Dias Gomes

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Dias Gomes Academia Brasileira de Letras
Nome completo Alfredo de Freitas Dias Gomes
Nascimento 19 de outubro de 1922
Salvador
Morte 18 de maio de 1999 (76 anos)
São Paulo
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Dramaturgo e autor de telenovelas

Alfredo de Freitas Dias Gomes, mais conhecido pelo sobrenome Dias Gomes, (Salvador, 19 de outubro de 1922São Paulo, 18 de maio de 1999) foi um romancista, dramaturgo, autor de telenovelas e membro da Academia Brasileira de Letras. Também conhecido pelo seu casamento com a também escritora Jenete Stocco Emmer (Janete Clair).[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Origem[editar | editar código-fonte]

Dias Gomes nasceu em Salvador, na Bahia, em 19 de outubro de 1922.

Filho de Alice Ribeiro de Freitas Gomes e Plínio Alves Dias Gomes, um engenheiro, fez o curso primário no Colégio Nossa Senhora das Vitórias, dos Irmãos Maristas, e iniciou o secundário no Ginásio Ipiranga. Em 1935, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde prosseguiu o curso secundário no Ginásio Vera Cruz e posteriormente no Instituto de Ensino Secundário. Em 1943, ingressou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, abandonando o curso no terceiro ano.[2]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Foi no ambiente radiofônico que Dias Gomes travou contato pela primeira vez com aquela que viria a se tornar sua primeira esposa, a então desconhecida Jenete (Janete Clair). Com ela casou-se em 13 de março de 1950, teve os filhos: Alfredo Dias Gomes, Guilherme Dias Gomes[3] , Marcos Plínio (falecido) e Denise Emmer.[4] Viúvo de Janete Clair, que morrera um ano antes, em 1984 Dias casa-se com a atriz Bernadeth Lyzio, com quem tem duas filhas: Mayra Dias Gomes (escritora) e Luana Dias Gomes .[5]

Dias Gomes morreu num acidente automobilístico em 18 de maio de 1999.[6]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Essencialmente um homem de teatro, aos 15 anos Dias Gomes escreveu sua primeira peça, A Comédia dos Moralistas, com a qual ganharia o prêmio do Serviço Nacional de Teatro e pela União Nacional dos Estudantes (UNE), no ano seguinte. Em 1941, sua peça Amanhã Será Outro Dia chega às mãos do ator Procópio Ferreira que, empolgado com a qualidade do texto, chama o autor para uma conversa. Embora tivesse gostado do que lera, tratava-se de um drama antinazista e Procópio achava arriscado levar à cena um espetáculo desse porte em plena Segunda Guerra Mundial. Quando questionado se não teria uma outra peça, de comédia talvez, Dias lembrou-se de Pé de Cabra, uma espécie de sátira ao maior sucesso de Procópio até então, e não hesitou em levá-la ao grande ator que, entusiasmado, comprometeu-se a encená-la.[1]

Sob a alegação de que a peça possuía alto conteúdo marxista, Pé de Cabra seria proibida no dia da estreia. Curioso notar que, embora anos depois o autor viesse a se filiar ao Partido Comunista Brasileiro, até então Dias Gomes nunca havia lido uma só linha de Karl Marx. Graças à sua influência, Procópio consegue a liberação da peça, mediante o corte de algumas passagens, e a mesma é levada à cena com grande sucesso. No ano seguinte, Dias Gomes assinaria com Procópio aquele que seria o primeiro grande contrato de sua carreira, no qual se comprometia a escrever com exclusividade para o ator. Desse período nasceram Zeca Diabo, João Cambão, Dr. Ninguém, Um Pobre Gênio e Eu Acuso o Céu. Infelizmente nem todas as peças foram encenadas, pois logo Dias e Procópio se desentenderam por sérias divergências políticas. Refletindo o pensamento da época, Procópio não concordava com as preocupações sociais que Dias insistia em discutir em suas peças. Tais diferenças levariam o autor a se afastar temporariamente dos palcos e ele passou a se dedicar ao rádio.[1]

De 1944 a 1964, Dia Gomes adaptou cerca de 500 peças teatrais para o rádio, o que lhe proporcionou apurado conhecimento da literatura universal. Em 1960, Dias Gomes volta aos palcos com aquele que viria a ser o maior êxito de sua carreira, pelo qual se tornaria internacionalmente conhecido: O Pagador de Promessas. Adaptado para o cinema, O Pagador seria o primeiro filme brasileiro a receber uma indicação ao Oscar e o único a ganhar a Palma de Ouro em Cannes.[1]

Em 1965, Dias assiste, perplexo, à proibição de sua peça O Berço do Herói, no dia da estreia. Adaptada para a televisão com o nome de Roque Santeiro, a mesma seria proibida uma década depois, também no dia de sua estreia. Somente em 1985, com o fim do Regime Militar, o público iria poder conferir a Roque Santeiro - que, diga-se de passagem, viria a se tornar uma das maiores audiências do gênero.[1]

Com a implantação da Ditadura Militar no Brasil, em 1964, Dias Gomes passa a ter suas peças censuradas, uma após a outra. Demitido da Rádio Nacional, graças ao seu envolvimento com o Partido Comunista, não lhe resta outra saída senão aceitar o convite de Boni, então presidente da Rede Globo, para escrever para a televisão.[1]

De 1969 a 1979 Dias Gomes dedica-se exclusivamente ao veículo, no qual demonstra incomum talento. Em 1972 Dias Gomes levaria o povo para a televisão ao ambientar Bandeira 2 no subúrbio carioca. Em 1973 escreveu a primeira novela em cores da televisão brasileira, O Bem Amado. Em 1974 já falava em ecologia e no crescimento desordenado da cidade com O Espigão. Em 1976, com Saramandaia, abordaria o realismo fantástico, então em moda na literatura. O fracasso de Sinal de Alerta, em 1978, leva Dias a se afastar do gênero telenovela temporariamente.[1]

Ao longo de toda a década de 1980, Dias Gomes voltaria a se dedicar ao teatro, escrevendo para a televisão esporadicamente. Datam desse o período os seriados O Bem Amado e Carga Pesada (apenas no primeiro ano), e as novelas Roque Santeiro e Mandala, das quais escreveria apenas parte. Nos anos 90, Dias Gomes viraria as costas de vez para as telenovelas, dedicando-se única e exclusivamente às minisséries.[1]

Lorbeerkranz.png Academia Brasileira de Letras[editar | editar código-fonte]

Dias Gomes foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 11 de abril de 1991, na sucessão de Adonias Filho, foi recebido em 16 de julho de 1991, pelo acadêmico Jorge Amado. Ocupou a cadeira 21, cujo patrono é o maranhense Joaquim Serra e o atual ocupante é o escritor Paulo Coelho.[7]

Obras[editar | editar código-fonte]

Dias Gomes escreveu diversas obras para o teatro, literatura, cinema e televisão. Entre suas peças teatrais, a mais célebre é O Pagador de Promessas (1959). Adaptada para o cinema em 1962, por Anselmo Duarte, conquistou vários prêmios internacionais, com destaque para a Palma de Ouro no Festival de Cannes.[1] [8]

Teatro[editar | editar código-fonte]

Ano Peça de teatro
1938 A Comédia dos Moralistas
1939 Esperidião
1940 Ludovico
1941 Amanhã Será Outro Dia
1942 O Homem Que Não Era Seu
Pé-de-Cabra
1943 Zeca Diabo
João Cambão
Dr. Ninguém
Um Pobre Gênio
Eu Acuso o Céu
Sinhazinha
Toque de Recolher
1944 Beco sem Saída
1949 A Dança das Horas (adaptação do romance Quando é Amanhã)
1951 O Bom Ladrão
1954 Os Cinco Fugitivos do Juízo Final
1959 O Pagador de Promessas
1960 A Invasão
1961 A Revolução dos Beatos
1962 O Bem-Amado
1963 O Berço do Herói
1966 O Santo Inquérito
1968 O Túnel
Dr. Getúlio, Sua Vida, Sua Gloria (com Ferreira Gullar)
1969 Vamos Soltar os Demônios (Amor Em Campo Minado)
1977 As Primícias
1978 Phallus (inédita)
O Rei de Ramos
1979 Campeões Do Mundo
1986 Olho No Olho (inédita)
1988 Meu Reino Por Um Cavalo
1995 Roque Santeiro, o musical

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ano Romance
1945 Duas Sombras Apenas
1946 Um Amor e Sete Pecados
1947 A Dama da Noite
1948 Quando é Amanhã
1982 Sucupira, Ame-a ou Deixe-a
1983 Odorico na Cabeça
1994 Derrocada
1995 Decadência

Cinema[editar | editar código-fonte]

Ano Filme
1960 O Pagador de Promessas
1987 O Rei do Rio (adaptação de O Rei de Ramos)
2010 O Bem Amado (autor da obra original)

Televisão[editar | editar código-fonte]

Estreou na televisão em 1969, com a novela A Ponte dos Suspiros. Entre seus sucessos na televisão estão a novela O Bem Amado, que virou O Bem Amado seriado entre 1980 e 1984, Roque Santeiro, Bandeira 2, O Espigão e Saramandaia.[9]

Ano Telenovela
1969 A Ponte dos Suspiros
1970 Verão Vermelho
1970/1971 Assim na Terra como no Céu
1971/1972 Bandeira 2
1973 O Bem Amado
1974 O Espigão
1975 Roque Santeiro - 1ª versão censurada
1976 Saramandaia
1978/1979 Sinal de Alerta
1985/1986 Roque Santeiro
1987 Expresso Brasil
1987/1988 Mandala
1990/1991 Araponga
1995 Irmãos Coragem - remake
1996 O Fim do Mundo
1997 Mandacaru
Ano Minissérie
1982 Um Tiro No Coração (inédita)
1988 O Pagador de Promessas
1992 As Noivas de Copacabana
1995 Decadência
1998 Dona Flor e Seus Dois Maridos
Ano Seriado
1979/1980 Carga Pesada
1980/1984 O Bem Amado

Adaptações em outros países[editar | editar código-fonte]

Ano Obra País
1971 Así en La Tierra Como en el Cielo Argentina
1996 Sucupira (O Bem Amado) TV Nacional do Chile

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • Em 2013, no remake de sua obra original Saramandaia, o autor é homenageado com uma pequena estátua de Santo Dias, retratado como o padroeiro da cidade de Bole-Bole.[10]

Referências

  1. a b c d e f g h i Dias Gomes. A Biblioteca Virtual de Literatura. Biblio.com.br.
  2. Dias Gomes. Memoria Globo. Memoriaglobo.globo.com.
  3. Guilherme Dias Gomes. Página oficial de Guilherme Dias Gomes. Guilhermediasgomes.com.
  4. Denise Emmer. Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Dicionariompb.com.br.
  5. Dias Gomes – Dramaturgo – Autor de Novelas. Biografias – Vida e obra de personalidades. Biografia.inf.br.
  6. O inventor de tipos. Época. Epoca.globo.com.
  7. Paulo Coelho veste o fardão e toma posse na ABL. Estadão.com.br (Outubro de 2002).
  8. Morre o cineasta Anselmo Duarte, o único brasileiro vencedor em Cannes. G1 (Novembro de 2009).
  9. DIAS GOMES. Teledramaturgia. Teledramaturgia.com.br.
  10. http://tvg.globo.com/novelas/saramandaia/Fique-por-dentro/noticia/2013/06/dias-gomes-vira-santo-dias-padroeiro-de-bole-bole-na-historia-de-ricardo-linhares.html

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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