Jardim Sulacap

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Jardim Sulacap
Bairro do Rio de Janeiro Bandeira do Município do Rio de Janeiro.png
Área: 786,92 ha (em 2003)
Fundação: 23 de julho de 1981
IDH: 0,856[1] (em 2000)
Habitantes: 13 062 (em 2010)[2]
Domicílios: 5 031 (em 2010)
Limites: Vila Militar, Campo dos Afonsos,
Vila Valqueire, Tanque, Taquara,
e Realengo[3]
Subprefeitura: Grande Bangu
Região Administrativa: XXXIII R.A.(Realengo)

Jardim Sulacap, comumente chamado simplesmente de Sulacap, é um bairro de classe média e classe média baixa da Zona Oeste do município do Rio de Janeiro, no Brasil.

Faz limite com os bairros Vila Militar, Campo dos Afonsos, Vila Valqueire, Tanque, Taquara e Realengo.[4]

Seu IDH, no ano 2000, era de 0,856, o 50º melhor da cidade do Rio de Janeiro.[5]

História[editar | editar código-fonte]

Segundo históricos, sua fundação data do ano de 1945.

Logo após a 2ª Guerra Mundial, o pequeno bairro foi concebido segundo a proposta de cidade jardim pela empresa Sul América Capitalização. Do nome cidade jardim e da empresa nasceu Jardim Sulacap.

O bairro jardim foi implantado entre a Estrada Intendente Magalhães (antiga Estrada Real de Santa Cruz; hoje, Av. Marechal Fontenelle) e o maciço da Pedra Branca. Antes o lugar era conhecido como Fazenda dos Afonsos.

Sapopemba. Antes de abrigar a famosa Fazenda dos Afonsos, a região foi habitat dos índios tupis da aldeia Sapopemba. Conforme o Blog Jardim Sulacap, Bairro Sustentável, o primeiro nome da região estava na memória dos primeiros colonizadores e foi registrado em alguns documentos, onde aponta que o lugar era chamado de Sapopemba, um nome originário de uma árvore de raiz forte e angulosa que se desenvolve ao redor da base do tronco. O caminho indígena Ita-Tagoa-hy cortava a região; depois, passou a se chamar Estrada ou Caminho Real de Santa Cruz.

1600. Em 1653, o senhor de engenho Manoel de Paredes da Costa e sua esposa Guiomar Rodrigues aparecem como donos das terras. Depois, o lugar (ou parte dele) foi vendido para o reputado senhor de engenho Luís de Paredes (1634-1702) pelo seu irmão Agostinho de Paredes, em 1683. 

1700. Em abril de 1699, a filha herdeira de Luís de Paredes e Leonor (alforriado de Guiné), Inês de Paredes casou-se na igreja de Candelária com o senhor de engenho João Afonso de Oliveira, português de Santa Catarina de Monte Sinai (Lisboa), filho do capitão Antônio Afonso Leitão e Antônia de Oliveira. Nos anos de 1700, Inês e João Afonso tiveram cinco filhos: Guiomar Rodrigues de Oliveira, Maria de Oliveira, Antônio Afonso e Joana. Daí, provavelmente nasceu o nome Fazenda dos Afonsos.

Em 1724, um anos depois da morte de Inês, João Afonsos casou-se com Antônia Coelho de Assunção e tiveram 8 filhos. Homem de prestígio, João Afonso se destacava na vida colonial e colecionava amizades. Na capela do seu engenho, ele realizou muitos casamentos e batizados.ele foi padrinho de casamento de sua cunhada Feliciana Barreta (21 anos) com Antônio Fernandes Valqueire, que tinha só 15 anos. Ele se tornou senhor de engenho. Daí provavelmente o nome do bairro vizinho.

1800. Há registro que a casa-sede dos Afonsos ficava no lado esquerdo da Estrada Real de Santa Cruz, próximo ao Rio dos Afonsos. Como também há registro que a casa-sede esteve próximo a Campinho. Em 1823, a casa-sede ficava no lado direito e a fazenda era de propriedade da família de João Marcos Vieira. Hoje, o lugar é ocupado pela PM. Segundo registro de Maria Graham, em agosto de 1823, os limites começa em Campinho, próximo a um pouso de telhas, se estendendo cerca de uma légua em direção a Piraquara. Na paisagem dos Afonsos, além de canaviais e criação de gados, havia lojas de foreiros brancos, um intenso movimento na Estrada Real com carros bois, tropas de mulas, pessoas a cavalo e a pé.

1900. Ocupado por vários campos agrícolas, boa parte da Fazenda dos Afonsos perdeu espaço para os quarteis. Em 1906, os herdeiros de Carlos J Medeiros Magalhães vendeu parte da fazenda ao Ministério da Justiça. O objetivo da compra era montar a cavalaria da Polícia Militar. Em 1912, o Ministério da Justiça autorizou a PM a ceder parte para o Ministério da Guerra,visando criar a Escola de Aviação do Exército.

Do outro lado da Estrada Real, em 1912, a The Brazil Syndicate comprou das mãos dos herdeiros de Magalhães a outra parte da fazenda. Havia várias casas rústicas ocupadas por locatários que exploravam pequenas lavouras, especialmente frutas. Nessa época, os carros de bois dividiam os espaços com os poucos carros motorizados. Na estrada Invernada dos Afonsos, paralela a Estrada Real, circulava um bonde puxado por burro (linha Marechal Hermes) que dividia espaço com pedestres.

Até os anos de 1940, as casas dos lavradores e campos agrícolas dominavam a paisagem do futuro bairro jardim. Em 1944, a Sul América adquiriu parte das terras da Fazenda dos Afonsos das mãos de Raul de Miranda Santos. Assim, até às vésperas do início da obra de urbanização, o lugar era conhecido como Fazenda dos Afonsos.

Conforme documentos sobre a urbanização, a empresa Sul América reuniu vários técnicos de renome para implantar o projeto urbanístico de cidade-jardim. Engenharia, arquitetura e urbanismo em harmonia, visando, evidentemente, garantir que os moradores pudessem viver junto à natureza sem abrir mão dos benefícios urbanos.

O projeto inicial cobria uma área de seis milhões de metros quadrados (600 hectares), com 69 logradouros, sendo 45 ruas (com quase 428 mil m² de área) e 21 praças, parques e jardins com com 97.538,93 m² de área (Fonte: Diário Oficial da União, Relatório da Sul América de 5/4/1947, p. 4628; DOU, Relatório da Sul América de 22/03/1949, p. 4173). Casas com arquitetura modernistas e jardins tomaram os campos agrícolas da idílica Fazenda dos Afonsos.

A empresa ECOR - Empresa de Construções e Obras Rodoviárias era a construtora e vendedora, a Sul América a proprietária e financiadora dos imóveis. No Jardim Elisa, a maioria das casas foram construídas por Raul de Miranda (Fonte: Blog Jardim Sulacap, Bairro Sustentável).

PRINCÍPIOS DE URBANISMO SUSTENTÁVEL EM JARDIM SULACAP

A ideia de desenvolvimento sustentável ainda não tinha surgido, quando o bairro foi projetado e construído, mas podemos identificar alguns princípios de urbanismo sustentável:

  • O centro do bairro, na Praça Mário Saraiva, integra residências, locais de trabalho e atividades comerciais e de recreação em um só lugar. Várias casas para os militares foram construídas no entorno do centro do bairro. Morar, trabalhar e lazer próximo próximo de casa permite que tudo possa ser feito a pé ou de bicicleta, com qualidade de vida e em equilíbrio com a natureza. Essa era uma realidade rara na época, uma boa maneira de se viver melhor. Outros pontos, com prédios com andares de cima para moradia e lojas comerciais no térreo, foram projetados para permitir aos moradores acesso rápido à área comercial, dentro de uma distância caminhável, reduzindo a necessidade de usar carros.
  • As ruas e calçadas largas e rápidas foram planejadas para garantir a fluidez e segurança dos veículos motorizados e das pessoas, favorecendo os serviços de entregas de mercadorias para abastecer o comércio local e o transporte público; ruas e calçadas mais estreitas, arborizadas, sem grandes declives e degraus torna o caminhar mais seguro, agradável, incentiva o silêncio e reduz os efeitos de ilhas de calor. A preocupação com a mobilidade urbana aparece também em algumas ruas sem saída, onde foi empregado o sistema de cul-de-sac, que é um balão de retorno que facilita a manobra dos carros.
  • Sua malha urbana é formada por várias áreas verdes de lazer, recreação e convivência projetadas para ser a alma do bairro. É impossível andar pelo bairro e não esbarrar em uma área verde. Clima bucólico, sensação de proximidade com a natureza, além de promover bem-estar, as praças oferecem oportunidades de encontros e valoriza o bairro. Além disso, o bairro possui 582 hectares da Floresta da Pedra Branca para lazer, exercícios, práticas esportivas e turísticas. Os morros do Valqueire, do Cachambi, da Caixa D'Água e da Pedreira, que abraçam o bairro, fazem o papel de cinturão verde previsto nas cidades jardins. Mais de 50% da floresta natural é área de reserva florestal. Isso reforça ainda mais a vocação do Jardim Sulacap para oferecer áreas verdes.

Assim, na década de 1940-50, antes da definição de urbanismo sustentável, foi criado um novo jeito de viver, disponibilizado pela engenharia, arquitetura e a natureza em um diálogo amigável com pessoas e ambiente. No Rio, não era comum existir um projeto onde todas as funções estavam previstas. (Fonte: Blog Jardim Sulacap-Bairro Sustentável). Em 1963, no dia da inauguração da Escola Visconde de Porto Seguro, o então governador Carlos Lacerda, disse que Jardim Sulacap era um dos bairros “mais simpáticos, mais acolhedores e progressistas do Rio de Janeiro”, um lugar que a família pudesse “viver, morar e conviver”. Para o governador, “o bairro Sulacap era um ponto de referência na Guanabara de como era possível organizar a população com seus próprios recursos e, através da iniciativa privada, chegar às soluções felizes, como a que a Sulacap tinha adotado”(Fonte: AGCRJ – Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro).

Nas últimas décadas o bairro tem experimentado um grande crescimento urbano, com consolidação do comércio e indústria de serviços. As forças armadas, sobretudo a FAB, são responsáveis por uma vila residencial no bairro que abriga alguns militares do Campo dos Afonsos.

Nele situa-se ainda a Academia de Polícia Militar Dom João VI (Escola de Formação de Oficiais) e o CEFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Possui ainda: biblioteca, ciclovia, praças esportivas e casas de shows, atividade comercial (com destaque para duas importantes redes de compras) e a maior atração do bairro o famoso cemitério chamado "Jardim da Saudade".

O bairro conta também com o Cine10, um complexo com seis salas de cinema (uma em 3D), localizado no Carrefour.

O Bairro também é um dos poucos do Rio de Janeiro que conta com uma Igreja Anglicana (http://paroquiadobomjesus.org/) sem ter relação nenhuma com imigrantes ingleses, uma igreja razoavelmente antiga que conta com mais de meio século de existência.

Recentemente, passou a abrigar uma unidade da Universidade Estácio de Sá.

Em 24 de outubro de 2013, foi inaugurado o Parque Shopping Sulacap.

Principais vias do bairro[editar | editar código-fonte]

Referências do bairro[editar | editar código-fonte]

Sub-Bairros:[editar | editar código-fonte]

  • Vila dos Afonsos;
  • Sobral.

Clima[editar | editar código-fonte]

Seu clima também é um dos climas mais amenos da cidade, isso por causa da grande vegetação ainda presente, o que lhe proporciona uma fauna e flora muito ricas. Tanto que por vezes, o bairro vizinho, Campo dos Afonsos, registra a temperatura mínima da cidade.

Dados[editar | editar código-fonte]

Jardim Sulacap faz parte da XXXIII Região administrativa (Realengo) da cidade do Rio de Janeiro.

Bairros integrantes da região administrativa são: Campo dos Afonsos, Deodoro, Jardim Sulacap, Magalhães Bastos, Realengo, Vila Militar.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

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