Tijuca

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Broom icon.svg
As referências deste artigo necessitam de formatação (desde outubro de 2013). Por favor, utilize fontes apropriadas contendo referência ao título, autor, data e fonte de publicação do trabalho para que o artigo permaneça verificável no futuro.
Tijuca
—  Bairro do Brasil  —
Estação Saens Peña de metrô. Foto de André Luiz Pereira Nunes
Estação Saens Peña de metrô. Foto de André Luiz Pereira Nunes
Tijuca.svg
Criado em 1759
Área
 - Total 1 006,56 ha[1]
População
 - Total 163 805 (2 010)[1]
 - IDH 0,926 (2000)[2]
Domicílios 67 183 (2010)[1]
Limites Alto da Boa Vista, Andaraí, Grajaú,
Vila Isabel, Maracanã, Pça.da Bandeira,
Estácio e Rio Comprido
[3]
Subprefeitura Grande Tijuca
Fonte: Não disponível

Tijuca é um bairro de classe média e classe média-alta da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. Seu índice de qualidade de vida no ano 2000, era de 0,887, o 18º melhor do Rio de Janeiro, dentre 126 bairros avaliados, sendo considerado alto.[4] Segundo dados de 2010, possuí 163 805 habitantes[1] . Está entre os bairros mais antigos, tradicionais e populosos da capital carioca.

Topônimo[editar | editar código-fonte]

"Tijuca" é um nome com origem na língua tupi e significa "água podre", de ty ("água") e îuk ("podre")[5] . O nome, porém, se refere principalmente à região da Lagoa da Tijuca, que possui muito mangue e água parada e que está separada do atual bairro da Tijuca pelo Maciço da Tijuca[6] . O bairro atual da Tijuca ficava no caminho para a Lagoa da Tijuca, razão pela qual acabou por adquirir o nome dessa lagoa.

História[editar | editar código-fonte]

Brasão do bairro da Tijuca

Logo após a vitória dos portugueses sobre os franceses no episódio da França Antártica, em 1565, a região do atual bairro da Tijuca foi ocupada pelos padres jesuítas, que, nela, instalaram imensas fazendas dedicadas ao cultivo da cana-de-açúcar. Nessa época, foi construída uma capela dedicada a São Francisco Xavier que deu o nome à fazenda dos jesuítas mais próxima do Centro da cidade: a Fazenda de São Francisco Xavier. Em 1759, com a expulsão dos jesuítas do Brasil pelo Marquês de Pombal, as suas fazendas foram vendidas a centenas de novos sitiantes[7] [8] .

Igreja de São Francisco Xavier do Engenho Velho, marco histórico do bairro da Tijuca

A região passou a caracterizar-se pelas suas chácaras e, a partir do século XX, passou a ser um bairro tipicamente urbano. Ainda assim, possui a terceira maior floresta urbana do mundo, a Floresta da Tijuca, plantada por determinação de dom Pedro II na segunda metade do século XIX pelo major Archer em terras de café desapropriadas, para combater a falta de água que se instalara na então capital do império. Trata-se de uma floresta secundária, uma vez que é fruto de um replantio, compreendendo espécies que não são nativas da mata atlântica, a cobertura vegetal original.

Data de 1859 até 1866 o funcionamento pioneiro da primeira linha de transporte em veículos sobre trilhos[9] no Rio de Janeiro, com tração animal, anterior ao bonde elétrico, ligando o Largo do Rocio (a atual Praça Tiradentes) ao Alto da Boa Vista.

Em 23 de agosto de 1985, o decreto 5.280 definiu os atuais limites do bairro[10] .

Quadro de Rugendas de 1820 mostrando visitantes indo para a Tijuca seguindo uma caravana mercante
Rua São Francisco Xavier, importante via de ligação para o Centro da cidade. Foto de André Luiz Pereira Nunes
Rua Afonso Pena. Foto de André Luiz Pereira Nunes
Praça Afonso Pena. Foto de André Luiz Pereira Nunes
Rua das Flores. Foto de André Luiz Pereira Nunes
Rua Professor Lafayette Cortes. Foto de André Luiz Pereira Nunes

Estrutura[editar | editar código-fonte]

A Tijuca tem área de 1.006,56 hectares, com 56.980 domicílios (censo de 2000) e integra a VIII Região Administrativa do Rio de Janeiro, junto com os bairros da Praça da Bandeira e Alto da Boa Vista. É a sede da Subprefeitura da Grande Tijuca que, além dos bairros da VIII RA, abrange os do Maracanã, Grajaú, Vila Isabel e Andaraí.

O bairro abriga educandários tradicionais da cidade, como o colégio Pedro II, que teve instalada a sua primeira unidade de externato na Tijuca em 1858; o Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro, fundado em 1880 como a então Escola Normal do Município da Corte, formando educadoras - as "normalistas"; o Colégio Militar do Rio de Janeiro - a Casa de Tomás Coelho, formando gerações de cidadãos e líderes desde 1889; o Colégio Marista São José, fundado em 1902 pelos irmãos Maristas; o Colégio Batista Shepard, fruto do idealismo de três pessoas: Dr. A. B. Deter, Sr. W. C. Canadá e Dr. John J. Watson Shepard, este que o dirigiu inicialmente, entre outros colégios e universidades.

Há também clubes sociais e desportivos tradicionais, como o America Football Club, que é o principal clube do bairro. Foi fundado em 18 de setembro de 1904. Conquistou sete Campeonatos Estaduais (Em 1913, 1916, 1922, 1928, 1931, 1935 e 1960) além de uma Taça Guanabara em 1974, a primeira edição da Taça Rio em 1982 e a mais importante conquista de sua história, a Taça dos Campeões, também em 1982. Além do America, o bairro possui ainda o Tijuca Tênis Clube, o Country Clube da Tijuca, o Montanha Clube, Clube Monte Sinai, Clube Municipal, a Associação Atlética Tijuca e uma gama de clubes portugueses.

Há importantes construções históricas como a igreja de São Francisco Xavier, a igreja de São Sebastião dos Capuchinhos, as igrejas de Santo Afonso, Santa Teresinha e a dos Sagrados Corações, o palácio dos Bianca, uma vivenda majestosa construída na década de 1920 pela família espanhola Bianca, recentemente tombada pelo patrimônio histórico e convertida no centro de referência da Música Carioca da Prefeitura do Rio, a Casa Granado, um tradicional estabelecimento de comércio farmacêutico fundado em 1870 e que funciona até hoje, entre outros.

Principais logradouros[editar | editar código-fonte]

Avenidas
  • Heitor Beltrão: recebe o fluxo de trânsito da rua Doutor Satamini até a Praça Saens Peña, embora tenha seu início no cruzamento com a rua Professor Gabizo.
  • Maracanã: interliga a Praça da Bandeira à Usina, sendo uma grande via de ligação da Tijuca ao Centro. Nela está localizado o Estádio Mário Filho, a Praça Xavier de Brito e a Praça Varnhagem.
  • Leopoldina: principal avenida do bairro da Tijuca e uma das vias principais vias que ligam diversos bairros ao centro do rio de Janeiro.
Ruas
Praças
  • Afonso Pena: Presidente do Brasil (1906-1907), a praça possui uma estação de metrô e se localiza próximo ao Rio Comprido.
  • Comandante Xavier de Brito: também conhecida como Praça dos Cavalinhos pela tradicional atração que imprime ao local o encanto bucólico das cidades do interior.
  • Marino Gomes Ferreira - Governador (1968-1969) do Rotary International.
  • Saens Peña
  • São Fancisco Xavier: Fica defronte a uma igreja homônima.
  • Varnhagen: Em uma área mais residencial a praça possui vários restaurantes, sendo o polo gastronômico do bairro.
  • Hans Klussmann: localiza-se no alto da Rua Sabóia Lima, onde há um riacho que desemboca no Rio Trapicheiros passando nos fundos do Colégio Batista. É mais conhecida por ser a praça com bichinhos de argamassa, moldados em arte naïf por um vizinho endinheirado, o professor Paulo de Tarso.
  • Gabriel Soares: fica no encontro das ruas Desembargador Isidro, Bom Pastor e José Higino. Além de ser o ponto final da linha 409 (Saens Peña-Horto), é um dos recantos mais bucólicos do bairro da Tijuca.
  • Hilda: localiza-se na confluência das ruas Deputado Soares Filho, Pareto e Santa Sofia. Na verdade, é um largo loteado de edifícios dos anos 1950/60.
  • Luis de la Saigne: praça que margeia a Avenida Maracanã em frente ao Shopping Tijuca.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Teatros[editar | editar código-fonte]

A Tijuca é o único bairro da Zona Norte a possuir mais de dois teatros, obtendo o mesmo nível de acesso cultural que a Zona Sul da cidade. Há sete teatros no bairro: Centro Cultural do Balé, Centro Coreográfico do Rio, Teatro Henriqueta Brieba, Teatro SESC, Teatro Ziembeski, e Teatro Max Nunes, na sede do America e o teatro do Clube Municipal.

Escolas de samba[editar | editar código-fonte]

Na Tijuca, se localizam as escolas de samba Acadêmicos do Salgueiro, fundada em 1953, fundindo 3 escolas do bairro, baseada no morro de mesma denominação, a Unidos da Tijuca, esta fundada em 31 de dezembro de 1931, com três campeonatos e dois vice-campeonatos em sua trajetória, baseada no morro do Borel, e a Império da Tijuca, fundada em 1940, baseada no morro da Formiga. Acadêmicos do Salgueiro e Império da Tijuca ainda possuem seus grêmios recreativos no bairro; a Unidos da Tijuca devido a má localização da quadra do Borel está sediada no bairro Santo Cristo porém a escola segue representando a Tijuca.

Cinema[editar | editar código-fonte]

Possui apenas salas da rede Kinoplex no Shopping Tijuca.

Museu[editar | editar código-fonte]

Espaço Ciência Viva

Rio Música - exposição interativa sobre 500 anos de música no Rio - no Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola (Rua Conde de Bonfim, 824)

Transporte[editar | editar código-fonte]

É atendida por várias linhas de ônibus e pelo metrô através das estações Afonso Pena, São Francisco Xavier, Saens Peña e Uruguai, inaugurada em março de 2014, sendo atualmente o terminal-norte da Linha Um do metrô carioca. Além disto, desde 2010 diversas ciclofaixas têm sido construídas no bairro.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

No bairro funcionam os mercados Pão de Açúcar, Assaí Atacadista, Extra Hipermercado, Mundial, MultiEconomia,Super Market além do restaurante Manada Grill

Segurança[editar | editar código-fonte]

A Tijuca é assegurada pela XIX delegacia da Pomerija; e em 2010, foi inaugurada a primeira Unidade de Polícia Pacificadora do bairro, no Morro do Borel.[11] [12] .

Gentílico[editar | editar código-fonte]

Tijucano é a denominação dada ao morador da Tijuca. É o bairro do Rio de Janeiro mais identificado pelo seu gentílico. Considera-se a principal característica do tijucano o fato dele ser muito apegado ao bairro e, de certa forma, tradicionalista e conservador. Isto se explica pela razão de que, no imaginário carioca, o tijucano, enquanto elite do Rio de Janeiro no início do século XX, contrapunha a identidade cosmopolita e praiana propagada pela elite que passou a ocupar a Zona Sul nesta mesma época [13] .

Atualmente, tal designação continua em vigor nos diálogos e sociabilidades cariocas, sendo o tijucano representante e/ou parte de uma comunidade - no caso, o bairro da Tijuca - com cultura, valores e orgulho próprio.

Tijucanos ilustres[editar | editar código-fonte]

Esportes e lazer[editar | editar código-fonte]

Clubes esportivos[editar | editar código-fonte]

Clubes de serviços[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

Instituições tradicionais[editar | editar código-fonte]

Escolas municipais[editar | editar código-fonte]

  • Araújo Porto Alegre
  • Borel
  • Chácara do Céu
  • Laudimia Trotta
  • Francisco Cabrita
  • Bombeiro Geraldo Dias
  • Prudente de Moraes
  • Barão de Itacurussá
  • General Euclydes de Figueiredo
  • Soares Pereira
  • Jornalista Brito Broca
  • Orsina da Fonseca
  • Mário da Veiga Cabral
  • Leitão da Cunha

Creches municipais[editar | editar código-fonte]

  • Casa Branca - Professor Paulo Freire
  • Raio de Sol
  • Raízes do Salgueiro
  • Tia Bela
  • Tia Maria
  • Doutor Ronaldo Luiz Gazolla

Religião[editar | editar código-fonte]

A Tijuca possui diversos centros religiosos ligados a nove diferentes crenças, como para o catolicismo, protestantismo, evangelicalismo, bruxaria, candomblé, espiritismo, islamismo, judaísmo e mormonismo.

Sub-bairros[editar | editar código-fonte]

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • FERRAZ, Talitha. A segunda cinelândia carioca. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2012. 240p.
  • LIMA, Carlos Alberto de. Nomes que marcam o Rio. Rio de Janeiro: O Autor, 2008; 304p.
  • OLIVEIRA, Lili Rose Cruz. Tijuca: de rua em rua. Rio de Janeiro: ED RIO, 2004. 256p.
  • RIBAS, Matha; FRAIHA, Silvia; et LOBO, Tiza. Tijuca & Floresta. Rio de Janeiro: ED FRAHIA, 2000. 128p.
  • VISCONTI, Eliseu. Bom Pra Valer: A história dos 50 anos do Rotary Tijuca. Rio de Janeiro: ED DTP, 1999. 116p.

Referências