Irmãos Coragem (1995)

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Irmãos Coragem
Logotipo da telenovela
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero Drama
Romance
Duração 45 minutos
Criador(es) Dias Gomes baseado na obra de Janete Clair
País de origem  Brasil
Idioma original (português brasileiro)
Produção
Diretor(es) Luiz Fernando Carvalho [nota 1]
Mauro Mendonça Filho
Reynaldo Boury
Ary Coslov
Carlos Araújo
Elenco Marcos Palmeira
Ilya São Paulo
Marcos Winter
Letícia Sabatella
Gabriela Duarte
Dira Paes
Cláudio Marzo
Eliane Giardini
Via Negromonte
Murilo Benício
Denise Milfont
Maurício Gonçalves
Laura Cardoso
Marcelo Escorel
Reinaldo Gonzaga
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Tema de abertura "Irmãos Coragem", Milton Nascimento
Exibição
Emissora de
televisão original
Brasil Rede Globo
Formato de exibição 480i (SDTV)
Transmissão original 2 de janeiro de 1995 - 1 de julho de 1995
N.º de episódios 155
Cronologia
Último
Último
Tropicaliente
História de Amor
Próximo
Próximo
Programas relacionados Irmãos Coragem (1ª versão da telenovela em 1970)

Irmãos Coragem é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo de 2 de janeiro a 1 de julho de 1995 às 18 horas em 155 capítulos,[1] substituíndo Tropicaliente e sendo substituída por História de Amor.[2]

Foi escrita por Dias Gomes, Marcílio Moraes, Antônio Mercado e Margareth Boury com a colaboração de Ferreira Gullar e Lílian Garcia, direção de Luiz Fernando Carvalho e Mauro Mendonça Filho, substituído por Reynaldo Boury, Ary Coslov e Carlos Araújo (a partir do capítulo 80) com o núcleo de Paulo Ubiratan. A obra é um remake da telenovela original de Janete Clair exibida em 1970 na faixa das 20h.

Contou com Marcos Palmeira, Marcos Winter e Ilya São Paulo como protagonistas título. Ainda contou com Letícia Sabatella, Laura Cardoso, Flávio Galvão, Isabela Garcia, |Suzana Faíni, Rita Guedes, Nelson Xavier, Reynaldo Gonzaga, Murilo Benício, Emiliano Queiroz, Eliane Giardini, Dira Paes, Jackson Antunes, Gabriela Duarte e Cláudio Marzo nos demais papeis.

Produção[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Em 1995, em comemoração aos 30 anos da Rede Globo, foi escolhido fazer o remake de Irmãos Coragem, de 1970 e que foi um dos maiores sucessos de Janete Clair. A telenovela original marcou a história da teledramaturgia brasileira.[2]

Gravação[editar | editar código-fonte]

As cenas externas foram gravadas no município fluminense de Sapucaia, e em garimpos do município mineiro de Diamantina.[1] O barroco mineiro teve grande influência na estética da telenovela. Produção de arte, figurinos e cenários espelhavam esse estilo.[3] Foram criados e utilizados cerca de 3.500 figurinos para os diferentes núcleos da história.[4] O cenógrafo Mário Monteiro supervisionou a construção de um cassino de 500m² para as gravações da telenovela.[3]

Um mês depois da estreia, Mauro Mendonça Filho, que era um dos assistentes do diretor geral da telenovela, Luiz Fernando Carvalho, foi demitido por divergências com o diretor da CGP (Central Globo de Produção), Mário Lúcio Vaz. Sua saída causou um mal-estar entre atores, produtores e diretores e um problema para Carvalho, pois Mendonça Filho iria substituí-lo na direção geral da telenovela.[5] Luiz Fernando Carvalho também havia se desentendido com a produção e foi substituído por Reynaldo Boury, que havia trabalhado como diretor de imagem da novela original, em 1970. O autor Dias Gomes acusou Luiz Fernando de ter alterado o ritmo e a linguagem da história.[2] Ao assumir a direção geral de Irmãos Coragem, Carvalho havia acertado que, por volta do capítulo 60, sairia para cuidar dos preparativos da produção e direção da próxima telenovela da Globo, O Rei do Gado, de Benedito Ruy Barbosa,[5] [6] mas deixou a trama no 55º capítulo.[7] Antes de sua saída, Carvalho tentou com a direção da Globo uma solução para a crise, que permitisse a continuidade de sua estética cinematográfica, de passeios de câmeras, com planos longos e detalhistas inspirados no cinema de Carvalho. Existia muita insatisfação no elenco devido à mudança.[6] Com isso, voltou a estética tradicional, com planos mais estáticos e cortes secos, que foi capitaneada pelo diretor do núcleo de telenovelas, Paulo Ubiratan, um dos responsáveis pela demissão de Mendonça Filho.[6]

Mudanças no remake em relação ao original também aconteceram, diferentemente da primeira versão, onde os personagens Jerônimo e Potira morreram no último capítulo, nesta segunda versão seus destinos foram alterados: os dois terminaram num veleiro em alto-mar, sem que o público soubesse se escaparam com vida e foram felizes para sempre.[2]

Gabriela Duarte viveu a mesma personagem que sua mãe, Regina Duarte, vivera em 1970: Ritinha. O mesmo ocorreu com Maurício Gonçalves, que viveu Brás Canoeiro, personagem de seu pai, Milton Gonçalves, na primeira versão.[7] Como homenagem, o diretor Luiz Fernando Carvalho convidou alguns atores da primeira versão da telenovela para fazer pontas no remake, contracenando com os personagens que interpretaram na década de 1970. Regina Duarte aparece em uma cena ao lado de Ritinha, interpretada por sua filha, e Cláudio Cavalcanti gravou como o motorista de ônibus que leva Jerônimo, personagem de Ilya São Paulo, para o Rio de Janeiro. O papel do vilão Pedro Barros foi dado a Cláudio Marzo, que na trama original interpretara o jogador Duda. Outros atores que trabalharam na primeira versão de Irmãos Coragem, como Lúcia Alves, Milton Gonçalves, Dary Reis e Zilka Sallaberry, também fizeram participações especiais no remake.[7] [8]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Crítica[editar | editar código-fonte]

A nova versão de Irmãos Coragem mostrou uma crítica social do Brasil retratado por seus personagens, onde o contraste entre o Brasil urbano e rural e a denúncia da usurpação do poder pelos bem abastados continuam sendo, 25 anos depois da versão original, a tônica da telenovela.[9] [10] Entre as cenas, uma em que o capanga Juca Cipó obriga um garimpeiro a beber óleo de rícino para pôr para fora um diamante supostamente engolido.[9] O remake também preservou o coloquialismo realista da primeira versão e foi acrescentado a crítica social aos aspectos da modernidade em que se passa o remake, como o regime semi-escravagista de Serra Pelada. Outros ângulos da realidade nacional também se revelam na adaptação, como quando Duda diz que, no Rio de Janeiro, a violência "é muito pior" que em Coroado, a cidade fictícia da trama.[9]

Audiência[editar | editar código-fonte]

Na semana de 20 a 26 de fevereiro de 1995, Irmãos Coragem ocupou o 9 lugar na lista das maiores audiências da Rede Globo, com média de 25 pontos,[11] e depois ficou estacionada nos 32 pontos,[12] quando, pela tradição do horário, se esperava um número próximo a 50.[13] Após amargar baixos índices de audiência e mudar de direção, a telenovela terminou com média de 37 pontos.[14] Assim sendo, não repetindo o sucesso da versão original.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

A luta pela liberdade e contra a opressão é o eixo deste folhetim que conta a história dos irmãos Coragem - João, Jerônimo e Duda. Na fictícia cidade de Coroado, João encontra um enorme diamante. Por causa disso, os três irmãos passam a ser perseguidos pelo poderoso coronel Pedro Barros, dono de quase todos os garimpos da região.

João e a filha do coronel, Lara, vivem uma intensa paixão. A moça tem múltipla personalidade. A tímida e recatada Lara se alterna com a sensual Diana e com Márcia, uma mulher equilibrada. Isso acaba por confundir João, que se sente atraído pelas três. O ódio de Pedro Barros pelos irmãos cresce quando ele descobre a relação entre sua filha e João, que decide pegar em armas na luta contra a autoridade do coronel.

Jerônimo, por sua vez, encontra no movimento político de oposição uma saída para dar fim aos desmandos de Pedro Barros. Embora viva um amor proibido pela irmã de criação, a índia Potira, ele se liga a Lídia Siqueira, filha de um político local. Na segunda versão, o destino de Jerônimo e Potira foi alterado. Em vez de morrerem em um tiroteio, como na primeira versão, eles conseguem fugir ao pular em um rio. Como estão feridos, são dados como mortos, mas seus corpos não são encontrados. Sinhana diz ter sonhado com o casal em um veleiro em alto-mar, deixando abertura para o público interpretar que eles possam ter sobrevivido.

O terceiro irmão, Duda, deixa a cidade de Coroado para fazer fama como jogador de futebol no Rio de Janeiro. Depois, de volta a Coroado reencontra-se com Ritinha, que sempre foi apaixonada pelo jovem, acabam-se por se envolver, a tensão entre eles cresce quando a moça engravida e os pais do jovem obrigam-o a casar com a jovem. De volta a cidade grande e a rápida ascensão do craque do Flamengo leva-o a se ligar à exuberante Paula e deixar para trás seu verdadeiro amor.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Nessa versão, Marcos Palmeira foi João Coragem.
Marcos Winter viveu o jogador Eduardo Coragem, o "Duda".
Murilo Benício como Juca Cipó.
Laura Cardoso fez Sinhana a matriarca dos Coragem.
Rita Guedes fez a Paula.
Ator Personagem
Marcos Palmeira João Coragem
Marcos Winter Duda
Ilya São Paulo Jerônimo Coragem
Letícia Sabatella Maria de Lara/Diana/Márcia
Gabriela Duarte Rita de Cássia Maciel (Ritinha)
Cláudio Marzo Coronel Pedro Barros
Laura Cardoso Sinhana Coragem
Dira Paes Potira
Emiliano Queiroz Dr. Maciel
Eliane Giardini Estela
Jackson Antunes Delegado Diogo Falcão
Flávio Galvão Delegado Gerson Louzada
Isabela Garcia Lidia
Suzana Faíni Dalva
Rita Guedes Paula
Nelson Xavier Padre Bento
Reynaldo Gonzaga Lourenço / Bianchini
Murilo Benício Juca Cipó
Denise Milfont Cema
Jonas Bloch Siqueira
Giuseppe Oristânio Promotor Rodrigo César
Orlando Vieira Sebastião Coragem
Cosme dos Santos Neco
Lilian Valeska Carmem
Maurício Gonçalves Braz Canoeiro
Via Negromonte Domingas
Jorge Cherques Souza
Zaira Zambelli Manuela
Daniele Rodrigues Deolinda
Marcelo Escorel Ernani
Chico Tenreiro Gentil
Chico de Assis Jagunço
Maria Helena Velasco Indaiá
Luiz Antônio Pilar Jesuíno
Fernanda Lobo Margarida
Luiz Magnelli Prefeito
Lamartine Vieira Antônio

Elenco de apoio[editar | editar código-fonte]

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Trilha sonora 1[editar | editar código-fonte]

Irmãos Coragem Trilha Sonora 1
Trilha sonora de vários intérpretes
Lançamento 1995
Gênero(s) Vários
Formato(s) CD , Vinil, K7
Gravadora(s) Som Livre, Walt Disney
Produção Alberto Rosenblit

Capa: Marcos Winter

Trilha sonora 2[editar | editar código-fonte]

Irmãos Coragem Trilha Sonora 2
Trilha sonora de vários intérpretes
Lançamento 1995
Gênero(s) Vários
Formato(s) CD , Vinil, K7
Gravadora(s) Som Livre, Walt Disney
Produção Alberto Rosenblit

Capa: Ilya São Paulo

Notas e referências

Notas

  1. Dirigiu a novela dos capítulos 1 a 55.

Referências

  1. a b Irmãos Coragem - Produção Memória Globo Globo.com. Visitado em 6 de outubro de 2014.
  2. a b c d Nilson Xavier. Irmãos Coragem - Bastidores Teledramaturgia. Visitado em 6 de outubro de 2014.
  3. a b Irmãos Coragem - Cenografia e Arte Memória Globo Globo.com. Visitado em 6 de outubro de 2014.
  4. Irmãos Coragem - Figurino e Caracterização Memória Globo Globo.com. Visitado em 6 de outubro de 2014.
  5. a b Roni Lima (8 de fevereiro de 1995). Demissão causa crise em 'Irmãos Coragem' Folha de São Paulo UOL. Visitado em 6 de outubro de 2014.
  6. a b c Roni Lima (8 de fevereiro de 1995). "Irmãos Coragem" abandona a proposta de estética cinematográfica Folha de São Paulo UOL. Visitado em 6 de outubro de 2014.
  7. a b c Irmãos Coragem - Curiosidades Memória Globo Globo.com. Visitado em 6 de outubro de 2014.
  8. Armando Antenore (9 de fevereiro de 1995). Astros são figurantes em 'Irmãos Coragem' Folha de São Paulo UOL. Visitado em 6 de outubro de 2014.
  9. a b c Annette Schwartsman (8 de janeiro de 1995). 'Irmãos Coragem' faz crítica social do país Folha de São Paulo UOL. Visitado em 7 de outubro de 2014.
  10. Esther Hamburger (4 de janeiro de 1995). 'Irmãos Coragem' reforça contradições Folha de São Paulo UOL. Visitado em 7 de outubro de 2014.
  11. Índices Folha de São Paulo UOL (9 de abril de 1995). Visitado em 6 de outubro de 2014.
  12. Band entra na briga com reprise Folha de São Paulo UOL (26 de março de 1995). Visitado em 6 de outubro de 2014.
  13. Chuva e "AA" atrapalham Globo Folha de São Paulo UOL (19 de março de 1995). Visitado em 6 de outubro de 2014.
  14. Roni Lima (18 de junho de 1995). "Irmãos Coragem" tem final incerto Folha de São Paulo UOL. Visitado em 6 de outubro de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]