Deixa Falar

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Deixa Falar
Fundação 12 de agosto de 1927
Cores Vermelho e branco
Bairro Estácio

Deixa Falar foi a primeira escola de samba do Brasil.[1]

História[editar | editar código-fonte]

A agremiação carnavalesca do bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, considerada por alguns pesquisadores do samba como apenas um bloco, foi de fato a primeira escola de samba no sentido literal do termo, pois seus componentes ensinavam e difundiam o samba, fato reconhecido por todos os pioneiros do samba. Posteriormente foi também um rancho.

A Deixa Falar durou pouco tempo, fazendo "embaixadas" (visitas a outros redutos de samba como Mangueira, Oswaldo Cruz e Madureira) e desfilando na Praça Onze nos carnavais de 1929, 1930 e 1931, não chegando a participar do primeiro concurso oficial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, organizado em 1932 pelo jornal Mundo Sportivo.

Neste ano preferiu passar para a categoria de rancho. A agremiação já tinha desfilado entre os ranchos em 1931, como experiência, e desfilou novamente em 1932, desta vez concorrendo. O grupo foi extinto ainda em 1932. O fim da agremiação foi causado por conflitos em relação aos gastos da subvenção oferecida pela prefeitura para aquele desfile.

Vale lembrar que entre 1929 e 1932, ainda se escrevia "escola de samba", entre as aspas, e estas ainda eram consideradas como blocos, porém com marcação diferenciada.

Fundada em 12 de agosto de 1928 no nº 27 da Rua Maia de Lacerda, na casa de Chystalino, sargento da polícia e pai do sambista Biju, a escola tinha entre seus grandes nomes o sambista Ismael Silva, que foi quem lhe batizou.

Nas imediações da sede da escola, no Largo do Estácio, funcionava a Escola Normal, daí, segundo Ismael, veio a analogia criada por ele, pois sua agremiação formaria professores de samba. Esta versão, entretanto é contestada por pesquisadores contemporâneos que detectaram a utilização do termo "escola de samba" em data anterior a 1928.

As cores da agremiação eram vermelho e branco, em homenagem ao bloco A União Faz a Força, que era liderado pelo sambista Mano Rubem, também no Estácio, e que deixou de existir com a morte deste em 1927, e ao América Futebol Clube, cuja sede fica próxima ao bairro.

Entre os sambistas fundadores da Deixa Falar, havia dois projetos; o de Oswaldo da Papoula, seu presidente, que era o de criar um rancho; e o de Ismael Silva, de criar um bloco inovador, que excluiria quase todos os elementos estruturais dos ranchos. Ismael era contra enredo, evoluções, destaques e bailados estranhos ao samba. Apesar das divergências, ambos colaboraram para o crescimento do grupo, que, entre os grupos carnavalescos da cidade da época, era um dos mais famosos a ter por base o samba.

Em 1929, o "pai-de-santo" Zé Espinguela organizou o primeiro concurso de sambas conhecido. Realizado em sua própria casa, na Rua Adolpho Bergamini - onde hoje está a escola de samba Arranco - no Engenho de Dentro. Este encontro, nos tempos em que o samba ainda era marginalizado, tinha por objetivo escolher o melhor grupo de sambistas da cidade. Três grupos de sambistas - ou seja, as "escolas de samba" - se apresentaram: o Conjunto Oswaldo Cruz, o Bloco Carnavalesco Estação Primeira, e o Deixa Falar, que acabou desclassificado por apresentar instrumentos de sopro.

Ainda em 1929, Bide, sambista da escola, participou da gravação de "Na Pavuna", a primeira gravação em disco em que foram usados os instrumentos típicos das escolas de samba - sem banda ou orquestra para fazer a base - usando a marcação típica de escola de samba. Foram membros do Deixa Falar que introduziram ao samba a cuíca e que inventaram o surdo.

Nos anos seguintes, 1930 e 1931, tal concurso não se repetiu, porém o samba moderno foi se espalhando pela cidade, e muitos blocos passaram a adotar a denominação "escola de samba", assimilando alguns elementos propostos pela Deixa Falar. Em 1932 o jornal Mundo Sportivo organiza o primeiro desfile de escolas de samba, porém nesse ano a Deixa Falar se inscreve no desfile oficial dos ranchos.

No ano anterior, a Deixa Falar já havia desfilado entre os ranchos, no concurso organizado pelo Jornal do Brasil, apenas como experiência, com o enredo "O Paraíso de Dante", e teve boa avaliação do jornal.

Em 1932, desfilando já como concorrente com o enredo "A Primavera e a Revolução de Outubro", não obtém sequer classificação, segundo a comissão julgadora, o Deixa Falar se apresentou "simples e sem maiores pretensões".

No dia 29 de março de 1933 ocorre o fim da Deixa Falar, que se funde ao bloco União das Cores, formando o União do Estácio de Sá. Osvaldo da Papoula, após isso, foi para o Recreio das Flores, da Saúde, e Ismael Silva até o fim de sua vida jamais se associou a outra agremiação carnavalesca.

Em 1980 a escola de samba Estácio de Sá, com o então nome de Unidos de São Carlos desfilou no grupo principal com o enredo Deixa Falar, em homenagem a escola pioneira. e que 2010 a mesma escola de samba desfilará no grupo de acesso com o enredo Deixa Falar, a Estácio é isso aí. Eu visto esse manto e vou por aí, da escola pioneira até a atual. e usuará sua data de fundação.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Notas e referências