Capitania de São Vicente
A capitania de São Vicente teve origem com a nomeação efetuada pelo Rei em 1516 a Pedro Capico[1] e passou a ser uma das capitanias hereditárias, estabelecidas por Dom João III em 1534, no Brasil Colônia, visando incrementar o povoamento e defesa do território.
Seu primeiro donatário foi Martim Afonso de Sousa, sendo a capitania dividida em duas partes, das quais a mais setentrional foi abandonada pelo donatário e refundada em 1567 como Capitania Real do Rio de Janeiro sob o comando de Salvador Correia de Sá.
Assim como unicamente a capitania de Pernambuco, a capitania de São Vicente progrediu economicamente devido ao cultivo da cana-de-açúcar.
Além da vila de São Vicente, progressivamente foram sendo fundadas outras povoações como Santos, São Paulo, Sant'Ana de Mogi, entre outras.
O colonizador e sertanista Brás Cubas, um dos fundadores da vila de Santos, teve papel de destaque no desenvolvimento da capitania. De família nobre, filho de João Pires Cubas e Isabel Nunes, veio para o Brasil com Martim Afonso de Sousa e governou por duas vezes a Capitania de São Vicente (de 1545 a 1549 e de 1555 a 1556).
A controvérsia entre os donatários Conde de Monsanto e Condessa de Vimieiro na década de 1620 acabou dividindo a Capitania de São Vicente em duas partes. Uma ficou com o primeiro, que incluía São Vicente (a sede), Santos e São Paulo, entre outras localidades; prevalecendo o nome. A outra porção, que corresponde principalmente ao atual Litoral Sul paulista, ficou com a condessa, que estabeleceu a sede em Itanhaém, sendo por isso mesmo conhecida como Capitania de Itanhaém.
Segundo uma versão, em 22 de março de 1681, o Marquês de Cascais, donatário da Capitania de São Vicente, teria transferido a capital da capitania para a Vila de São Paulo, passando a ser a "Cabeça da Capitania". A nova capital teria sido instalada em 23 de abril de 1683, com grandes festejos públicos. O historiador Afonso d'Escragnolle Taunay, com base em investigação de documentos históricos, contesta a concretização dessa transferência.
Em 1709 a coroa portuguesa comprou a Capitania de São Vicente do Marquês de Cascais, fundiu-a com a Capitania de Itanhaém criando então a capitania de São Paulo e Minas de Ouro que a esta altura, pela ação desbravadora dos bandeirantes, já tinha um território muito maior, abrangendo grosso modo o que hoje são os estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia.
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[editar] Brás Cubas
Brás Cubas chegou a ser o maior proprietário de terras da zona litorânea. Fundou em 1543 a primeira Santa Casa de Misericórdia, à qual chamou Todos os Santos, nome que passaria à vila de Santos, cujo porto era mais bem localizado que o de São Vicente. Em 1551 foi nomeado por Dom João III provedor e contador das rendas e direitos da capitania. No ano seguinte construiu o Forte de São Filipe na ilha de Santo Amaro. Teve participação destacada na defesa da capitania contra os ataques dos Tamoios, aliados aos franceses. Mais tarde, por ordem do terceiro governador-geral Mem de Sá, realizou expedições ao interior em busca de ouro e prata e teria chegado até a Chapada Diamantina, no sertão baiano. Ao morrer era fidalgo da Casa Real e um dos homens mais respeitados da capitania. O título de alcaide-mor da vila de Santos passou a seu filho, Pero Cubas.
[editar] O empobrecimento da capitania e a aparente volta por cima
Apesar de ser uma das mais ricas capitanias durante algumas décadas do século XVI, São Vicente não teve como competir com a agro-indústria nordestina e isso gerou um empobrecimento geral da população já no século XVII e no fundo isso foi bom para o país, pois forçou o luso-paulista e o mameluco paulista bandeirante a buscar novas alternativas de sobrevivência, o que estendeu os limites do país a sul e oeste conquistando milhões de km². O próprio sertão nordestino antes de virar o maior pólo de pecuária do século XVII, precisou do serviço bandeirante contratado pelas elites luso-nordestinas (um padre da época de Olinda dizia que eles pareciam rústicos, mal falavam o português direito - preferiam a língua geral ou tupi -, e além disso tinham aparência e comportamento pouco civilizados). Porém tudo começou a mudar no século XVIII com o extrativismo mineral, ou melhor, parecia que ia mudar; mais uma vez os paulistas perderiam para os luso-nordestinos denominados "emboabas" durante a guerra de mesmo nome. Somente no tardio século XIX através do café é que São Paulo finalmente acharia o caminho do seu desenvolvimento; séculos depois do pioneiro Nordeste, por exemplo. Entre 1850 e 1875 São Paulo emergiu como principal produtor de café superando Minas e Rio, atraíndo imigrantes italianos, que seriam a base da sua industrialização a exemplo da família Matarazzo após meados de 1932.
- ↑ Fabra, Carlos. São Vicente - Primeiros Tempos. 2010.
[editar] Ver também
- Feitoria de São Vicente
- História do Rio de Janeiro
- Lista de governadores de São Paulo (com os mandatários da capitania)
- Lista de governadores do Rio de Janeiro no período colonial
- Lista de capitães-mores de São Paulo
[editar] Ligações externas
- Edição integral do livro História da Capitania de São Vicente de Pedro Taques (em formato PDF)
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