Pedra da Gávea

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Pedra da Gávea
Pedra da Gávea em 2009
Coordenadas 22° 59′ S 43° 17′ W
Altitude 842 m
Localização Rio de Janeiro, Brasil
Cordilheira Serra do Mar

A Pedra da Gávea é um monólito de gnaisse cujo ponto culminante situa-se na Barra da Tijuca, estendendo-se pelos bairros do Joá, do Itanhangá e de São Conrado,[1] Rio de Janeiro, Brasil. Com topo de granito subindo 842 metros acima do nível do mar, é o maior bloco de pedra a beira mar do planeta.[2]

É um dos pontos extremos do parque da Floresta da Tijuca e um dos mirantes mais espetaculares.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O batismo da Pedra da Gávea remonta à épica expedição do capitão Gaspar de Lemos, iniciada em 1501, de que participou igualmente Américo Vespúcio, e na qual também o Rio de Janeiro recebeu sua denominação. Foi a primeira montanha carioca a ser batizada com um nome em português, após ter sido avistada, no primeiro dia de janeiro de 1502 pelos seus marujos, que reconheceram em sua silhueta o formato de um cesto de gávea, dando origem ao termo usado para toda a região da Gávea Pequena e para o atual bairro da Gávea.[3]

Ecossistema[editar | editar código-fonte]

Pedra da Gávea
Pedra da Gavea, Rio de Janeiro

O ecossistema da Pedra da Gávea é característico da Mata Atlântica secundária. Ainda existem resquícios das matas originais nos pontos de difícil acesso. Podemos encontrar árvores de todos os portes e uma floresta exuberante na vertente da Barra. Também encontramos algumas bromélias e orquídeas, como a Laelia lobata, que só é encontrada na Pedra da Gávea.

Já a vegetação do topo da montanha está bastante prejudicada pelo próprio usuário. Os resíduos, o descuido e os incêndios intencionais e os causados pelos balões, vem descaracterizando este lugar tão especial. Os resíduos atraem animais exóticos, como os ratos, que acabam interferindo com a fauna local. O intenso uso das trilhas tem causado grandes erosões em alguns trechos, prejudicando ainda mais as florestas ao redor.

A água é muito escassa nas partes altas, porém, nas bases é possível encontrar pequenas cachoeiras dentro de florestas densas.

Geologia e erosão[editar | editar código-fonte]

A Pedra da Gávea é o maior monolito a beira mar do planeta, formado por dois tipos de rocha distintas: a base de gnaisse e o topo de granito.

Sua altura, localização próxima ao mar e sem obstáculos a volta, a tornam muito exposta a ação do tempo, sofrendo grandes processos erosivos.

As constantes variações de temperaturas, chuvas e raios vem, ao longo das eras, moldando seus contornos, principalmente no topo. Grandes blocos de pedras já se soltaram ou estão soltos, ameaçando rolarem montanha abaixo.

A perda de praticamente toda a sua cobertura vegetal original tem contribuído para os processos erosivos e o esgotamento das nascentes no topo, na Barra da Tijuca. O topo e o lado voltado para São Conrado é o mais afetado.

No topo, somente pouquíssimas árvores ainda existem, predominando o capim de fácil combustão. Já na sua vertente voltada para o nascer do sol, leste, uma pequena e exuberante floresta foi sendo destruída por sucessivos incêndios causados por raios, balões e o descuido humano.

Como resultado da destruição da cobertura vegetal, temos desmoronamentos de solo, e a soltura de grandes blocos de pedra

Na ficção[editar | editar código-fonte]

A pedra da Gávea foi usada como cenário de vários filmes brasileiros.

Em Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa, a pedra era o túmulo de um rei fenício.

No filme de 1989, Os Trapalhões na Terra dos Monstros, a personagem interpretada por Angélica, a filha de um rico proprietário de uma indústria de papel, foge e vai parar em uma caverna que esconde um mundo cheio de monstros, localizada no interior da Pedra da Gávea.

Inscrições[editar | editar código-fonte]

Uma das faces da Pedra da Gávea.
Possível interpretação das marcas na Pedra da Gávea, por Bernardo de Azevedo da Silva Ramos.

Existe a hipótese de que há uma inscrição esculpida no rochedo carioca que é supostamente fenícia, uma língua semítica conhecida por estudiosos modernos apenas através de inscrições. A inscrição é transliterada como segue:

LAABHTEJBARRIZDABNAISINEOFRUZT

Levando em conta que como em hebraico, uma língua intimamente relacionada, o fenício é escrito da direita para a esquerda, esta inscrição deve ser lida como TZUR FOENISIAN BADZIR RAB JETHBAAL, que é traduzido aproximadamente como "Aqui Badezir, rei de Tiro, filho mais velho de Jetbaal". O nome da frase é apontado como correspondente a um governante fenício chamado Badzir (ou Badezir), de cerca de 850 a.C., filho de Etbaal. A "face" da rocha teria sido esculpida à semelhança de Badzir.[4] [5]

Entretanto, há uma série de problemas com esta suposta inscrição: os fenícios não se referiam a si mesmos como "fenícios", visto que esse é um termo do grego antigo para se referir a esse povo, ou mais precisamente, uma derivação do termo grego. Outro fato é que, como se sabe, a travessia do oceano Atlântico iria muito além das habilidades navais fenícias, que sempre viajaram perto das margens. A brevidade da inscrição, bem como uma aparência um pouco desleixada, aponta para uma falsificação grosseira que tinha como objetivo explicar o monólito de acordo com as civilizações do Velho Mundo, ou, simplesmente, uma ação da natureza ao desgastar o rochedo.[4]

A inscrição não foi relatada até a década de 1800, embora tenha sido sugerido também nessa época que a inscrição datava de tempos pré-colombianos. Durante o século XIX, o estudo dos fenícios já estava em andamento e até mesmo estudantes amadores nesse período teriam tido um forte conhecimento dos cronogramas bíblicos. É notável que a inscrição é descrita pela primeira vez oficialmente durante os primeiros anos da independência do Brasil sob o imperador Dom Pedro I, o que sugere uma tentativa de construção de uma identidade nacional pelo Império brasileiro.

Ecoturismo e Trilhas[editar | editar código-fonte]

A Pedra da Gavea é famosa por ter uma das melhores vistas da cidade do Rio de Janeiro. Do topo, é possível ver Niterói de um lado e o Recreio dos Bandeirantes do outro. Porém, sua trilha possui um grande nível de dificuldade. O número de acidentes é alto assim como o número de resgates por helicóptero dos bombeiros, pessoas despreparadas resolvem subir a montanha achando que tal atividade é trivial. No meio do percurso, é preciso escalar 30 metros de carrasqueira. O tempo de subida varia de duas a quatro horas. Existem diversas maneiras de chegar no topo da montanha, mas a maneira mais tradicional é através do largo-da-barra, um sub-bairro da Barra da Tijuca.[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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