Capitania de São Vicente

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Capitania de São Vicente

Capitania do Brasil Colonial

1516 – 1709 Flag Princes of Brazil.svg
Flag Brasão
Bandeira do Brasil Colonial Brasão do Brasil Colonial
Localização de São Vicente
A baixada santista, na Capitania de São Vicente (1624)
Continente América do Sul
Capital São Vicente
23° 57' S 46° 23' O
Língua oficial Português
Religião Catolicismo
Governo Monarquia absoluta
Donatário
 • 15331571 Martim Afonso de Sousa (primeiro)
 • 17081753 António Carneiro de Sousa (último)
Capitão-mor
 • 15331536 Pero de Gois (primeiro)
 • 17091710 Francisco do Amaral Coutinho (último)
História
 • 1516 Criação da Capitania
 • 3 de novembro de 1709 Guerra dos Emboabas
Moeda Réis

A Capitania de São Vicente foi uma das capitanias hereditárias originais de 1532. Destacou-se entre as capitanias do sul pela relativa prosperidade no século XVI.

Território[editar | editar código-fonte]

Originalmente a capitania constia em duas seções: a seção sul (a São Vicente propriamente dita que se destacou efemeramente), de Bertioga (SP) a Cananéia/Ilha do Mel (PR) e a seção ao norte, de Macaé (RJ) a Caraguatatuba (SP), interropidas pela Capitania de Santo Amaro.

História[editar | editar código-fonte]

Teve origem com a nomeação efetuada pelo Rei em 1516 a Pedro Capico[1] e passou a ser uma das capitanias hereditárias, estabelecidas por Dom João III em 1534, no Brasil Colônia, visando incrementar o povoamento e defesa do território.

Seu primeiro donatário foi Martim Afonso de Sousa, sendo a capitania dividida em duas partes, das quais a mais setentrional foi abandonada pelo donatário e parte dela foi refundada em 1567 como Capitania Real do Rio de Janeiro sob o comando de Salvador Correia de Sá.

Assim como unicamente a capitania de Pernambuco, a capitania de São Vicente progrediu economicamente devido ao cultivo da cana-de-açúcar.

Além da vila de São Vicente, progressivamente foram sendo fundadas outras povoações como Santos, São Paulo, Sant'Ana de Mogi, entre outras.

O colonizador e sertanista Brás Cubas, um dos fundadores da vila de Santos, teve papel de destaque no desenvolvimento da capitania. De família nobre, filho de João Pires Cubas e Isabel Nunes, veio para o Brasil com Martim Afonso de Sousa e governou por duas vezes a Capitania de São Vicente (de 1545 a 1549 e de 1555 a 1556).

A controvérsia entre os donatários Conde de Monsanto e Condessa de Vimieiro na década de 1620 acabou dividindo a Capitania de São Vicente em duas partes. Uma ficou com o primeiro, que incluía São Vicente (a sede), Santos e São Paulo, entre outras localidades; prevalecendo o nome. A outra porção, que corresponde principalmente ao atual Litoral Sul paulista, ficou com a condessa, que estabeleceu a sede em Itanhaém, sendo por isso mesmo conhecida como Capitania de Itanhaém.

Segundo uma versão, em 22 de março de 1681, o Marquês de Cascais, donatário da Capitania de São Vicente, teria transferido a capital da capitania para a Vila de São Paulo, passando a ser a "Cabeça da Capitania". A nova capital teria sido instalada em 23 de abril de 1683, com grandes festejos públicos. O historiador Afonso d'Escragnolle Taunay, com base em investigação de documentos históricos, contesta a concretização dessa transferência.

Como consequência do fim da Guerra dos Emboabas, em 1709 a coroa portuguesa comprou a Capitania de São Vicente do Marquês de Cascais, fundiu-a com a Capitania de Itanhaém criando então a capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Graças à ação desbravadora dos bandeirantes, tal capitania ainda abarcará um território muito maior, abrangendo grosso modo o que hoje são os estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia.


Brás Cubas[editar | editar código-fonte]

Brás Cubas chegou a ser o maior proprietário de terras da zona litorânea. Fundou em 1543 a primeira Santa Casa de Misericórdia, à qual chamou Todos os Santos, nome que passaria à vila de Santos, cujo porto era mais bem localizado que o de São Vicente. Em 1551 foi nomeado por Dom João III provedor e contador das rendas e direitos da capitania. No ano seguinte construiu o Forte de São Filipe na ilha de Santo Amaro. Teve participação destacada na defesa da capitania contra os ataques dos Tamoios, aliados aos franceses. Mais tarde, por ordem do terceiro governador-geral Mem de Sá, realizou expedições ao interior em busca de ouro e prata e teria chegado até a Chapada Diamantina, no sertão baiano. Ao morrer era fidalgo da Casa Real e um dos homens mais respeitados da capitania. O título de alcaide-mor da vila de Santos passou a seu filho, Pero Cubas.

O empobrecimento da capitania[editar | editar código-fonte]

Apesar de ser uma das mais ricas capitanias da repartição do Sul, São Vicente não teve como competir com a indústria de açúcar nordestina e secundariamente de Campos dos Goytacazes. Isso forçou o bandeirante a buscar novas alternativas de sobrevivência, o que estendeu os limites do país a sul e oeste. Somente no século XIX, com a cafeicultura, é que São Paulo acharia o caminho do seu desenvolvimento. Entre 1850 e 1875 São Paulo emergiu como principal produtor de café superando Minas e Rio, gerando capital e infraestrutura que serviriam de base para o surto industrial do século XX.

Divisão territorial[editar | editar código-fonte]

De acordo com um levantamento feito pelo SEADE em 2001, o qual traçou a "árvore genealógica" dos 645 municípios do estado de São Paulo, os primeiros municípios paulistas, que deram origem à atual divisão político-administrativa do estado, foram São Vicente (1532), Ubatuba (1537), São Paulo (1558), Cananéia (1600), Mogi das Cruzes (1611), Iguape (1638), Taubaté (1645), Guaratinguetá (1654), Jundiaí (1655) e Sorocaba (1661).[2] Outras fontes descartam desta condição de originários os municípios de Guaratinguetá, Jundiaí e Sorocaba.[3]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Fabra, Carlos. São Vicente - Primeiros Tempos. 2010.
  2. Folha de S. Paulo, 26 de Agosto de 2001: Municípios pioneiros perdem espaço.
  3. FAVERO, Edison. Desmembramento territorial : o processo de criação de municípios - avaliação a partir de indicadores econômicos e sociais [online]. São Paulo : Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, 2004. Tese de Doutorado em Engenharia de Construção Civil e Urbana. [acesso 2014-04-23]. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3146/tde-20122004-125028/>

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Capitanias.jpg Capitanias do Brasil Brazil states1709.png

As quinze capitanias hereditárias iniciais
Baía de Todos os Santos | Ceará | Espírito Santo | Ilhéus | Itamaracá | Maranhão (duas secções)
Pernambuco | Porto Seguro | Rio Grande | Santana | Santo Amaro | São Tomé | São Vicente (duas secções)

Capitanias derivadas das iniciais e de novos territórios
Alagoas | Goiás | Grão-Pará | Mato Grosso | Minas Gerais | Paraíba | Piauí | Rio de Janeiro | Rio Grande de São Pedro
São João das Duas Barras | São José do Rio Negro | São Paulo e Minas de Ouro | São Paulo | São Pedro do Rio Grande do Sul | Santa Catarina | Sergipe

Ver também
Governo-Geral | Repartição Norte | Repartição Sul | Estado do Brasil | Estado do Maranhão (Estado do Maranhão e Grão-Pará)
Estado do Grão Pará e Maranhão | Estado do Grão-Pará e Rio Negro | Estado do Maranhão e Piauí