Jornal do Brasil

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Jornal do Brasil
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Periodicidade Diário
Formato Berlinense (quando impresso)
Virtual (hoje)
Fundador(es) Rodolfo Dantas
Presidente Nelson Tanure
Diretor Augusto Nunes
Editor Tales Faria
Fundação 9 de abril de 1891 (123 anos)
Slogan O Primeiro Jornal 100% digital do País!
Sede Rio de Janeiro
Página oficial Jornal do Brasil

O Jornal do Brasil é um tradicional jornal brasileiro, publicado diariamente na cidade do Rio de Janeiro e impresso até setembro de 2010, quando se tornou exclusivamente digital.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Fundado em 1891 por Rodolfo Dantas, com intenção de defender a monarquia recentemente deposta. De nível elevado, contava com a colaboração de José Veríssimo, Joaquim Nabuco, Aristides Spínola, Ulisses Viana, o Barão do Rio Branco e outros como Oliveira Lima, então apenas um jovem historiador. As afinidades da maioria desses elementos com o regime deposto foram sintetizadas por Nabuco como a melhor República possível. O periódico inovou por sua estrutura empresarial, parque gráfico, pela distribuição em carroças e a participação de correspondentes estrangeiros, como Eça de Queirós. O seu primeiro número veio a público em abril. Manteve sua orientação conservadora até que Rui Barbosa assumiu a função de redator-chefe (1893). Nesta fase inicial, o Barão do Rio Branco (1845-1912) colaborou, em suas páginas, com as célebres colunas Efemérides e Cartas de França.

A redação do jornal foi atacada ("empastelada", como se dizia na época) em 16 de dezembro de 1891, dias após a morte do Imperador D. Pedro II, noticiada com pesar em uma edição especial tarjada de negro em sinal de luto.

Por ter sido o único periódico da então Capital Federal a publicar o manifesto do Contra-Almirante Custódio de Melo quando da eclosão da Segunda Revolta da Armada (6 de setembro de 1893), o presidente da República, Floriano Peixoto determinou o fechamento do jornal e mandou caçar Rui Barbosa, vivo ou morto. O jornal permaneceu fechado por um ano e quarenta e cinco dias.

A partir de 15 de novembro de 1894 voltou a circular, sob a direção da família Mendes de Almeida. A opção pela data assinalava o apoio à República, e a sua nova proposta editorial voltava-se para as reivindicações populares.

No início do Século XX, o Jornal do Brasil transferiu-se para um dos primeiros arranha-céus do Rio de Janeiro, na recém-inaugurada Avenida Central (hoje Avenida Rio Branco), onde permaneceu até a década de 1970, quando se transferiu para um novo prédio, na Av. Brasil, 500, em frente ao Cais do Porto.

Mais tarde, o Jornal do Brasil tornou-se propriedade dos Condes de Pereira Carneiro (Ernesto Pereira Carneiro e Maurina Pereira Carneiro) e depois de seu genro, Manuel Francisco do Nascimento Brito.

Nos anos 1950, o designer gráfico Amílcar de Castro revolucionou o design de jornais no Brasil, com a reforma gráfica para o JB.

Conforme Jânio de Freitas, o Jornal do Brasil foi o principal jornal durante o regime militar, auferindo muitos lucros ao identificar-se com o regime. Liderou iniciativas de apoio ao regime, utilizando expressões como "milagre brasileiro", "Brasil grande", ou a designação de terroristas a opositores, mesmo não armados. Com a redemocratização, tais ganhos desapareceram e o jornal logo entraria em crise.[2]

Em 2005, o JB instalou-se na "Casa do Bispo", imóvel histórico e representativo do colonial luso-brasileiro, datado do início do século XVII, que já serviu de sede à Fundação Roberto Marinho.

A partir de 16 de Abril de 2006 começou a circular nas bancas no chamado "formato europeu", um formato maior que o tabloide e menor que o convencional, seguido por diversos jornais daquele continente.

Em 2008 o Jornal do Brasil realizou uma parceria de digitalização com o buscador Google que resultou no livre acesso em texto completo das edições digitalizadas das décadas de 30 a 90, que podem ser acessadas pelo link Acervo histórico digitalizado do Jornal do Brasil

Crise[editar | editar código-fonte]

Em 2001, a família Nascimento Brito arrendou o título do jornal para o empresário Nelson Tanure por 60 anos, renováveis por mais 30.[3] A intenção do empresário, conhecido por comprar empresas pré-falimentares, saneá-las e depois revendê-las, era recuperar o prestígio do jornal. Naquele ano, as vendas do jornal eram de 70 mil em média durante a semana e 105 mil aos domingos.[3] Recuperou-se a partir de 2003, atingindo 100 mil exemplares em 2007, quando então as vendas novamente começaram a cair, chegando a 20.941 em março de 2010.[4]

Em julho de 2010, foi anunciado o fim da edição impressa do jornal que, a partir de 1 de setembro do mesmo ano, existiria somente em versão online, com alguns conteúdos restritos a assinantes, o JB Premium.[4] O JB agora autodenomina-se "O Primeiro jornal 100% digital do País!"

A possível volta do JB ao papel[editar | editar código-fonte]

Após aposentar sua versão impressa em agosto de 2010, o centenário 'Jornal do Brasil' pode chegar novamente às bancas. A afirmação foi feita por Pedro Grossi, advogado, que já ocupou o cargo de vice-presidente do periódico e foi recontratado recentemente pelo empresário baiano Nelson Tanure, dono da holding Docas Investimentos, que administra a marca JB e outras empresas. Grossi havia deixado o comando do jornal por discordar da migração definitiva do papel para a internet e, assim que o jornal deixou de circular, pediu o seu desligamento. Agora, Tanure parece ter mudado de ideia e quer que o seu executivo redescubra o velho formato e traga lucros que ainda não consegue enxergar no modelo virtual. A decisão de retomar a versão impressa, porém, pode estar relacionada ao modelo de negócio on-line, que ainda não decolou. Antes da migração para o digital, o 'Jornal do Brasil' contabilizava aproximadamente 120 colaboradores, entre empregados contratados no regime celetista e outros como pessoas jurídicas. Este número foi drasticamente reduzido no novo modelo e, atualmente, cerca de dez jornalistas fazem a atualização do site.[5]

Referências

  1. Jornal do Brasil transita totalmente para era digital. visaonews.com. Visaonews.com (2011). Página visitada em 27 de julho de 2011.
  2. Freitas, Jânio de. (3 de junho de 2012). Imprensa e democracia. Folha de S.Paulo.
  3. a b Jornal do Brasil faz 110 anos e começa nova fase. Folha Online (9 de abril de 2001). Página visitada em 16 de julho de 2010.
  4. a b Empresário anuncia o fim do Jornal do Brasil em versão impressa". Folha.com.
  5. EXCLUSIVO: 'Jornal do Brasil' pode voltar para as bancas em 2012. Oreporter.com.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]