Marc Ferrez

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Marc Ferrez
Marc Ferrez, c. 1876
Nascimento 7 de dezembro de 1843
Rio de Janeiro, Flag of Empire of Brazil (1822-1870).svg Brasil
Morte 12 de janeiro de 1923 (79 anos)
Rio de Janeiro,  Brasil
Nacionalidade FrançaBrasil Franco-brasileiro
Ocupação Fotógrafo
Principais interesses Escravidão, urbanização

Marc Ferrez (Rio de Janeiro, 7 de dezembro de 1843 — Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 1923) foi um fotógrafo franco-brasileiro. Retratou cenas dos períodos do Império e início da República, entre 1865 e 1918, sendo que seu trabalho é um dos mais importantes legados visuais daquelas épocas.

Suas obras retratam o cotidiano brasileiro na segunda metade do século XIX, principalmente da cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Há fotos da ilha das Cobras, da floresta da Tijuca, da praia de Botafogo, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, entre outras.

Juntamente com o fotógrafo alagoano Augusto Malta registrou imagens das transformações decorrentes da reurbanização empreendida pelo prefeito do Rio, Francisco Pereira Passos, no início do século XX.

História[editar | editar código-fonte]

Fotografia da Baía da Guanabara, por Marc Ferrez

Era filho de Alexandrine Caroline Chevalier e de Zéphyrin Ferrez, gravador de medalhas e escultor vindo como membro da Missão Artística Francesa e sobrinho de Marc Ferrez, também integrante da mesma missão, de quem recebeu o nome. Era o mais jovem da família que contava com mais quatro irmãs e um irmão, ficou órfão de ambos os pais aos sete anos. Após isso, foi mandado para a França, onde estudou até a adolescência e retornou ao Brasil.

Quando retornou passou a trabalhar na casa Leuzinger, uma papelaria e tipografia que tinha uma seção de fotografia, onde aprendeu as técnicas fotográficas com o alemão Franz Keller. Aos 21 anos abriu a firma Marc Ferrez & Cia., um estúdio fotográfico que o colocou entre os principais profissionais da corte.

A despeito de a produção de retratos ser mais rentável e escolhida pelos demais fotógrafos da corte ele preferia fazer vistas e fotos de paisagens do Brasil. Preocupava-se também em aprimorar seu ofício, e por este motivo interessava-se pela física e pela química, e colocava-se a par das últimas novidades técnicas importando equipamentos da Europa.

Em 1873, um incêndio destruiu sua loja que também servia de residência. Ferrez foi à Europa, para readquirir materiais e equipamentos especializados para continuar a exercer seu ofício. Retornando ao Brasil, em 1875, integra-se como fotógrafo à Comissão Geológica do Império do Brasil, que era chefiada pelo geólogo e geógrafo canadense Charles Frederick Hartt. Ferrez foi o primeiro a fotografar os índios botocudos, na selva no sul da Bahia.

Retornando da expedição, passa a viajar e fotografar as principais cidades brasileiras, ainda assim com destaque para a capital do país.

Participou de diversas exposições nacionais e internacionais, sendo premiado com medalhas de ouro em Filadélfia (1876) e Paris (1878). Aos 41 anos, é ordenado cavaleiro da Ordem da Rosa por D. Pedro II.Vitor Adriano Gayzo


Cronologia[editar | editar código-fonte]

  • 1851 - Após a súbita morte de seus pais, ocorrida em 22 de julho, mudou-se para Paris (França) onde passou a morar com o escultor e gravador Alphée Dubois (1831 - 1905)
  • 1859 - Retornou à capital carioca onde passou a trabalhar na Casa Leuzinger - papelaria, casa editorial e estabelecimento fotográfico - localizada na Rua do Ouvidor nº 36, onde eram executados trabalhos de encadernação, douração, litografia e comércio de álbuns ilustrados, cujo proprietário era Georg Leuzinger
  • 1860 - Aprendeu técnicas fotográficas com Franz Keller-Leuzinger (1835 - 1890), fotógrafo responsável pela seção de fotografia da Casa Leuzinger, inaugurada naquele ano, e que era genro de Georg Leuzinger (1813 - 1892)
  • 1865 - Abriu seu próprio estabelecimento fotográfico, a Casa Marc Ferrez & Cia, com sede na Rua São José, 96
  • 1868 - Recebeu menção do Almanaque Laemmert em sua seção intitulada Fotógrafos da Corte
  • 1870 - Fotografou a construção de um Arco do Triunfo e do Templo da Vitória erguido no Campo da Aclamação, bem como os festejos públicos por ocasião do término da Guerra do Paraguai
  • 1871 - Fotografou os instrumentos ópticos científicos de José Maria dos Reis (c. 1800 - 1875) para a Exposição de Córdoba, na Argentina. Posteriormente essas fotografias passaram a integrar o acervo do imperador D. Pedro II
  • 1872 - Fotografou os festejos públicos, arcos e coretos construídos em diversas ruas do Rio de Janeiro por causa do retorno da família imperial após uma estadia longa na Europa. Atualmente, essa coleção se encontra no acervo do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA)
  • 1872 - Realizou, por encomenda da comissão responsável pela organização, fotos da 3ª Exposição Nacional a fim de fotografar o interior do edifício da Escola Central da Corte, onde se realizou o evento. Estas fotos foram enviadas, posteriormente, pela comissão à Exposição Universal de Viena
  • 1873 - Em 18 de novembro, seu acervo, chapas e equipamento fotográficos foram destruídos em um incêndio, de grandes proporções, em seu ateliê, situado na rua São José, 96, onde residia e trabalhava
  • 1874 - Viajou, juntamente com sua esposa, para esta Paris, França, onde readquiriu equipamentos necessários para recomeçar sua atividade profissional. Para isso contou com o empréstimo obtido junto a Júlio Cláudio Chaigneau, comerciante de artigos e material fotográfico
Durante viagem à Paris, recebeu do Institut de France a honra de entregar duas medalhas executadas por Alphée Dubois ao imperador D. Pedro II
  • 1875 - De volta ao Brasil, recebeu convite para integrar, como fotógrafo, a expedição chefiada por Charles Frederick Hartt (1840 - 1878), cientista norte-americano e professor da Universidade de Cornell. A missão, que foi considerada a maior expedição de caráter científico realizada no século XIX, era financiada pela Comissão Geológica do Império e percorreu os estados da Bahia, Alagoas, Pernambuco e grande parte da região amazônica, sendo. Foi durante essa viagem, na Bahia, que relizou, pela primeira vez, imagens fotográficas dos índios botocudos
  • 1877 - Participou das reuniões da Société Française de Photographie, em Paris, oferecendo de presente à instituição o álbum Paisagens do Brasil
  • 1879 - Realizou extenso trabalho de documentação fotográfica das obras de canalização do rio São Pedro e da construção de um reservatório de água, localizado no morro do Pedregulho, no Rio de Janeiro
  • c. 1880 - Recebeu o título de photographo da Marinha Imperial e da Comissão Geográfica e Geológica do Império.
  • 1880 - Encomendou junto a M. Brandon um aparelho fotográfico para a execução de grandes imagens panorâmicas, que foi construído em Paris. Ferrez continuou, então, a trabalhar por algum tempo no aperfeiçoamento do aparelho
Registrou o interior da Exposição Camoneana, realizada na Biblioteca Pública do Rio de Janeiro. Uma dessas imagens foi oferecida à Biblioteca Nacional pelo imperador
  • 1881 - Introduziu, no mercado fotográfico do país, as primeiras chapas secas elaboradas pelos irmãos Lumière
Túnel da Mantiqueira na sua inauguração, por Marc Ferrez
  • 1882 - Registrou as obras de construção da Estrada de Ferro do Corcovado
A serviço da Estrada de Ferro D. Pedro II viaja para São Paulo e Minas Gerais, para registrar as obras de ampliação da ferrovia The Minas and Rio Railway Company e a presença do imperador e sua comitiva na entrada do túnel da Mantiqueira
  • 1884 - Registrou as obras da ferrovia Paranaguá-Curitiba, gerando um álbum, intitulado Estrada de Ferro do Paraná e composto de quatorze fotografias de vistas da ferrovia e, que foi presenteado ao imperador pelo engenheiro Francisco Pereira Passos, responsável pelas obras. O álbum foi produzido no Rio de Janeiro pela Casa Leuzinger
A mesmo Casa Leuzinger editou o álbum ilustrado com fotografias de sua autoria e intitulado Estrada de Ferro Minas and Rio - Brazil, com fotografias da estrada de ferro The Minas and Rio Railway Company
  • c. 1885 O pintor Henri Langerock (1830 - 1915) executou, com base em uma fotografia de Ferrez, a tela A família imperial e o Corcovado
  • 1885 - Viajou à Paris, para participar das reuniões da Société Française de Photographie, onde apresenta sua câmara para panorâmicas de grandes dimensões e também presenteia a instituição com vistas panorâmicas do Brasil de 1,08 m de comprimento e com dois álbuns contendo numerosas paisagens do país
Em 7 de março, é agraciado com o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa pelo imperador de quem, no mesmo ano, havia executado fotografias no gabinete particular do imperador, localizado no Palácio de São Cristóvão
  • 1886 - O álbum de fotografias Estrada de Ferro do Paraná foi incorporado à coleção da Société Géographique
  • 1887 - A exposição dos Caminhos do Ferro Brasileiro, realizada pelo Clube de Engenharia no Liceu de Artes e Ofícios utilizou parte do acervo da Casa Marc Ferrez, contendo perfis, plantas, projetos memórias e modelos
  • 1889 - José Maria da Silva Paranhos (1845 - 1912), o Barão do Rio Branco, organizou o Album de Vues de Brésil, contendo imagens fotográficas executadas por Ferrez e outros fotógrafos brasileiros para a Exposição Universal de Paris
Depois uma década documentando as obras dirigidas pelo engenheiro Francisco de Paula Bicalho (1847 - 1919) para a melhoria do abastecimento de água do Rio de Janeiro, foi editado um álbum intitulado Obras do novo abastecimento de água, encadernado pela Casa Leuzinger, contendo reproduções das imagens fotográficas das obras
  • 1890 - Associou-se a Henri Gustave Lombaets (1845 - 1897), encadernador da Academia Imperial de Belas Artes, fundando a Lombaets, Marc Ferrez & Cia.. A sociedade passou a publicar postais, o jornal A Estação e o álbum Quadros de História Pátria, que foi encomendado pela Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária
  • 1892 - Encerrou a sociedade com Henri Gustave Lombaets
  • 1893 - Executou registros fotográficos da Revolta da Armada, principalmente sobre os estragos causados pelos revoltosos nos navios e instalações da Marinha brasileira
  • 1894 - Executou serviços de documentação fotográfica para a Comissão Construtora da Nova Capital, em Belo Horizonte, Minas Gerais
Ainda nesse ano, registrou os festejos de Aniversário da Proclamação da República.
  • 1895 - O almanaque Laemmert indica a Casa Marc Ferrez, como sendo o único endereço onde se podia negociar artigos destinados a prática da fotografia no Rio de Janeiro
Nesse ano, realizou experiências com luz oxietérica e raios X em seu laboratório, junto com o cientista Henrique Morize (1860 - 1930), diretor do Observatório Nacional
  • 1899 - A Casa Marc Ferrez lançou uma séries de postais executados com a técnica da fototipia
É desse ano a série de fotografia onde registra diversos tipos de ofícios urbanos, tais como: garrafeiro, verdureiro, cesteiro, quitandeiro, funileiro, vassoureiro, jornaleiro e amolador de facas
  • 1900 - Registrou a Missa Campal, a Inauguração do Monumento, o desfile das Tropas diante do monumento e o Arco Manuelino na Praça da Glória, ocorridos no Rio de Janeiro, em comemoração pelos quatrocentos anos do descobrimento do Brasil
  • 1902 - Executou o registro da inauguração da estátua do visconde de Rio Branco, executada pelo escultor Maurice Charpentier (1858 - 1924) e localizada no bairro da Glória no Rio de Janeiro
  • 1904 - A Casa Marc Ferrez parou de funcionar na rua São José, 88, em virtude da desapropriação de diversos imóveis no centro da cidade para a Construção da Avenida Central (atual Avenida Rio Branco). A indenização recebida foi de 25 contos de réis e foi paga pela Comissão Construtora representada pelo engenheiro Paulo de Frontin (1860 - 1933)
  • 1905 - A Casa Marc Ferrez reabriu na rua São José, 96. Já nesse endereço, Júlio Marc Ferrez obteve a representação da firma francesa Pathé Frères, e passou a ser fornecedor exclusivo dos cinematógrafos ambulantes, do cinematógrafo aberto pelo português Arnaldo Gomes de Souza no Passeio Público, bem como a distribuir filmes para outros cinematógrafos de diversas cidades do país
  • c. 1907 - Publicou o álbum, cujo projeto havia se iniciado em 1903, com o título de Avenida Central: 8 de março de 1903 - 15 de novembro de 1906, contendo plantas da avenida e fotografias dos desenhos das fachadas dos edifícios construídos na nova avenida. Para a produção da obra as zincografias foram executadas pela firma E. Bevilacqua & Cia., situada no Rio de Janeiro, a partir dos negativos das fotografias da série de projetos das fachadas dos prédios em Paris, foram executadas três grandes plantas do projeto, que foram gravadas e impressas pela firma Erhard Frès e em Zurique foi feita a gravação, através do sistema de fotogravura, das fotografias dos prédios já construídos. A primeira tiragem do álbum foi de mil exemplares impressos
Em 17 de novembro de 1907, inaugurou Cine Pathé, em sociedade com Arnaldo Gomes de Souza, nos prédios arrendados na Avenida Central, números 145 e 149. Ainda nesse ano, a Casa Marc Ferrez & Filhos torna-se distribuidora de grande parte dos filmes exibidos nas diversas salas de cinema do Rio de Janeiro
  • 1908 - Fotografou a Exposição Nacional, destacando os pavilhões dos estados, realizada na Praia Vermelha no Rio de Janeiro e, posteriormente, lança uma série de postais sobre o evento
  • 1912 - Introduziu no Brasil as chapas de "autochrome" lançadas pelos irmãos Lumière, no ano de 1907, em Paris
  • 1913 - Júlio Marc Ferrez junto com Luciano José André Ferrez criaram a Companhia Cinematográfica Brasileira, que mais tarde viria a se tornar Casa Marc Ferrez Cinemas e Eletricidade Ltda.
Ainda nesse ano, uma ressaca na praia do Flamengo inundou a residência de Ferrez, situada na rua Dois de Dezembro nº 23, e destruiu todo o estoque de exemplares do álbum Avenida Central: 8 de março de 1903 - 15 de novembro de 1906
  • 1915-1920 - Paris (França) - Viveu na capital francesa onde estudou fotografia em cores naturais
  • c. 1920 - Após o período na França, retorna, doente, para a cidade do Rio de Janeiro
  • 1923 - Em 12 de janeiro, faleceu na cidade do Rio de Janeiro, que tanto retratou e onde viveu a maior parte de sua vida

Trabalho[editar | editar código-fonte]

Marc Ferrez foi o único profissional de fotografia que recebeu o título de "Photographo da Marinha Imperial", em 1880.

Ele trouxe diversas inovações tecnológicas, entre elas, introduziu no mercado as primeiras chapas secas dos irmãos Lumière, foi o primeiro a utilizar o flash de magnésio, que usou para fotografar as minas da região de Morro Velho em Minas Gerais, produziu as maiores chapas coloidais panorâmicas do mundo, com 40 cm por 120 cm, retratando paisagens brasileiras, em 1881.

Apesar de adotar mais a temática da paisagem, foi também um importante retratista, incluindo aí, fotos dos membros da família imperial brasileira, pois em 1886, realizou uma série de retratos da Princesa Isabel no Palácio das Laranjeiras.

Entre as suas publicações se encontra o Álbum da Avenida Central, onde retratou a impressionante construção da atual Avenida Rio Branco, na época chamada "Avenida Central" no Rio de Janeiro, entre 1903 e 1906.

Marc Ferrez estendeu seu interesse também ao cinema e abriu, em 1907, o cinema Pathé, na cidade do Rio de Janeiro.

Seu acervo, adquirido em 1998 pelo Instituto Moreira Salles (IMS), do seu neto, o historiador Gilberto Ferrez, soma mais de 5.500 imagens, sendo quatro mil negativos originais de vidro. Desde então, o IMS passou a organizar um trabalho de recuperação e pesquisa, cuja mostra, "O Brasil de Marc Ferrez - Fotografias do Acervo do Instituto Moreira Salles", reúne grande parte de sua obra (350 imagens, entre fotografias e originais) e foi apresentada ao público do Rio de Janeiro e no Museu Carnavalet, em Paris (França), no ano de 2005.[1] Esta mostra também foi apresentada nas cidades de Poços de Caldas, Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte.

Referências

  1. O rigor de Marc Ferrez, História Viva, nº 40, páginas 12 e 13, fevereiro de 2007>

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Marc Ferrez