuruoca situa-se numa área de rochas ígneas ácidas, representadas por granitos de granulação fina e grosseira, localmente poríficas. Registram-se ocorrências de granada, titânio, calcário e fosfato.
  • Altitude média: gira em torno de 1000 metros. As encostas mais elevadas localizam-se no sul Morro da Mitra do Bispo (2.149 m) e ao sudoeste Pico do Bandeira (2.357 m). O Pico do Papagaio possui 2.100 metros de altitude e o Retiro dos Pedros, 2.200 metros. A cidade está a 989 metros.
  • Clima: corresponde, na classificação de Köppen, ao tipo "CWB" (Tropical de Altitude de Verões Suaves) e apresenta as seguintes temperaturas: do mês mais quente 32°C, do mês mais frio três graus centígrados e média anual de vinte graus centígrados.
  • Vegetação: A Floresta Tropical Subcaducifólia, vegetação primitiva predominante na região, encontra-se preservada apenas nas encostas, nos topos das serras e ao longo dos cursos d'água, formando galerias. Bosque de Araucárias, Mata Atlântica, Vegetação de Campo, Campos Rupestres ou de Altitude completam o quadro florístico do município.
  • Rede de drenagem: bem distribuída, faz parte da bacia do Rio Grande. O Rio Aiuruoca (cuja nascente é a mais alta do País, com 2 450 metros de altitude e localizada no Pico do Itatiaia) tem o curso no sentido sul-norte, banhando a sede municipal. Seus principais afluentes são os ribeirões do Tamanduá, da Água Preta e do Papagaio além do Córrego dos Nogueiras e o Córrego do Cangalha. O Rio Angaí, que percorre as áreas, central e norte do município, tem como tributários principais o Ribeirão das Posses e o Ribeirão do Maia.
  • Precipitação Média Anual: 2 100 milímetros por ano. O período mais chuvoso corresponde aos meses de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro, enquanto as menores precipitações ocorrem em abril, maio, junho e julho.
  • Densidade Demográfica: 9,95 hab/km²
  • Temperatura Média Anual: 19,1 graus centígrados
  • Localiza-se dentro dos limites da Área de Proteção Ambiental da Mantiqueira, Reserva da Biodiversidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência, a Cultura e Parque Estadual da Serra do Papagaio

Principais índices econômicos em 1999[editar | editar código-fonte]

  • Índice de Desenvolvimento Humano: 0,63
  • Produto Interno Bruto: 24 386 000 reais
  • Renda per capita - 3 787,813
  • Consumo Anual de Energia Elétrica: 4 996 380 quilowatts - Dados fornecidos pela Companhia Energética de Minas Gerais

Calendário de Festas/Eventos[editar | editar código-fonte]

  • Semana Santa - Celebrada desde 1717, sendo reconhecida como uma das mais tradicionais do Estado de Minas Gerais. Na semana Santa de Aiuruoca, pode-se ainda observar os antigos ritos da Igreja Católica, as procissões, os cortejos, a missas em latim e ouvir a genuína Música Barroca Mineira através da centenária Orquestra e Coral de Aiuruoca.
  • Agosto - Festa de Aniversário da Cidade nas Praças, ruas e clubes da cidade. Comemoração da Fundação e da Emancipação Política e Administrativa do Município.
  • Móvel - Carnaval antecipado criado em 1938, o primeiro carnaval antecipado de Aiuruoca - na praça da Matriz (principal). Acontece uma semana antes do carnaval oficial. Foi instituído devido a uma proibição de um padre (Monsenhor Nagel)[carece de fontes?]
  • 8 de dezembro - Festa da Padroeira N. Sra. da Conceição.
  • 6 de janeiro - Festa de Reis nas Zonas Rurais. Festa realizada por grupos folclóricos da zona rural. É uma comemoração ao nascimento do Menino Jesus.
  • Domingo - Forró na praça à noite onde o povo da cidade e turistas curtem um dançante forró para ser divertir e curtir o domingo.

Política[editar | editar código-fonte]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Aiuruoca integra o circuito turístico Terra Altas da Mantiqueira.[7] O acesso à sede do município é feito pela rodovia AMG-1035 a partir do entroncamento com a BR-267.[8]

  • Picos - são vários picos com altitudes que variam de 1 300 metros a 2 357 metros
  • Cachoeiras - são mais de 85 sendo que cerca de quarenta são visitadas constantemente e impressionam por sua beleza
  • Esportes de Aventura - rapel, canyoning, escalada, tirolesa, rapel guiado, off-road, mountain bike, mini-rafting, rafting, boia cross
  • Roteiros de Passeios - são inúmeros e atendem a todos os públicos.
  • Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição - datada de 1726, com antigos altares de madeira

Filhos ilustres[editar | editar código-fonte]

  • Isis Valverde, atriz brasileira. Filha de Sebastião Rubens Valverde (bioquímico) e Rosalba Nable Valverde (bacharel em direito)
Isis Valverde
  • Júlio Sanderson, médico que revolucionou a prática de medicina no Brasil. Deixou uma casa que hoje é museu. Autor de inúmeros livros, dentre eles: "Heróis de Curar", "A morte é Notícia - A cura é anônima" etc.
  • José Franklin de Massena e Silva, Aiuruoca, 1837 - Rio de Janeiro, 1877. Geólogo, Astrônomo e Matemático, formado em Roma, reconhecido primeiro alpinista do país (escalou o Itatiaia em 1860) cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa, membro do Instituto Histórico e Genealógico do Brasil.
  • Major Antônio Martiniano da Silva Bemfica, o músico. Compositor sacro de alta relevância para Minas Gerais, irmão de José Franklin de Massena e Silva, assim como ele, foi feito, pelo imperador Pedro II, cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa
  • Antônio Márcio de Siqueira, Prefeito de Aparecida (São Paulo)

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. a b Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. NAVARRO, E. A. Método Moderno de Tupi Antigo. Terceira edição. São Paulo: Global, 2005. p. 103
  7. Listagem dos Circuitos Turísticos pp. 31. Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais. Página visitada em 16 de abril de 2011.
  8. Rodovias estaduais de acesso. DER-MG. Página visitada em 2 de abril de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]