Santo André da Borda do Campo

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Santo André da Borda do Campo de Piratininga foi a primeira povoação européia na América Portuguesa a se distanciar do litoral, situada em local indeterminado entre os campos do planalto de Piratininga e a mata da serra de Paranapiacaba, na Capitania de São Vicente. Foi fundada por João Ramalho, por sugestão do Padre Leonardo Nunes, possivelmente em 1550[1] . Elevada a categoria de vila por Tomé de Sousa em 1553, e sempre sob pressão dos ataques dos nativos, a povoação acabou fundida com a melhor localizada e menos vulnerável São Paulo de Piratininga em 1560, a pedido de Manuel da Nóbrega e por ordem do governador-geral Mem de Sá. A documentação da vila produzida no período se encontra hoje no Arquivo Histórico Municipal de São Paulo.

Apesar de as atuais cidades de Santo André e São Bernardo do Campo não terem sua origem na antiga vila, ambas consideram que seu ano de fundação é 1553, uma vez que recobrem a região onde possivelmente se localizava a vila. O povoamento que deu origem às atuais cidades do Grande ABC começou a se desenvolver apenas no século XVIII.

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

Depois de fundadas as vilas de São Vicente e do porto de Santos, "João Ramalho, homem nobre de espírito guerreiro e valor intrépido", já com filhos casados, foi ter com Martim Afonso de Sousa quando este chegou a S. Vicente. Este lhe concedeu uma sesmaria 1531 na ilha de Guaíbe (na baía de Sepetiba, na atual Mangaratiba). Este Ramalho pois, com o concurso de alguns europeus da vila de S. Vicente, fundou uma nova povoação de serra acima na saída do mato chamado Borda do Campo, com vocação de Santo André.[2] ."

Mas o povoamento não teve paz e sofria constantes ataques dos índios Tamoios, que habitavam as margens do rio Paraíba, "e foram os desta nação os mais valorosos que teve o sertão da serra de Paranapiacaba e os da costa do mar até Cabo Frio. Por estes insultos fortificaram os portugueses a sua povoação de Santo André com uma trincheira, dentro da qual construíram quatro baluartes em que cavalgaram artilharia, cuja obra toda foi à custa do dito João Ramalho, que desta povoação foi alcaide-mor e guarda-mor do campo. Em 8 de abril de 1553 foi aclamada em vila em nome do donatário Martim Afonso de Sousa, e provisão do seu capitão-mor governador e ouvidor Antônio de Oliveira, que se achou presente neste ato com Brás Cubas; provedor da fazenda real. Tudo o referido se vê melhor no lugar embaixo citado: Arq. da Câm. de S. Paulo, caderno 1º da vila de Santo André, tít. 1563, de pág. 1 até 11." [3] .

Crise e abandono[editar | editar código-fonte]

Em 1560, Mem de Sá, governador geral do Estado do Brasil, depois de triunfar contra os franceses de Villegaignon e os Tamoios, destruindo a fortaleza na enseada do Rio de Janeiro, se recolheu à vila de S. Vicente em junho de 1560. Então, o padre superior do colégio dos jesuítas, Manuel da Nóbrega, "pediu ao governador general que fizesse transmigrar aos moradores da vila de Santo André para São Paulo de Piratininga, onde os jesuítas residiam conservando a boa paz e amizade com o rei Teviriçá que já se achava convertido e havia tomado na sagrada fonte os mesmos nomes do donatário da capitania de S. Vicente, chamando-se por isto Martim Afonso Teviriçá: assim se executou, e ficou Piratininga denominando-se vila de S. Paulo de Piratininga da Capitania de São Vicente". [4] .

Quanto ao evento da transferência da população da vila de Santo André da Borda do Campo, há a seguinte história[carece de fontes?]: partindo da Vila de São Vicente, percorrendo o vale do Cubatão ou o vale do Rio Mogí (nome mais antigo), os colonizadores, entre eles João Ramalho, chegaram num local que hoje se chama Vila de Paranapiacaba - parte alta. Por lá, em local nunca encontrado, construíram um casario de taipa e pau-a-pique. Devido aos ataques iminentes da Confederação dos Tamoyos (entre os confederados estavam os Carijós), os andreenses foram enviados pelo governador-geral para a vila de São Paulo de Piratininga. Essa Confederação dos Tamoyos deixou de existir quando os franceses foram expulsos da região do litoral norte de São Paulo, e a população andreense pode retornar para o local de origem. Porém preferiram ficar pela região do rio Tamanduateí, várzea fecunda que aumentava a qualidade da agricultura. Por isso não se sabe da localização exata do núcleo original do alto da serra, a mata tomou conta das casas e apagou seus restos.

Até hoje não se sabe exatamente onde foi instalado esse primeiro povoamento. Supõe-se que fosse em algum ponto do território das atuais cidades de São Bernardo do Campo ou Santo André.

Referências

  1. De acordo com http://www.arquiamigos.org.br/info/info14/img/100anos%20AHMWL-01-05.pdf, página 1, acesso em 9 de janeiro de 2012.
  2. Taques, Pedro. História da Capitania de São Vicente. Brasília: Edições do Senado Federal, 2004. Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/sf000043.pdf, acessado em 24 de outubro de 2011. Página 69.
  3. Taques, Pedro. História da Capitania de São Vicente. Brasília: Edições do Senado Federal, 2004. Página 69. Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/sf000043.pdf, acessado em 24 de outubro de 2011.
  4. Taques, Pedro. História da Capitania de São Vicente. Brasília: Edições do Senado Federal, 2004. Página 70. Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/sf000043.pdf, acessado em 24 de outubro de 2011.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]