Ferros

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Município de Ferros
Vista parcial da cidade

Vista parcial da cidade
Bandeira de Ferros
Brasão de Ferros
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 23 de setembro
Fundação 23 de setembro de 1884
Gentílico ferrense
Lema Paz, Amor e Progresso
Prefeito(a) Carlos Castilho Lage (PPS)
(2013–2016)
Localização
Localização de Ferros
Localização de Ferros em Minas Gerais
Ferros está localizado em: Brasil
Ferros
Localização de Ferros no Brasil
19° 13' 58" S 43° 01' 20" O19° 13' 58" S 43° 01' 20" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte IBGE/2008[1]
Microrregião Itabira IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Joanésia, Antônio Dias, Coronel Fabriciano, Santa Maria de Itabira, Passabém, São Sebastião do Rio Preto, Carmésia, Senhora do Porto, Dores de Guanhães, Conceição do Mato Dentro.
Distância até a capital 174 km
Características geográficas
Área 1 090,221 km² [2]
População 10 837 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 9,94 hab./km²
Altitude 1260 m
Clima Quente e úmido com inverno seco e verão chuvoso.
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,679 médio PNUD/2000[4]
PIB R$ 61 882,867 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 5 327,84 IBGE/2008[5]
Página oficial

Ferros é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, sua localização global está situada a 19°13'58 sul e 43°01'20 oeste. Sua população, de acordo com o censo do IBGE de 2010, é de 10.725 habitantes. Está situada à aproximadamente 180 km da capital Belo Horizonte, no sentido centro-leste (saída para Vitória), seguindo pelo percurso: BR 381, MG 434-129, BR120 - AMG.

História[editar | editar código-fonte]

Ferros, antigo distrito criado em 1832/1891 com a denominação de Santana dos Ferros e subordinado ao município de Itabira, foi elevado à categoria de vila pela Lei provincial nº 3195 de 23 de setembro de 1884 e recebeu status de cidade em 1886. A partir de 1923 o município é conhecido como Ferros.[6] [7]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Vista do Pedrão
Vista do Pedrão
Vista da Igreja do Rosário


Ferros possui uma área de 1090 km², a contar pela sede e pelos seis distritos que possui. Sua altitude máxima é 1260 m na Serra dos Cocais e a altitude mínima é 595 m na Foz Córrego do Lava. O clima é quente e úmido com inverno seco e verão chuvoso. A temperatura média anual é de 20°C, com temperaturas mais elevadas entre os meses de agosto a março, sendo a máxima 30°C e a mínima 10°C. O período com maior incidência de chuvas é de outubro a março, com média anual de 1200 mm. O município tem muitas serras, ramificação da Cordilheira do Espinhaço: Santana, Rosário, Caçu, Ferreiros, Taquaral, Sapé, Cuité, Bolívia, Cocais, Cuminheiras e outras.

Segundo dados da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a temperatura mínima registrada em Ferros foi de 3,6°C, ocorrida no dia 17 de julho de 2000. Já a máxima foi de 36,2°C, observada dias 16 de novembro de 1985 e 24 de setembro de 1994. O maior acumulado de chuva registrado na cidade em 24 horas foi de 186,0 mm, em 20 de fevereiro de 1990.[8]

Relevo[editar | editar código-fonte]

Topografia[editar | editar código-fonte]

  • Plano: 5%
  • Ondulado: 15%
  • Montanhoso: 80%

Solo[editar | editar código-fonte]

O solo em geral é fértil, com o tipo predominante latossolo roxo, tendo a seguinte composição:

  • PH: 5,3
  • Matéria Orgânica: 1,86%
  • Fósforo: 4 ppm
  • Potássio: 113 ppm

Vegetação Predominante[editar | editar código-fonte]

O Município de Ferros apresenta 13,91% de sua superfície coberta por matas e florestas naturais, localizadas em encostas e topos de morros e 5,05% de área ocupada por reflorestamento e eucalipto.

  • Floresta estacional semi-descidual remanescente de Mata Atlântica;
  • Floresta de porte alto: baraúna, vinhático, garapa, jatobá, angico, etc, e árvores de médio porte.

Fauna[editar | editar código-fonte]

Capivara, onça, macaco, lobo guará, raposa, tatu, paca, veado, lontra.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

A rede fluvial do município é densa, rica de pequenos e médios cursos de água, favorecendo assim a maior divisão de propriedades.

O principal rio é o Santo Antônio, que corta a sede, e correndo para o leste, depois de um percurso de 283 km, vai despejar suas águas no Rio Doce. No município de Ferros, o rio Santo Antônio ainda recebe as águas do rio Tanque e rio do Peixe. Faz parte da bacia hidrográfica do rio Doce.

Recursos minerais[editar | editar código-fonte]

  • O ouro, no rio Santo Antônio que percorre o Município em grande extensão. Sua exploração é fiscalizada, sendo proibida devido aos danos ambientais causados.
  • Pedras preciosas e semi-preciosas são garimpadas artesanalmente em pequena escala, principalmente nos distritos de Esmeraldas de Ferros e Cubas.

Bairros e ruas[editar | editar código-fonte]

A cidade tem um arranjo urbano peculiar. Apresenta duas ruas principais, divididas pelo rio Santo Antônio. Segundo o historiador José Maria Quintão, em "Aquidabam, ponte e vau; caminhos de ontem na história de Ferros" (1985 [9] ), no início do povoamento, cada margem do rio era uma freguesia: a do Rosário e a de Santana, pertencente esta ao Morro do Pilar e a outra a Itabira. Quintão estabelece duas razões possíveis para a separação: a difícil comunicação, por falta de uma ponte; e a rivalidade política entre os habitantes. Apesar de as casas terem surgido na mesma época, as do lado do Rosário eram em maior número e mais bem acabadas e até suntuosas do que as de Santana. Atualmente, a comunicação entre uma margem e outra do rio é feita principalmente por duas pontes - uma ponte pênsil e uma ponte de concreto.

Distritos e distâncias da Sede[editar | editar código-fonte]

Economia[editar | editar código-fonte]

Ferros é um município essencialmente agropecuário, com predominância da bovinocultura de leite. Possui um plantel de 31.856 cabeças, apresentando uma produção anual de leite de 4.578 milhões de litros, sendo 85% comercializados fora do município e 15% utilizados no próprio município, consumo do leite e derivados.

Pode-se destacar o cultivo do milho e do feijão como principais produtos cultivados no município. Há, contudo, grande preocupação em incentivar o produtor rural, pois as dificuldades naturais - relevo acidentado, deficiência viária - e as difuculdades econômicas estão desestimulando a produção agrícola.

As pequenas indústrias existentes atendem basicamente ao mercado local, sendo a maioria situada na sede do município. Grande parte dos produtos é artesanal, utilizando-se mão-de-obra local. A cidade vive também de pequenos comércios.

Principais atividades agrícolas[editar | editar código-fonte]

  • Sede: Bovinocultura, milho e feijão.
  • Borba Gato: Bovinocultura, cana-de-açúcar, feijão e milho.
  • Cubas: Reflorestamento, milho e feijão.
  • Esmeraldas de Ferros: Reflorestamento, bovinocultura, milho e feijão.
  • Santa Rita: Bovinocultura, cana-de-açúcar, milho e feijão.
  • Santo Antônio: Bovinocultura, milho e feijão.
  • Sete Cachoeiras: Bovinocultura, milho e feijão.

Comercialização[editar | editar código-fonte]

A produção agrícola do município é comercializada, quase totalmente, no próprio município. Na sede funciona uma feira livre, semanal, onde há venda de hortifrutigranjeiros e produtos da indústria caseira, em geral provenientes da zona rural. É muito comum a venda de produtos entre os próprios moradores da zona rural.

Cultura[editar | editar código-fonte]

O município de Ferros possui um Centro Cultural em homenagem ao escritor ferrense Roberto Drummond. O Centro Cultural Roberto Drummond dispõe de um auditório com capacidade para 110 pessoas, biblioteca, uma sala de artesanato - onde ministram-se diversos cursos -, e uma cafeteria. O espaço oferece oficinas, debates e espetáculos de teatro, dança e música.

Em geral, Ferros destaca-se no sentido de valorizar sua origem, dando ênfase ao folclore local e também regional, em acontecimentos culturais anuais. A cidade possui banda de música e grupos folclóricos organizados que se apresentam em festas típicas do município e em municípios vizinhos:

  • Banda de Música:

Corporação Musical Municipal Padre Diniz

  • Marujadas:

Grupo Fazenda da Bolívia
Grupo Esmeraldas de Ferros
Grupo Córrego do Meio

  • Caboclos:

Grupo de Ferros
Grupo de Borba Gato
Grupo de Cubas

  • Boi Andá:

Grupo de Ferros (Participação popular)
Grupo de Santo Antônio da Fortaleza

  • Batuqueiras:

Grupo de Ferros

Festa do Rosário[editar | editar código-fonte]

A Festa do Rosário, mistura de religião e folclore, realizada na Sede do Município, em outubro, geralmente coincidindo com o feriado de Nossa Senhora Aparecida, dia 12, atrai grande número de pessoas que têm várias opções de Lazer, além dos atrativos religiosos. A representação folclórica do Reinado, apresentação de grupos de marujeiros, batuqueiras, boi andá, e outros, fazem da Festa do Rosário de Ferros importante atrativo turístico para o município e uma grande oportunidade para rever os parentes e amigos.

Todos os distritos, com exceção de Borba Gato, realizam Festas do Rosário em datas variadas durante o ano.

Borba Gato concentra suas festividades na Festa do Divino e Festa de São Sebastião, que ocorrem em janeiro e julho, respectivamente.

Festa de Santana[editar | editar código-fonte]

A Festa de Santana é comemorada anualmente no dia 26 de julho, dia da Padroeira, e compõe-se de uma parte religiosa, com novenas, missas solenes, procissões e uma parte com apresentações de grupos folclóricos e Banda de Música. Trata-se de uma festa tradicional em homenagem à Padroreira do Município de Ferros. Diz uma lenda que a imagem da Santa foi pescada casualmente no fundo das águas, por um garimpeiro que mergulhou a sua bateia nas águas do rio Santo Antônio, trazendo-a à tona. Recolhida a imagem, Santana foi tomada como Padroeira de Ferros. A Festa de Santana acontece nas ruas do município e na Igreja Matriz de Santana.

Cavalgada[editar | editar código-fonte]

A Cavalgada de Ferros é realizada em data móvel, próximo à data de comemoração do aniversário do município - 23 de setembro - no Parque de Exposições Agropecuárias Dr. Ademar Gonçalves Moreira. A festa é constituída por várias atrações como: espetáculos pirotécnicos, rodeios, provas funcionais, shows musicais, concurso de montaria e desfile de cavalos de várias raças.

Festa do Peão[editar | editar código-fonte]

A Festa do Peão Boiadeiro é realizada anualmente em data móvel, próximo ao dia 1º de maio, em homenagem aos trabalhadores, no Parque de Exposições Agropecuárias Dr. Ademar Gonçalves Moreira. Sua origem está vinculada à necessidade de valorização e divulgação dos animais do município de Ferros e região.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Pontos turísticos:

  • Pedrão:

Uma grande rocha na serra da cidade que se assemelha ao rosto de Jesus Cristo em perfil faz um dos mais bonitos cartões postais da cidade. De lá, é possível ver praticamente toda a cidade. Até o topo do Pedrão, gasta-se em média 30 minutos de caminhada, e os turistas geralmente aproveitam a paisagem para fazer piquenique.

  • Cruzeiro:

É no final da Rua José Cirilo Nicácio que se encontra uma grande cruz de madeira, contornada por lâmpadas. Como a rua é uma ladeira, e à noite as luzes se acendem, do centro da cidade vê-se um lindo cartão postal.

  • Praia do "Zé Virgílio":

Próxima à residência do ex-prefeito José Virgílio, à rua José Caetano de Souza, encontra-se uma bela praia, uma das preferidas pelos turistas, principalmente durante os eventos anuais do município.

  • Praia das Palmeiras:

Em um local onde a paisagem se enfeita por palmeiras está uma praia, no final do Bairro Sentinela. Porém, recomenda-se cuidado ao banhar-se no rio, devido a quantidade de pedras e "tombos de areia" no local.

  • Fazenda do Quartel:

Uma das primeiras fazendas do município, que se encontra ao lado oposto da Sentinela. A fazenda, de propriedade de Maria Inês, encontra-se no final do Bairro Santa Rita de Cássia.

Ferros na Literatura e na Televisão[editar | editar código-fonte]

Hilda Furacão[editar | editar código-fonte]

A cidade foi homenageada pelo escritor ferrense Roberto Drummond em sua mais famosa obra, Hilda Furacão. No romance, a referência foi feita por meio do primeiro nome da cidade: Santana dos Ferros. A obra narra o cotidiano dos ferrenses nas décadas de 1950-1970, utilizando personagens reais e criando outros. Vários fatos verdadeiros foram narrados, dentre eles:

  • Derrubada da antiga igreja e construção da igreja atual: A primeira igreja do município, em estilo barroco, que surgiu a partir da devoção a Santana, permaneceu até o início da década de 1960, quando se decidiu, por meio de um plebiscito - "Vote Verde" para aqueles que desejavam a nova igreja, e "Vote Vermelho" para quem era conservador, e queria somente uma reforma -, a construção de uma moderna igreja de acordo com os ideiais arquitetônicos da época. Foram 3.550 votos a favor de uma nova matriz e 68 contra[10] .
  • Painel "A Árvore da Vida": A nova igreja possui o mais importante trabalho da artista plástica Yara Tupynambá, e o primeiro dela feito para igrejas, A árvore da vida, que foi assunto da mídia nacional e internacional, por retratar Adão nu e Eva seminua. A polêmica partiu das beatas, que, curiosamente, em forma de protesto, passaram a entrar na igreja de costas.

Alguns personagens retratados:

  • Padre Nelson
  • Roberto Drummond
  • Tia Ciana
  • Tia Çãozinha
  • Delegado Procópio
  • Zé Viana

A Rede Globo que adaptou a obra para minissérie e a exibiu em 1998, mostrou interesse em realizar as gravações na cidade de Ferros, porém alegou problemas na infraestrutura: a cidade havia se descaracterizado em relação à época abordada. A cidade de Tiradentes, foi, portanto, escolhida para ambientar Santana dos Ferros. Contudo, a adaptação descaracterizou a moderna igreja e o painel "A Árvore da Vida".

Programa do Jô[editar | editar código-fonte]

Em 26 de dezembro de 2007, a cidade foi tema de uma reportagem para o Programa do Jô, da Rede Globo, no quadro Cidades Brasileiras com Nomes Exóticos. A reportagem, que utilizou do humor para apresentar a cidade, mostrou a Igreja Matriz de Santana, as pontes, e conversou com alguns ferrenses.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 de dezembro de 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  6. IBGE - cidades@ - Histórico - FERROS. ibge.gov.br. Página visitada em 24 de junho de 2012.
  7. Ferros - Histórico. biblioteca.ibge.gov.br (2008). Página visitada em 24 de junho de 2012.
  8. Sistema de Monitoramento Agrometeorológico (Agritempo). Dados Meteorológicos - Minas Gerais. Página visitada em 28 de outubro de 2011.
  9. http://books.google.com/books/about/Aquidabam_ponte_e_vau.html?id=GC8rAQAAMAAJ
  10. Ferros resgata acervo escultórico dos Passos da Paixão de Cristo, atribuído a Aleijadinho. Estado de Minas (23 de janeiro de 2014).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ÁVILA, Afonso (coordenador). Minas Gerais - Monumentos Históricos e Artísticos - Circuito do Diamante. Barroco - 16. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1995.
  • BARBOSA, Waldemar de Almeida. Dicionário Histórico Geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia, 1995.
  • QUINTÃO, José Maria. Aquidabam, Ponte e Vau; caminhos de ontem na história de Ferros. Belo Horizonte: Oficial, 1985.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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