Psiquiatria

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Psiquiatria é uma especialidade da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais em humanos, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como depressão, doença bipolar, esquizofrenia e transtornos de ansiedade. A meta principal é o alívio do sofrimento psíquico e o bem-estar psíquico. Para isso, é necessária uma avaliação completa do doente, com perspectivas biológica, psicológica, sociológica e outras áreas afins. Uma doença ou problema psíquico pode ser tratado através de medicamentos ou várias formas de psicoterapia. A avaliação psiquiátrica envolve o exame do estado mental e a história clínica. Testes psicológicos, neurológicos e exames de imagem podem ser utilizados na avaliação, assim como exames físicos. Os procedimentos diagnósticos variam mas os critérios oficiais estão descritos em manuais como a CID-10 da Organização Mundial de Saúde e o DSM-IV da American Psychiatric Association.

Os medicamentos psiquiátricos são parte central do arsenal terapêutico, o que é único na Psiquiatria, assim como procedimentos mais raramente utilizados como a eletroconvulsoterapia. A psicoterapia também faz parte do arsenal terapêutico do psiquiatra, embora também utilizada por outros profissionais de saúde mental. Os serviços psiquiáticos podem fornecer atendimento de forma ambulatorial ou em internamento. Em certos casos, este último pode ser realizado de forma involuntária. Tanto a clínica quanto a pesquisa em psiquiatria são realizadas de forma interdisciplinar.[1]


A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma"


Aparentemente, a Psiquiatria originou-se no século V A.C., enquanto que os primeiros hospitais para doentes mentais foram criados na Idade Média. Durante o século XVIII a Psiquiatria evoluiu como campo médico e as instituições para doentes mentais passaram a utilizar tratamentos mais elaborados e humanos. No século XIX houve um aumento importante no número de pacientes. No século XX houve o renascimento do entendimento biológico das doenças mentais, introdução de classificações para os transtornos e medicamentos psiquiátricos. A antipsiquiatria ou movimento anti-psiquiátrico surgiu na década de 1960 e levou à desinstitucionalização em favor aos tratamentos na comunidade. Estudos científicos continuam a buscar explicações para as origens, classificação e tratamento dos transtornos mentais.

Os transtornos psiquiátricos são descritos por suas características patológicas, ou psicopatologia, que é um ramo descritivo destes fenômenos. Muitas doenças psiquiátricas ainda não têm cura. Enquanto algumas têm curso breve e poucos sintomas, outras são condições crônicas que apresentam importante impacto na qualidade de vida do paciente, necessitando de tratamento a longo prazo ou por toda a vida. A efetividade do tratamento também varia em cada paciente.

Índice

[editar] A Prática da Psiquiatria

Psiquiatras são os mais conhecidos profissionais de saúde mental. São médicos que se especializam no tratamento da doença mental[2], através do modelo biomédico de abordagem das perturbações psíquicas, incluindo o uso de medicamentos.[3] [4] [5]

Os psiquiatras também podem passar por treinamento significativo para conduzir sessões de psicoterapia e terapia em psicologia cognitiva e psicologia comportamental. Psicólogos são profissionais especializados no emprego e pesquisa destas técnicas. A duração do treinamento em terapia de um psiquiatra varia de região para região.Os psiquiatras podem trabalhar apenas em clínica ou dedicar-se à pesquisa ou à vida acadêmica.

Os psiquiatras e os médicos assistentes são os únicos profissionais de saúde mental que podem realizar exames físicos, solicitar e interpretar análises laboratoriais, eletroencefalograma (EEG) e exames como Tomografia computadorizada (CT), Ressonância magnética (RM) e PET (Tomografia por emissão de pósitrons). O profissional tem que avaliar o paciente em busca de problemas médicos que possam ser a causa da perturbação mental.

[editar] Subespecialidades

Alguns psiquiatras especializam-se em certos grupos etários como pedopsiquiatras (especialistas em crianças e adolescentes) e os gerontopsiquiatras (especialistas em problemas psiquiátricos dos idosos). Muitos médicos que redigem laudo de sanidade (tanto em casos civis quanto criminais) são psiquiatras forenses, que também se especializaram no tratamento de criminosos e ou pacientes que apresentam periculosidade.

A Associação Brasileira de Psiquiatria reconhece as seguintes subespecialidades em psiquiatria:

Outras estão em fase de avaliação

[editar] Áreas de Estudo

Além destas, na formação do psiquiatra são também fundamentais conhecimentos de Medicina interna, neurologia, radiologia, psicologia, sociologia, farmacologia e psicofarmacologia

[editar] O Tratamento em Psiquiatria

A terapêutica psiquiátrica evoluiu muito nas últimas décadas (veja também História da Psiquiatria). No passado os pacientes psiquiátricos eram hospitalizados em Hospitais psiquiátricos por muitos meses ou mesmo por toda a vida. Nos dias de hoje, a maioria dos pacientes é atendida em ambulatório (consultas externas). Se a hospitalização é necessária, em geral é por poucas semanas, sendo que poucos casos necessitam de hospitalização a longo prazo.

Pessoas com doenças mentais são denominadas pacientes (Brasil) ou utentes (Portugal) e são encaminhadas a cuidados psiquiátricos mais comumente por demanda espontânea (doente procura o médico por si mesmo) ou encaminhadas por outros médicos. Ocasionalmente uma pessoa pode ser encaminhada por solicitação da equipe médica de um hospital, por internação psiquiátrica involuntária ou por solicitação judicial.

[editar] Avaliação Inicial

Qualquer que tenha sido o motivo da consulta, o psiquiatra primeiro avalia a condição física e mental do paciente. Para tal, é realizada uma entrevista psiquiátrica para obter informação e se necessário, outras fontes são consultadas, como familiares, profissionais de saúde, assistentes sociais, policiais e relatórios judiciais e escalas de avaliação psiquiátricas. O exame físico é realizado para excluir ou confirmar a existência de doenças orgânicas como tumores cerebrais, doenças da tireóide, ou identificar sinais de auto-agressividade. O exame pode ser realizado por outros médicos, especialmente se exame de sangue ou diagnóstico por imagem é necessário. O exame do estado mental do doente é parte fundamental da consulta e é através dele que se define o quadro e a capacidade do mesmo em julgar a realidade

O do tratamento requer o consentimento do paciente, embora em muitos países existam leis que permitem o tratamento compulsório em determinados casos. Como com qualquer outro medicamento, medicamentos psiquiátricos podem apresentar efeito colateral e necessitar de monitoramento da droga frequente, como por exemplo, hemograma e litemia (necessária para pacientes em uso de sal de lítio). Eletroconvulsoterapia (ECT ou terapia de eletrochoque) às vezes pode ser administrada para condições graves que não respondem ao medicamento. Existe muita controvérsia sobre este tratamento, apesar de evidências de sua eficácia.

Alguns estudos pilotos demonstraram que a Estimulação magnética transcraniana repetitiva pode ser útil para várias condições psiquiátricas (como depressão nervosa, alucinações auditivas). No entanto, o potencial da estimulação magnética transcraniana para a diagnóstica e terapia psiquiátrica ainda não foi comprovado, por falta de estudos clínicos de longo prazo.[6]

[editar] Consultas externas ou ambulatório

Pacientes psiquiátricos podem ser seguidos em internamento ou em regime ambulatorial. Neste último, eles vão às consultas no ambulatório, geralmente marcadas antecipadamente, com duração de 30 a 60 minutos. Nestas consultas geralmente o psiquiatra entrevista o paciente para atualizar sua avaliação do estado mental, revê a terapêutica e pode realizar abordagem psicoterápica. A frequência com que o médico marca as consultas varia de acordo com a severidade e tipo de cada doença.

[editar] Internamentos Psiquiátricos

Os pacientes podem ser internados voluntariamente (quando procuram ajuda no hospital para quadro grave psiquiátrico e aceitam a internação) ou involuntariamente (veja também internação psiquiátrica involuntária). Os critérios para a internação involuntária variam de país a país, mas em geral podem ser resumidas a presença de transtorno mental e risco imediato de perigo para si próprio ou outros.

Quando internados, os pacientes são avaliados, monitorados, medicados e recebem cuidados de uma equipe multidisciplinar, que inlcui enfermeiros, psicólogos, terapia ocupacional, assistentes sociais e outros profissionais médicos. Se necessário, podem ser contidos (contenção química ou contenção física) para impedir que causem dano a si ou a outros.

[editar] Sistemas diagnósticos dos transtornos psiquiátricos

A CID-10 ou Classificação Internacional de Doenças é publicado pela Organização Mundial de Saúde e utilizado mundialmente. Nos Estados Unidos, o sistema diagnóstico padrão é o DSM IV ou Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders revisado pela American Psychiatric Association (Associação Americana de Psiquiatria). São sistemas compatíveis na acurácia dos diagnósticos com exceção de certas categorias, devido a diferenças culturais nos diversos países. A intenção tem sido criar critérios diagnósticos que são replicáveis e objetivos, embora muitas categorias sejam amplas e muitos sintomas apareçam em diversos transtornos. Enquanto os sistemas diagnósticos foram criados para melhorar a pesquisa em diagnóstico e tratamento, a nomenclatura é agora largamente utilizada por clínicos, administradores e companias de seguro de saúde em vários países.

Notas e referências

  1. Pietrini, P. (2003). "Toward a Biochemistry of Mind?". American Journal of Psychiatry 160: 1907-1908/.
  2. Shorter, E. (1997). A History of Psychiatry: From the Era of the Asylum to the Age of Prozac.. New York: John Wiley & Sons, Inc, p.326, ISBN = 978-0-47-124531-5.
  3. Essen-Moller, E. (1971). "On classification of mental disorders.". Acta Psychiatrica Scandinavica 37: 119-126..
  4. Krebs, M.O. (2005). "Future contributions on genetics.". World Journal of Biological Psychiatry 6: 49-55.
  5. Hampel, H.;Teipel, S.J.; Kotter, H.U.; et al. (1997). "Structural magnetic resonance imaging in diagnosis and research of Alzheimer's disease.". Nervenarzt 68: 365-378..
  6. Ridding MC & Rothwell, JC. (2007) "Is there a future for therapeutic use of transcranial magnetic stimulation?" Nature Reviews Neuroscience 8: 559-567
  • American Psychiatric Association (2000), Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 4ª edição. Text revision. Washington, DC: American Psychiatric Association; 2000
  • Ballone GJ, PsiqWeb, internet, disponível em www.psiqweb.med.br
  • Sadock BJ, Sadock VA, eds. Kaplan & Sadock's Comprehensive Textbook of Psychiatry2000. 7ª edição. Baltimore: Lippincott Williams & Wilkins; 2000.
  • World Health Organization (WHO) International Classification of Diseases Online Version, disponível em http://www.who.int/classifications/icd/en/

[editar] Ver também

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[editar] Ligações externas

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