Gabriel García Márquez

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Gabriel García Márquez Medalha Nobel
Nascimento 6 de março de 1927
Aracataca,  Colômbia
Morte 17 de abril de 2014 (87 anos)
Cidade do México,  México
Nacionalidade Colômbia Colombiano
Prêmios Medalha do prêmio Nobel Nobel de Literatura (1982)

Gabriel José García Márquez[1] (Aracataca, 6 de março de 1927Cidade do México, 17 de abril de 2014)[2] foi um escritor, jornalista, editor, ativista e político colombiano. Considerado um dos autores mais importantes do século XX, foi um dos escritores mais admirados e traduzidos no mundo, com mais de 40 milhões de livros vendidos em 36 idiomas.[3]

Foi laureado com o Prémio Internacional Neustadt de Literatura em 1972, e o Nobel de Literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra, que entre outros livros inclui o aclamado Cem Anos de Solidão. Foi responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana. Viajou muito pela Europa e viveu até a morte no México. Era pai do cineasta Rodrigo García.

Primeiros dias[editar | editar código-fonte]

Gabriel García Márquez, também conhecido por Gabo, nasceu em 6 de março de 1927, na cidade de Aracataca, Colômbia, filho de Gabriel Eligio García e de Luisa Santiaga Márquez,[4] [5] que tiveram ao todo onze filhos. Logo depois que García Márquez nasceu, seu pai se tornou um farmacêutico. Em janeiro de 1929, seus pais se mudaram para Barranquilla,[6] [7] enquanto García Marquez permaneceu em Aracataca. Foi criado por seus avós maternos, Doña Tranquilina Iguarán e o coronel Nicolás Ricardo Márquez Mejía.[6] [8] Quando ele tinha oito anos, seu avô morreu, e ele se mudou para a casa de seus pais em Barranquilla, onde seu pai era proprietário de uma farmácia.[9] [10]

Seu avô materno Nicolás Márquez, que era um veterano da Guerra dos Mil Dias, cujas histórias encantavam o menino, e sua avó materna Tranquilina Iguarán, exerceram forte influência nas histórias do autor. Um exemplo são os personagens de Cem Anos de Solidão.

Gabriel estudou em Barranquilla e no Liceu Nacional de Zipaquirá. Passou a juventude ouvindo contos das Mil e Uma Noites; sua adolescência foi marcada por livros, em especial A Metamorfose, de Franz Kafka. Ao ler a primeira frase do livro, "Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso", pensou "então eu posso fazer isso com as personagens? Criar situações impossíveis?". Em 1947 muda-se para Bogotá para estudar direito e ciências políticas na universidade nacional da Colômbia, mas abandonou antes da graduação. Em 1948 vai para Cartagena das Índias, Colômbia, e começa seu trabalho como jornalista.

Jornalismo[editar | editar código-fonte]

Seu trabalho como jornalista foi para o jornal El Universal. Em 1949 vai para Barranquilha e trabalha como repórter para o jornal El Heraldo. Neste mesmo período participa de um grupo de escritores para estimular a literatura. Em 1954 passa a trabalhar no El Espectador como repórter e crítico.

Em chuguelublas 1958 trabalha como correspondente internacional na Europa, retorna a Barranquilha e casa-se com Mercedes Barcha com quem tem dois filhos, Rodrigo e Gonzalo. Em 1961 vai para Nova Iorque para trabalhar como correspondente internacional, mas suas críticas a exilados cubanos e suas ligações com Fidel Castro o fizeram ser perseguido pela CIA e com isso muda-se para o México.

Literatura[editar | editar código-fonte]

Gabriel García Márquez (no centro), concedendo autógrafos

Seus livros alcançaram repercussão na Europa nos anos 1960 e 1970. Seus livros refletiam sobre os rumos políticos e sociais da América Latina.[11] Teve como seu primeiro trabalho o romance "La Hojarasca" publicado em 1955. Em 1961 publica "Ninguém escreve ao coronel". A obra Relato de um náufrago, muitas vezes apontada como seu primeiro romance, conta a história verídica do naufrágio de Luis Alejandro Velasco e foi publicado primeiramente no "El Espectador", somente sendo publicada em formato de livro anos depois, sem que o autor soubesse. O escritor colombiano possui obras de ficção e não ficção, tais como Crônica de uma morte anunciada e O amor nos tempos do cólera. Em 1967 publica Cem Anos de Solidão - livro que narra a história da família Buendía na cidade fictícia de Macondo, desde sua fundação até a sétima geração -, considerado um marco da literatura latino-americana e exemplo único do estilo a partir de então denominado "Realismo Fantástico"[12] . Suas novelas e histórias curtas – fusões entre a realidade e a fantasia – o levaram ao Nobel de Literatura em 1982. Em 2002 publicou sua autobiografia Viver para contar, logo após ter sido diagnosticado um câncer linfático. Marquéz apontou como o seu mestre o escritor Norte-Americano William Faulkner.[13]

Cinema[editar | editar código-fonte]

Teve interesse por cinema e trabalhou principalmente como diretor. Em 1950 estudou no Centro experimental de cinema em Roma. Participou diretamente de alguns filmes tais como Juego peligroso, Presságio, Erendira, entre outros. Em 1986 fundou a Escola Internacional de Cinema e Televisão em Cuba, para apoiar a carreira de jovens da América Latina, Caribe, Ásia e África. Em 1990 conheceu Woody Allen e Akira Kurosawa, diretores pelos quais teve admiração.

Morte[editar | editar código-fonte]

Em abril de 2009 Márquez declarou que havia se aposentado e que não pretendia escrever mais livros. Essa notícia viu-se confirmada em 2012, quando o seu irmão, Jaime Garcia Marquez, anunciou que foi diagnosticada uma demência a Gabriel Garcia Marquez e que, embora estivesse em bom estado físico, havia perdido a memória e não voltaria a escrever.[14]

García Márquez morreu em 17 de abril de 2014 na Cidade do México, vítima de uma pneumonia,[15] pouco mais de um mês após completar 87 anos.[16] O autor lutava contra a reincidência de um câncer que atingia seus pulmões, gânglios e fígado.[17] Em 1999, ele já tinha conseguido superar um câncer linfático.[18]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

A morte do escritor repercutiu mundialmente. O presidente norte-americano Barack Obama declarou ser fã do autor, orgulhando-se de possuir um exemplar autografado por este de Cem Anos de Solidão e dizendo "o mundo perdeu um dos maiores e mais visionários escritores, um dos meus preferidos desde que eu era jovem", enquanto escritores como Luís Fernando Veríssimo declararam que García Márquez mudou a ótica do mundo com relação à América do Sul.[19]

Mil anos de solidão e tristeza pela morte do maior colombiano de todos os tempos![20]
 
Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, ABC News.

Obras[editar | editar código-fonte]

Prémios e condecorações[editar | editar código-fonte]

  • Prémio de Novela ESSO por "má hora:o veneno da madrugada" (1961)
  • Doutor Honoris Causa da Universidade de Columbia em Nova Iorque (1971)
  • Medalha da Legião Francesa em Paris (1981)
  • Condecoração Águila Azteca no México (1982)
  • Nobel de Literatura (1982)
  • Prémio quarenta anos do Círculo de jornalistas de Bogotá (1985)
  • Membro honorário do Instituto Caro y Cuervo em Bogotá (1993)
  • Doutor Honoris Causa da Universidade de Cádiz (1994)

Referências

  1. [1]
  2. Gabriel García Márquez Turns 80 BBC News (março de 2007). Página visitada em 30 de março de 2008.
  3. Winston Manrique Sabogal (17 de abril de 2014). Morre Gabriel García Márquez, gênio da literatura universal (em português) El País Brasil. Página visitada em 17 de abril de 2014.
  4. Saldívar 1997, p. 86
  5. Bell-Villada 2006, p. xix
  6. a b Saldívar 1997, p. 87
  7. Simons 1982
  8. García Márquez 2003, p. 11
  9. Apuleyo Mendoza & García Márquez 1983, p. 12
  10. García Márquez 2003, p. 123
  11. Escritor Gabriel Garcia Marquez morre aos 87 anos no mexico Folha de São Paulo. Página visitada em 17 de abril de 2014.
  12. Rede Brasil Atual (17 de abril de 2014). Gabriel García Marquez morre aos 87 anos Rede Brasil Atual. Página visitada em 17 de abril de 2014.
  13. Garcia Marquéz e Apuleyo Mendonza "Aroma a Goiaba"
  14. Gabriel Garcia Marquez perdeu a memória e não voltará a escrever Público (jornal). Página visitada em 7 de Julho de 2012.
  15. Escritor e Nobel da Literatura tinha 87 anos e morreu vítima de uma pneumonia SIC Notícias. Página visitada em 18 de abril de 2014.
  16. "Gabriel García Márquez morre aos 87 anos", O Globo, 17 Abril 2014.
  17. Escritor Gabriel Garcia Marquez morre aos 87 anos no mexico Folha de São Paulo. Página visitada em 17 de abril de 2014.
  18. Carta Capital (17 de abril de 2014). Morre o escritor Gabriel García Márquez (em português) Carta Capital. Página visitada em 17 de abril de 2014.
  19. Obama lamenta morte de García Márquez. Página visitada em 17 de abril de 2014.
  20. World Reacts to Death of Gabriel Garcia Marquez (em inglês). Página visitada em 17 de abril de 2014.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Apuleyo Mendoza, Plinio; Gabriel García Márquez. The Fragrance of Guava (em inglês). Londres: Verso, 1983. ISBN 0860919652
  • Conversations with Gabriel García Márquez. Jackson: University Press of Mississippi, 2006. ISBN 1578067847
  • García Márquez, Gabriel. Living to tell the tale. Nova Iorque: Alfred A. Knopf, 2003. ISBN 1-4000-4134-1
  • Saldívar, Dasso. García Márquez: El viaje a la semilla: la biografía (em espanhol). Madrid: Alfaguara, 1997. ISBN 8420482501
  • Simons, Marlise. (5 de dezembro de 1982). "A Talk With Gabriel García Márquez". New York Times. Página visitada em 2008-03-24.
  • García Márquez, Gabriel. Cem anos de solidão (em português). 48ª ed. Colômbia: [s.n.], 1967. 219 pp. 1 vol. vol. 1. 9785267006323 Página visitada em 2 de maio de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikiquote Citações no Wikiquote
Commons Categoria no Commons
Precedido por
Elias Canetti
Nobel de Literatura
1982
Sucedido por
William Golding