Tiroide

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Tireóide
Tireóide e paratireóide
Latim glandula thyroidea
Gray's assunto #272 1269
Vascularização artéria tireóidea superior, artéria tireóidea inferior,
Drenagem venosa veia tireóidea superior, veia tireóidea média, veia tireóidea inferior, thyreoidea ima
Inervação gânglio cervical médio, gânglio cervical inferior
Precursor 4th Branchial pouch
MeSH Thyroid+Gland
Dorlands/Elsevier g_06/12392768

Nota: Se procura tireóide no sentido de cartilagem , consulte cartilagem tireóide.

Glândula Tiróide

A tiróide (português europeu) ou tireóide (português brasileiro) (termo derivado da palavra grega "escudo", devido ao seu formato) é uma das maiores glândulas endócrinas do corpo. Ela é uma estrutura de dois lobos localizada no pescoço (em frente à traquéia) e produz hormônios, principalmente tiroxina (T4) e triiodotironina (T3), que regulam a taxa do metabolismo e afetam o aumento e a taxa funcional de muitos outros sistemas do corpo. O iodo é um componente essencial tanto do T3 quanto do T4. A tireóide também produz o hormônio calcitonina, que possui um papel muito importante na homeostase do cálcio. O hipertireoidismo (tireóide muito ativa) e hipotireoidismo (tireóide pouco ativa) são os problemas mais comuns da glândula tireóide.

Índice

[editar] Anatomia

A tireóide é uma glândula, com 15-30 g, localizada no pescoço anterior ao nível das vértebras C5 até T1, em frente à traquéia, e é imediatamente inferior à laringe (e à maçã de Adão). Ela está recoberta por músculos do pescoço e pelas suas fascias.

Tem forma de H e é constituída por dois lobos unidos por um istmo. Tem cor escura vermelha. Está envolvida por uma cápsula de tecido conjuntivo.

A tireóide é um orgão muito vascularizado, rica em capilares sanguíneos e linfáticos. O seu suprimento sanguíneo é das artérias tireóideas superiores (ramos das artérias carótidas externas) e artérias tireóideias inferiores (ramo das artérias subclávias).

[editar] Histologia

A glândula tireóide é constituída por um grande número de folículos (espécie de cistos microscópicos com cerca de meio milímetro de diâmetro) formados por epitélio simples de células tireóideas foliculares, produtoras de hormônios tireoideanos (T3 e T4). Entre os folículos, no interstício, estão células C (claras) ou parafoliculares, produtoras de calcitonina. Existe também tecido conjuntivo intersticial que se vai tornando mais volumoso do interior para a periferia da glândula, até se fundir com a cápsula.

Os folículos são delimitados por um epitélio cúbico simples de células foliculares. Estes secretam no interior do folículo os hormônios e outras substâncias que formam o colóide gelatinoso que se encontra no seu interior. Este colóide armazena o hormônio tireoideano, que é absorvido de novo pelas células foliculares e libertada no sangue de acordo com as necessidades do organismo. Julga-se que a arquitetura em folículos armazenadores deve-se à falta de regularidade de consumo de fontes de iodo de que sofriam os nossos antepassados.

[editar] Fisiologia

A principal função da glândula tiróide é a produção e armazenamento de hormônios tiroidianos, T3 (tri-iodotironina) e T4 (tiroxina). A produção destes hormônios é feita após estimulação das células pelo hormônio da hipófise TSH (thyroid stimulating hormone) no receptor membranar do TSH, existente em cada célula folicular. As células intersticiais, células c, produzem calcitonina, um hormônio que leva à diminuição da concentração de cálcio no sangue (estimulando a formação óssea).

A tiróide é a única glândula endócrina que armazena o seu produto de excreção. As células foliculares sintetizam a partir de aminoácidos e Iodo (este é convertido a partir do íon iodeto presente no sangue que armazenam activamente até grandes concentrações graças a um transportador membranar específico) a proteína de alto peso molecular tiroglobulina que secretam dentro dos foliculos numa solução aquosa viscosa, o colóide. De acordo com as necessidades (e níveis de TSH), as células foliculares captam por pinocitose líquido colóide. A tiroglobulina aí presente é digerida nos lisossomas, e transformada em t3 e t4 que são libertadas no exterior do folículo para a corrente sanguínea.

A atividade das células foliculares é dependente dos níveis sanguíneos de TSH (hormona hipofisária tirotrófica). A TSH determina a taxa de secreção de t3 e t4 e estimula o crescimento e divisão das células foliculares. Esta é secretada na glândula pituitária ou hipófise. A secreção de TSH depende de muitos factores, um dos quais é o feedback negativo pelas hormonas tiroideias (grandes quantidades de t3 ou t4 são sentidas pela hipófise a a secreção de TSH é diminuída, e vice-versa).

Os hormônios tiroidianos T3 e T4 (a T3 é mais potente e grande parte da T4 é convertida em T3 nos tecidos periféricos) estimulam o metabolismo celular (são hormonas anabólicas) através de estimulação das mitocôndrias. Efeitos sistêmicos importantes são maior força de contracção cardíaca, maior atenção e ansiedade e outros devido maior velocidade do metabolismo dos tecidos. A sua carência traduz-se em déficit mental e outros distúrbios.

Regulação na secreção de T3 e T4

Tanto o estresse quanto o frio estimulam a liberação de TSH-RF (RF: Releasing Factor ou Fator de Libereção) pelo HIPOTÁLAMO, que estimulam a liberação de TSH pela ADENO-HIPOFISE, que por sua vez, estimula a TIREÓIDE a liberar T3 e T4 que aumenta a taxa do metabolismo basal.

[editar] Embriologia

A glândula tiróide origina-se de uma bolsa endodérmica na faringe que surge ao 24º dia do desenvolvimento, conhecido por primórdio tiróideo. Em alguns indivíduos permanece uma ligação entre a tiróide e a língua (que se origina na mesma região), da qual ela desceu durante o desenvolvimento embrionário, que se denomina canal tiroglosso.

[editar] Doenças

A tireóide pode ser acometida de enfermidades correlacionadas com o meio ambiente. O consumo excessivo de fluoretos, a deficiência de iodo, vitaminas e desnutrição, contribuem para o aparecimento do Hipotiroidismo. Se você tem, ou suspeita ter, essa enfermidade comum, evite os fatores de risco e converse com seu médico sobre o tratamento.

[editar] História

A Tiróide foi identificada enquanto órgão pelo anatomista Thomas Wharton em 1656. A tiroxina (T4) foi isolada no século XIX.

[editar] Bibliografia

  • MOORE, Keith L. Fundamentos de anatomia clínica (2a. ed.). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 501.
  • JUNQUEIRA, Luiz C.; CARNEIRO, José. Histologia básica (10a. ed.). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.

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