Transtorno explosivo intermitente

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O transtorno explosivo intermitente, (abreviado TEI) descreve uma situação onde uma pessoa, nos momentos de raiva, não consegue conter seu comportamento e acaba perdendo o controle: xinga, berra, ameaça, destrói objetos, ataca fisicamente as pessoas. Possui as seguintes características [1] :

  • Apesar de não premeditar, depois desses ataques percebe que exagerou nas atitudes e sente vergonha, culpa e arrependimento.
  • Seus ataques de raiva nada têm a ver com o uso de álcool ou de drogas.
  • Apesar desses comportamentos, o portador do transtorno não tem problemas sérios com a Justiça.
  • Geralmente, na família há pessoas que apresentam o mesmo problema.

A pessoa apresenta dificuldade para controlar o impulso agressivo, na maioria das vezes, sua reação é explosiva e sempre muito desproporcional a situação que a desencadeou. Por exemplo: uma pessoa tem uma crise de fúria, joga coisas, xinga, grita porque a fila do cinema não anda. Essas atitudes não são premeditadas, ou seja, trata-se realmente de um impulso. Os portadores relatam que, às vezes, por uma fração de segundos, tem consciência do que está por ocorrer, mas não conseguem se controlar. Descrevem que esses momentos são precedidos de excitação crescente, alto nível de tensão, palpitações, aperto no peito, pensamentos raivosos etc., que os levam a fortes impulsos de agir agressivamente.

Após o ocorrido, sentem alívio da tensão e por algum tempo, acreditam que seus comportamentos são justificáveis. Invariavelmente, quando conseguem pensar com mais calma, sentem-se genuinamente arrependidos, com vergonha, culpados, tristes e confusos. O sentimento de base para o TEI é a raiva. Devemos, porém, considerar que a raiva é uma emoção normal que pode ocasionar sentimentos como aborrecimento ou irritação, e que somente quando fora de controle, torna-se destrutiva, causando problemas nas relações pessoais, de trabalho e qualidade de vida. Os indivíduos com esse transtorno frequentemente expressam raiva intensa e inadequada (para o estresse causado pelo ambiente ou situação), ou têm dificuldade para controlar essa raiva. São constantes também o extremo sarcasmo, a persistente amargura ou explosões verbais.

A raiva frequentemente vem à tona quando uma pessoa de sua simpatia é tida por eles como negligente, omisso, indiferente ou prestes a abandoná-lo. Durante períodos de extremo estresse pode ocorrer ideação paranóide ou sintomas dissociativos transitórios (por ex., despersonalização) mas estes, em geral, têm gravidade ou duração insuficiente para indicarem um outro diagnóstico psiquiátrico. Normalmente a maioria das pessoas acometidas desse mal acha que isso é normal e nega ser doente. A negação também faz parte das doenças da mente, mas se submetidas ao exame de "mapeamento cerebral" ficarão estarrecidas com o resultado porque o exame irá denunciá-las.

O Transtorno Explosivo Intermitente se percebe naquele indivíduo que, popularmente, é descrito como tendo “pavio curto” por não conseguir resistir aos seus impulsos agressivos.Desta forma, se tornam pessoas que têm dificuldade em avaliar as consequências de seus atos e, são levados a ter comportamentos agressivos, ataques de fúria e de agressividade, tais como, ameaçar, berrar, xingar, fazer gestos obscenos,falar palavrões, desrespeitar leis de trânsito, atirar objetos, envolver-se em brigas com a família, no trabalho,nas relações sociais e destruir objetos e propriedades.No entanto, seus ataques de agressividade não são premeditados, o que faz sentirem-se responsáveis por seus atos, demonstrando arrependimento, vergonha, culpa e tristeza.

Causas[editar | editar código-fonte]

As causas podem ser biológicas e/ou psico-sociais:

  • Biológica: disfunção na produção de serotonina.
  • Psico-sociais: Essas pessoas normalmente conviveram em famílias instáveis onde as explosões verbais e os abusos físicos e emocionais eram frequentes. Muitas vezes encontram-se nesses ambientes pessoas dependentes de álcool ou drogas.O portador apresenta baixa tolerância à frustração, e dificuldade para administrar sentimentos de raiva e hostilidade, são instáveis afetivamente, pois não sabem controlar seus sentimentos e emoções. Entendem que “o mundo está contra eles” e acabam por repetir o mesmo modelo de comportamento vivenciado na infância, acreditando ser essa uma forma de restaurar a auto-estima fragilizada.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico de transtorno explosivo intermitente somente é feito depois de descartados outros transtornos mentais que poderiam explicar os episódios de comportamento agressivo, como por exemplo:

Como dito anteriormente, deve ser realizado por profissionais que conhecem bem o transtorno para que seja feita uma avaliação médica e psicológica criteriosa.

Sintomas[editar | editar código-fonte]

  • perda de controle da agressividade superior a 2 vezes por semana;
  • ataques de agressividade não premeditados;
  • desproporcionais ao evento que o desecadeou;
  • sentimentos de culpa, vergonha, arrependimento,depois de um certo tempo, em relação aos ataques agressivos;
  • presença de familiares que apresentem características semelhantes;
  • crises de agressividade impulsivas, repentinas;
  • destruição de objetos e propriedades;
  • comportamento precedido de sensações físicas como: forte tensão, formigamento, tremores, palpitações, aperto no peito, tensão nas costas, pressão na cabeça, pensamentos raivosos que os levam a fortes impulsos de agir agressivamente;
  • relatam vontade de “matar alguém” ,“necessidade de ferir ou atacar”, ou frases como “é como um pico de adrenalina” ou “como se eu estivesse com sangue nos olhos”;
  • sensação de alívio imediatamente após a crise.

Referências

  1. Vargas, J.H. 2008. Transtorno Explosivo Intermitente.Transtorno Explosivo Intermitente

Ligações externos[editar | editar código-fonte]