Censo demográfico
-
Nota: Para outros significados, veja Censo (desambiguação).
O censo ou recenseamento demográfico é uma pesquisa sobre a população que possibilita a recolha de várias informações, tais como o número de habitantes, o número de homens, mulheres, crianças e idosos, onde e como vivem as pessoas e o trabalho que realizam, entre outras coisas. Esse estudo é realizado normalmente a cada dez anos na maioria dos países.
Segundo a definição da ONU, "um recenseamento de população pode ser definido como o conjunto das operações que consistem em recolher, agrupar e publicar dados demográficos, econômicos e sociais relativos a um momento determinado ou em certos períodos, a todos os habitantes de um país ou território". Ou seja, o recenseamento é uma contagem periódica e realiza-se em Portugal de dez em dez anos.
Índice |
[editar] Censos no mundo
Os chineses e romanos elaboraram os primeiros censos conhecidos. A finalidade deste trabalho na época era militar e fiscal.
O mais remoto censo que se tem notícia é o da China, que teria ocorrido em 2238 a.C., quando o imperador Yao mandou realizar um censo da população e das lavouras cultivadas. Há ainda registros de um censo realizado na época pouco anterior a de Moisés, cerca de 1700 a.C., e de que os egípcios faziam recenseamentos anualmente, no século XVI a.C[1].
Na Antiga Roma era o censor que mantinha o moral público, e levava ao governo central as informações sobre o estado geral da população.
Algumas obras dizem que foi no século XVII a primeira tentativa de elaborar um censo por um Estado, executando de forma organizada a contagem fidedigna da população. Documentado, porém, sabe-se que foi na Suécia no ano de 1749, já no século XVIII, que foi elaborado o primeiro recenseamento demográfico de maneira que permitisse conhecer com precisão o número e a classe social de seus cidadãos.
A nível internacional, a partir do século XX tentou-se que os países que ainda não o haviam feito, realizassem uma contagem periódica da população, recomendando-se que por acordo internacional, se adoptassem regras comuns na recolha, apuramento e apresentação dos dados, de modo a tomar validas as comparações que se pudessem vir a fazer entre as estatísticas de diferentes países.
Durante a Segunda Guerra Mundial muitos países, devido aos conflitos, viram-se impedidos de realizar recenseamentos periódicos da sua população. Depois da guerra os seus governos, obrigados a enfrentar os problemas políticos, económicos e sociais dela decorrentes, sentiram necessidade de possuir informações actualizadas sobre o volume e as características das populações sob suas administrações. Depois da Guerra Mundial foi feito o Censo das Américas. Este foi um programa de recenseamento simultâneo para vários países americanos promovido pelo IASI, no qual o Brasil participou.
Em alguns países, as pessoas não querem ser recenseadas. Existe alguma polémica sobre se a realização de recenseamentos é uma prática aceitável, ou se por outro lado é uma intromissão do Governo. Esta situação muitas vezes leva certos países a procurar alternativas, o que pode comprometer a veracidade dos resultados. Em alguns destes países, são utilizados os registos normais de população, como o registo civil (i.e. bilhete de identidade), da carta de condução, ou de um registo camarário especial que as pessoas são obrigadas a fazer. Assim, é possível saber o número de pessoas, mas não é fácil obter informação tão extensiva com a que se consegue com um recenseamento de população.
[editar] Exemplos da história
Na Antiga Roma efectuava-se o recenseamento de quatro em quatro anos por questões religiosas. Era uma época de festas dos deuses, com o intuito de obterem a protecção destes e evitarem uma possível punição. Todos deveriam estar presentes nesta festa, sob pena de perderem a cidadania romana. O recenseamento era um modo de saber a situação, no momento de classe social.
Na Idade Média e no início dos tempos modernos, não eram muito frequentes pela falta de uma estrutura administrativa conveniente e pela oposição e resistência de uma população receosa das consequências de tais operações. Fizeram-se algumas contagens da população com base no número de fogos [carece de fontes].
No século XVIII começaram a efectuar-se recenseamentos em países como a Islândia e a Noruega.
A partir de 1790 nos Estados Unidos da América, por decisão do Congresso, foram decretados os recenseamentos de 10 em dez anos com fins políticos, procurando saber-se o número de deputados que se podia eleger em cada região, pois o número varia consoante a população. Este passo dos EUA vai ter repercussões em Inglaterra e França.
[editar] Censo no Brasil
No Brasil, o responsável pelos censos é o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), desde 1936, quando o instituto foi criado, realizando em média a cada dez anos o Censo Demográfico. O primeiro censo foi realizado no ano de 1872, seguido pelos de 1890, 1900 e 1920.
Os censos demográficos são planejados para serem executados nos anos de finais zero, ou seja, a cada dez anos. Desta forma o último censo realizado no Brasil foi no ano 2000, sendo que o atual é o do ano de 2010. No intervalo entre dois censos demográficos, realiza-se a contagem de população. Todavia, por questões orçamentárias e financeiras, a contagem planejada para 2005 só foi concretizada em 2007, realizando-se simultaneamente ao Censo Agropecuário.[1]
[editar] Censo em Portugal
Em Portugal, a primeira contagem populacional foi feita em 1527, no reinado de D. João III com base predominantemente nos fogos. Nesta época houve um arrolamento de 1 200 000 portugueses. Outras recolhas se seguiram, como o de 1636, sob autorização de Filipe IV, e em 1776 e 1778 as chamadas "listas dos povos do reino", por parte de Pina Manique.
Todavia, as primeiras contagens da população a que se podem dar o nome de recenseamento só apareceram no século XIX. Estes foram feitos em com base em números fornecidos pelas paróquias, em 1811, 1864, 1878, 1890 e 1911 e este último devido à implantação da República Portuguesa. Quando Portugal adere à Comunidade Económica Europeia (CEE), adopta os métodos desta. [2]
[editar] Em outros países lusófonos
Em Moçambique, Angola, Guiné Portuguesa e Timor Português foram realizados recenseamentos durante o período colonial, em 1930 em Moçambique, e em 1950 nos outros. Actualmente, em Portugal e em Moçambique, os responsáveis pelos censos são os Institutos Nacionais de Estatística de cada país.
[editar] Características do recenseamento
- É projectado e executado sob os auspícios (protecção, direcção, conselho…) do Governo, logo, obrigatório responder;
- Universal - são contados uma única vez todos os habitantes do território;
- Simultaneidade de recolha de informações, que se referem todas a um período bem determinado. Isto é, realizado ao mesmo tempo em todas as zonas do país, para evitar duplas contagens.
- Recolha com base no indivíduo, das informações nele contidos sobre a população recenseada- as pessoas são contadas na sua residência e são criados boletins para cada indivíduo.
- Âmbito territorial bem delimitado, em que assenta a contagem da população- realiza-se o recenseamento no território de um país, podendo fazer-se em embaixadas (que são consideradas território de um país) e pessoas que vão a bordo de aviões portugueses, etc, no dia do recenseamento.
- Elaboração periódica dos dados- hoje em dia os dados não são guardados em segredo, encontrando-se à disposição de todos.
- Realização periódica- Em Portugal, de 10 em dez anos.
A contagem e a recolha periódica de informações relativas à população não é algo de novo. Ao longo da História do Homem têm-se registrado esforços para recolher periodicamente informações relativas à população.
[editar] Fases do recenseamento
- Planejamento e preparação;
- Notação e recolha;
- Compilação e verificação;
- Apuramento e publicação dos dados.
[editar] Ver também
- Dados dos censos da população realizados em Portugal
- Dados dos censos da habitação realizados em Portugal
- IBGE
- Contagem de população
- Censo Agropecuário
Referências
[editar] Ligações externas
- Introdução à demografia com os dados do Censo (em português) - Revista Nova Escola