Orientação sexual

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A orientação sexual de uma pessoa indica por quais gêneros ela sente-se atraída, seja física, romântica e/ou emocionalmente.[1] [2] Ela pode ser assexual (nenhuma atracção sexual), bissexual (atracção pelos gêneros masculino e feminino), heterossexual (atracção pelo gênero oposto), homossexual (atracção pelo mesmo gênero)[3] ou pansexual (atracção independente do gênero).[4]

De acordo com Jaqueline Gomes de Jesus, é importante ressaltar que orientação sexual e gênero "podem se comunicar, mas um aspecto não necessariamente depende ou decorre do outro. Pessoas transgênero são como as cisgênero, podem ter qualquer orientação sexual: nem todo homem e mulher é 'naturalmente' cisgênero e/ou heterossexual". [5]

Causa[editar | editar código-fonte]

O termo orientação sexual é considerado mais apropriado do que opção sexual ou preferência sexual porque opção indica que uma pessoa teria escolhido a sua forma de desejo. A psicologia moderna, embora não tenha consenso a respeito do que exatamente explica a sexualidade de um indivíduo, determina que a orientação sexual não pode ser mudada com terapias[6] [7] e não é uma escolha.[8] [9] [7] A orientação sexual pode ser determinada por factores biogenéticos, sejam questões hormonais in utero ou genes que possam determinar esta predisposição.[10]

Pesquisas têm identificado diversos fatores biológicos que podem estar relacionados ao desenvolvimento da orientação sexual, incluindo os genes, hormônios pré-natais e a estrutura do cérebro humano. Nenhuma causa única foi identificada até então e a pesquisa continua nesta área.[11] Apesar que ainda não haja consenso como e quando são formadas as estruturas cerebrais (hipotálamo e amídala cerebral) responsáveis pela identidade de gênero na maioria dos animais (se nascem com a criança ou desenvolvem na puberdade, ou ambos), é consenso que essas estruturas do cérebro (hipotálamo) apresenta diferenças estruturais e fisiológicas entre homens heterossexuais, homens homossexuais, transsexuais de homem para mulher, transsexuais de mulher para homem, mulheres heterossexuais e mulheres homossexuais, com relação a identidade sexual e atração sexual. [12]

Novas evidências indicam que diferenciação sexual do cérebro humano ocorre durante desenvolvimento fetal e neonatal, e programam nossa identidade de gênero e o nosso sentimento de ser homem ou mulher, assim como a nossa orientação sexual como hetero, homo, ou bissexuais. Esta diferenciação sexual processo é acompanhado por muitas estruturais e funcionais diferenças cerebrais entre estes grupos. Durante o período pré-natal, por meio de uma ação direta da testosterona sobre as células nervosas em desenvolvimento, o cérebro sofre masculização, ou na direção feminina por meio da ausência deste de hormônio. Desta forma, nossa identidade de gênero (a convicção de pertencer ao sexo masculino ou feminino) e a orientação sexual são programadas ou organizadas em nossas estruturas cerebrais quando estamos ainda no útero. Não há nenhuma indicação de que o ambiente social após o nascimento tenha algum efeito sobre a identidade de gênero ou sobre a orientação sexual. [13]

Estudos demonstraram uma diferenciação do hipotálamo em homens e mulheres heterossexuais, e um padrão atípico, quase invertido, em homens e mulheres homossexuais. Em um artigo recente [14] , os autores relataram que as relações hemisféricas, bem como os padrões de conectividade com a amígdala, são atípicas em indivíduos homossexuais, exibindo padrões mais parecidos com de mulheres heterossexuais do que Homens heterossexuais, assim como mulheres homossexuais apresentam padrões parecidos mais com homens heterossexuais do que com mulheres heterossexuais. [15] [16]

A visão prevalente é a de que a orientação sexual é biológica por natureza, determinada por um complexo jogo de fatores genéticos e desenvolvimento intra-uterino. Alguns acreditam que a orientação sexual é estabelecida na concepção, portanto não uma escolha.[17] Isto é, indivíduos não optam por serem hetero, homo, bi, pan ou assexuais. Não há evidência suficiente para suportar a visão de que experiências na infância, criação, abuso sexual ou outros efeitos adversos em vida influenciem a orientação sexual. Contudo, estudos encontram bases na experiência de vida para alguns aspectos da expressão da sexualidade humana. Atitudes dos pais em relação à orientação sexual pode afetar como seus filhos experimentam com comportamentos relacionados socialmente a uma certa orientação.[18] [19] [20] [21] [22]

A homosexualidade já foi considerada como resultado de dinâmicas familiares problemáticas ou desenvolvimento psicológico faltoso. Estas ideias já são hoje consideradas como baseadas em desinformação e preconceito. A investigação científica atual procura encontrar explicações biológicas para a manifestação de uma determinada orientação sexual. Até o momento, não há nenhuma evidência científica replicável que embase qualquer explicação específica para a sexualidade humana.[23]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Associação Psiquiátrica Americana (APA). Sexual Orientation http://healthyminds.org/.+Visitado em 2011.
  2. Adrian Coman (2003). Orientação Sexual e Direitos Humanos Human Rights Education Associates (HREA). Visitado em 11 de julho de 2012.
  3. [www.apa.org/topics/sorientation.pdf Sexual Orientation and Homosexuality] American Psychological Association (2008). Visitado em 11 de julho de 2012.
  4. Module 4: Pansexuality Universidade do Norte de Iowa. Visitado em 11 de julho de 2012.
  5. JESUS, Jaqueline Gomes de (2012). Orientações sobre Identidade de Gênero: Conceitos e Termos p. 13.. Visitado em 13 de setembro de 2013.
  6. Terapias de mudança de orientação sexual são prejudiciais PortugalGay (26/03/2009). Visitado em 2009-10-08.
  7. a b Associação Australiana de Psicologia (APS) (2012). Sexual orientation and homosexuality psychology.org.au. Visitado em 19 de junho de 2012.
  8. Associação Americana de Psicologia (APA) (2008). Sexual orientation and homosexuality www.apa.org. Visitado em 19 de junho de 2012.
  9. Victoria Clarke, Sonja J. Ellis, Elizabeth Peel, Damien W. Riggs. Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Queer Psychology: An Introduction. [S.l.]: Cambridge University Press, 2010. 348 p. ISBN 0521700183
  10. Cérebro de homens gays é igual ao das mulheres heterossexuais, diz estudo sueco O Globo Online (16/06/2008). Visitado em 2008-06-28.
  11. Pesquisa publicada no American Journal of Sociology (Bearman, P. S. & Bruckner, H. (2002) Opposite-sex twins and adolescent same-sex attraction. American Journal of Sociology 107, 1179–1205.) e está disponível somente para assinantes. Uma versão está disponível na página da Universidade Columbia [1].
  12. Balthazart, J. (21 de junho de 2011). "Minireview: Hormones and human sexual orientation.". Endocrinology 152 (8). DOI:10.1210/en.2011-0277. Visitado em 09 de janeiro de 2015.
  13. Garcia-Falgueras, A; SWAAB, D. F.. (24 de novembro de 2010). "Sexual hormones and the brain: an essential alliance for sexual identity and sexual orientation.". Endocrine Development 17. DOI:10.1159/000262525. Visitado em 9 de janeiro de 2015.
  14. Savic, Ivanca; Per Lindström. (8 de julho de 2008.). "SPET and MRI show differences in cerebral asymmetry and functional connectivity between homo- and heterosexual subjects". PNAS - Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America.. DOI:10.1073/pnas.0801566105.. Visitado em 09 de janeiro de 2015.
  15. Swaab, Dick F.. (29 de julho de 2008.). "Sexual orientation and its basis in brain structure and function.". PNAS - Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America.. DOI:10.1073/pnas.0805542105. Visitado em 09 de janeiro de 2015.
  16. Garcia-Falgueras, Alicia; Dick F. Swaab. (2008). "[http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18980961 A sex difference in the hypothalamic uncinate nucleus: relationship to gender identity]". Brain - A journal of neurobiology.. DOI:10.1093/brain/awn276. Visitado em 09 de janeiro de 2015.
  17. Vare, Jonatha W., e Terry L. Norton. "Understanding Gay and Lesbian Youth: Sticks, Stones and Silence." Cleaning House 71.6 (1998): 327-331: Education Full Text (H.W. Wilson). Web. 19 de abril de 2012.
  18. Pediatrics: Sexual Orientation and Adolescents, Academia Americana de Pediatria -- Relatório Clínico. Acessado em 8 de dezembro de 2009.
  19. Escola Real de Psiquiatria: Envio à Igreja da Inglaterra para o exercício de auditoria sobre sexualidade humana.
  20. Answers to Your Questions About Sexual Orientation and Homosexuality. Visitado em 26 de maio de 2008.
  21. "Different aspects of sexual orientation may be influenced to a greater or lesser degree [p. 303:] by experiential factors such that sexual experimentation with same-gender partners may be more dependent on a conducive family environment than the development of a gay or lesbian identity." Susan E. Golombok & Fiona L. Tasker, Do Parents Influence the Sexual Orientation of Their Children?, in J. Kenneth Davidson, Sr., e Nelwyn B. Moore, Speaking of Sexuality: Interdisciplinary Readings (Los Angeles, Califórnia.: Roxbury Publishing, 2001) (ISBN 1-891487-33-7), pp. 302–303 (adaptado dos mesmos autores, Do Parents Influence the Sexual Orientation of Their Children? Findings From a Longitudinal Study of Lesbian Families, in Developmental Psychology (American Psychological Association), vol. 32, 1996, 3–11) (autora Susan Golombok prof. psicologia, Universidade da Cidade de Londres, id., p. xx, & autora Fiona Tasker sr. palestrante, Birkbeck Coll., Univ. de Londres, id., p. xxiii).
  22. "Whereas there is no evidence from the present investigation to suggest that parents have a determining influence on the sexual orientation of their children, the findings do indicate that by creating a climate of acceptance or rejection of homosexuality within the family, parents may have some impact on their children's sexual experimentation as heterosexual, lesbian, or gay." Do Parents Influence the Sexual Orientation of Their Children?, ibid., in Speaking of Sexuality, id., p. 303 (adapted per id., p. 303).
  23. Associação Psiquiátrica Americana Sexual Orientation
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