Bonsucesso

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Bonsucesso
—  Bairro  —
Avenida Paris, no bairro Bonsucesso.
Avenida Paris, no bairro Bonsucesso.
Zona Norte
Cidade Rio de Janeiro

Bonsucesso é um bairro do Rio de Janeiro, no Brasil.

No passado, o bairro constitui-se em um dos principais centros industriais da cidade. Com o deslocamento do eixo econômico para outras regiões a partir da década de 1980, mantém ainda expressivo comércio e serviços, mas é marcado pelo abandono dos antigos galpões industriais.

Índice

[editar] História

Integra a Zona da Leopoldina, predominantemente de classe média e média baixa. A área onde se integra o atual bairro, na época colonial estava compreendida no chamado Engenho da Pedra, cujas terras se estendiam até ao porto de Inhaúma, por onde era escoada a produção agrícola e de açúcar do recôncavo do Rio de Janeiro. Como muitos bairros do Rio, este centro urbano encontra-se próximo a comunidades de baixa-renda, como por exemplo a Maré, um conjunto de dezesseis comunidades que se espalham por cerca de 800 mil metros quadrados, que começa nos morros próximos à Avenida Brasil e vai até a margem da Baía de Guanabara, sendo cortado pela Linha Vermelha e pela Linha Amarela, além do Complexo do Alemão.

Vista de Bonsucesso.

Em 1754, a dona das terras do engenho, Cecília Vieira de Bonsucesso, procedeu à reforma da capela de Santo António, que se erguia perto das instalações da moenda de cana-de-açúcar. A propriedade era conhecida, à época, como Engenho da Pedra de Bonsucesso.

Ao final do século XIX, foi erguida uma capela em louvor a Nossa Senhora do Bonsucesso, num terreno no alto da rua Olga, doado por Adriano Rocha Costa (1896). A imagem da santa foi desembarcada no porto e trazida em procissão solene, pelos fiéis, até ao novo santuário.

Por volta de 1914, o engenheiro Guilherme Maxwell, que adquirira as terras do antigo Engenho da Pedra, decidiu loteá-las e urbanizá-las. Sob influência da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), que nesse ínterim eclodira, decidiu batizar os logradouros que se abriam, com nomes que homenageassem os países aliados contra a Alemanha: a França, a Inglaterra, a Bélgica, a Itália e os Estados Unidos da América. Surgiram assim, respectivamente, a Praça das Nações e as avenidas Paris, Londres, Bruxelas, Roma e Nova Iorque.

Posteriormente, um membro da família Frontin, expandiu o bairro, loteando a área além da linha férrea da Leopoldina. Ainda sob influência da Primeira Guerra, abriu as ruas Clemenceau, Marechal Foch e General Galieni. Saint-Hilaire e Humboldt, cientistas que exploraram o interior do Brasil no século XIX, também foram homenageados.

[editar] Economia

O bairro possui uma casa de bingo, dezenas de agências bancárias e casas de empréstimo e restaurantes famosos na Zona Norte como o restaurante típico nordestino Chapéu de Couro, a churrascaria Três Marias e o Planalto do Chopp. Vale destacar que muitas empresas e grupos prestadores de serviço do Rio de Janeiro tiveram início neste bairro. Devido a sua proximidade com muitas favelas, o bairro abriga também diversos serviços para os populares de baixa renda, que frequentam o bairro durante a semana.

[editar] Infra-estrutura

Bonsucesso.

Bonsucesso possui 2 instituições de ensino superior distintas o Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM) e a Univercidade. Possui o maior hospital federal do estado, o HGB (Hospital Geral de Bonsucesso),[1] um hospital particular e diversas escolas públicas e privadas.

Outro ponto bastante peculiar do bairro é a praça Augusto Motta, onde os idosos se reunem diariamente para o carteado e onde se encontra uma bela imagem de Nossa Senhora Aparecida e a surpreendente concentração de veículos e estacionamentos (possui inclusive edifício-garagem).

O bairro possui uma geografia de ruas bem dispostas e planejadas no lado da Praça das Nações, sendo suas principais vias a rua Cardoso de Morais e a Avenida Teixeira de Castro. Do outro lado da estação de trem, destaca-se a estreita via principal de mão dupla, a Rua Uranos. É servido por dezenas de linhas de ônibus e por uma estação de trem, antes pertencente à Estrada de Ferro Leopoldina, e hoje administrada pela Supervia. A estação de trem, inclusive, é pouco usada pelos moradores. Devido a má condição atual dos trens, muitos preferem o trânsito dos ônibus e o conforto "inseguro" das vans.

[editar] Cultura

Praça das Nações e o Cine Paraíso no centro, 1929.

Bonsucesso é um dos únicos bairros da cidade onde uma Igreja Católica está em franca construção: a paróquia de São Tomé Apóstolo, na Av. Nova Iorque, 348, a terceira do país. Além desta possui as paróquias de Nossa Senhora de Bonsucesso e Nossa Senhora de Bonsucesso de Inhaúma (apesar de ser em Bonsucesso mesmo, leva este nome) e a Paróquia de Santa Luzia. Na Av. Guilherme Maxwell está sediada a Primeira Igreja Batista em Bonsucesso, fundada em 1916 pelo pr. João Fulgêncio Soren e considerada pela Convenção Batista Brasileira (CBB) como uma das igrejas batistas mais antigas do Brasil.

A primeira sala de cinema de Bonsucesso foi o Cine Paraíso. Inaugurado em 1928, fechou sua portas na década de 70. Hoje integra o prédio da Universidade UNISUAM. A última sala de cinema de Bonsucesso a fechar foi o Cine Mello. Fechou suas portas em 1980, para dar lugar ao supermercado Sendas. O bairro encontrava-se sem salas por cerca de 25 anos em 2004, quando surgiu o Microcine Bonsucesso, a única opção de exibição de filmes, inclusive dos bairros vizinhos, Olaria, Ramos, Higienópolis e Manguinhos. O Microcine Bonsucesso[2] funciona no prédio do Instituto Cultural Cinema Brasil-ICCB,[3] na Avenida Teixeira de Castro, e é dedicado a filmes brasileiros de todas as épocas.

Na Avenida Teixeira de Castro está localizado também o tradicional Bonsucesso Futebol Clube.

Praça das Nações.

A Praça das Nações, reconhecida como logradouro em Outubro de 1918, recebeu melhorias em duas etapas:

  • a primeira, entre 1936-1937, sob a administração do então prefeito Pedro Ernesto.
  • a segunda, em 1948, sob a administração do então prefeito Mendes de Morais.

Em 1996, a praça foi inteiramente reformada, no âmbito do Projeto Rio Cidade, apresentando a atual configuração.

Os seus marcos mais expressivos são o Chafariz e o Monumento aos Expedicionários da Segunda Guerra Mundial.

O Chafariz, em ferro fundido, foi fabricado no Brasil, para a Exposição Nacional de 1908, pela Companhia Nacional de Fundição. É um conjunto composto por duas bacias, tendo ao centro uma coluna com diversos elementos ornamentais. No seu topo, uma figura feminina empunha um globo, para iluminar a praça.

O Monumento aos Expedicionários, uma homenagem dos moradores, tem o busto do marechal Mascarenhas de Morais, uma cena de combate e o nome dos pracinhas (apelido carinhoso dado aos combatentes brasileiros pela população à época do conflito) do bairro.


Bairros cariocas
Mapa da cidade do Rio.svg

Rio de Janeiro

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