Colégio Pedro II

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CPII
Colégio Pedro II
Tipo Público
Fundação 2 de dezembro de 1837 (176 anos)
Localização Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brasil
Unidades 14
Cursos oferecidos ensino fundamental, ensino médio, técnico em Informática e técnico em meio ambiente[1]
Reitor Prof.º Oscar Halac
Mantenedor(a) União
Alunos 12 000[2]
Orçamento anual 347.159.669,02 (2011)[3]
Página oficial cp2.g12.br
Classificação
no Enem (2010)[4]

(com 100% de participação)

Grupo 1: 75% ou mais de participação.
685.65 pontos
Escola associada à Unesco

O Colégio Pedro II é uma tradicional instituição de ensino público federal, localizada no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. É o terceiro mais antigo dentre os colégios em atividade no país, depois do Ginásio Pernambucano e do Atheneu Norte-Riograndense. É nomeado em homenagem ao imperador do Brasil D. Pedro II.

Fundado na época do período regencial brasileiro, integrava um projeto civilizatório mais amplo do império do Brasil, do qual faziam parte a fundação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Arquivo Público do Império, seus contemporâneos. No plano da educação pretendia-se a formação de uma elite nacional. Deste modo, a instituição propunha-se formar quadros políticos e intelectuais para os postos da alta administração, principalmente pública.

Conta com 14 campi na cidade do Rio de Janeiro nos bairros do Centro, São Cristóvão (3 unidades), Humaitá (2 unidades), Tijuca (2 unidades), Engenho Novo (2 unidades) e Realengo (2 unidades). Também possui uma unidade em Niterói e outra em Duque de Caxias.

História[editar | editar código-fonte]

Colégio Pedro II e Igreja de São Joaquim (1856). O templo foi demolido na reforma de Pereira Passos (1904), para alargar a Rua Estreita de São Joaquim e abrir a atual Avenida Marechal Floriano.
Colégio Pedro II à Av. Marechal Floriano na atualidade.

O período Imperial[editar | editar código-fonte]

A instituição foi fundada em decorrência da reorganização do antigo Seminário de São Joaquim, conforme projeto apresentado à regência de Araújo Lima (1837 - 1840) pelo então ministro Bernardo Pereira de Vasconcelos. Inaugurado em 1837, na data de aniversário do imperador-menino (2 de dezembro), foi denominado Imperial Colégio de Pedro II. O ato foi oficializado por Decreto Regencial a 20 desse mesmo mês, e as aulas se iniciaram em março do ano seguinte (1838).

As suas instalações sediavam-se na antiga Rua Larga (atual Av. Marechal Floriano),[5] no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro, cujas salas de aula funcionam até aos nossos dias.

A maioria dos alunos pertencia à elite econômica e política do país, apesar de haver a previsão para estudantes destituídos de recursos. O Colégio deveria:

Cquote1.svg (...) atender tanto aos filhos das elites quanto aos destituídos (...), preparando os alunos para o comércio, a indústria e a administração pública." Cquote2.svg
Lúcia Bastos Pereira das Neves

Imbuído dos valores europeus de civilização e progresso, os alunos do Imperial Colégio saíam com o diploma de Bacharel em Letras,[6] aptos a ingressar nos cursos superiores, em especial nos de Direito.

A partir de 1857 a instituição dividiu-se em Internato e Externato, sendo a primeira modalidade instalada no bairro da Tijuca no ano seguinte (1858), onde permaneceu até 1888, quando as suas dependências foram transferidas para o Campo de São Cristóvão (Unidade São Cristóvão).

Período Republicano[editar | editar código-fonte]

Com a Proclamação da República em 1889 o nome da instituição foi alterado para Instituto Nacional de Instrução Secundária e, logo em seguida, para Ginásio Nacional. Em 1911 reassumiu a sua primitiva designação.

Até à década de 1950 era considerado como "Colégio padrão do Brasil", uma vez que o seu programa de ensino era referência de qualidade e modelo dos programas dos colégios da rede privada, que solicitavam ao Ministério da Educação o reconhecimento de seus próprios certificados, justificando a semelhança de seus currículos com os do Colégio Pedro II.

Devido ao grande número de inscritos para seu concurso de acesso, significando um aumento crescente na sua demanda, a instituição necessitou ampliar o número de vagas para matrículas. Foram inauguradas por esta razão as Seções Norte e Sul (1952) e a Seção Tijuca (1957).

O colégio na atualidade[editar | editar código-fonte]

Logo comemorativo dos 170 anos do colégio.

A partir de 1979 as antigas seções passaram a ser denominadas Unidades Escolares (U.E.) tendo, como complemento, o nome do bairro onde estavam instaladas: U.E. Centro (a pioneira), U.E. São Cristóvão (o internato), U.E. Engenho Novo (antiga Seção Norte), U.E. Humaitá (antiga Seção Sul) e U.E. Tijuca (antiga Seção Tijuca), atendendo os atuais ensino fundamental(segundo segmento) e ensino médio.

Em 1984 foi instituído na U.E. São Cristóvão o Primeiro Segmento do Ensino Fundamental (1º ao. a 5º. anos), informalmente chamado de "Pedrinho". Este segmento foi implantado, posteriormente, nas U.E. Humaitá (1985), U.E. Engenho Novo (1986) e U.E. Tijuca (1987). A partir desse processo as unidades do primeiro segmento passaram a ser formalmente denominadas como Unidade I e as do segundo segmento (de 5a. a 8a. Séries), como Unidade II (ex.: U.E. São Cristóvão I e U.E. São Cristóvão II, atendendo respectivamente o primeiro e o segundo segmento).

A tradição de excelência em educação da instituição foi reconhecida pelo Governo Federal Brasileiro em 1998, quando o colégio recebeu o Prêmio Qualidade por seu projeto de Qualidade Total na área de Educação.

Visando atender a grande demanda pelo ensino médio foi inaugurada em 1999 uma nova unidade em São Cristóvão (U.E. São Cristóvão III).

Mantendo-se a procura por ensino de qualidade no município, mesmo tratando-se de instituição federal, inaugurou-se a Unidade Escolar Realengo em 6 de abril de 2004, fruto de convênio entre a Instituição e a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, que passou a atender, desse modo, a população da Zona Oeste da cidade. No ano de 2010, foi inaugurada a Unidade I, oferencendo as séries iniciais do Ensino Fundamental; em 2012 Realengo tornou-se a primeira unidade a abrir turmas de Educação Infantil.

Em 2006 a Unidade Escolar Descentralizada de Niterói foi aberta e, em 2007, a de Duque de Caxias. Ambas oferencem apenas o Ensino Médio.

Em 2008 foi instituída a "Olimpíada Interna de Química do Colégio Pedro II", evento que premia os alunos na noite de 1 de dezembro, antecipando a comemoração ao aniversário do Colégio, que ocorre na noite seguinte (2 de dezembro).

O Colégio mantém convênios com instituições públicas e privadas, como o Observatório Nacional, a Petrobrás, a Fiocruz, o Museu Nacional (UFRJ) e outras, oferecendo estágios e complementação de estudos aos seus alunos. Oferece ainda cursos técnicos - integrados ao Ensino Médio regular - nas áreas de Meio-ambiente (unidade São Cristóvão), e de Informática (unidades São Cristóvão, Engenho Novo e Tijuca). A partir de 2012 oferecerá o curso de Música (unidade Realengo).

A partir da Lei nº 12.677/2012, o Colégio Pedro II passa a ser:

"Uma instituição federal de ensino, pluricurricular e multicampi, vinculada ao Ministério da Educação e especializada na oferta de educação básica e de licenciaturas, e também equiparado aos institutos federais para efeito de incidência das disposições que regem a autonomia e a utilização dos instrumentos de gestão do quadro de pessoal e de ações de regulação, avaliação e supervisão das instituições e dos cursos de educação profissional e superior. As unidades escolares que atualmente compõem a estrutura organizacional do Colégio Pedro II passam de forma automática, independentemente de qualquer formalidade, à condição de campi da instituição."

Sendo assim, de acordo com esta lei, o Colégio Pedro II equiparou-se aos IFEs (Institutos Federais) nas questões administrativas, e consequentemente as antigas Unidades Escolares passaram a ser chamadas de Campus, e a Direção-Geral passou a ser chamada Reitoria.

O Colégio Pedro II passou também a oferecer mestrado em educação em virtude desta lei.

Princípios[editar | editar código-fonte]

Bernardo Pereira de Vasconcelos.

Os princípios norteadores da fundação do Colégio foram expressos em um trecho da aula inaugural, proferida por Bernardo Pereira de Vasconcelos, em 25 de março de 1838:

Cquote1.svg Nenhum cálculo de interesse pecuniário, nenhum motivo menos nobre e menos patriótico, que o desejo de boa educação da mocidade e do estabelecimento de proveitosos estudos, influiu na deliberação do Governo. Revela, pois, ser fiel a este princípio: manter e unicamente adotar os bons métodos; resistir a inovações que não tenham a sanção do tempo e o abono de felizes resultados; prescrever e fazer abortar todas as espertezas de especuladores astutos, que ilaqueam a credulidade dos pais de família com promessas de fáceis, e rápidos processos na educação de seus filhos; e repelir os charlatães que aspiram à celebridade, inculcando princípios e métodos que a razão desconhece, e, muitas vezes, assustada, reprova. Que importa que a severidade de nossa disciplina, que a prudência e a salutar lenteza com que procedemos nas reformas, afastem do Colégio muitos alunos? O tempo, que é sempre o condutor da verdade e o destruidor da impostura, fará conhecer o seu erro. O Governo só fita a mais perfeita educação da mocidade: ele deixa (com não pequeno pesar) as novidades e a celebridade aos especuladores, que fazem do ensino da mocidade um tráfico mercantil, e que nada interessam na moral e na felicidade de seus alunos. Ao Governo só cabe semear para colher no futuro. Cquote2.svg
Bernardo de Vasconcelos

Hino[editar | editar código-fonte]

"Em solenidade comemorativa do Centenário do Colégio foi executado e cantado, pela primeira vez, o Hino dos Alunos do Colégio Pedro II, sob a regência da professora Maria Eliza de Freitas Lima, com música do maestro Francisco Braga e letra do bacharel do Externato Hamilton Elia.

Inspirado na retumbância das peças marciais e na letra de exaltação do passado e certeza do futuro, seus versos acompanham a intensidade da harmonia e são recheados de símbolos do positivismo, expressando, como forma de reconhecimento escolar, o compromisso das novas gerações com as gerações anteriores, de homens que colocaram o nome do Colégio nas altas esferas políticas e culturais do país"(…)[7]

Hino dos Alunos do Colégio Pedro II

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Nós levamos nas mãos
O futuro de uma grande e brilhante nação
Nosso passo constante e seguro
Rasga estradas de luz na amplidão
Nós sentimos no peito
O desejo de crescer, de lutar, de subir
Nós trazemos no olhar o lampejo
De um risonho fulgente porvir
Vivemos para o estudo,
Soldados da ciência
O livro é nosso escudo
E arma a inteligência.
Por isso, sem temer
Foi sempre o nosso lema
Buscarmos no saber
A perfeição suprema.
Estudaram aqui brasileiros
De um enorme e subido valor
Seu exemplo segui, companheiros
Não deixemos o antigo esplendor
Alentemos ardente
A esperança de buscar, de alcançar, de manter
No Brasil a maior confiança
Que só pode a ciência trazer.
Vivemos para o estudo,
Soldados da ciência
O livro é nosso escudo
E arma a inteligência.
Por isso, sem temer
Foi sempre o nosso lema
Buscarmos no saber
A perfeição suprema.

Tabuada[editar | editar código-fonte]

Além do tradicional Hino, o colégio possui também um grito conhecido por Tabuada. Normalmente após a execução do Hino um aluno "puxa" o grito sendo então acompanhado pelos demais:

- Ao Pedro Segundo, tudo ou nada?
- TUDO!
- Então como é que é?
- TABUADA!
- Três vezes nove, vinte e sete. Três vezes sete, vinte e um. Menos doze ficam nove. Menos oito fica um!
- ZUM! ZUM! ZUM!
- PARARATIBUM!
- Pedro Segundo!

Professores ilustres[editar | editar código-fonte]

O Colégio Pedro II contou, ao longo de sua história, com professores renomados na História do Brasil, como:[8]

Alunos ilustres[editar | editar código-fonte]

Uniformes dos alunos em 1855.

Do mesmo modo, o Colégio formou dezenas de alunos ilustres, como:[8]

Enem[editar | editar código-fonte]

Esses foram os resultados das unidades participantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010:[12]

Unidade Participação Média
Humaitá II 94,3% 692.86
Niteroi 97,2% 683.42
São Cristóvão III 91,8% 682,67
Realengo II 69,1% 674,87
Duque de Caxias 98,6% 673,29
Tijuca II 76,5% 669,23
Engenho Novo II 81,3% 651,15
Média Geral 86,9% 685,65

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • Em seus primórdios, a instituição garantia o privilégio do acesso de seus alunos aos cursos de nível superior, sem que necessitassem se submeter a qualquer exame de admissão.
  • Durante noventa anos o Colégio não permitiu o ingresso de estudantes do sexo feminino. A primeira estudante a concluir o curso secundário foi Yvone Monteiro da Silva, em 1927.
  • Certa vez, o Imperador Pedro II declarou em uma carta a José Bonifácio: "Eu só governo duas coisas no Brasil: a minha casa e o Colégio Pedro II".
  • O prédio histórico do Campus Centro encontra-se tombado pelo Iphan.
  • Nele se destaca a cúpula do Torreão, erguida pelo arquiteto Francisco Joaquim Béthencourt da Silva, discípulo de Grandjean de Montigny;
  • O Campus São Cristóvão conta com um Horto Botânico, um Teatro (Teatro Mário Lago) e uma piscina olímpica.
  • O Instituto de Educação do Rio de Janeiro, fundado em 5 de Abril de 1880 com o nome de Escola Normal do Município da Corte, funcionou em salas nas dependências do Imperial Colégio de Pedro II até 1888, quando se transferiu para a Escola Central, no Largo de São Francisco. De lá, transferiu-se para as dependências da Escola Técnica Rivadávia Correia e para as da Escola Estácio de Sá (1930), até se estabelecer, pouco depois, definitivamente, nas suas atuais dependências na Rua Mariz e Barros.
  • O Campus Realengo localiza-se em um terreno onde funcionava uma fábrica de cartuchos pertencente ao Exército brasileiro, que explodiu há vários anos; além disso, a rua onde está instalada possui, coincidentemente, o nome do fundador do colégio: Bernardo de Vasconcelos.
  • O Campus Niterói funciona nas dependências de um antigo CIEP.
  • O Campus Duque de Caxias estava funcionando em um prédio alugado no centro de Duque de Caxias, porém atualmente a sede definitiva está funcionando no bairro Centenário, contando com a melhor estrutura entre as unidades do colégio.
  • Tendo em vista a sua importância nas lutas pela redemocratização no país, o Colégio Pedro II tornou-se a única instituição de ensino explicitamente citada e protegida na Constituição brasileira de 1988, em seu art. 242, parágrafo 2o, não podendo deixar de ser uma Autarquia Federal.

Referências

  1. Sítio oficial do CPII. Dúvidas frequentes (em português). Visitado em 9 de março de 2010.
  2. Colégio Pedro II - Projeto Político Pedagógico, Inep/MEC, 400p. 2002
  3. Gastos diretos do Governo Federal com o Colégio Dom Pedro II em 2011
  4. Notas Médias do ENEM 2010 dos alunos concluintes do Ensino Médio Regular por Escola Inep (12 de setembro de 2011).
  5. VILAÇA, Fabiano. "Deus no céu, Pedro na Terra". in Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 3, nº 33, junho de 2008, p. 90-91.
  6. Conforme Decreto de 1843. O colégio era o único a conferir este título a seus formandos, o que lhes garantia o privilégio do acesso direto aos cursos superiores sem a prestação dos exames das matérias preparatórias. (in: História CPII Centro Consultado em 27 Nov. 2008.
  7. ANDRADE, Vera Lúcia Cabana de Queiroz. Colégio Pedro II: Um Lugar de Memória: Tese (Doutorado) em História. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1999. 157 pp. ISBN.
  8. a b Para uma lista parcial ver. História CPII Centro. Visitado em 6 Dez. 2008.
  9. Avô do ator Cecil Thiré
  10. Fernanda Montenegro in: [1] (consultado em 5 Set. 2009)
  11. Biografia publicada em Zero Hora de 25 de maio de 2006, p. 59.
  12. INEP (11 de novembro de 2009). Notas Médias do Enem por Município e por Escolas dos Alunos Concluintes do Ensino Médio em 2008 (em português). Visitado em 9 de março de 2010.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SEGISMUNDO, Fernando. Colégio Pedro II: Tradição e Modernidade. Rio de Janeiro: Unigraf, 1972. 159p.
  • ANDRADE, Vera Lúcia Cabana de Queiroz. Colégio Pedro II: Um Lugar de Memória. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado) em História. Rio de Janeiro, 1999. 157p. P. 107 e 108

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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