Demência

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Demência
Star of life caution.svg Aviso médico
Classificação e recursos externos
Old Man, Lievens.jpg
No Brasil, cerca de 21,9% das pessoas com idade acima de 65 tem alguma demência[1]
CID-10 F00.f
CID-9 294

Caracteriza-se a Demência quando, em um indivíduo que teve o desenvolvimento intelectual saudável, ocorre a perda ou diminuição da capacidade cognitiva, de forma parcial ou completa, permanente ou momentânea e esporádica. Dentre as causas potencialmente reversíveis estão disfunções metabólicas, endócrinas e hidroeletrolíticas, quadros infecciosos, déficits nutricionais e distúrbios psiquiátricos, como a depressão (pseudodemência depressiva).

Índice

[editar] Prevalência

A prevalência média de demência, acima dos 65 anos de idade, é de 2,2% na África, 5,5% na Ásia, 6,4% na América do Norte, 7,1% na América do Sul e 9,4% na Europa.[2]

O envelhecimento da população leva a um aumento das doenças crônicas e degenerativas, acarretando um maior custo-paciente na área de saúde e a necessidade de inúmeras adaptações sociais, ambientais e econômicas. É provável que em 2025, o Brasil se torne o 6o país com mais idosos no mundo então é importante começar o trabalho preventivo o mais cedo possível. O número de vítimas de demências aumenta exponencialmente com a idade afetando apenas 1,1% dos idosos entre 65 e 70 anos e mais de 65% depois dos 100 anos. A média em São Paulo no ano de 1998 na população acima de 65 anos foi estimada em 7,1%.[3] Porém, como é muito sub-diagnosticada, maior nas áreas rurais e com níveis educacionais mais baixos e tem aumentado muito nos últimos anos é provável que atualmente esteja por volta de 21,9% entre os maiores de 65 anos.[4] A doença de Alzheimer, o tipo de demência mais comum, é mais comum em mulheres enquanto as demências vasculares, segundo tipo mais comum, são mais comuns em homens.

Os custos com demência no mundo passam de 600 bilhões, custo maior do que o de qualquer empresa do mundo. A estimativa da Alzheimer’s Disease International (ADI) é de que em 2010 havia 35,6 milhões de pessoas vivendo com demência no mundo. Este número deve subir para 65,7 milhões até 2030 e 115,4 milhões até 2050. No Brasil, estima-se que entre 70% e 94% dos pacientes com demência vivam em casa, subindo para 90 a 95% nas áreas rurais, média muito acima da dos países desenvolvidos que fica por volta de 66%.[5]

[editar] Tipos

Metade dos casos de demência no Brasil são por doença de Alzheimer

A demência é um termo geral para várias doenças neurodegenerativas que afetam principalmente as pessoas da terceira idade. Essa patologia pode ser descrita como um quadro clínico de declínio geral na cognição como também um prejuízo progressivo funcional, social e profissional. As demências mais comuns são:

No dicionário internacional de doenças outras demências são classificadas como:

CID 10 - F02.0 Demência da doença de Pick
CID 10 - F02.1 Demência na doença de Creutzfeldt-Jakob
CID 10 - F02.2 Demência na doença de Huntington
CID 10 - F02.3 Demência na doença de Parkinson
CID 10 - F02.4 Demência na doença pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)

Esses diagnósticos não são exclusivos sendo possível, por exemplo, a existência de Alzheimer simultaneamente com uma demência vascular. [6] Outras classificações incluem a demência na Síndrome de Korsakoff.

[editar] Tratamento integrativo

O tratamento integrativo que pretendemos avaliar foi proposto no estudo de.[7] A amostra do estudo foi formada por 35 pacientes (20 do sexo masculino, 15 do feminino) com uma idade média de 71,05 anos, diagnosticados com demência moderada e depressão. O tratamento proposto pelos autores incluiu: antidepressivos (sertralina, citalopram ou venlafaxina XR, apenas ou em combinação com bupropiona XR), inibidores de colinesterase (donepezil, rivastigmine ou galantamine), como também vitaminas e suplementos (multivitaminas, vitamina E, ácido alfa lipóico, omega-3 e coenzima Q-10). As pessoas participantes do estudo foram encorajadas a modificar a sua dieta e estilo de vida bem como a executarem exercícios físicos moderados. Os resultados do estudo demonstraram que a abordagem integrativa não apenas diminuiu o declínio cognitivo em 24 meses, mas até mesmo melhorou a cognição, especialmente a memória e as funções executivas (planejamento e pensamento abstrato).

[editar] Medicamentos

Atualmente, o principal tratamento oferecido para as demências baseia-se nas medicações inibidoras da colinesterase (donepezil, rivastigmina ou galantamina), que oferecem relativa ajuda na perda cognitiva, característica das demências, porém, com uma melhora muito pequena.[8] Nesse sentido, a melhora das funções cognitivas verificadas no estudo avaliado não pode ser relacionada apenas a esse tipo de medicação.

Embora os pacientes do estudo avaliado evidenciassem um quadro de demência moderada e depressão, pesquisa de Kessing et al. (no prelo) demonstrou que o uso de antidepressivos em longo prazo, em pessoas com demência sem um quadro de depressão, diminuiu a taxa de demência e minimizou as perdas cognitivas associadas, sem, no entanto, ter reduzido tais perdas totalmente. Esse estudo também identificou que os antidepressivos utilizados em curto prazo geraram mais prejuízos às funções cognitivas em pessoas com demência. Portanto, apenas o uso de antidepressivos em longo prazo foi que surtiu um efeito protetivo.

Desse modo, podemos considerar que os antidepressivos usados em longo prazo, além de tratarem os quadros de depressão, que podem estar associados aos quadros de demência, são benéficos para o tratamento desta patologia. Alguns estudos revelaram que os antidepressivos podem ter efeitos neuroprotetivos, aumentando o nascimento e permitindo a sobrevivência de neurônios nas zonas do hipocampo (parte do cérebro relacionada principalmente à memória).[9] Contudo, o uso apenas de antidepressivos não é suficiente para uma melhora acentuada das perdas cognitivas da demência.

[editar] Alimentação e exercícios físicos

Caminhada dos idosos promovido pela Secretaria de Saúde e Meio Ambiente em 2008

Em questão aos exercícios físicos, segundo Pérez e Carral (2008), estes apresentam um potencial de melhorar a plasticidade do cérebro, reduzindo as perdas cognitivas ou minimizando o curso progressivo da demência. A importância dos exercícios físicos no tratamento da demência pode ser apoiada por outros estudos.[10]

Uma dieta funcional e exercícios físicos associados também demonstaram serem protetivos para o desenvolvimento da demência bem como para diminuir o curso progressivo dessa patologia.[11] Não obstante, pessoas com tendência a demência que utilizaram vitaminas antioxidantes (vitamina e C e E, por exemplo) apresentaram menor perda cognitiva que pessoas que não utilizaram tal recurso [12]

Ademais, Shatenstein e[13] identificaram que pessoas com demência tenderam a ter uma alimentação mais pobre em macronutrientes, cálcio, ferro, zinco, vitamina K, vitamina A e ácidos gordurosos. O que pode acentuar o curso degenerativo da doença. Aspecto que justifica a ministração de suplementos alimentares para essa população, devido à dificuldade de se alimentar, um dos sintomas que tendem a fazer parte do quadro de demência.

Em relação ao ácido alfa lipóico e à coenzima Q10, potentes antioxidantes cerebrais, ou seja, redutores dos radicais livres, existem evidências em estudos que essas substâncias também contribuem significativamente para a redução da progressão das perdas cognitivas em pessoas com demência, além de serem agentes protetivos. Tais substâncias são produzidas naturalmente pelo organismo, reduzindo sua produção com a idade.[14]

[editar] Comportamentos saudáveis

Metade das demências podem ser prevenidas ou pelo menos adiadas mantendo uma vida social, intelectual e profissional ativa[15]

Uma vida com compromissos e ativa também revelou melhorar as perdas cognitivas em demências mais moderadas.[16] O uso do fumo também pode vulnerabilizar as pessoas para a demência.[17] Desse modo, a mudança do estilo de vida é um fator fundamental para minimizar o curso das perdas evidenciadas na demência.

Portanto, podemos observar que, no estudo de Bragin et al. (2005), foram utilizados como tratamento da demência vários recursos disponíveis para tanto. Ocorreu uma melhora significativa em funções cognitivas importantes, prejudicadas pela demência moderada.

Assim, o diagnóstico precoce da demência é um aspecto importante para que os tratamentos existentes possam diminuir a progressão das perdas cognitivas, funcionais, sociais e profissionais em pessoas com essa patologia. Conforme demonstrou o estudo de Bragin et al. (2005), o tratamento deve ser integrativo, envolvendo uma equipe multidiscliplinar, com medicações específicas e suplementação alimentar, além de uma mudança do estilo de vida que inclui exercícios físicos moderados, cessação do uso do fumo, uma alimentação adequada e uma vida com o máximo possível de atividades.

Uma abordagem integrativa pode reduzir o curso das perdas cognitivas da demência, porém, ainda não existem tratamentos que possam "curar" integralmente essa patologia. Assim, a prevenção ao longo da vida é o melhor recurso existente. É importante durante a vida manter uma alimentação saudável e exercícios físicos regulares; bem como, na aposentadoria, torna-se imprescindível manter um estilo de vida ativo.

[editar] Psicoterapia

É frequente a comorbidade entre depressão, transtornos de ansiedade, distúrbios comportamentais e transtornos delirantes e demências, por isso é importante o acompanhamento psicológico regular. Esse acompanhamento inclui os familiares pois a demência causa grande impacto nos cuidadores, especialmente na família nuclear, os deixando vulneráveis a transtornos psicológicos como síndrome de burnout (exaustão física e psicológica). É necessário mais políticas públicas de apoio aos cuidadores pois quando exaustos eles tendem a colocar os idosos em asilos aumentando seriamente as desespesas do governo. [18][19]

[editar] Programa governamental no Brasil

O Ministério da Saúde brasileiro em parceria com o Ministério da Educação, a partir do decreto presidencial nº 6.286, de 5 de dezembro de 2007, vem desenvolvendo o programa Saúde na Escola com a visão de que os cuidados com a saúde começam na infância. Nesse programa, estão inclusos os cuidados com a alimentação e com os exercícios físicos regulares. O Ministério da Saúde é responsável pelo repasse de verbas às escolas locais; e o Ministério da Educação, pelos materiais educativos.

Essas ações governamentais são de especial importância, tendo em vista que a saúde é um recurso a ser preservado ao longo da vida para redundar em uma posteridade mais saudável. Contudo, acreditamos que tanto as esferas públicas como as privadas devem se engajar em programas preventivos e de saúde integral em prol da população. Os investimentos nesses programas serão bem menores que os custos financeiros com o tratamento da demência na terceira idade, já que essa patologia, com as perdas progressivas respectivas, acompanham as pessoas por mais de uma década de vida (MANCKOUNDIA e PFITZENMEYER, 2008). Nesse sentido, tais programas devem educar as pessoas em todas as faixas etárias, especialmente na infância; bem como as pessoas que estão ingressando na terceira idade devem ser alertadas para a necessidade de manterem um estilo de vida saudavel.

[editar] Demência e oligofrenia

A oligofrenia ou retardo mental é o déficit da capacidade mental em que a morbidez ocorre antes do desenvolvimento completo do sistema nervoso central.

Dada esta difereciação Esquirol dizia que o oligofrênico é o pobre que sempre o foi, ao passo em que o demente constitui-se no rico que empobreceu.

[editar] Ver também

Referências

  1. Lopes, Marcos Antonio.(2006)Estudo epidemiológico de prevalência de demência em Ribeirão Preto. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5142/tde-18042007-110300/pt-br.php
  2. Marcos A. Lopes, Cássio M.C. Bottino. PREVALÊNCIA DE DEMÊNCIA EM DIVERSAS REGIÕES DO MUNDO. Análise dos estudos epidemiológicos de 1994 a 2000. Arq Neuropsiquiatr 2002;60(1):61-69
  3. Herrera E Jr, Caramelli P, Nitrini R. Estudo epidemiológico populacional de demência na cidade de Catanduva - Estado de São Paulo - Brasil. Rev Psiquiatria Clin 1998;25:70-73.
  4. Lopes, Marcos Antonio.(2006)Estudo epidemiológico de prevalência de demência em Ribeirão Preto. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5142/tde-18042007-110300/pt-br.php
  5. BBC Brasil:[1]
  6. Charles André. Demência vascular: dificuldades diagnósticas e tratamento. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 1998, vol.56, n.3A [cited 2011-03-02], pp. 498-510 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X1998000300025&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0004-282X. doi: 10.1590/S0004-282X1998000300025.
  7. Bragin et al. (2005)
  8. (HOLMES, 2008; KATZ, e PETERS, 2008)
  9. (MOWLA et al., 2007; SCHMITT et al., 2006)
  10. (CHEN et al., 2008; COTMAN e BERCHTOLD, 2007; GARZA et al., 2004; LANGE-ASSCHENFELDT e KOJDA, 2008)
  11. (FERRARI, 2007; NASH, 2007)
  12. (CHERUBINI et al., 2005; FOTUHI et al., 2008; NASH, 2007).
  13. t al. (2007)
  14. (HARGREAVES et al. 2008; HOLMQUIST et al., 2007; MACZUREK et al., 2008; PIECZENIK e NEUSTADT, 2007; RUIZ-JIMÉNEZ, J. et al., 2007)
  15. Maior atividade pode prevenir demência em idosos: [2]
  16. STINE-MORROW et al.(2008) The Effects of an Engaged Lifestyle on Cognitive Vitality: A Field Experiment.Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2774272/
  17. (LETENNEUR et al., 2004; ROCHE, 2008)
  18. GARRIDO, REGIANE and ALMEIDA, OSVALDO P.. Distúrbios de comportamento em pacientes com demência: impacto sobre a vida do cuidador. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 1999, vol.57, n.2B [cited 2011-03-02], pp. 427-434 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X1999000300014&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0004-282X. doi: 10.1590/S0004-282X1999000300014.
  19. GARRIDO, Regiane and MENEZES, Paulo R. Impacto em cuidadores de idosos com demência atendidos em um serviço psicogeriátrico. Rev. Saúde Pública [online]. 2004, vol.38, n.6 [cited 2011-03-02], pp. 835-841 . Available from: <http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102004000600012&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0034-8910. doi: 10.1590/S0034-89102004000600012.

[editar] Ligações externas

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