Axé (gênero musical)

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Axé
Origens estilísticas Frevo, Reggae, Merengue, Deboche, Maracatu, Forró, Ijexá, Ritmos afro-brasileiros e afro-latinos.
Contexto cultural década de 1980, Salvador
Popularidade Bahia, Minas Gerais, Sergipe, Brasil
Outros tópicos
Samba-reggae, Pagode baiano, Arrocha, Black Semba, Forró elétrico
O álbum O Canto da Cidade de Daniela Mercury (foto) é considerado o responsável por levar o axé ao público brasileiro.
Ivete Sangalo é uma das cantoras de maior sucesso da música brasileira atualmente.

O Axé, ou Axé music, é um gênero musical que surgiu no estado da Bahia na década de 1980 durante as manifestações populares do Carnaval de Salvador, misturando o frevo pernambucano, ritmos afro-brasileiros, reggae, merengue, forró, maracatu e outros ritmos afro-latinos[1] [2] [3] .

No entanto, o termo axé é utilizado erroneamente para designar todos os ritmos de raízes africanas ou o estilo de música de qualquer banda ou artista que provém da Bahia. Sabe-se hoje, que nem toda música baiana é axé, pois lá há o samba-reggae, representado principalmente pelo bloco afro Olodum, o samba de roda, o ijexá - tocado com variações diversas por bandas percussivas de blocos afro como Filhos de Ghandi, Ilê Aiyê e Muzenza, entre outros -, o pagode produzidos por algumas bandas e até uma variação de frevo, dentre outros.[1] [2] [4]

A palavra "axé" é uma saudação religiosa usada no candomblé e na umbanda, que significa energia positiva.[4] [5] Expressão corrente no circuito musical soteropolitano, ela foi anexada à palavra em inglês music pelo jornalista Hagamenon Brito em 1987 para formar um termo que designaria pejorativamente aquela música dançante com aspirações internacionais.[2] [5]

Com o impulso da mídia, o axé music rapidamente se espalhou por todo o país (com a realização de carnavais fora de época, as chamadas micaretas), e fortaleceu-se como potencial mercadológico, produzindo sucessos durante todo o ano, tendo como maiores nomes Daniela Mercury, Ivete Sangalo,Claudia Leitte, Margareth Menezes, entre outros.[1] [2] [5]

Os pioneiros do gênero foram os músicos da renomada banda Acordes Verdes, que acompanhava Luiz Caldas e eram músicos de estúdio da W.R, em Salvador. O principal arranjador do estúdio, na altura, era o compositor Alfredo Moura[1] .

Nome[editar | editar código-fonte]

O termo "axé" também tem outro significado que não o gênero musical, sendo que na língua iorubá, significa poder, energia ou força presentes em cada ser ou em cada coisa. Nas religiões afro-brasileiras, o termo representa a energia sagrada dos orixás. O axé pode ser representado por um objeto ou um ser que será carregado com a energia dos espíritos homenageados em um ritual religioso.

Dentro e fora do contexto religioso, axé é uma saudação utilizada para desejar votos de felicidade e boas energias, principalmente àquele da Bahia.

História[editar | editar código-fonte]

As origens do carnaval como conhecemos hoje estão na década de 1950, quando Dodô e Osmar começaram a tocar o frevo pernambucano em guitarras elétricas de produção própria - (batizadas de guitarras baianas) - em cima de uma fobica (um Ford 1929). Nascia o trio elétrico, atração do carnaval baiano que Caetano Veloso chamou a atenção em 1975 na canção "Atrás do Trio Elétrico". Mais tarde, Moraes Moreira, dos Novos Baianos, teria a ideia de subir num trio (que era apenas instrumental) para cantar – foi o marco zero da tradição de grandes cantores 'puxando' os Trios elétricos. A partir da década de 1960, paralelamente ao movimento dos trios, aconteceu o da proliferação dos blocos-afro: Filhos de Gandhi (do qual Gilberto Gil faz parte), Badauê, Ilê Aiyê, Muzenza, Araketu e Olodum. Eles tocavam ritmos afro como o ijexá e o samba (utilizando alguns instrumentos musicais da percussão, comuns nas baterias das escolas de samba do Rio).

Sob a influência das letras e canções de Bob Marley nos ouvidos, surgiu no Olodum - sob a batuta do mestre Neguinho do Samba - um ritmo que misturava reggae e samba, num estilo com forte caráter de afirmação da negritude, que fez sucesso em Salvador a partir dos anos de 1980: o samba-reggae. Posteriormente, artistas como Gerônimo, Banda Reflexus e a Banda Mel aderiram a essa novidade rítmica, lançando canções que chegavam ao Sudeste em discos na bagagem dos que lá passavam férias. Em meados da década de 1980, Luiz Caldas e Paulinho Camafeu tiveram a ideia de juntar o frevo elétrico dos trios e o ijexá. Surgiu assim o "Deboche", que rendeu em 1986 o primeiro sucesso nacional daquela cena musical de Salvador: "Fricote", gravado por Luiz Caldas.

"O estilo nasceu com carga pejorativa e sem saber a que servia. Hoje, ainda há polêmica na hora de definir a quais músicas o termo se aplica, mas todos fazem coro num ponto: seu papel foi o de fundar um novo mercado musical".[6] A modernidade das guitarras se encontrava com a tradição dos tambores em mistura de alta octanagem.

Uma nova geração de estrelas aparecia para o Brasil: Banda Reflexus (do sucesso "Madagascar Olodum"), Sarajane, Cid Guerreiro (do "Ilariê, gravado por Xuxa), Chiclete com Banana (que vinha de uma tradição de bandas de baile), Banda Cheiro de Amor (com Márcia Freire) e Margareth Menezes (a primeira a engatilhar carreira internacional, com a bênção do líder da banda americana de rock Talking Heads, David Byrne). No início da década de 1990 o Olodum foi convidado pelo cantor e compositor americano Paul Simon para gravar participação no disco 'The Rhythm of The Saints'.

"Hoje, ainda há polêmica na hora de definir a quais músicas o termo se aplica, mas todos fazem coro num ponto: seu papel foi o de fundar um novo mercado musical".[6]

Guinada para o frevo e pop-rock[editar | editar código-fonte]

Aquela nova música baiana avançaria mais ainda na direção do pop em 1992, quando o Araketu resolveu injetar eletrônica nos tambores, e o resultado foi o disco Araketu, gravado pelo selo inglês independente Seven Gates, e lançado apenas na Europa. No mesmo ano, Daniela Mercury lançaria O Canto da Cidade, e o Brasil se renderia de vez ao axé. Aberta a porta, vieram Asa de Águia, Banda Eva (que nasceu do Bloco Eva e revelou Ivete Sangalo), Banda Mel (que depois assinaria como Bamdamel), Banda Cheiro de Amor, Ricardo Chaves, Babado Novo (que revelou Claudia Leitte), e tantos outros nomes. A explosão comercial do axé passou longe da unanimidade. Dorival Caymmi reprovou suas qualidades artísticas, Caetano Veloso as endossou. Das tentativas de incorporar o repertório das bandas de pop rock, nasceu a marcha-frevo, que transformou sucessos como "Eva" (Rádio Táxi) e "Me Chama" (Lobão) em mais combustível para a folia.

Enquanto o Axé music se fortalecia, alguns nomes buscavam alternativas criativas para a música baiana. O mais significativo deles foi a Timbalada, grupo de percussionistas e vocalistas liderado por Carlinhos Brown (cuja música "Meia Lua Inteira" tinha estourado na voz de Caetano Veloso em 1989), veio com a proposta de resgatar o som dos timbaus, que há muito tempo estavam restritos à percussão dos terreiros de Candomblé. Paralelamente à Timbalada, Brown lançou dois discos solo – Alfagamabetizado (1996) e Omelete Man (1998), que com sua autoral incorporação de várias tendências do pop e da MPB à música baiana, obteve grande reconhecimento no exterior. Além disso, ele desenvolveu um trabalho social e cultural de alta relevância entre a população da comunidade carente do Candeal, em Salvador, com a criação do espaço cultural Candyall Guetho Square, o grupo de percussão Lactomia (para formar uma nova geração de instrumentistas) e a escola de música Paracatum.

Enquanto isso, os nomes de sucesso da música baiana multiplicavam-se: aos então conhecidos Banda Eva, Bamdamel, Araketu, Chiclete com Banana e Cheiro de Amor, juntaram-se o ex-Beijo Netinho e os grupos Jammil e Uma Noites e Pimenta N'ativa.

Referências

  1. a b c d SANTANNA, Marilda. As donas do canto: o sucesso das estrelas-intérpretes no carnaval de Salvador. Salvador: Edufba, 2009. ISBN 8523208852
  2. a b c d DINIZ, André. Almanaque do carnaval: A história do carnaval, o que ouvir, o que ler, onde curtir. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2008. p. 180. ISBN 9788537800478
  3. SYLLOS, Gilberto de. e MONTANHAUR, Ramon. Bateria e Contrabaixo na Música Popular Brasileira. 3ª edição. Rio de Janeiro: Lumiar,2002, (p. 65).
  4. a b http://www.tecap.uerj.br/pdf/v81/rafael_guarato.pdf
  5. a b c GUERREIRO, Almerinda. A trama dos tambores: a música afro-pop de Salvador. [S.l.]: Editora 34, 2000. ISBN 9788573261752
  6. a b ARANHA, Ana. Vinte anos de baianidade. Revista Época [on line], Edição 351. [S. I.]: 07 fevereiro 2005. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT904129-1661,00.htm. Último acesso em 15 setembro 2012.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]