Ilha de Paquetá

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Vista da Ilha de Paquetá

A ilha de Paquetá localiza-se no interior nordeste da baía de Guanabara, no bairro de Paquetá, na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.

Como Chegar[editar | editar código-fonte]

A Ilha de Paquetá fica localizada na Baía de Guanabara, cidade do Rio de Janeiro - RJ - Brasil.

A principal forma de chegar na ilha, é através de transporte marítimo da estação das barcas da Praça XV. Localizada no cais da histórica Praça XV, tendo fácil acesso de ônibus, taxi, carro, metrô e entre outros meios.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Paquetá" é uma palavra com origem na língua tupi. Significa "muitas pacas", pela junção de paka (paca) e etá (muitos)[1] .

Aspectos geográficos e de meio ambiente[editar | editar código-fonte]

É a principal ilha do arquipélago de mesmo nome, que é integrado ainda por:

A ilha de Paquetá apresenta o formato de um oito, com 1,2 quilômetros quadrados de área e 8 quilômetros de perímetro. Em sua maior extensão, da ponta do Lameirão à ponta da Imbuca, mede 2 316 metros e, na menor, na ladeira do Vicente, aproximadamente 100 metros.

Em seu relevo, contam-se nove morros, o mais elevado dos quais o morro do Vigário, na cota de 69 metros acima do nível do mar. As demais elevações são:

  • Morro de São Roque ou morro da Moreninha
  • Morro do Castelo
  • Morro da Covanca
  • Morro do Costallat
  • Morro das Pedreiras
  • Morro das Paineiras
  • Morro do Vigário
  • Morro do Veloso
  • Morro da Cruz

As praias da ilha são:

  • Praia dos Tamoios
  • Praia do Catimbau
  • Praia do Lameirão (também conhecida como Praia das Águas)
  • Praia da Covanca
  • Praia Pintor Castagneto (Praia dos Coqueiros)
  • Praia de São Roque
  • Praia da Moreninha (Praia Dr. Aristão)
  • Praia Manoel Luis (Praia dos Frades)
  • Praia da Imbuca, Iracema e Moema
  • Praia da Mesbla
  • Praia Grossa
  • Praia José Bonifácio (Praia da Guarda)

A ilha dista aproximadamente quinze quilômetros da Praça 15 de Novembro, no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Constitui-se no bairro de Paquetá (Rio de Janeiro), um tradicional e pacato recanto turístico da cidade.

O arquipélago de Paquetá encontra-se próximo à Área de Preservação Ambiental de Guapimirim, área de conservação de manguezais, fonte de vida marinha. Essa proximidade, aliada ao fato de que o arquipélago se encontra em uma área da baía com grande profundidade, no seu canal principal, faz com que as águas das praias de Paquetá, ricas em peixes, sejam constantemente renovadas.

Originalmente, a ilha era recoberta pela Mata Atlântica. Com a colonização europeia, ao longo dos séculos, foram sendo introduzidas espécies exógenas, particularmente árvores frutíferas, palmeiras e flamboyants, destacando-se um exemplar de baobá carinhosamente apelidado pela população de "Maria Gorda". Essa vegetação oferece suporte a uma variedade de espécies de aves silvestres, marinhas e migratórias.

História[editar | editar código-fonte]

Ilha de Paquetá (Marc Ferrez, 1885)
Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte

Os séculos XVI e XVII[editar | editar código-fonte]

Atribui-se ao cosmógrafo francês André Thevet, integrante da expedição de Nicolas Durand de Villegagnon, a descoberta da ilha pelos europeus, ainda em 1555, quando da fundação da chamada França Antártica. Na época, a ilha era habitada pelos índios tamoios, também chamados tupinambás, os quais se aliaram aos franceses contra os colonizadores portugueses. Na ilha, houve uma importante batalha da guerra entre tupinambás e franceses, de um lado, e portugueses e índios temiminós, de outro. Na batalha, morreu o grande líder tupinambá Guaixará[2] .

No contexto da campanha para a expulsão definitiva dos franceses pelas forças portuguesas comandadas por Estácio de Sá e da fundação da cidade do Rio de Janeiro em 1565, nesse mesmo ano a ilha de Paquetá foi doada, sob a forma de duas sesmarias, a dois dos capitães portugueses: a parte norte da ilha, atual bairro do Campo, coube a Inácio de Bulhões, e a parte sul, atual bairro da Ponte, a Fernão Valdez.

O século XVIII[editar | editar código-fonte]

A parte sul da ilha teve uma colonização mais acelerada em comparação com a parte norte, onde, em sua maior parte, se constituiu a Fazenda São Roque, dedicada à agricultura e à pecuária. Foi nas terras da São Roque que se ergueu, em 1697, a primeira capela da ilha, a Capela de São Roque, padroeiro de Paquetá.

Posteriormente, em 1763, foi iniciada a primitiva Capela do Senhor Bom Jesus do Monte da Ilha de Paquetá com a condição de que se constituísse em uma Paróquia local. Em 1769, Paquetá foi desvinculada da Freguesia de Magé, o que deu lugar, além dos protestos eclesiásticos de Magé pelas suas perdas, a rivalidades na própria ilha para a escolha da Igreja Matriz, se a Capela de São Roque ou a do Bom Jesus. Em 1771, no entanto, esse ato foi anulado e Paquetá voltou a ser integrada a Magé.

O século XIX[editar | editar código-fonte]

No contexto da presença da Família Real Portuguesa no Brasil, um alvará especial do príncipe-regente dom João criou a Freguesia do Senhor Bom Jesus do Monte.

No Período Regencial, em 1833, por decreto regencial, a ilha de Paquetá tornou-se independente de Magé e passou a pertencer ao Município da Corte.

O século XX[editar | editar código-fonte]

Em 1903, os distritos da ilha de Paquetá e da ilha do Governador foram unidos no Distrito das Ilhas, incorporando as ilhas e ilhotas ao redor de ambas.

Em 1961, o estado da Guanabara criou o Distrito Administrativo de Paquetá e, em 1975, com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, a ilha passou a pertencer à cidade do Rio de Janeiro.

Aspectos do desenvolvimento econômico[editar | editar código-fonte]

Tradicionalmente, a ilha constituiu-se em um polo abastecedor da cidade do Rio de Janeiro, com os produtos oriundos, principalmente, da Fazenda São Roque. A coleta de mariscos e a atividade de pesca também foram importantes no período colonial e após. A partir do século XVII, começou a se desenvolver na ilha uma pequena atividade de construção naval, paralelamente à exploração de pedras e de cal para a construção civil na cidade. A atividade de fabricação de cal era facilitada pela abundância de conchas como matéria-prima e de madeira oriunda dos manguezais, utilizada como combustível nos fornos.

A ocupação da ilha adensou-se a partir das frequentes visitas de dom João VI, do estabelecimento de uma linha regular de barcas, a partir de 1838, e, principalmente, através da divulgação obtida através do romance A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, publicado em 1844, que se tornou um best-seller na corte, à época. Isso permitiu o aumento de visitantes, atraídos ainda pela devoção a São Roque, assumindo a ilha a feição de polo turístico que, gradualmente, se impôs, passando a ser a principal atividade da ilha, função que conserva até aos nossos dias.

Atualmente, os visitantes contam, além das praias e pedras, com passeios de charrete e de bicicleta e com as visitas ao solar que hospedou dom João, à casa de José Bonifácio de Andrada e Silva, e à Casa de Cultura, instalada em um prédio de estilo eclético, recém-reformado.

Saneamento[editar | editar código-fonte]

A ilha não dispunha de fontes naturais de água potável e desse modo, os seus moradores recorriam ao uso de poços para solucionar a demanda de abastecimento. O poço de São Roque era, à época, o mais utilizado pela qualidade de suas águas, o que envolveu o seu nome em uma série de lendas locais.

Em 1908, foi inaugurado o sistema de captação de águas do Alto Suruí, no município de Magé, e a sua adução por dutos submarinos até a ilha, na ponta do Lameirão.

Mais tarde, foi construída uma estação elevatória para conduzir as águas até o alto do morro do Marechal, de onde eram distribuídas por gravidade para as diversas partes da ilha.

Atualmente, o serviço é prestado pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, sendo o líquido oriundo do rio Macacu, mais precisamente da Estação de Tratamento de Imuna-Laranjal, no município de São Gonçalo, alcançando a ilha na praia do Buraco.

O sistema de coleta e tratamento de esgotos em Paquetá foi pioneiro no país, tendo sido concluído em 1912 pela Companhia City Improvements, empresa de capital britânico, concessionária da exploração desses serviços no Rio de Janeiro. Parte desta histórica estação de tratamento ainda é preservada, na sede da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro na ilha.

A iluminação das ruas, assim como o serviço de distribuição de eletricidade às residências foi inaugurado em 1918 pela Rio-Light. A energia era oriunda da ilha do Governador, através de cabos submarinos, ligados a uma sub-estação na praia da Guarda.

População[editar | editar código-fonte]

A população e frequência da ilha são extremamente sazonais.

A ilha conta com 4 500 moradores fixos que, em sua maioria, trabalham e estudam na cidade do Rio de Janeiro, ou em sua região metropolitana. Parte dos empregos existentes na ilha são no setor público, em órgãos como a Comlurb, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, a Fundação Parques e Jardins, escolas e outros. O restante encontra-se em atividades voltadas ao turismo, como hotéis, bares, restaurantes e outros.

À população fixa, somam-se os veranistas que têm casa na ilha e que vêm com a família nos finais de semana ou férias. Avalia-se que, pelo menos, 50 por cento dos domicílios da ilha sejam de veranistas. São aproximadamente 2 200 domicílios (entre moradores e veranistas), distribuídos em quarenta ruas, doze praças e dois parques públicos.

Casa Espírita da Ilha de Paquetá[editar | editar código-fonte]

A Casa Espírita da Ilha de Paquetá fica na Rua Coelho Rodrigues, 48 Fundos - Maiores informações em: http://www.ceip.bl.ee/

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição. São Paulo. Global. 2005. p. 30.
  2. Paquetá on-line. História. Disponível em http://paquetaonline.cereto.net/historia. Acesso em 14 de fevereiro de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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