Hans Staden
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| Hans Staden | |
| Retrato de Hans Staden feito por H. J. Winkelmann, em 1664. | |
| Nascimento | 1525 |
|---|---|
| Falecimento | 1579 |
| Nacionalidade | Alemão |
| Ocupação | Marinheiro, aventureiro e mercenário |
Hans Staden (Homberg, c. 1525 — Wolfhagen, c. 1579) foi um aventureiro mercenário alemão.
Por duas vezes Staden passou pela América Portuguesa no início do século XVI, onde teve oportunidade de participar de combates na Capitania de Pernambuco e na Capitania de São Vicente, contra corsários franceses e seus aliados indígenas.
Índice |
[editar] A primeira viagem ao Brasil
Partindo de Bremen (atual Alemanha), depois de passar pelos Países Baixos e por Portugal, Hans Staden chegou à Capitania de Pernambuco em 28 de Janeiro de 1548. A sua embarcação dirigia-se à América Portuguesa para carregar pau-brasil ("Caesalpinia echinata", mas também deveria combater quaisquer navios franceses a negociar com os nativos e transportar degredados remetidos para povoar a colônia.
O governador de Pernambuco,Duarte da Costa, que enfrentava uma revolta indígena na ocasião, pediu ajuda aos recém-chegados. Hans Staden e os demais rumaram para Igaraçú, próxima a Olinda, em um navio para auxiliar na luta. Igaraçú era então defendida por aproximadamente cento e vinte pessoas às quais se uniram os cerca de quarenta recém-chegados, incluindo Hans Staden. Enfrentaram oito mil indígenas. Depois de uma renhida luta, de um cerco prolongado no qual vieram a faltar provisões, os defensores conseguiram vencer os indígenas.
Dias depois enfrentaram um navio francês e logo depois retornaram à Europa, aportando a Lisboa no dia 8 de Outubro.
[editar] A segunda viagem ao Brasil
Em sua segunda viagem, Staden partiu de Castela rumo ao Novo Mundo, alcançando o Brasil a 24 de Novembro.
Depois de violentos enfrentamentos com indígenas e passar por fortes tempestades, o seu navio naufragou próximo a São Vicente. Ele e seus companheiros sobreviveram e Staden foi contratado como artilheiro pelos colonos portugueses para o Forte de São Filipe da Bertioga.
Enquanto caçava sózinho, Staden foi feito prisioneiro por uma tribo Tupinambá que conduziu-o a Ubatuba. Desde o início ficou claro que a intenção dos seus captores era devorá-lo. Pouco tempo depois os tupiniquins aliados dos portugueses atacaram a aldeia onde ele era mantido prisioneiro. Mesmo cativo, não tendo escolha lutou ao lado dos tupinambás. Seu desejo era tentar fugir para unir-se aos atacantes. Mas estes vendo que a luta era inútil logo desistiram.
Era tratado como um "animal de estimação" pelos Tupinambás, tendo inclusive, mudado de "dono".
Pediu ajuda a um navio português e a outro francês. Ambos recusaram-se a ajudá-lo por não desejarem entrar em conflito com os índios. Foi, enfim, resgatado pelo navio corsário francês Catherine de Vetteville, comandado por Guillaume Moner depois de sete anos aprisionado.
[editar] Obra
De volta à Europa, redigiu um relato sobre as peripécias de suas viagens e aventuras no Novo Mundo, uma das primeiras descrições para o grande público acerca dos costumes dos indígenas sul-americanos. O livro é intitulado "Warhaftige Historia und Beschreibung eyner Landtschafft der wilden, nacketen, grimmigen Menschfresser Leuthen in der Newenwelt America gelegen" e foi publicado em Marburgo, Alemanha, por Andres Colben em 1557. Chama-se comumente "Duas viagens ao Brasil".
Conheceu sucessivas edições, constituindo-se num sucesso editorial devido às suas ilustrações, descrições de rituais antropofágicos, animais, plantas e costumes exóticos.
- "A sua influência no meio culto da época ajudou a criar, no imaginário europeu quinhentista, a idéia da terra brasílica como o país dos canibais, devido às ilustrações com cenas de antropofagia." ("Brasiliana da Biblioteca Nacional", de 2001).
Para o estudioso, a obra contém informações de interesse antropológico, sociológico, linguístico e cultural sobre a vida, os costumes e as crenças dos indígenas do litoral brasileiro na primeira metade do século XVI.
[editar] Trechos de Duas viagens ao Brasil
[editar] A partida para o novo mundo
- "Eu, Hans Staden de Homberg-em-Hessen, resolvi visitar a Índia. Saí de Bremem para a Holanda e achei em Campon, navios que pretendiam tomar carga de sal em Portugal. Embarquei e a 29 de Abril de 1547 chegávamos a Setúbal."
[editar] Costumes indígenas
- "Formaram um círculo ao redor de mim, ficando eu no centro com duas mulheres, amarraram-me numa perna um chocalho e na nuca penas de pássaros. Depois começaram as mulheres a cantar e, conforme um som dado, tinha eu de bater no chão o pé onde estavam atados os chocalhos.
- As mulheres fazem bebidas. Tomam as raízes de mandioca, que deixam ferver em grandes potes. Quando bem fervidas tiram-nas (...) e deixam esfriar (...) Então as moças assentam-se ao pé, e mastigam as raízes, e o que fica mastigado é posto numa vasilha à parte.
- Acreditam na imortalidade da alma(...)."
[editar] A antropofagia
- "Voltando da guerra, trouxeram prisioneiros. Levaram-nos para sua cabana: mas a muitos feridos desembarcaram e os mataram logo, cortarm-nos em pedaços e assaram a carne (...) Um era português (...) O outro chamava-se Hyeronimus; este foi assado de noite."
[editar] Bibliografia
- STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1974. 218 p. il.


