Adicção sexual
| Adicção sexual | |
|---|---|
| O Comportamento Sexual Compulsivo afeta entre 3% a 6% da população, predominantemente homens, e costuma ter início no final da adolescência ou no início da terceira década.1 | |
| Classificação e recursos externos | |
| CID-10 | F52.7 |
| CID-9 | 302.89 |
Ninfomania (em mulheres), Satiríase (em homens), Hipersexualidade, Apetite sexual excessivo ou ainda Desejo Sexual Hiperativo (DSH) é uma disfunção sexual caracterizada por um nível elevado de desejo e atividade sexual. Trata-se de um tipo de vício com sintomas compulsivos, obsessivos e impulsivos, e seu tratamento é similar ao de outros tipos de dependências. A prevalência está em torno de 5%, sendo mais comum em homens, porém a dificuldade dos participantes em assumirem o problema por questões morais e sociais indicam que a frequência deve ser maior.1
Índice |
Características [editar]
Só é classificado como transtorno psicológico quando o comportamento e desejo sexual elevados prejudicam significativamente suas atividades diárias e relacionamentos afetivos. Alguns autores classificam a ninfomania e a satiríase como um tipo de compulsão.2 Mas atualmente é melhor classificada como um vício pois transtornos compulsivos e obsessivos (TOC) estão relacionados a atividades desagradáveis a que o indivíduo não consegue resistir e parar de pensar. Já o vício está associado a uma atividade prazerosa e dificuldade em conter impulsos. É possível também que se compulsão sexual e vício sexual sejam tratados como transtornos distintos de acordo com seus sintomas.3
Popularmente acredita-se que a pessoa com hipersexualidade deseja ter atos sexuais com diversos parceiros e obtém grande prazer em todos eles, mas não necessariamente é o que ocorre. Uma pessoa considerada ninfomaníaca pode não conseguir satisfazer seus desejos sexuais e por isso sentir a necessidade de ter vários atos sexuais seguidos na tentativa de alcançar um orgasmo. O ato sexual pode ser seguido por culpa e arrependimento, o que não impede novos impulsos para outro ato, assim como nas compulsões alimentares.4
Pesquisas brasileiras indicaram que a média de orgasmos é de 3 por semana entre os homens. Com base nesse dado estimou-se que mais de 7 orgasmos por semana ou mais de 15-25 horas vendo pornografia podem ser um sintoma de hipersexualidade. Os próprios portadores geralmente relatam sentirem preocupados e desconfortáveis com o excesso de desejo sexual e que seu tempo poderia ser melhor gasto em outras atividades mais satisfatórias e produtivas.1
Tipos [editar]
Segundo Coleman (1992) existem cinco tipos de Transtorno Sexual Hiperativo5 :
- Sexo compulsivo e múltiplos parceiros;
- Fixação compulsiva na obtenção de um parceiro inatingível;
- Masturbação compulsiva;
- Compulsão por múltiplos relacionamentos afetivos ou;
- Sexo compulsivo com um único parceiro.
O abuso de pornografia virtual, sexo por telefone e formas anônimas de sexo também podem ser usados para classificar sub-tipos de hipersexualidade.
Diagnóstico [editar]
Existem diversas propostas médicas para diagnosticar a hipersexualidade, dentre elas uma das mais aceitas pelos psiquiatras é 6 :
- A existência de fantasias sexualmente excitantes recorrentes e intensas, impulsos ou comportamentos sexuais que persistam durante um período de pelo menos seis meses e se encaixem na definição de parafilias.
- As fantasias, impulsos ou comportamentos sexuais causam desconforto ou comprometimento clinicamente significativo na área social, ocupacional ou outras áreas importantes.
- Os sintomas não encontram causa em outros transtornos, como por exemplo, no episódio maníaco.
- Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (abuso de droga ou medicamento) ou à afecção clínica geral.
Diagnóstico diferencial [editar]
É um dos sintomas da fase maníaca do distúrbio bipolar na fase maníaca. Nesta fase, o pensamento acelerado, delírio de grandiosidade, impulsividade e euforia podem gerar um grande aumento no número de relações sexuais, frequentemente sem preservativo e com múltiplos parceiros. Semanas depois na fase depressiva é comum que o paciente se arrependa e sinta vergonha e culpa por seus excessos e irresponsabilidade. Doença de Pick, lesões cerebrais, sífilis e demências também podem causar um aumento na sexualidade, impulsividade e obsessão sexual além de outros comportamentos socialmente inadequados similares.7
Está fortemente associado com outras adicções como alcoolismo, drogadicção, jogo patológico e compulsão alimentar. Também pode estar associado a transtornos de ansiedade, distúrbios de humor, transtorno de personalidade ou a outra disfunção sexual. Não deve ser classificada quando a hipersexualidade for causada por drogas (como metanfetaminas) ou medicamentos.
Etimologia [editar]
Ninfomania deriva das palavras gregas (nymphe) "moça; noiva" e (mania) "loucura". Na mitologia grega ninfas e sátiros eram espíritos da natureza famosos por sua beleza e sexualidade exacerbada. Diversas ninfas ficaram famosas ao se envolverem ou serem abusadas por deuses, dando a luz a famosos heróis.8
Tratamento [editar]
Terapia cognitivo-comportamental ensina o paciente a controlar seus impulsos e a manter relacionamentos sexualmente saudáveis e satisfatórios não necessariamente diminuindo a frequência sexual (por exemplo pode focalizar em ensinar a pessoa a restringir seu número de parceiros sexuais, melhorar a qualidade do ato e sempre usar preservativos). Pode também ser voltada para o desenvolvimento de habilidades para lidar melhor com a ansiedade, desconforto e carência afetiva ou de assertividade (saber dizer "não" gentilmente).9
Antidepressivos que regulam a serotonina (ISRS) podem ajudar a diminuir a libido, a ansiedade, os pensamentos obsessivos e aumentar o auto-controle e bom humor. Psicoterapia de casal e psicoterapia de grupo especialmente voltada para adicção sexual também tem demonstrado bons resultados.10 2
Casos notáveis [editar]
- Diário Proibido (2008), é um filme baseado no livro Diário de uma Ninfomaníaca de Valérie Tasso, escritora francesa formada em economia que relata suas experiências baseadas em fatos reais.
Referências
- ↑ a b c http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=168
- ↑ a b http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?10
- ↑ Barth, R. J., & Kinder, B. N. (1987). The mislabeling of sexual impulsivity. Journal of Sex & Marital Therapy, 13, 15-23.
- ↑ Mundo Estranho - O que provoca a ninfomania?. Página visitada em 03/02/2009.
- ↑ Coleman, E. - Is your patient suffering from compulsive sexual behavior? Psychiatr Annals 22:320-325, 1992.
- ↑ http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=168
- ↑ Cummings, J. L.. Dementia: A clinical approach (2nd ed). Boston: Butterworth-Heinemann.
- ↑ Lawson, John Cuthbert (1910). Modern Greek Folklore and Ancient Greek Religion (1st ed.). Cambridge: Cambridge University Press. pp. 131.
- ↑ Meg S. Kaplan; Richard B. Krueger, "Diagnosis, assessment, and treatment of hypersexuality" , The Journal of Sex Research, March-June 2010
- ↑ Kafka, M. P. (2007). Paraphilia-related disorders: The evalution and treatment of nonparaphilic hypersexuality. In S. R. Leiblum (Ed.), Principles and practice of sex therapy (4th ed.) (pp. 442-476). New York: Guilford.