Tijuca

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Tijuca
—  Bairro do Brasil  —
Estação Saens Peña de metrô.
Estação Saens Peña de metrô.
Tijuca.svg
Criado em 1759
Área
 - Total 1 006,56 ha[1]
População
 - Total 163 805 (2 010)[1]
 - IDH 0,926 (2000)[2]
Domicílios 67 183 (2010)[1]
Limites Alto da Boa Vista, Andaraí, Grajaú,
Vila Isabel, Maracanã, Pça.da Bandeira,
Estácio e Rio Comprido
[3]
Subprefeitura Grande Tijuca
Fonte: Não disponível

Tijuca é um bairro de classe média da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. Seu índice de qualidade de vida no ano 2000, era de 0,887, o 18º melhor do Rio de Janeiro, dentre 126 bairros avaliados, sendo considerado alto.[4] . Segundo dados de 2010, possuí 163 805 habitantes[1] . Está entre os bairros mais antigos, tradicionais e populosos da capital carioca.

Topônimo[editar | editar código-fonte]

"Tijuca" é um nome com origem na língua tupi e significa "água podre", de ty ("água") e îuk ("podre")[5] . O nome, porém, se refere principalmente à região da Lagoa da Tijuca, que possui muito mangue e água parada e que está separada do atual bairro da Tijuca pelo Maciço da Tijuca[6] . O bairro atual da Tijuca ficava no caminho para a Lagoa da Tijuca, razão pela qual acabou por adquirir o nome dessa lagoa.

História[editar | editar código-fonte]

Brasão do bairro da Tijuca

Logo após a vitória dos portugueses sobre os franceses no episódio da França Antártica, em 1565, a região do atual bairro da Tijuca foi ocupada pelos padres jesuítas, que, nela, instalaram imensas fazendas dedicadas ao cultivo da cana-de-açúcar. Nessa época, foi construída uma capela dedicada a São Francisco Xavier que deu o nome à fazenda dos jesuítas mais próxima do Centro da cidade: a Fazenda de São Francisco Xavier. Em 1759, com a expulsão dos jesuítas do Brasil pelo Marquês de Pombal, as suas fazendas foram vendidas a centenas de novos sitiantes[7] [8] .

Igreja de São Francisco Xavier do Engenho Velho, marco histórico do bairro da Tijuca

A região passou a caracterizar-se pelas suas chácaras e, a partir do século XX, passou a ser um bairro tipicamente urbano. Ainda assim, possui a terceira maior floresta urbana do mundo, a Floresta da Tijuca, plantada por determinação de dom Pedro II na segunda metade do século XIX pelo major Archer em terras de café desapropriadas, para combater a falta de água que se instalara na então capital do império. Trata-se de uma floresta secundária, uma vez que é fruto de um replantio, compreendendo espécies que não são nativas da mata atlântica, a cobertura vegetal original.

Data de 1859 até 1866 o funcionamento pioneiro da primeira linha de transporte em veículos sobre trilhos[9] no Rio de Janeiro, com tração animal, anterior ao bonde elétrico, ligando o Largo do Rocio (a atual Praça Tiradentes) ao Alto da Boa Vista.

Em 23 de agosto de 1985, o decreto 5.280 definiu os atuais limites do bairro[10] .

Quadro de Rugendas de 1820 mostrando visitantes indo para a Tijuca seguindo uma caravana mercante
Rua São Francisco Xavier, importante via de ligação para o Centro da cidade
Rua Afonso Pena
Praça Afonso Pena
Rua das Flores
Rua Professor Lafayette Cortes

Estrutura[editar | editar código-fonte]

A Tijuca tem área de 1.006,56 hectares, com 56.980 domicílios (censo de 2000) e integra a VIII Região Administrativa do Rio de Janeiro, junto com os bairros da Praça da Bandeira e Alto da Boa Vista. É a sede da Subprefeitura da Grande Tijuca que, além dos bairros da VIII RA, abrange os do Maracanã, Grajaú, Vila Isabel e Andaraí.

O bairro abriga educandários tradicionais da cidade, como o colégio Pedro II, que teve instalada a sua primeira unidade de externato na Tijuca em 1858; o Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro, fundado em 1880 como a então Escola Normal do Município da Corte, formando educadoras - as "normalistas"; o Colégio Militar do Rio de Janeiro - a Casa de Tomás Coelho, formando gerações de cidadãos e líderes desde 1889; o Colégio Marista São José, fundado em 1902 pelos irmãos Maristas; o Colégio Batista Shepard, fruto do idealismo de três pessoas: Dr. A. B. Deter, Sr. W. C. Canadá e Dr. John J. Watson Shepard, este que o dirigiu inicialmente, entre outros colégios e universidades.

Há também clubes sociais e desportivos tradicionais, como o America Football Club, que é o principal clube do bairro. Foi fundado em 18 de setembro de 1904. Conquistou sete Campeonatos Estaduais (Em 1913, 1916, 1922, 1928, 1931, 1935 e 1960) além de uma Taça Guanabara em 1974, a primeira edição da Taça Rio em 1982 e a mais importante conquista de sua história, a Taça dos Campeões, também em 1982. Além do America, o bairro possui ainda o Tijuca Tênis Clube, o Country Clube da Tijuca, o Montanha Clube, Clube Monte Sinai, Clube Municipal, a Associação Atlética Tijuca e uma gama de clubes portugueses.

Há importantes construções históricas como a igreja de São Francisco Xavier, a igreja de São Sebastião dos Capuchinhos, as igrejas de Santo Afonso, Santa Teresinha e a dos Sagrados Corações, o palácio dos Bianca, uma vivenda majestosa construída na década de 1920 pela família espanhola Bianca, recentemente tombada pelo patrimônio histórico e convertida no centro de referência da Música Carioca da Prefeitura do Rio, a Casa Granado, um tradicional estabelecimento de comércio farmacêutico fundado em 1870 e que funciona até hoje, entre outros.

Principais logradouros[editar | editar código-fonte]

Avenidas
  • Heitor Beltrão: recebe o fluxo de trânsito da rua Doutor Satamini até a Praça Saens Peña, embora tenha seu início no cruzamento com a rua Professor Gabizo.
  • Maracanã: interliga a Praça da Bandeira à Usina, sendo uma grande via de ligação da Tijuca ao Centro. Nela está localizado o Estádio Mário Filho, a Praça Xavier de Brito e a Praça Varnhagem.
  • Leopoldina: principal avenida do bairro da Tijuca e uma das vias principais vias que ligam diversos bairros ao centro do rio de Janeiro.
Ruas
Praças
  • Afonso Pena: Presidente do Brasil (1906-1907), a praça possui uma estação de metrô e se localiza próximo ao Rio Comprido.
  • Comandante Xavier de Brito: também conhecida como Praça dos Cavalinhos pela tradicional atração que imprime ao local o encanto bucólico das cidades do interior.
  • Marino Gomes Ferreira - Governador (1968-1969) do Rotary International.
  • Saens Peña
  • São Fancisco Xavier: Fica defronte a uma igreja homônima e também a última estação do metrô.
  • Varnhagen: Em uma área mais residencial a praça possui vários restaurantes, sendo o polo gastronômico do bairro.
  • Hans Klussmann: localiza-se no alto da Rua Sabóia Lima, onde há um riacho que desemboca no Rio Trapicheiros passando nos fundos do Colégio Batista. É mais conhecida por ser a praça com bichinhos de argamassa, moldados em arte naïf por um vizinho endinheirado, o professor Paulo de Tarso.
  • Gabriel Soares: fica no encontro das ruas Desembargador Isidro, Bom Pastor e José Higino. Além de ser o ponto final da linha 409 (Saens Peña-Horto), é um dos recantos mais bucólicos do bairro da Tijuca.
  • Hilda: localiza-se na confluência das ruas Deputado Soares Filho, Pareto e Santa Sofia. Na verdade, é um largo loteado de edifícios dos anos 1950/60.
  • Luis de la Saigne: praça que margeia a Avenida Maracanã em frente ao Shopping Tijuca.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Teatros[editar | editar código-fonte]

A Tijuca é o único bairro da Zona Norte a possuir mais de dois teatros, obtendo o mesmo nível de acesso cultural que a Zona Sul da cidade. Há sete teatros no bairro: Centro Cultural do Balé, Centro Coreográfico do Rio, Teatro Henriqueta Brieba, Teatro SESC, Teatro Ziembeski, e Teatro Max Nunes, na sede do America e o teatro do Clube Municipal.

Escolas de samba[editar | editar código-fonte]

Na Tijuca, se localizam as escolas de samba Acadêmicos do Salgueiro, fundada em 1953, fundindo 3 escolas do bairro, baseada no morro de mesma denominação, a Unidos da Tijuca, esta fundada em 31 de dezembro de 1931, com três campeonatos e dois vice-campeonatos em sua trajetória, baseada no morro do Borel, e a Império da Tijuca, fundada em 1940, baseada no morro da Formiga. Acadêmicos do Salgueiro e Império da Tijuca ainda possuem seus grêmios recreativos no bairro; a Unidos da Tijuca devido a má localização da quadra do Borel está sediada no bairro Santo Cristo porém a escola segue representando a Tijuca.

Cinema[editar | editar código-fonte]

Possui apenas salas da rede Kinoplex no Shopping Tijuca.

Museu[editar | editar código-fonte]

Espaço Ciência Viva

Rio Música - exposição interativa sobre 500 anos de música no Rio - no Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola (Rua Conde de Bonfim, 824)

Transporte[editar | editar código-fonte]

É atendida por várias linhas de ônibus e pelo metrô através das estações Afonso Pena, São Francisco Xavier, Saens Peña e Uruguai, inaugurada em março de 2014, sendo atualmente o terminal-norte da Linha Um do metrô carioca. Além disto, desde 2010 diversas ciclofaixas têm sido construídas no bairro.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

No bairro funcionam os mercados Pão de Açúcar, Assaí Atacadista, Extra Hipermercado, Mundial, MultiEconomia,Super Market além do restaurante Manada Grill

Segurança[editar | editar código-fonte]

A Tijuca é assegurada pela XIX delegacia da Pomerija; e em 2010, foi inaugurada a primeira Unidade de Polícia Pacificadora do bairro, no Morro do Borel.[11] [12] .

Gentílico[editar | editar código-fonte]

Tijucano é a denominação dada ao morador da Tijuca. É o bairro do Rio de Janeiro mais identificado pelo seu gentílico. Considera-se a principal característica do tijucano o fato dele ser muito apegado ao bairro e, de certa forma, tradicionalista e conservador. Isto se explica pela razão de que, no imaginário carioca, o tijucano, enquanto elite do Rio de Janeiro no início do século XX, contrapunha a identidade cosmopolita e praiana propagada pela elite que passou a ocupar a Zona Sul nesta mesma época [13] .

Atualmente, tal designação continua em vigor nos diálogos e sociabilidades cariocas, sendo o tijucano representante e/ou parte de uma comunidade - no caso, o bairro da Tijuca - com cultura, valores e orgulho próprio.

Tijucanos ilustres[editar | editar código-fonte]


Esportes e lazer[editar | editar código-fonte]

Clubes esportivos[editar | editar código-fonte]

Clubes de serviços[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

Instituições tradicionais[editar | editar código-fonte]

Escolas municipais[editar | editar código-fonte]

  • Araújo Porto Alegre
  • Borel
  • Chácara do Céu
  • Laudimia Trotta
  • Francisco Cabrita
  • Bombeiro Geraldo Dias
  • Prudente de Moraes
  • Barão de Itacurussá
  • General Euclydes de Figueiredo
  • Soares Pereira
  • Jornalista Brito Broca
  • Orsina da Fonseca
  • Mário da Veiga Cabral
  • Leitão da Cunha

Creches municipais[editar | editar código-fonte]

  • Casa Branca - Professor Paulo Freire
  • Raio de Sol
  • Raízes do Salgueiro
  • Tia Bela
  • Tia Maria
  • Doutor Ronaldo Luiz Gazolla

Religião[editar | editar código-fonte]

A Tijuca possui diversos centros religiosos ligados a nove diferentes crenças, como para o catolicismo, protestantismo, evangelicalismo, bruxaria, candomblé, espiritismo, islamismo, judaísmo e mormonismo.

Sub-bairros[editar | editar código-fonte]

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • FERRAZ, Talitha. A segunda cinelândia carioca. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2012. 240p.
  • LIMA, Carlos Alberto de. Nomes que marcam o Rio. Rio de Janeiro: O Autor, 2008; 304p.
  • OLIVEIRA, Lili Rose Cruz. Tijuca: de rua em rua. Rio de Janeiro: ED RIO, 2004. 256p.
  • RIBAS, Matha; FRAIHA, Silvia; et LOBO, Tiza. Tijuca & Floresta. Rio de Janeiro: ED FRAHIA, 2000. 128p.
  • VISCONTI, Eliseu. Bom Pra Valer: A história dos 50 anos do Rotary Tijuca. Rio de Janeiro: ED DTP, 1999. 116p.

Referências