Grajaú (bairro do Rio de Janeiro)

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Grajaú
—  Bairro do Brasil  —
Uma rua do bairro do Grajaú.
Uma rua do bairro do Grajaú.
Grajaú.svg
Distrito Grande Tijuca[1]
Criado em 23 de julho de 1981
Área
 - Total 573,91 ha (em 2003)
População
 - Total 38 671 (em 2 010)[2]
 - IDH 0,938[3] (em 2000)
Domicílios 15 612 (em 2010)
Limites Vila Isabel, Andaraí, Alto da Boa Vista, Engenho Novo, Lins de Vasconcelos, Jacarepaguá e Tijuca[4]
Subprefeitura Grande Tijuca[1]
Fonte: Não disponível
Commons
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O Grajaú é um bairro de classe média alta do município do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

Topônimo[editar | editar código-fonte]

O topônimo "Grajaú" é derivado do termo tupi karaîá'y, que significa "rio dos carajás" (karaîá, carajá + 'y, rio).[5]

História[editar | editar código-fonte]

Tradicional bairro extremamente arborizado, fica localizado na chamada Grande Tijuca, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. Os seus bairros vizinhos são: Tijuca, Vila Isabel, Andaraí, Alto da Boa Vista, Engenho Novo, Lins de Vasconcelos, além de fazer limite, através da Serra da Carioca, com o bairro de Jacarepaguá.[6]

Inicialmente, o Grajaú pertencia a uma grande sesmaria doada aos padres jesuítas no século XVI e que foi destinada para o cultivo de cana-de-açúcar com mão de obra escrava, sendo toda a região conhecida pelo nome de Andaraí Grande.

No final do século XIX, o termo Andaraí Grande veio a ser abolido, dando origem aos bairros de Vila Isabel (1873), Aldeia Campista e Grajaú (1912). A primeira rua aberta no bairro foi a Estrada do Andarahy, em 1875, hoje Rua Barão de Mesquita.

Ao contrário da maioria dos bairros do Rio de Janeiro, o Grajaú foi planejado e surgiu nas primeiras décadas do século XX, edificado sobre um vale conhecido como Vale dos Elefantes, ao sopé do Maciço da Tijuca, próximo ao Pico do Papagaio.

Nessa época, foram promovidos grandes loteamentos no Rio de Janeiro, ainda capital da república. Assim, terras de fazendas de café existentes no bairro foram incorporadas à malha urbana da cidade, assim como a fazenda pertencente à família do engenheiro Richard.

O primeiro loteamento teria sido construído pela Companhia Brasileira de Imóveis e Construções e abrangeu as terras situadas entre a Serra do Engenho Novo e um caminho posteriormente denominado Rua Borda do Mato. A topografia era favorável. Outro loteamento, denominado Vila América, incluiu os terrenos próximos à atual Rua Botucatu.

Em 1918, o construtor italiano Francisco Tricarico, que havia se instalado no bairro, sendo fiel a uma promessa que fizera na Itália, quando estudante, construiu a capela de Nossa Senhora da Imaculada Conceição no quintal da casa, a qual tornou-se o centro da vida comunitária nos anos 1920.

No entanto, foi somente na década de 1920 que se desenvolveu o atual desenho do Grajaú, sendo que a expansão urbana no bairro implicou na canalização de córregos e cursos d'água afluentes do Rio Maracanã que atravessam o subterrâneo de algumas de suas ruas, as quais, na sua maioria, receberam nomes indígenas. O nome Grajaú foi dado em homenagem à cidade maranhense de Grajaú, terra natal do engenheiro Richard, que projetou e construiu o bairro. Como consequência, vários logradouros do bairro têm nome de cidades e rios maranhenses, como é o caso das ruas Gurupi, Mearim e Itabaiana, enquanto que outras vias homenageiam lugares de Minas Gerais, a exemplo das ruas Uberaba, Araxá e Juiz de Fora, visto que houve engenheiros mineiros que trabalharam na expansão do Grajaú e, provavelmente, desejaram homenagear os seus locais de origem.

Em 1925, foi fundada a primeira sede do Grajaú Tênis Clube e, devido ao seu nome, o bairro veio a se tornar conhecido na cidade.

Antônio Eugênio Richard Júnior, construtor do Grajaú
Avenida Engenheiro Richard
Praça Nobel, uma das praças localizadas no bairro

Com a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em 1931, a Capela de Nossa Senhora da Imaculada Conceição passou a funcionar em caráter particular, sendo aberta ao público apenas no dia 8 de dezembro, quando se homenageia Nossa Senhora da Conceição.

Tendo se desenvolvido, o bairro começou a ser atendido por uma linha de bondes elétricos que, mais tarde, na segunda metade do século XX, veio a ser extinta, mantendo-se apenas os ônibus.

Na segunda metade do século XX, o Grajaú sofreu os impactos do inchamento da cidade e da especulação imobiliária que afetou o Rio de Janeiro no decorrer das décadas. Foi nesta época que o poder público permitiu que fossem construídos novos empreendimentos da construção civil através de condomínios edilícios que modificaram a paisagem do bairro, afetando, também, a sua estrutura datada do começo do século, principalmente quanto aos serviços de esgotamento sanitário prestados pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, cuja tubulação não foi projetada para suportar uma intensa utilização. Boa parte dos esgotos residenciais e comerciais do bairro vai para seus rios e galerias de águas pluviais.

As ruas do bairro, inicialmente pavimentadas por paralelepípedos, foram asfaltadas no final da década de 1960.

Como consequência do crescimento populacional desordenado da cidade, alguns morros que cercam os bairros de Grajaú, Vila Isabel e Andaraí foram ocupados de maneira irregular, causando a favelização de tais áreas bem como danos ao meio ambiente e risco aos próprios moradores, visto que se tornaram lugares sujeitos ao deslizamento de terra na época chuvosa. E, bem próxima do Parque Estadual do Grajaú, formou-se a comunidade da Divineia, habitada essencialmente por pessoas carentes.

Assim, pode-se dizer que, no Grajaú, tal como em inúmeros bairros cariocas, evidencia-se um contraste social entre os pobres moradores dos morros e a classe média que habita as ruas.

Após a extinção do estado da Guanabara, em 1974, com a consequente transformação do Rio de Janeiro em município, a cidade veio a ser dividida em várias regiões administrativas geridas por suas respectivas subprefeituras, de modo que, na atualidade, o Grajaú é gerido pela Subprefeitura da Grande Tijuca.

Durante o governo de César Maia, a Praça Edmundo Rego foi reformada, o que, juntamente com as obras no Largo do Verdum, entre outras melhorias, veio a contribuir para valorizar o bairro.

Já em 2009, com a nova administração, conseguiu-se a melhoria no trânsito com a construção de rotatórias para a diminuição de velocidade de veículos em cruzamentos e a implantação do sistema de estacionamento provisório nos canteiros das ruas Engenheiro Richard e Júlio Furtado.

O bairro possui ruas arborizadas e tranquilas, constituídas de nobres residências, sendo algumas casas edificadas no início do século XX e que preservam parte de suas características originais, embora dividindo a paisagem com alguns edifícios de décadas mais recentes.

Embora seja essencialmente residencial, o Grajaú dispõe de alguns estabelecimentos comerciais para atendimento do mercado local, tendo boas escolas, entre as quais destaca-se uma tradicional instituição de ensino de orientação católica, o Colégio da Companhia de Maria.

A principal via do Grajaú é a Avenida Engenheiro Richard, uma homenagem ao fundador do bairro, Antônio Eugênio Richard Júnior, banqueiro, industrial e um dos homens mais influentes das primeiras décadas do século XX. Tal avenida é dividida ao meio por um canteiro com árvores de tamarindo, sendo que na mesma encontra-se a atual sede do Grajaú Tênis Clube.

O bairro é tangenciado por vias importantes como a Rua Barão de Mesquita, a Avenida Menezes Cortes (conhecida também como autoestrada Grajaú-Jacarepaguá) e a Rua Barão do Bom Retiro, ligando o Grajaú à região do Méier.

O centro do Grajaú fica no Largo do Verdun, onde se encontram as principais casas comerciais do bairro, e na Praça Edmundo Rego, onde está situada a Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com características bizantinas, existindo ali também um pequeno comércio local.

Dentro do bairro, localiza-se a Reserva Florestal do Grajaú, criada em 1978 como uma reserva ambiental e que, no final de 2002, foi enquadrada na categoria de parque pelo breve governo de Benedita da Silva, a fim de que a unidade de conservação fosse melhor adequada ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, em cumprimento à legislação federal.

Clubes[editar | editar código-fonte]

Referências