Realengo

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Realengo
Realengo
Bairro do Rio de Janeiro Bandeira do Município do Rio de Janeiro.png
Área: 2 605,42 ha (em 2003)
Dia Oficial: 20 de dezembro
Fundação: 27 de Junho de 1814 (199 anos)
IDH: 0,845[1] (em 2000)
Habitantes: 180 123 (em 2010)[2]
Domicílios: 64 978 (em 2010)
Limites: Bangu, Padre Miguel, Senador Camará,
Jacarepaguá, Taquara, Jardim Sulacap,
Magalhães Bastos, Vila Militar,
Ricardo de Albuquerque e Pq.Anchieta[3]
Subprefeitura: Grande Bangu
Região Administrativa: XXXIII R.A.(Realengo)

Realengo é um bairro de classe média localizado entre o Maciço da Pedra Branca e a Serra do Mendanha, ao norte da denominada Zona Oeste do município Rio de Janeiro no estado de mesmo nome no Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

Sua delimitação atual foi estabelecida pelo Decreto Número 3 158 de 23 de julho de 1981 que o definiu em uma área de 2 605 42 hectares.

Pertence à Quinta Área de Planejamento e dá nome à XXXIII Região Administrativa da cidade do Rio de Janeiro, a qual compreende os bairros de Deodoro, Jardim Sulacap, Vila Militar, Magalhães Bastos e Campo dos Afonsos. Costuma apresentar as temperaturas mais altas da cidade, embora as noites de inverno sejam frequentemente frias devido à proximidade com as serras.

Há várias versões para a origem do nome do bairro: uma delas explica que o nome origina-se da[4] denominação da região no período imperial a qual era terras realengas de Campo Grande, do germânico realenga que nomeava tudo que estava longe do poder real. No entanto, segundo a tradição popular, seu nome é uma abreviatura do nome Real Engenho a qual era Real Engº, afixada sobre as placas no topo dos bondes desta região e que, com o passar do tempo, teria se tornado popularmente Realengo.

Comprovadamente, as denominadas Terras Realengas têm sua origem, segundo alguns historiadores, pela carta régia de 27 de Junho de 1814, através do qual Dom João, ainda príncipe, concedeu, em sesmaria ao Senado da Câmara do Rio de Janeiro, os terrenos situados em Campo Grande chamados de realengos, porque advindos da conquista territorial pela descoberta do país.

A concessão das terras onde hoje é o bairro Realengo, central e periferia, foram destinadas apenas para servir de pastagem de gado bovino, fornecendo carne aos talhos (açougues) da cidade. Estas terras foram proibidas de venda ou de quaisquer outra forma de alienação, obrigando-se a Câmara, por outro lado, a fazer medir e a trazê-las limpas em condições de servir ao fim para que foram doadas pela mencionada carta régia.

Placa na estação de trem de Realengo

O povoado de Realengo foi limitado pelo senado da Câmara do Rio de Janeiro pela provisão de 18 de julho de 1814, tomando posse a coroa destas terras testadas para a estrada de Santa Cruz. Apesar da proibição expressa de arrendamento, vendas ou quaisquer outras forma de alienação, a Câmara, a partir de certa época, valendo-se da carta régia de 27 de junho, passou a aforar todos os terrenos concedidos, fundamentando-se na portaria de 20 de novembro de 1815 do príncipe regente conhecida como aviso régio, que somente permitia o aforamento da parte voltada para a estrada de Santa Cruz com fundos de vinte braças no máximo e não de todo o Realengo.

O bairro teve, como seus primeiros povoadores, escravos e emigrantes portugueses da ilha dos Açores, por ordem do príncipe regente Dom João, futuro Dom João VI. Ao chegarem, se dedicaram à agricultura, levando produtos como açúcar, rapadura, álcool e cachaça pelo porto de Guaratiba. Pelas pesquisas, ao contrário das regiões limítrofes, não houve engenhos em Realengo; a cana-de-açúcar colhida na região era processada em engenhos situados em outros bairros.

Levando-se em conta a documentação oficial, considera-se que a oficialização e criação de Realengo ocorreram em 20 de novembro de 1815. Para essa data, foi criada a Semana de Realengo em 20 de dezembro de 2002, a fim de celebrar o bairro.

Em 2 de outubro de 1878[5] , foi inaugurada a Estação de Realengo da Estrada de Ferro Central do Brasil. Entre ela e a Escola Militar, foi construído um hangar, já inexistente, onde foram construídos os primeiros dirigíveis brasileiros, dando início à aviação brasileira.

Em 1898[6] , foi construída a Fábrica de Cartuchos e Artifícios de Guerra do Exército, conhecida como Fábrica do Realengo de munição, desativada em 1978. Também foi inaugurada a Escola de Tática e Tiro do Exército, depois Escola Preparatória de Cadetes do Exército, que, depois do Decreto Número 5 698 de 2 de outubro de 1905, viraria a Escola de Artilharia e Engenharia, depois Escola de Aplicação da Cavalaria e Infantaria, seguinte Escola de Aplicação de Artilharia e Engenharia, depois Escola Militar do Realengo. A Escola de Cavalaria e Infantaria seria extinta em 1911 com a transferência da Escola de Guerra de Porto Alegre para Realengo. A Escola Militar permaneceu em Realengo até transferirem-na para a Academia Militar das Agulhas Negras, no município fluminense de Resende.

A partir da ocupação militar e industrial na região, ela perdeu o aspecto rural e bucólico. Começou, então, a ocupação efetiva dos espaços. A partir de 1969, os programas de assistência habitacional criaram diversos conjuntos habitacionais para a população de baixa renda, militares e operários, como por exemplo a Cohab, referência do plano de habitação popular do BNH e os conjuntos habitacionais do IAPI (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários), conhecidos por "coletivos", feitos para abrigar os trabalhadores das fábricas.

Depois de o bairro não sustentar mais grandes instituições militares, seu comércio retraiu bastante, já que ele era baseado no público militar. Embora ele também possuísse fábricas de colchões, de componentes de rádio e de vestuário, principalmente de calçados femininos, por causa de sua localização próxima da Fábrica de tecidos Bangu.

Apesar de o bairro ser conhecido na história militar brasileira e entre grande parte dos militares do exército, ele ficou nacionalmente conhecido na canção Aquele abraço de Gilberto Gil, onde aparece no verso: Alô, Alô Realengo, aquele abraço. Isso remete ao tempo que Gilberto ficou detido nas prisões militares de Realengo na época da Ditadura Militar.[7] A expressão aquele abraço foi, originalmente, usada como bordão de um programa de televisão pelo comediante Lilico e era desta forma que os soldados saudavam Gilberto Gil.

Tragédia em escola municipal[editar | editar código-fonte]

A Escola_Tasso_da_Silveira

Na manhã de 7 de abril de 2011, o ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos, invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira e atirou indiscriminadamente contra crianças e adolescentes que se encontravam em salas de aula, matando dez meninas e dois meninos e ferindo outros vinte alunos. As crianças e os adolescentes que fugiram enquanto o assassino recarregava suas armas encontraram o sargento da Polícia Militar Márcio Alexandre Alves, que fazia fiscalização de trânsito perto da escola. O sargento, ao chegar à escola ao som de tiros, encontrou o criminoso saindo da sala onde baleara fatalmente oito crianças, e efetuou dois disparos de fuzil, um dos quais atingiu o assassino no abdômen. Ao cair, na escada que leva ao andar superior da escola, Wellington disparou contra a própria cabeça, concretizando o suicídio[8] . O evento causou comoção nacional e repercutiu rapidamente em noticiários internacionais.

Vítimas[editar | editar código-fonte]

Conforme a lista divulgada pela polícia do Rio de Janeiro, as doze vítimas fatais foram:[9] [10] [11] [12]

  • Ana Carolina Pacheco da Silva, 13 anos;
  • Bianca Rocha Tavares, 13 anos;
  • Géssica Guedes Pereira, 14 anos;
  • Igor Moraes, 12 anos;
  • Karine Chagas de Oliveira, 14 anos;
  • Larissa dos Santos Atanásio, 13 anos;
  • Laryssa Silva Martins, 13 anos;
  • Luiza Paula da Silveira Machado, 14 anos;
  • Mariana Rocha de Souza, 12 anos;
  • Milena dos Santos Nascimento, 14 anos;
  • Rafael Pereira da Silva, 14 anos;
  • Samira Pires Ribeiro, 13 anos.

Famílias de quatro das vítimas decidiram doar os órgãos dos adolescentes.[13]

Repercussão internacional[editar | editar código-fonte]

O ataque em Realengo teve repercussão nos principais veículos da imprensa estrangeira.[14]

Os sites dos britânicos The Guardian, The Daily Telegraph e BBC, dos estadunidenses CNN, MSNBC e The New York Times, da catarense Al Jazira, do espanhol El País e do argentino Clarín destacaram o assunto. O Guardian afirmou que vinte pessoas foram mortas, enquanto a Al Jazira noticiou doze mortes.[15] O jornal espanhol El País destacou que o Rio de Janeiro estava de luto e desconcertado porque crimes desse tipo são desconhecidos na cidade e apenas lidos nos jornais quando acontecem nos Estados Unidos.[16]

A CNN e a ABC News mostraram imagens ao vivo da Rede Record e da Record News, com centenas de parentes e amigos dos estudantes e funcionários que estavam na escola.[17] A principal manchete no La Nación foi sobre o episódio, denominado como a tragédia no Rio de Janeiro. Uma reportagem resumiu o que houve em Realengo. No jornal inglês The Guardian, que, assim como o Clarín, destacou o assunto na manchete, fontes ouvidas chamaram o incidente de massacre. Outro diário inglês, o The Daily Telegraph, citou testemunhas que contam que os tiros começaram por volta das oito horas e meia da manhã da quinta-feira em questão.[18]

O jornal estadunidense The Wall Street Journal afirmou que a tragédia chocou a sociedade tradicionalmente familiar do Brasil, onde a violência contra crianças é rara. A escola fica em Realengo, no oeste de uma cidade conhecida por suas praias e belezas naturais.[19]

Alunos de uma escola em Columbine, nos Estados Unidos, cidade em que houve um massacre estudantil de iguais proporções em 1999, escreveram mensagens e cartazes aos alunos da Escola Tasso da Silveira com a ajuda de alunas brasileiras, prestando solidariedade internacional e dividindo os sentimentos de luto, a serem entregues no Brasil às vítimas da tragédia. Uma das sobreviventes do massacre, Crystal Muller, que, na época, tinha dezesseis anos, também mandou um recado aos brasileiros: Vocês não estão sós. Há pessoas que estão rezando por vocês e que os acompanham por todo o mundo.[20]

Qualidade de Vida[editar | editar código-fonte]

Vista panorâmica a partir do Parque Estadual da Pedra Branca.

Segundo pesquisa do Instituto Pereira Passos e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2000 sobre o Índice de Desenvolvimento Humano dos bairros cariocas, Realengo ocupa a[21] 89° posição na tabela. Tal pesquisa analisou a renda, longevidade e educação do bairro.

  • IDH-Renda: 0,803
  • IDH-Longevidade: 0,744
  • IDH-Educação: 0,931
  • IDH-Índice de Desenvolvimento Humano: 0,803

Em Realengo[22] , há o Hospital Estadual Albert Schweitzer, localizado na Rua Nilópolis, número 329, na parte norte do bairro, perto da Avenida Brasil.

O hospital atende a uma população estimada em 700 000 habitantes, somando com bairros vizinhos. Há, também, uma Unidade de Pronto Atendimento 24 horas, localizada na Rua Marechal Joaquim Inácio, sem número, próxima ao Viaduto de Realengo. Para completar a lista dos hospitais importantes, o bairro possui a Casa de Parto David Capistrano Filho, localizada na Avenida Pontalina, no centro do bairro, perto do maior Conjunto Habitacional Dom Pedro I, na Rua Capitão Teixeira.

Da área verde de Realengo, ainda há resquícios de Mata Atlântica preservadas em áreas militares, serra e campos não locados. Em[23] 17 de outubro de 2009 foi inaugurada pelo governador Sérgio Cabral a subsede Piraquara do Parque Estadual da Pedra Branca, na chamada Serra do Barata, onde ficava a fazenda da família Fernandes Barata, ao custo de 786 000 reais. Segundo estudo do Instituto Pereira Passos, o bairro possui 52 praças públicas para prática de algum tipo de lazer ou celebração.

No centro do bairro, estão duas instituições particulares de ensino superior e uma federal. A Universidade Castelo Branco se destaca na história da educação no bairro. Na unidade de Realengo, a faculdade de Educação Física se destaca.

Há também as Faculdades São José, em atividade desde 1980, filiada ao Colégio Realengo. Possui o único curso de Administração Hospitalar da cidade do Rio de Janeiro e seu curso de destaque é a faculdade de Odontologia. A alternativa pública é o ainda em construção, mas já em funcionamento, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro com os cursos de graduação em Farmácia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional.

Já entre as escolas, destaca-se a Escola Nossa Senhora do Carmo, com oitenta anos de atividade, que é resultado do esforço do Monsenhor Miguel de Santa Maria Mochon. Realengo ainda possui outras grandes escolas e colégios,como a escola pública Humberto de Alencar Castelo Branco fundada pelo mesmo,Colégio Estadual Padre Leonel Franca, Colégio Municipal Carlos Maul, Colégio Paulo Gissoni, Colégio Pedro II , o Francisco de Assis, o Souza Lima, o Monteiro Passos, o Nova Geração, o Cultura e Arte, o Prioridade Hum, o Colégio Realengo e o Colégio e Faculdade Simonsen.

Bairros que fazem divisa com Realengo[24] [editar | editar código-fonte]

Realengo ainda faz divisa com o município de Nilópolis.

Divisões do bairro[editar | editar código-fonte]

  • Barata
  • Dom Pedro I
  • Jardim Água Branca
  • Jardim Batan
  • Jardim Novo
  • Piriquito
  • Mallet
  • Fumacê

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Tabela 1172 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH), por ordem de IDH, segundo os bairros ou grupo de bairros - 2000
  2. Dados do bairro
  3. Bairros do Rio
  4. XXXIII R.A. Realengo - Histórico. Secretaria de Governo. Página visitada em 3 de junho de 2010.
  5. Fróes, José Nazareth de Souza. Terras Realengas. [S.l.]: Conselho das Instituições de Ensino Superior da Zona Oeste, 2004 1° Edição. p. 45. ISBN 8590495019
  6. Wenceslau, Carlos Alberta da Cruz. Realengo, meu bem querer.. [S.l.]: Conselho das Instituições de Ensino Superior da Zona Oeste, 2004 1° Edição. p. 82. ISBN 8590495019
  7. Severiano, Jairo & Homem de Mello, Zuza. A Canção no Tempo. [S.l.]: Editora 34 LTDA, 1997 1° Edição. p. 000. ISBN 8573260793
  8. G1 - Atirador entra em escola em Realengo, mata alunos e se suicida - notícias em Tragédia em Realengo. g1.globo.com. Página visitada em 7 de Abril de 2011.
  9. Lista oficial de vítimas do massacre em Realengo.. Globo (7 de abril de 2011). Página visitada em 7 de abril de 2011.
  10. Divulgada a lista com nomes das vítimas da chacina no colégio em Realengo (html) (em português). O Globo (7 de abril de 2011). Página visitada em 7 de abril de 2011.
  11. O assassino optou por matar apenas as meninas bonitas, diz tia de menina morta com tiro na testa (html) (em português). Jornal do Brasil (7 de abril de 2011). Página visitada em 7 de abril de 2011.
  12. Chega a 12 o número de mortos no massacre a escola em Realengo Portal R7
  13. Massacre em Realengo: Famílias de quatro vítimas fatais decidem doar órgãos (html) (em português). O Dia Online (7 de abril de 2011). Página visitada em 7 de abril de 2011.
  14. DimasSantos (07/04/2011). Massacre em escola carioca tem repercussão internacional. Página visitada em 08/04/2011.
  15. O Pantaneiro (07/04/2011). Invasão em escola no Rio repercute no mundo. Página visitada em 08/04/2011.
  16. Blog do Magno (07/04/2011). Massacre em escola carioca tem repercussão internacional. Página visitada em 08/04/2011.
  17. Massacre no Rio repercute em mídias estrangeiras. R7. Página visitada em 08/04/2011.
  18. Blog UOL (07/04/2011). Rio desconhecia massacres em escola, diz El País; veja mais repercussões internacionais. Página visitada em 08/04/2011.
  19. Rio Shooter Kills at Least 12 Young Students (em inglês). wsj.com. Página visitada em 08/04/2011.
  20. Alunos de Columbine mandam mensagem para vítimas da escola de Realengo
  21. Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH), por ordem de IDH, segundo os bairros ou grupo de bairros - 1991, 2000 (definições) (Tabela Nº 1172) (XLS). Instituto Pereira Passos: Armazém de Dados. Página visitada em 4 de junho de 2010.
  22. Unidades da Rede Estadual. Secretaria de Estado da Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro. Página visitada em 5 de Junho de 2010.
  23. Subsede do Parque da Pedra Branca é inaugurada em Realengo. JusBrasil: Política. Página visitada em 6 de junho de 2010.
  24. Bairros do Rio

Ligações externas[editar | editar código-fonte]